Assim Estava Escrito

19 Clara fica gripada


Notas iniciais
Olá pessoal, Antes de mais nada, queria agradecer a tod@s pelas manifestações de carinho e preocupação comigo, tanto nas mensagens por aqui quanto no twitter. Muito obrigada mesmo, de coração! Fico muito feliz por esta fic ter colocado em meu caminho tantas pessoas do bem como vocês! Estou bem melhor, cada dia mais forte e mais disposta. Nada como o tempo para trazer a paz de espírito novamente, não é?! O tempo e o apoio daqueles que se importam conosco! Valeu mesmo! Bom, o capítulo demorou um pouquinho, porque acabei fazendo 2 em 1. Tanto que vocês podem ver que ele ficou maior. Aqui vamos acompanhar como a relação entre elas foi se estreitando e fortalecendo cada dia mais. Lembrando que ainda não chegamos ao primeiro dia em que elas aparecem como namoradas na novela, no capítulo de 12 de junho de 2014. O que está sendo mostrado aqui acontece antes daquele dia. E no próximo capítulo (conforme spoilerzinho nas notas finais), um dos momentos Clarina mais aguardados da novela!! E algo me diz que vai ser hot!! Não deixem de comentar, preciso saber que vocês permanecem aí, pra eu continuar daqui!! Boa leitura a tod@s! :D Carpe Diem!!

Depois de mais um dia de trabalho, Clara e Marina terminavam de ajeitar as coisas no estúdio quando a morena começou a espirrar sem parar.

– Hum meu amor, será que você pegou uma gripe?! — A fotógrafa perguntou preocupada.

– Acho que não. Esses espirros devem ser por causa da mudança do tempo. Uma hora está um calor danado, outra hora o tempo vira, a gente toma friagem e o corpo acaba sentindo. Mas não deve ser nada não, eu raramente fico gripada. Difícil alguma coisa me derrubar viu?! — Clara brincou.

– Ah é né?! — Marina se sentiu provocada. A fotógrafa se aproximou da morena, a abraçou, e começou a beijar seu pescoço. — E se eu te encher de beijinhos assim, você ainda consegue ficar firme?! — A artista olhou para Clara com um olhar desafiador, e a seguir voltou a encher a assistente de beijos provocantes.

– Nossa, meu amor, aí é até covardia né?! Quem consegue resistir a isso?! — Clara se rendeu. Seus lábios tocaram os de Marina, seus braços se envolveram, e o beijo logo começou a esquentar. Sem se separarem, foram se aproximando das almofadas do estúdio, até que...

– Atchimmmmm!!!!!! — A morena cessou o beijo repentinamente para conseguir espirrar. — Desculpa meu amor. Não sei o que está acontecendo comigo. — Clara afirmou.

– Não tem problema. Tá tudo bem linda! — Marina a tranquilizou. — Olha, faz assim, vai pra casa, toma um banho quente e descansa.

– É, eu vou fazer isso mesmo. Vou tomar um banho e ficar quietinha debaixo das cobertas, e amanhã estarei melhor. — Respondeu a assistente.

Despediram-se e Clara partiu para o Leblon.

No dia seguinte, quando abriu os olhos, a morena não conseguiu se levantar. A frequência dos espirros aumentou, e junto a eles veio uma enorme dor no corpo. A gripe havia pego a assistente em cheio.

Poucos instantes depois, Ivan entrou no quarto.

– Oh mãe, você ainda tá aí?! Eu já tô prontinho pra escola, mas desse jeito eu vou acabar me atrasando. — Completou o menino.

– Meu filho, sua mãe tá com uma gripe muito forte, dor no corpo todo. Não vou conseguir te levar na escola hoje. Faz um favor pra mim. Vai lá na casa da sua tia Helena e pede pra Rosa te levar, por favor.

– Tá bom mãe! Mas se você tá assim, não é melhor eu ficar em casa pra cuidar de você?! — Perguntou o pequeno.

– Não senhor! De jeito nenhum! Você vai pra escola sim! — Clara olhou para o menino, que ficou meio descochado ao ver a mãe recusando sua ajuda. — Olha meu amor, eu agradeço a sua preocupação e o fato de você querer ficar aqui comigo, mas eu não quero que você perca aula por isso. Vai lá na casa da sua tia, pede pra Rosa te levar, e eu vou me cuidar aqui, pode deixar. Vou ficar quietinha aqui, e na hora que você voltar eu vou estar bem melhor, você vai ver.

Ivan então ficou mais conformado. Deu um beijo na mãe e foi até o apartamento de Leninha.

