Assim Estava Escrito
17 Ciúmes
Notas iniciais
Percebendo que tinha sido dura com a sócia, Marina levantou o rosto da ruiva e a olhou nos olhos.
– BOM DIA.
O cumprimento alto ressoou no quarto, e quando a fotógrafa e Vanessa olharam para o lado, a dona da voz estava parada próximo à porta com uma expressão séria. Era Clara.
Marina logo notou o semblante da assistente. Olhou novamente para a ruiva, que percebendo o clima no ar, logo tratou de se retirar.
– Eeeeehhh... bom, eu já estava de saída mesmo... — disse Vanessa já se levantando — então a gente se vê lá no estúdio, tá?! — Olhou para Clara com um sorriso irônico antes de sair do quarto.
A morena foi caminhando devagar até a namorada. Permanecia séria. Mantinha os olhos fixos na fotógrafa. Aproximou-se da cama, mas como continuou de pé, Marina se levantou e ficou de frente para Clara.
– Ela dormiu aqui?! — A assistente foi direta.
– Calma Clara. — A namorada tentou tranquilizá-la.
– Calma não. Eu fiz uma pergunta simples e tô esperando a resposta. — A morena começava a ficar alterada. — Ela dormiu aqui?!
– Não Clara, ela não dormiu aqui. — A fotógrafa respirou mais fundo. — Essa noite não. — Respondeu já temendo a reação da namorada.
– Essa noite não?!? ESSA NOITE NÃO?!? Você tá de brincadeira, né?! Ela tem dormido aqui outras noites? Ah, eu não acredito nisso... — A assistente perdeu a paciência de vez e começou a andar de um lado para o outro.
– Calma meu amor, eu vou te explicar. — A fotógrafa ainda tentava abrandar os ânimos da outra.
– Não tem explicação Marina. — Clara parou e olhou para a namorada. — Quer saber, eu vou lá pro estúdio porque o melhor que eu faço agora é trabalhar. Depois a gente conversa. — A morena deu as costas e foi em direção à saída.
– Espera um pouco Cla... — Marina nem conseguiu terminar de falar e o barulho alto da porta sendo batida ressoou no ambiente.
A morena desceu as escadas rangendo os dentes de raiva e da mesma forma entrou no estúdio.
– Bom dia Clarinha! — Cumprimentou Gisele, percebendo logo a seguir a expressão da colega.
– Bom dia Gi. — Clara tentou ser simpática, apesar da raiva ainda presente.
Quando a assistente olhou para Vanessa com seu olhar raivoso, Gisele logo sacou o clima entre as duas. Percebeu que algo tinha acontecido, embora ainda não soubesse o quê. Pouco depois Flavinha chegou, e também notou o ambiente pesado.
Após trocar de roupa, Marina foi até o estúdio. Chegou perto de Clara, mas a morena, embora tivesse percebido sua aproximação, nem a olhou.
A assistente ficou em silêncio toda a manhã, compenetrada (ou pelo menos tentando estar) no trabalho que estava fazendo. A fotógrafa rodeou, rodeou, mas vendo que a namorada não abriria brecha para uma conversa, preferiu voltar para o quarto com seu notebook e trabalhar lá, dando espaço para que Clara espairecesse as ideias. Conversariam mais tarde então.
Vanessa, Gisele e Flavinha ficaram trabalhando em suas tarefas também, e pouco interagiram durante aquele dia pesado, exceto por alguns momentos em que precisavam tirar dúvidas ou trocar alguma opinião sobre algo que estavam fazendo.
Já no final da tarde, a ruiva não conseguiu se segurar e soltou um comentário perto de Flavinha:
– Tem gente que tá ciumenta hoje... — Vanessa olhou para Clara.
A morena felizmente não ouviu o comentário, mas voltou seu olhar de raiva para a sócia de Marina. Percebendo isso, Flavinha perguntou para a quase namorada:
– Ai Van, o que que você andou aprontando, hein?!
– Eu?! Eu não fiz nada. — Afirmou. — Eu só tava no quarto conversando com a Marina hoje cedo na hora que a Clara chegou, só isso. Não tem motivo pra ela estar com a cara assim. — A ruiva finalizou.
– Pois é Van, mas é que nem todo mundo quer ver a pessoa que ama no quarto com outra pessoa, né?! Ainda mais sendo a ex. — Flavinha declarou, olhando séria pra Vanessa, que percebeu nas entrelinhas tudo que a quase namorada quis dizer.
Flavinha então se afastou e chamou Gisele para fazerem um lanche.
Vendo-se sozinha no estúdio com Clara, a ruiva não conseguiu se segurar e foi falar com a assistente.
– Vai ficar o dia inteiro com essa cara amarrada só porque eu tava no quarto da Marina?! — Perguntou.
Clara se aproximou da ex da fotógrafa e a olhou nos olhos, lhe respondendo bem próximo de seu rosto.
