Assim Estava Escrito

5 A noite em que Marina estava mal


Notas iniciais
Pessoal, Queria só justificar a presença da ausência de capítulo novo nos últimos dias. Estive envolvida na escrita de um projeto que consumiu todo o meu tempo livre na semana passada. Foi hard, mas passou. Agora posso voltar toda a minha atenção para a fic, que é algo que tem me dado muito prazer e que me deixou com saudades. E só para esclarecimentos, vejo muita fic abandonada por aí, e aqui dou minha palavra que esta fic só será abandonada se eu partir desta para uma melhor. Caso contrário, garanto que a fic terá um fim, com certeza! Mas antes que ele chegue, Clarina ainda viverá muitas coisas bacanas e intensas! Peço desculpas mesmo pelo atraso. Para lhes dar a segurança de que eu permanecia por aqui e postaria em breve, continuei respondendo todos pelo twitter, assim como respondi os comentários que deixaram no último capítulo, que me fizeram muito feliz, a propósito. Não sei se estão acompanhando os retornos aos comentários, mas saibam que todos são respondidos, ok?! Podem olhar lá!! Gosto muito que vocês façam contato, aqui e pelo twitter, pois acho muito bacanas as trocas que estamos fazendo! Respondo tudo sempre! Bem, a última justificativa. Este capítulo seria o próximo, mas tive que adiantá-lo, pois há diálogos previstos para o outro capítulo que não poderiam vir antes desse. Só troquei a ordem de um pelo outro, para dar mais coerência ao preenchimento das lacunas. Então seque aqui um momento muito importante, e que não poderia deixar de ser preenchido, pois diz respeito àquela noite em que a Marina ficou muito mal em razão de seus problemas financeiros e a ausência de Clara. Havia previsto este capítulo, e por coincidência, essa passagem também foi proposta por duas leitoras nos comentários do capítulo 4, Mah Lira e Vivi. Espero que gostem meninas, e que o capítulo atenda os anseios de vocês! Boa leitura a tod@s!! Cena anterior - Marina toma banho na piscina (17/05/2014): http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/marina-toma-banho-na-piscina/3353569/

Naquela noite, após deitar em sua cama, Marina fechou os olhos e começou a pensar no dia que teve e em como preferia que ele não tivesse existido. Primeiro viu seu cartão de crédito ser recusado ao tentar comprar um presente para Clara na livraria. Depois teve que ouvir de Vanessa a dura verdade sobre sua situação financeira, algo que ela havia tentado ignorar até ali. Ainda por cima, tinha perdido a companhia da morena em sua aula de fotografia, um dos poucos momentos de alegria que tinha nos últimos tempos.

Até aquele instante a fotógrafa havia tentado ser forte, mas a verdade é que ela vinha se fragilizando desde que abriu seu coração para a entrada de Clara. Então, naquela noite, toda a sua fragilidade veio à tona, e Marina ficou baqueada. Ela sentia falta de ter a assistente por perto, visto que naqueles tempos a morena precisava se dedicar quase que exclusivamente ao marido recém transplantando, e agora a fotógrafa ainda via a possibilidade de perder seu outro porto seguro: o estúdio.

Marina havia dito para Vanessa que queria que tudo se explodisse. A frase soava forte, mas a verdade é que aquele dia pesou demais em seus ombros. Ela já não conseguia suportar a presença da ausência de Clara, e naquela noite, seu astral estava extremamente baixo, como a ruiva mesmo já havia apontado.

Marina tentou dormir, revirou-se na cama, mas não conseguiu. Sentia que estava perdendo o estúdio, e, de certa forma, estava perdendo Clara também. Sempre fora uma batalhadora e tinha aprendido a lidar com as perdas, como teve que fazer quando sua mãe morreu, mas dessa vez sentia-se sem forças para lutar.