Chegando lá, a dona da casa tomava café com Dona Chica. Rosa trazia algo da cozinha quando o menino perguntou pra ela:

– Ei Rosa, minha mãe tá meio doente hoje, será que você pode me levar na escola?!

Antes que a ajudante de Leninha respondesse, a avó do menino questionou:

– O que a Clara tem meu amor?!

– Ah vó, eu fui lá no quarto chamá-la pra gente sair, porque senão eu ia me atrasar, mas ela mal conseguiu levantar da cama, disse que tava com o corpo todo doendo. E ela tava espirrando muito também.

– Nossa, é tão difícil a Clara ficar gripada, pra ela não conseguir sair da cama é porque deve estar sentindo mal mesmo. Eu vou lá ver como ela está. — Dona Chica se levantou, despediu de todos e foi em direção ao apartamento da filha, aproveitando que tinha uma chave extra e conseguiria entrar.

– Então vamos Ivan?! Senão você fica atrasado mesmo. — Rosa falou com o menino, e em seguida os dois saíram para o colégio.

No apartamento de Clara, Chica entrou no quarto da filha, que tinha o sono leve. Sentou-se na beirada da cama, a seu lado, e acariciou o rosto da morena, que despertou a seguir.

– Oi mãe. — A assistente falou num sussurro. Estava fraca.

– Ei minha filha! Encontrei o Ivan lá na casa da Leninha, fiquei preocupada e resolvi ver como você está.

– Ah Dona Chica, a gripe me pegou feio hoje, nem consegui levantar da cama.

– Então você não comeu nada ainda?! — A mãe perguntou preocupada.

– Ainda não mãe. Mas tô sem fome também.

– Mas minha filha, sem comer nada, aí é que você não vai melhorar mesmo. — Chica passou a mão carinhosamente no rosto de Clara. — Olha, fica quietinha aí que eu vou fazer uma canja e logo trago pra você.

– Tá bom mãe. Obrigada! Posso te pedir um favor?! Acho que eu deixei o meu celular sobre a mesa lá na sala. Será que a senhora poderia buscá-lo pra mim?! Eu preciso ligar pra Marina pra avisar que não vou conseguir trabalhar hoje.

– Pego sim minha filha, claro!

Chica lhe entregou o telefone e foi para a cozinha preparar a canja. Clara então ligou para a namorada.

– Oi meu amor! — A morena soava gripada ao telefone.

– Oi minha linda! — E essa vozinha aí?! A gripe veio mesmo né?! — Marina perguntou.

– Veio sim, não consegui nem sair da cama hoje ainda. Corpo tá muito ruim. Me desculpa linda, mas não vou conseguir trabalhar hoje.

– Ei ei, pode parar. Não tem que se desculpar Clara. O que você tem que fazer é ficar quietinha aí descansando e se recuperando. E eu tô indo aí pra cuidar de você! — A fotógrafa foi enfática.

– Não precisa meu amor. Não quero que a equipe do estúdio fique ainda mais desfalcada por minha causa. Por favor, não vou te dar esse trabalho. Além do mais, minha mãe está aqui fazendo uma canja pra mim. Não precisa se preocupar. Vai ficar tudo bem aqui! — A morena declarou.

– Tem certeza minha linda?! — Marina quis se certificar que a namorada ficaria bem.

– Tenho sim!

– Então mais tarde eu te ligo pra ter notícias, tá?! — A fotógrafa estava preocupada.

– Tá bom! Beijo

Assim que desligou o telefone, Marina ficou parada e pensativa por alguns instantes. Percebeu que não conseguiria se concentrar no trabalho naquele dia, pois estava com a cabeça na forte gripe que havia acometido Clara. Decidiu ir até o Leblon. Passou no estúdio para pegar seu notebook e avisar as meninas que naquele dia trabalharia da casa da assistente, e qualquer coisa poderiam lhe ligar no celular. Partiu rumo ao prédio dos Fernandes.

Chica terminou de preparar a canja e a levou até o quarto da filha. Um pouco resistente no início a morena acabou tomando algumas colheradas, embora não tenha dado conta de tudo que sua mãe serviu. Mas a matriarca se deu por satisfeita, visto que Clara tinha conseguido se alimentar um pouco pelo menos. Chica deu um beijo na filha e a deixou descansando, prometendo que logo voltaria para ver como ela estava.

Quando saiu do elevador, Marina deu de cara com a sogra deixando o apartamento da amada.

– Oi Chica, como você tá?!