– Olha aqui Vanessa. Eu não tô pra brincadeira nem deboche hoje, então cuidado com o que você fala comigo e como você fala comigo, que pra eu meter a mão na sua cara não custa. — A ruiva ouvia em silêncio e com os olhos arregalados. — Eu sei que você mora aqui, e tem o direito de estar onde você quiser nesta casa. Mas eu vou te falar uma coisa, e vou falar uma vez só. Eu demorei muito pra perceber o quanto a Marina é importante pra mim. Mas agora que eu sei, eu não vou abrir mão dela, de jeito nenhum. Então, se você quiser interferir, eu não posso te impedir, mas saiba que eu não vou deixar barato. E outra. Só pra variar um pouco, você podia experimentar agir como adulto e respeitar o relacionamento dos outros. Seu tempo com a Marina passou. Se você não consegue ter um pouco de consideração comigo, tenha pelo menos com a Marina, respeitando as escolhas dela, e com a Flavinha, que te adora e faz tudo por você. Pensa nisso.
Clara ainda olhou nos olhos de Vanessa por mais alguns segundos. Logo depois, se afastou, pegou sua bolsa e saiu. A ruiva permaneceu no estúdio, um pouco descochada. Não pôde negar que as palavras da morena tinham mexido com ela. Ainda estava um pouco passada quando Marina entrou no local.
– Cadê a Clara?! — Perguntou a fotógrafa.
– Acabou de sair daqui. — Respondeu a ruiva. — Com bolsa e tudo, parecia que estava indo embora. — Finalizou.
– Ah não, eu preciso conversar com ela. — Marina falou e saiu correndo para o estacionamento. Chegando lá, a namorada já tinha ligado o carro.
– Clara, Clara!! — Chamou batendo no vidro, ofegante pela corrida que tinha feito. — Não vai embora assim, vamos conversar, por favor.
A morena desligou o carro e abriu o vidro.
– Pode falar. — A assistente falou séria e um pouco fria.
– Mas assim?! Aqui no estacionamento?! Eu aqui fora e você no carro?! Vamos conversar num lugar mais tranquilo Clara, eu queria esclarecer algumas coisas pra você. Por favor?! — Marina deu aquele olhar que fez a morena baixar a guarda um pouco.
– Tá bom! — A morena desceu e caminhou acompanhando a namorada.
Chegando ao quarto, Marina fechou a porta depois que entraram. A assistente colocou a bolsa na poltrona e se sentou na cama da namorada. A fotógrafa permaneceu de pé e começou a falar:
– Olha Clara, você sabe da minha relação com a Vanessa. Ela não é só uma ex namorada, é também minha sócia, minha amiga, vive aqui comigo. São muitos anos de convivência, e a gente acabou criando hábitos que às vezes são difíceis de deixar pra trás. — A fotógrafa falou com serenidade.
– Eu sei de todo o contexto que envolve a relação de vocês, Marina. Ela faz parte da sua vida, vocês têm uma história juntas, e nada nem ninguém vai substituir isso. Mas agora você tem um nova namorada, poxa! — A morena tentava falar com calma mas não conseguia deixar de se exaltar em alguns momentos. — Você acha o quê, que vai ser bom chegar e ver a minha namorada na cama com outra mulher, ainda que seja só dormindo. Não vai dar não, viu?! Mas essa imagem ficou passando aqui na minha cabeça hoje o dia todo. Porque eu lembrei do dia que eu cheguei aqui, neste mesmo quarto, e vocês duas estavam dormindo aí abraçadas. Olha, eu nem tenho direito de falar nada sobre aquele dia, eu ainda era casada na época, mas ver você na cama com ela doeu muito, viu?! Eu até já te falei isso. Porque eu queria estar com você no lugar dela. E agora que eu e você estamos juntas, não quero nem imaginar ela na sua cama, te abraçando, te sentindo. Não mesmo. Eu não sou sua dona Marina, mas eu sou sua namorada, e acho que certas intimidades devem existir só entre a gente. Poxa vida, você ia gostar de chegar lá em casa e me ver deitada na cama com o Cadu?!
– Não. Claro que não! — A resposta da fotógrafa foi imediata.
– Então, pois é, pensa nisso.
– Eu sei Clara. Você tem razão. — Marina tentou ponderar. — Olha, nesse tempo todo, eu acabei dando algumas 'liberdades' pra Vanessa, e ela passou a se envolver e ocupar uma parte muito grande da minha vida. Ela é minha amiga, minha sócia, mas há alguns aspectos em que ela se envolveu que não dá mais pra ser assim. Os palpites que ela dá na minha vida pessoal, a liberdade que ela tem aqui no meu quarto, isso precisa mudar mesmo. Eu percebo isso agora.
– Que bom que pelo menos consciência disso você tem! — Clara ainda estava nervosa de pensar na intimidade da ruiva com a fotógrafa.