Ao perceber que o sono não viria, Marina levantou-se e procurou por uma garrafa de uísque que tinha por ali. Serviu uma dose generosa e tomou-a de uma vez, sem gelo. O líquido desceu ardendo por sua garganta. Sentou-se na poltrona de seu quarto, e seus pensamentos permaneciam no estúdio e em Clara. Repetiu a dose, e novamente sentiu o uísque ferver ao descer até seu estômago. Ainda assim, não conseguia aquietar sua mente e acalmar seu coração.

Olhou para o banheiro e lembrou-se de alguns calmantes que ficavam lá. Foi até o armarinho, pegou um comprimido dentro de um pote e voltou ao quarto, onde serviu outra dose de uísque, que virou ao ingerir o calmante. Deitou-se em sua cama, fechou os olhos e esperou o sono, que finalmente chegou.

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Vanessa voltou ao quarto de Marina naquela noite. Havia ficado muito impressionada com o estado da fotógrafa, e embora a amiga tivesse pedido que a ruiva a deixasse sozinha, ela sentia que Marina não estava bem, e não conseguia deixar de se preocupar.

Percebeu que a amiga tinha bebido, ao ver na mesinha de canto a garrafa de uísque aberta e o copo com vestígios do líquido que fora consumido. A ruiva sentou-se na cama e sentiu a respiração da fotógrafa, que estava compassada e leve, o que lhe deu um certo alívio. Apesar da tristeza que a consumia no início daquela noite, Marina dormia tranquilamente.

Vanessa resolveu levar a garrafa, e antes de sair do quarto, foi até o banheiro e recolheu também todos os remédios que ali estavam, inclusive o pote com os outros comprimidos do calmante que Marina já havia consumido naquela noite, mas que a ruiva não se deu conta. No entanto, sentia que naquele momento levar os comprimidos e a bebida era uma forma de se precaver de maiores problemas. Não imaginava do que Marina seria capaz naquele estado de espírito, e também não queria pagar para ver.

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Vanessa dormiu em seu quarto, mas logo cedo voltou ao quarto de Marina e verificou que a fotógrafa ainda dormia profundamente, embora o sono permanecesse tranquilo. Passou aquele dia indo e voltando ao quarto de Marina, sempre verificando a intensidade de sua respiração. Durante a tarde, Vanessa já estava muito preocupada com o sono excessivo e a falta de alimentação da fotógrafa, e suas idas ao quarto da amiga tornaram-se ainda mais frequentes, embora ela tenha optado por não acordá-la. Sabia do difícil momento que Marina estava passando, e que talvez o sono fosse uma maneira de se manter longe de todos aqueles problemas, ainda que de fato eles permanecessem ali.

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Naquele mesmo dia, Clara tinha enviado uma mensagem para o celular de Marina logo cedo. Havia pedido desculpas por ter saído repentinamente da aula de fotografia, sem ter ao menos se despedido da professora. Ficou sem resposta. Antes do almoço tentou ligar para Marina, mas a chamada foi direto para a caixa postal. Ligou novamente após o almoço e mais umas cinco ou seis vezes ao longo da tarde, e todas as chamadas tiveram o mesmo fim. Ficou preocupada com o sumiço da fotógrafa.

No final da tarde, ligou para o telefone do estúdio e o mesmo estava ocupado. Repetiu a ligação mais umas três ou quatro vezes, e o sinal de ocupado se repetiu em todas elas. Estava trabalhando no bistrô, mas seu pensamento agora não saía de Santa Teresa.

Ao final do dia, quando fechou o restaurante do marido, tentou ligar mais uma vez para o celular de Marina e para o estúdio, novamente sem sucesso. Não conseguia mais ficar sem notícias da fotógrafa. Tinha que saber o que se passava com ela e resolveu ir até sua casa. Antes, ligou para seu apartamento para ter notícias de Cadu, e quando o marido disse que estava tudo bem, tranquilizou-se. "Pelo menos isso está bem", pensou. Disse que terminaria de fechar o caixa do bistrô e logo iria para casa. Partiu então para Santa Teresa.