– Tudo bem minha querida! — Cumprimentaram-se com um beijo no rosto. — A Clara que não amanheceu muito bem hoje, tá com uma gripe daquelas.

– Então, ela me ligou e eu percebi a gripe forte só pelo tom de voz dela ao telefone. Fiquei preocupada, quis vir pra cá, ela falou que não precisava, mas eu não resisti, não ia conseguir trabalhar com a cabeça aqui nela.

– Mas foi bom você ter vindo, ela vai gostar de te ver. — Completou a sogra.

Chica abriu a porta novamente para que a fotógrafa entrasse. Se despediram. Marina deixou suas coisas sobre a mesa e lentamente foi caminhando pelo corredor do apartamento até chegar ao quarto de Clara. Parou para observar a morena, que dormia sob as cobertas, do lado esquerdo da cama, virada para a porta.

A namorada se aproximou devagar e sentou-se na cama. Levou sua mão até a testa da assistente, sentindo o calor de uma febre que embora presente, parecia baixa. Marina deslizou os dedos pelo rosto da morena, sentindo sua pele, demonstrando naquele leve toque todo seu carinho e cuidado com a amada. Neste momento, ainda de olhos fechados, Clara sorriu.

– Mesmo gripada eu reconheci seu perfume de longe minha linda! — A assistente abriu os olhos e fitou a namorada.

– Desculpa, eu não queria te acordar.

– Não tem que pedir desculpas. Só de você estar aqui eu já me sinto melhor. Não queria te dar trabalho, mas estou feliz que você veio. — Declarou a morena.

– Também estou feliz por ter vindo meu amor! Agora descansa que eu vou ficar aqui pro caso de você precisar de alguma coisa. — Marina deu um beijo na testa da namorada.

Clara adormeceu novamente. A fotógrafa pegou seu notebook e sentou-se na poltrona do quarto, de frente para a amada. Conseguiu trabalhar um pouco, fazer algumas pesquisas, mas em alguns momentos ficava simplesmente parada observando a assistente dormir.

"Meu Deus, como ela é linda! Que sorte a minha por tê-la em minha vida". — Pensava Marina.

A manhã passou, e a fotógrafa teve a ideia de fazer uma sopa de legumes para a morena. Era uma das poucas coisas que sabia fazer na cozinha, receita de sua mãe, que ficou guardada em sua memória apesar dos anos que se passaram desde a última vez que saboreou aquele prato.

Marina foi até a cozinha e assim que entendeu onde estava cada coisa que precisava, começou a preparar a sopa. Fazia com todo carinho e cuidado do mundo, o que foi um toque mais do que especial para que o prato saísse exatamente da forma como queria. Quando ficou pronto, o levou até o quarto em uma bandeja, que deixou sobre a mesinha de canto quando foi acordar a assistente.

– Ei meu amor! — A fotógrafa passou a mão no rosto de Clara. — Fiz uma sopinha pra você!

Aos poucos a morena despertou e logo viu o prato que a namorada tinha feito.

– Ei... — A assistente sentou-se na cama, encostada na cabeceira. — Você fez sopa?! Marina Meirelles fez sopa pra mim?! — Perguntou surpresa.

– Ué, fiz sim! Você achava que eu não dava conta né?! Pronto, tá aí, receita da minha mãe. Sem querer me gabar mas ficou uma delícia, viu?! — A fotógrafa respondeu.

– Hum, sendo assim, faço questão de provar! — Clara sorriu.

– Provar só não! A senhorita vai tomar tudinho, não pode ficar sem se alimentar! — Marina fingiu estar brava.

Assim que experimentou a sopa, a morena deu um sorriso.

– Olha, tá uma delícia viu?! — A assistente elogiou.

– Tá mesmo?! — Marina perguntou com um olhar de dúvida. — Você não está falando só pra me agradar não né?!

– Juro! — Clara reafirmou. — Tá muito bom mesmo! E você sabe que eu sou sincera, lembra quando você fez aquele macarrão na sua casa?! Aquele sim foi complicado de comer. — A morena gargalhou, sendo acompanhada por Marina.

– Bom, então quero ver você tomar tudo, porque se ficar sem comer, aí que a gripe vai piorar mesmo.

– Vou tomar sim! — A assistente afirmou.

E assim Clara fez, o que deixou Marina muito feliz. A fotógrafa também tomou um pouco de sopa, e após o almoço, deitou na cama da namorada e ficou passando a mão nos cabelos da mesma, que não resistiu ao cafuné e adormeceu novamente. Marina também relaxou e acabou cochilando junto.