– Tenho sim minha linda! Mas você sabe que não vai ser tarefa fácil, né?! Você conhece o gênio da Vanessa. Vai ser uma tarefa árdua fazê-la entender que eu e ela somos só amigas, e que algumas coisas não podem mais ser como antes. Mas eu vou mostrar isso pra ela, eu prometo. Aos poucos ela vai passar a perceber que o lugar dela aqui agora é outro, e que ela precisa respeitar também o lugar que você ocupa na minha vida. Eu vou fazer ela entender isso. Você acredita em mim?!
A morena olhou para a namorada ainda séria.
– Hum... — Clara resmungou um pouco desconfiada.
– Por favor Clarinha, me dá esse voto de confiança. Vem cá! — Marina chamou pela morena e ela se levantou, ficando de frente para a namorada.
A fotógrafa então iniciou uma série de carinhos na assistente.
– Você é a única pessoa que eu quero beijar! — Marina falou beijando o rosto da morena, e a seguir passando os lábios por seu queixo e seu pescoço. — A única que eu quero cheirar. — A fotógrafa sentiu o perfume por trás da orelha de Clara, que se arrepiou com o calor da respiração da namorada. — A única que eu quero abraçar. — Falou quando envolveu a morena com os braços. — A única que eu quero acariciar. — Levou uma das mãos até o rosto da assistente. — A única que eu quero tocar. — Com a outra mão, sentiu o sexo de Clara, que fechou os olhos e soltou um leve gemido. — Você é a única que eu quero que me veja nua. — Marina falou, levando suas mãos até a base do vestido que usava, despindo-se delicadamente e retirando sua calcinha logo a seguir, sendo acompanhada pelo olhar da morena. — Você é a única pessoa com quem eu quero fazer amor, Clara!
Quando Marina terminou de falar, a assistente a olhou nos olhos. Tinha o semblante mais leve. Não resistiu mais nem um segundo à sedução exercida pela fotógrafa. Pegou a namorada e a deitou rapidamente na cama, ficando sobre ela. Iniciou um beijo cheio de desejo e tesão, que deixou Marina sem fôlego. Quando os lábios se soltaram, encarou a fotógrafa mais uma vez.
– Jura que eu sou a única na sua vida?! — A morena questionou.
– Juro Clara! A única! Há mais tempo do que você imagina. — A namorada respondeu.
Voltaram a se beijar intensamente. Marina levou suas mãos até a cintura de Clara e retirou a blusa que a morena usava. Logo depois, começou a abaixar a calça da assistente, que a ajudou, terminando de tirar a peça junto com sua calcinha.
Clara passou a beijar o pescoço da fotógrafa e a pressionar o sexo da outra com o seu. A morena envolvia Marina com vontade, como se quisesse deixar claro o tanto que a queria para si.
– Fala pra mim quem você quer que beije o seu corpo todo! — Clara pediu, enquanto descia os beijos pelo pescoço e pelo colo da namorada.
– Só você minha linda! Só você que eu quero que me beije inteirinha! — Marina respondeu com a respiração já ofegante.
A morena continuou beijando o corpo da fotógrafa. Passou os lábios com delicadeza pelos seios da outra, sentindo a pele macia e cheirosa da namorada, que se arrepiou ainda mais com o toque. Clara passou a língua pelos mamilos de Marina, deixando um rastro de saliva por ali.
– Ohhhhh Clara... você é gostosa demais...
A morena voltou e seus lábios selaram os da namorada mais uma vez, iniciando mais um beijo intenso e molhado. Seus corpos se pressionavam, e o tesão aflorado fazia com que soltassem pequenos gemidos entre o beijo.
Quando o fôlego acabou e seus lábios se soltaram, Clara voltou a percorrer o corpo da fotógrafa com a boca, na direção de seu sexo.
– Fala quem você quer que te chupe gostoso até você gozar! — A assistente pediu novamente.
– Você meu amor! Quero que só você me chu... ahhhhhh... — Marina não conseguiu mais falar depois que a morena começou a chupar seu clitóris.
A fotógrafa apertou a colcha que cobria a cama, enquanto seus gemidos iam aumentando a cada investida da assistente. Clara se deliciava com o que ouvia e também por sentir em seus lábios o gosto da namorada, o que a excitava muito.
Algum tempo depois, Marina arqueou a cintura e gemeu alto quando o gozo chegou, sendo o êxtase da morena também.
Clara voltou até o rosto da namorada e olhou em seus olhos. A fotógrafa sorriu.
– Eu só quero você meu amor, pra sempre! — Marina declarou.
– Que bom minha linda! — A assistente sorriu. — Porque eu também só quero você na minha vida, mais ninguém!
Deram um beijo longo e apaixonado. Ficaram deitadas se acariciando e se curtindo. A morena sabia que não seria tarefa fácil para Marina fazer com que Vanessa entendesse e respeitasse a relação das duas, mas estava feliz pela tranquilidade que a fotógrafa lhe passava, mostrando-lhe com palavras e gestos como elas pertenciam uma à outra.
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