No meio da tarde, a fotógrafa acordou e decidiu trabalhar um pouco na sala, deixando Clara mais quietinha. Ligou para o estúdio para saber como as coisas estavam e continuou mexendo no seu notebook.

Marina estava na mesa quando ouviu a porta da sala se destrancar, e pouco depois entraram Ivan e Leninha. O pequeno logo foi cumprimentá-la com um abraço.

– Oi Marina, como você tá?! Você veio cuidar da mamãe?!

– Então meu lindo, vim sim, fiquei preocupada quando ela me ligou hoje cedo falando que não tava conseguindo sair da cama.

– Tudo bom Marina?! — Helena a cumprimentou com três beijinhos. — Como está minha irmã?!

– Tá deitada ainda. Mas ela se alimentou direitinho, descansou, a febre passou, tenho certeza que vai acordar melhor. — Respondeu a fotógrafa.

– Eu vou lá ver como ela está! — O menino declarou, sendo seguido pelas duas até o quarto.

Entraram devagar, mas como Clara já tinha o sono leve, acabou despertando.

– Oi mãe! — Ivan sentou-se na cama.

– Oi meu príncipe! — Clara levou a mão até o rosto do filho.

– Você melhorou?! — O pequeno questionou.

– Tô bem melhor sim meu amor!

– Ei minha irmã, imaginei que você não fosse conseguir sair de casa e acabei indo buscar o Ivan também. Amanhã a Rosa leva ele de novo, tá?!

– Obrigada Leninha! — A morena agradeceu.

– Você tá precisando de alguma coisa?! — A mais velha perguntou.

– Não irmã, vocês já ajudaram demais com o Ivan, obrigada mesmo! A Marina tá aqui, e qualquer coisa ela me ajuda. — A assistente olhou para a namorada, que piscou de volta.

– Então tá bom! Qualquer coisa, podem me chamar lá em casa, viu?! — Leninha afirmou. Se despediu de todos e seguiu para seu apartamento.

– Meu filho, hoje eu não vou poder ficar de cima de você, mas queria que você colaborasse com a mamãe. Quero que você vá tomar seu banho, depois faça um lanche e o dever de casa. — Clara olhou séria para o menino.

– Tá bom mãe! — O garoto concordou. — Mas o que eu vou lanchar?! — Ele olhou para a mãe esperando uma resposta, e a seguir, Clara olhou para Marina, que logo se dispôs a ajudar.

– Olha só, vamos fazer assim: enquanto você toma banho eu vou preparar um sanduíche pra você. Daí você lancha e eu te ajudo com o dever de casa, pode ser?! — A fotógrafa propôs.

– Combinado! — Ivan concordou.

O menino saiu direto para o banho. As duas se olharam, e Clara agradeceu pelo apoio da namorada naquele dia:

– Muito obrigada meu amor!

– Não tem que agradecer, minha linda! É um prazer ficar aqui com vocês! — Marina deu um beijo na testa de Clara. — Deixa eu preparar o sanduíche lá e depois eu volto aqui, tá?!

– Tá bom!

Marina preparou o lanche do menino, e aproveitou para fazer também para si e para Clara, que conseguiu comer, sinalizando que já estava bem melhor.

Em seguida, enquanto a morena descansava, Marina sentou-se com Ivan e começou a perguntar das tarefas do colégio. Naquele dia ele teria que fazer uma lição da aula de biologia. Após uma rápida leitura, a fotógrafa entendeu o que precisava ser feito, e já bolou uma maneira de ajudar Ivan a elaborar o dever aprendendo e se divertindo ao mesmo tempo. O menino de fato ficou entretido, e, antes que percebesse, já tinha terminado a lição.

– Nossa, nem parece que eu tava fazendo para-casa. Tava tão legal! — Ivan declarou.

– Gostou meu lindo?! — Marina levou a mão até o queixo do garoto. — Outro dia eu te ajudo mais então!

– Promete?!

– Prometo sim! — A fotógrafa afirmou. — Vamos dar uma olhadinha lá na sua mãe?!

Chegaram no quarto e Clara voltava do banheiro.

– Ei mamãe, já terminei tudo!

– Ah, que coisa boa meu filhote!

– Também acho! A Marina me ajudou na tarefa, me ensinou de um jeito diferente, foi até mais divertido fazer o dever de casa. — Ivan olhou para a namorada da mãe e piscou.

– É, ela tem esse poder de deixar tudo mais leve mesmo. — Clara e a fotógrafa se olharam e sorriram juntas.

– Bom, vocês já estão alimentados, o Ivan fez o dever de casa, sua febre felizmente já passou, acho que minha missão aqui está cumprida! — Marina afirmou fazendo um carinho no queixo do menino. — Já tá na hora de ir pra casa. — Completou.

– Ah não! — O garoto reclamou. — Fica com a gente mais um pouco. Olha só, a mamãe ainda não tá 100%, a gente pode precisar da sua ajuda Marina. — A fotógrafa olhou para Ivan com pesar de deixá-los sós, enquanto Clara observava contente o filho pedir para a amada prolongar seu tempo lá. — Fica mais um pouquinho?! Quem sabe a gente não joga uma partidinha de ludo antes de eu ir dormir também?! — Ivan olhou para a fotógrafa e depois para a mãe com um olhar sapeca.

– Ah, então o senhor tá pedindo pra Marina ficar dizendo que é pra ajudar a cuidar de mim, mas na verdade tá pensando no ludo né?! — A morena falou provocando o filhote.

– Não mãe, eu quero mesmo que ela ajude a cuidar de você. Mas se rolar uma partidinha de ludo não faz mal, né?! — O garoto fez sua cara de pedinte para a namorada da mãe.

– Então Marina, você vai recusar um convite desses?! — Perguntou Clara.

A fotógrafa, que até então só observava a conversa dos dois, viu no rosto da namorada uma expressão de quem lhe pedia para ficar.

– Bom, com essas carinhas fofas de vocês dois nem tem como recusar esse pedido né?! — Afirmou Marina. — Eu fico mais um pouquinho então!

O menino e a namorada da mãe acabaram jogando a partida de ludo por ali mesmo. Colocaram o tabuleiro sobre a cama da morena, que se descontraiu observando os dois se divertirem. Quando o jogo acabou, Clara lembrou Ivan que já era tarde, ainda mais que no dia seguinte ele teria aula normalmente. Pediu-lhe que fosse dormir, e que se lembrasse de escovar os dentes antes. O menino despediu das duas e se recolheu.

Sozinhas no quarto, Marina e Clara se olharam.

– Tá melhor meu amor?! — A namorada perguntou lhe acariciando o rosto.

– Muito melhor! — A assistente respondeu com uma expressão animada. — Nem sei como te agradecer tudo que você fez por mim e pelo Ivan hoje.

– Não tem que agradecer minha linda! Me faz muito bem estar aqui com vocês! — A fotógrafa afirmou.

– Uma vez você tinha me dito que achava que não conseguiria cuidar nem de um cachorrinho. Vejo agora que você estava escondendo o jogo, não é?! Olha como você cuidou bem da gente! — A morena elogiou a namorada.

– Pois é, acho que o amor nos transforma mesmo, nos deixa mais fortes, nos faz acreditar que somos capazes de qualquer coisa! — Marina ponderou.

– Amo você minha linda! — A assistente se declarou.

– Também te amo muito Clara! Muito mesmo! — Marina retribuiu.

A fotógrafa se deitou de lado sobre uma pilha de travesseiros encostada na cabeceira da cama, e logo a morena se aconchegou em seu colo. Não demorou muito para que Clara adormecesse. Marina ficou um tempo admirando a amada. Tinha intenção de ir para casa assim que a namorada dormisse, mas sem perceber, acabou caindo no sono também.

O sol já entrava pela janela do quarto da morena quando a fotógrafa despertou, com a namorada ainda dormindo em seus braços. Marina primeiro percebeu o ambiente claro, e logo a seguir, quando terminou de abrir os olhos, deu de cara com Ivan, que estava em pé ao lado da cama, lhes observando em silêncio.

– Você dormiu assim?! — O menino perguntou à fotógrafa, fazendo seu coração disparar. Neste momento Clara também acordou e só então se deu conta de que a namorada tinha passado a noite lá.

– Ehhhhh... — Marina foi se levantando devagar. Tentava achar as palavras mas não sabia o que responder ao menino. A assistente também tinha sido pega de surpresa pela presença do filho ali.

– É que você dormiu de lado, com o corpo todo torto aí. Não tá com o pescoço doendo não?! — O garoto completou.

As duas suspiraram aliviadas quando perceberam que o questionamento de Ivan era com relação à posição em que a fotógrafa havia dormido, não ao fato dela ter passado a noite ali.

– Pois é! — Marina riu, ainda um pouco assustada pela sensação do flagra. — Eu tava aqui esperando sua mãe dormir para ir pra casa e acabei pegando no sono também.

– Teve um dia que eu dormi meio torto assim no sofá e acordei com o pescoço doendo. Daí a mamãe fez uma massagem em mim e passou. Se o seu pescoço estiver doendo pede pra ela fazer uma massagem em você também. — Ivan falou e piscou para a mãe.

Marina olhou para Clara e sorriu.

– Pode deixar que eu peço a massagem sim! — Respondeu ao garoto.

– Você melhorou mãe?!

– Melhorei sim meu filho! Já tô 100%! — Clara respondeu animada.

– Então tá bom! Eu já tinha combinado com a Rosa e ela vai me levar no colégio de novo, ela já tá me esperando lá embaixo.

– Ah filho, agradece a Rosa pra mamãe então! Mas hoje eu já vou te buscar tá?! Pode me esperar que de tarde eu estarei lá!

– Então tá bom mãe! Eu gosto quando você me busca na escola! — Ivan respondeu alegre.

– Beijo aqui! — Clara pediu.

Ela e Ivan se despediram, e em seguida foi a vez da fotógrafa também ganhar um beijo carinhoso do garoto.

Assim que o menino saiu, as duas se olharam e sorriram.

– Ele já está acostumando a te ter por perto. — Clara constatou.

– É sim!

– Feliz demais que você dormiu aqui!

– Eu também minha linda. — Marina beijou o rosto da morena. — Você tá melhor mesmo?!

– Tô sim! De verdade! Vou só tomar um banho rápido e vou com você pro estúdio!

– Tem certeza?! Não quer ficar por aqui e aproveitar pra descansar mais um pouco?! — Perguntou a fotógrafa, enquanto Clara já andava de um lado para o outro no quarto escolhendo a roupa com a qual iria trabalhar.

– Certeza absoluta! Não aguento ficar em casa mais! Eu vou com você! — A morena foi enfática.

A assistente caminhou até o banheiro do quarto. Chegando na porta virou-se para Marina, estendeu a mão e falou:

– Vem!

– Tem certeza?! — A fotógrafa perguntou.

– Tenho sim minha linda! Quero te mostrar que já estou 100% recuperada! — A morena falou e riu. — Aliás, 100% não. 200% recuperada!! — A fotógrafa sorriu com a empolgação da amada.

Ela caminhou até a morena e segurou em sua mão, entrando com ela no banheiro.

Estavam uma de frente para a outra, quando Marina tocou o cabelo de Clara, ajeitando algumas mechas para trás de sua orelha. Fitaram-se e logo seus lábios se uniram, iniciando um beijo doce e delicado. Devagar a morena começou a suspender o vestido da amada, que logo estava apenas de calcinha. Da mesma forma, a fotógrafa tirou a camiseta de dormir da assistente. Continuaram se beijando. Logo tiraram suas calcinhas e entraram no banho.

Seus corpos nus estavam como um só, e a água do chuveiro deixava o beijo ainda mais molhado e quente. Seguiram com beijos no pescoço, na orelha, toques... Ficaram ali por mais um tempo, se amando, e demonstrando com carinhos, gestos, olhares e declarações como faziam bem uma à outra.

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Alguns dias depois...

Era um sábado de sol, e a praia recebia um público relativamente bom. Clara tinha finalmente conseguido convencer Marina a correr com ela e a irmã. A assistente e Helena se alongavam no calçadão esperando a fotógrafa chegar de Santa Teresa. Ivan também estava por ali, dando voltas de bicicleta enquanto aguardava a partida das três para então acompanhá-las.

– Bom dia! — Marina cumprimentou animada, já dando um beijo no pequeno.

– Eita! Bom dia! Já tava achando que você tinha desistido! — Clara riu, recebendo um beijo da amada no rosto.

– Não, de jeito nenhum! — A fotógrafa abraçou Helena. — Eu aceitei o convite, não sou mulher de desistir não! — Marina olhou nos olhos da morena. — Só custei a achar vaga pra parar o carro.

– Então tá, tô feliz que você veio! — A assistente declarou. — Olha só. Se alonga aqui um pouquinho que logo a gente vai. — Marina iniciou o alongamento. — Você passou protetor solar né?!

– Ichhhhh... esqueci! — A fotógrafa respondeu com uma carinha de menina sapeca.

– Ah, mas a gente vai ter que dar um jeito nisso, porque com essa sua pele branquinha, um pouquinho de sol que você tomar já vai virar um pimentão. Vem cá, eu tô com o protetor do Ivan aqui, vou passar em você.

Clara pegou o creme e começou a espalhar delicadamente no rosto da namorada, que recebeu o carinho com alegria. Olharam-se.

– Agora eu arrumei mais uma criança pra preocupar! — A morena sussurrou para a fotógrafa, piscando pra ela logo a seguir, no que Marina abriu um sorriso.

Assim que a assistente terminou de passar o protetor, voltaram a se aquecer. Ivan já estava ansioso pra sair andando de bicicleta quando as três finalmente começaram a correr, e ele foi acompanhando.

Após darem uma volta completa no percurso que estavam acostumadas, pararam por um instante. Marina estava exausta. Apesar de estar protegida do sol, seu rosto estava vermelho como um pimentão, devido ao esforço empreendido. Com a respiração ofegante, a fotógrafa mal conseguia falar.

– Tá tudo bem?! — Clara perguntou preocupada.

Marina fez um gesto para que a assistente esperasse um pouco, pois nem fôlego para responder ela tinha. Levou as mãos até os joelhos para apoiar-se enquanto respirava um pouco mais forte.

– Tá... tudo... bem... sim... — A fotógrafa conseguiu responder pausadamente, dando longos suspiros entre uma palavra e outra. — Já... vou... continuar... — Completou.

– Ei Marina, será que não é melhor você sentar um pouco?! Afinal você começou a correr com a gente hoje, não dá pra forçar muito no primeiro dia. — Falou Helena.

– Eu sei. — A fotógrafa concordou. — Mas é que eu faço exercício... — Ainda precisava parar de falar para retomar o fôlego. — ... quase todos os dias lá em casa, em volta da piscina. — A fotógrafa suspirou profundamente. — Achei que entraria no ritmo mais fácil. — Completou.

– Mas é que os exercícios que você faz lá são mais leves. Correr na praia com esse calor danado acaba pesando um pouco mais mesmo. — Justificou Clara.

– Por que você não anda de bicicleta comigo então?! — Perguntou Ivan, que nessa altura já tinha parado para observar a cena. A fotógrafa olhou para o garoto e sorriu.

– Ah filho, acho que a Marina não sabe andar de bicicleta não. — A morena riu.

– Como não?! — A namorada falou fingindo estar indignada. — Claro que sei!! — Afirmou. — Lembra da segunda vez que você foi lá em casa, quando eu te falei que eu era um moleque de rua?! — Perguntou olhando para a assistente. — Então, eu andava muito de bicicleta quando era criança. Depois fui diminuindo, quase não andei mais. Mas lá em casa eu tenho até uma foto que tiraram de mim algum tempo atrás, na última vez que eu andei. Vou te mostrar a fotografia, pra te provar que eu sei andar! — A fotógrafa ainda fingia indignação.

– Tá bom, tá bom, desculpa, eu acredito em você. — Clara afirmou.

– Mas se você sabe andar, então vamos andar juntos, assim a gente acompanha a mamãe e a Tia Helena. — Insistiu o menino.

– Mas onde a gente vai conseguir uma bicicleta pra Marina filho?! — Perguntou a assistente.

– Ali ó!! — O menino apontou para o outro lado da rua, onde havia uma tenda que alugava bicicletas por hora.

Marina e Clara se olharam.

– E aí, você topa?! — A morena perguntou.

– Topo sim, claro!! — A fotógrafa respondeu prontamente. — Assim eu aproveito pra continuar com vocês e ainda faço companhia pra esse lindo aqui! — Marina acariciou os cabelos do pequeno.

– Então vamos lá! — A assistente falou animada.

Alugaram a bicicleta. A fotógrafa já estava com o fôlego recuperado e logo nos primeiros metros já tinha se readaptado às pedaladas. Ela e Ivan acabaram fazendo seu próprio ritmo, algumas vezes inclusive deixando Clara e Helena para trás quando pedalavam mais forte. Apostaram corrida, riram muito, se divertiram. O garoto adorou finalmente ter a companhia de alguém para andar de bicicleta. Marina também gostou muito, pois via seus laços com o menino se estreitarem cada dia mais.

Embora não tivessem cumprido o que haviam planejado inicialmente, Clara também estava muito feliz por ter a companhia da namorada durante aquela manhã de sábado na praia. Percebia que aos poucos a fotógrafa passava a ser parte da rotina deles.

Permaneceram ali por mais um tempo. Refrescaram-se com uma água de coco e depois foram todos almoçar na casa de Helena, onde ficaram o restante da tarde.

Era por volta das 17 horas quando Marina se levantou para ir pra casa.

– Obrigada por ter vindo! — Agradeceu Clara.

– Eu que te agradeço pelo convite! — Retribuiu a namorada. — Apesar da minha falta de fôlego — a fotógrafa deu uma risada — eu gostei muito! — Olhou nos olhos da morena, e na cumplicidade daquele olhar uma percebeu como a outra estava feliz. Abraçaram-se e Marina seguiu para Santa Teresa, enquanto Ivan e Clara foram para seu apartamento.

No final do sábado, a assistente foi até o quarto do filho para desejar-lhe boa noite. Assim que beijou o pequeno, ainda estava sentada na cama do garoto quando foi surpreendida por uma pergunta:

– Mãe, a Marina tem namorado?!

A assistente demorou alguns instantes para responder, tentando entender a motivação da pergunta do filhote.

– Por que você quer saber?! — Clara sorriu e decidiu brincar. — Tá querendo namorar a Marina é?! — Faz cócegas no garoto, que soltou uma gargalhada. Ivan conseguiu responder somente quando a mãe parou de provocá-lo.

– Não é isso não, mãe. Bom, eu acho a Marina muito bonita, mas eu sou muito novo pra ela, né?! Além disso, eu já gosto de uma menina lá da escola. — O menino se justificou.

– Ah, é mesmo, eu tinha esquecido da menina da escola. — A morena mostrava seriedade quanto à pretendente do filho. — Mas por que então você quer saber se a Marina tem namorado?! — Clara ainda estava curiosa pelo interesse de Ivan.

– Sabe o que é?! É que eu não queria que ela arrumasse namorado não, viu?! Porque se ela arrumar, daí ela não vai mais brincar comigo nem me dar atenção.

– Mas por que você acha isso filho?! — A morena queria entender.

– Você lembra que a Luiza sempre brincava comigo mãe?! Ela vinha aqui pra casa, jogava comigo durante um tempão, assistíamos filmes juntos também. Daí ela começou a namorar o André, e quase não brincou mais comigo depois disso. Agora que ela tá com o Laerte então, nem lembra que eu existo. — O menino soava aborrecido.

– Oh filho, não fala assim, é claro que ela lembra que você existe! É que a Luiza está passando por algumas mudanças na vida dela, conheceu pessoas novas, tá mais envolvida na faculdade, no Galpão. O tempo dela tá meio corrido mesmo, mas ela não esqueceu de você, de jeito nenhum. — Clara tentou explicar para o garoto olhando em seus olhos. — Quanto à Marina, meu ciumentinho — A morena fez mais cócegas no filho, que voltou a rir. — eu posso te garantir que independente do que aconteça, ela sempre vai ter um tempo pra gente, pode ter certeza disso. Você acredita em mim?!

– Acredito mãe! Acredito sim! — O menino respondeu mais tranquilo.

Despediram-se e a morena foi para seu quarto. Chegando lá, não se conteve e logo quis contar para a amada o que tinha se passado.

– Oi amor!! — Marina atendeu o telefone.

– Ei minha linda, como você tá?! Descansou um pouco?! — Perguntou Clara.

– Vou deitar agora, já tô prontinha pra dormir.

– Eu também já tava indo pra cama. Mas quis te ligar antes pra contar um negócio que acho que você vai gostar.

– Ah é?! O que foi?! — A fotógrafa perguntou curiosa.

– Fui colocar o Ivan pra dormir e ele me perguntou se você tinha namorado.

– Sério?! — Marina estava surpresa.

– É sério! Daí eu quis saber por que. E ele respondeu que não queria que você namorasse pra não deixar de brincar e dar atenção a ele, você acredita nisso?! Tá com ciúmes de você!

– Ah, o Ivan é uma graça mesmo! Amo demais esse menino! E amo demais a mãe dele também!

– Também te amo minha linda!

– Mas e aí, o que você respondeu?!

– Ah, eu falei que independente do que acontecesse, que você sempre ia ter um tempo pra gente.

– Respondeu muito bem então! É isso mesmo meu amor! Eu quero sempre estar com vocês, cada dia mais envolvida na sua rotina e na sua vida. Tô muito feliz com isso viu?!

– Eu também estou! Muito! Bom, mas agora vou te deixar em paz pra dormir. Boa noite viu?! Te amo muito!

– Também te amo Clara! Beijo grande meu amor!

Assim que se despediram, cada uma deitou em sua respectiva cama. Ambas tinham um sorriso bobo nos lábios, e foram dormir contentes pensando na história de amor que estavam vivendo, um amor que se tornava mais forte a cada dia, mostrando pra elas o que era a tão sonhada felicidade alegre.

Notas finais
Até breve pessoal! Comentem à vontade! Twitter: @marcellasfr :D Próximo capítulo: Revelações sobre a escolha de uma certa lingerie... Capítulo 19 postado em 11 de março de 2015.