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Como já era conhecida dos vigias, Clara não teve problemas para entrar na casa da fotógrafa. Parou o carro no estacionamento e seguiu até a mansão. Chegando à sala, antes que se dirigisse à escada que dava no segundo andar, foi interpelada por Vanessa:

– Ora quem está aqui a essa hora da noite minha gente!! Você não tem um marido doente pra cuidar não, Clarinha?!

Clara olhou para a ruiva com cara de pouquíssimos amigos. Estava preocupada com Marina e sem qualquer tolerância para as ironias da outra.

– Vanessa, eu tentei ligar o dia inteiro para o celular da Marina e para o telefone do estúdio e não consegui falar em nenhum dos dois. O telefone dela só dava desligado e o do estúdio ocupado o tempo todo. Fiquei preocupada. Aconteceu alguma coisa?!

– Aconteceu sim Clara. Aconteceu que o estúdio vai mal das pernas. Você sabe que a situação está difícil desde o escândalo com os negócios do pai da Marina, e ela tá passando por um momento muito delicado aqui. Além do mais, ao invés de se preocupar com o trabalho, ela consome o tempo todo nessa paixão platônica por você. É isso que tá acontecendo. Eu só queria que a Marina enxergasse logo que você nunca será dela, e que ela voltasse a focar no trabalho, que é a única coisa que pode dar alegria pra ela nesse momento.

As palavras de Vanessa chegaram como pedras ao coração de Clara. Ela sabia que em parte a ruiva tinha razão, que Marina estava produzindo pouco nos últimos tempos, e lhe doía ser o motivo da queda do rendimento da fotógrafa. Mas ela não podia deixar que Vanessa fizesse suposições sobre seu relacionamento com Marina, definitivamente a ruiva não poderia entender o que havia entre elas.

– Olha Vanessa, o que eu e a Marina temos ou podemos vir a ter não é da sua conta, só diz respeito a nós duas. Eu sei do momento difícil que ela está passando e tô aqui pra ajudar no que for possível.

– Ah é mesmo, Clara?! Está meio tarde, não tá não?! Marina está com problemas há semanas e só agora você vem aparecer aqui?! É assim que você demonstra que se importa com ela?! Quando lhe convém, quando ela não atende as suas ligações e você se sente rejeitada?!? Agora que você corre atrás?!?

– Vanessa, eu não tô com clima pra isso, não vou discutir com você. Eu só quero saber da Marina, ela está lá em cima?! — Disse a morena, começando a ficar impaciente.

– Sabe por que ela não te atendeu Clara?! Porque ela dormiu por quase 24 horas seguidas. Marina chegou em casa muito pra baixo ontem, falando que queria que tudo se explodisse e ela junto. Então ela deitou à noite e assim permaneceu hoje o dia inteiro. Por diversas vezes fui lá pra ver se ela estava viva, se tava respirando. Tirei todos os comprimidos do armário, com medo dela fazer uma besteira. Daí ela finalmente acordou, e quando fui levar um lanche para ela, a encontrei lá na piscina, nadando na água gelada a essa hora da noite. Era isso que estava acontecendo enquanto você tava preocupada se ela ia te atender ou não. E eu tirei o telefone fixo do gancho, porque a Marina tava precisando de um tempo, precisando se desligar do mundo um pouco.

Clara ouviu as duras palavras de Vanessa, e seu olhar, que inicialmente estava atento à fala da ruiva, foi ficando cabisbaixo enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. Sentia-se mal por perceber só naquele momento o quanto Marina tinha sido afetada por tudo que vinha passando nos últimos tempos. Estava com sua atenção tão concentrada no marido que não percebeu o tanto que a fotógrafa precisava dela também. E da mesma forma, Clara necessitava estar perto de Marina. Doía-lhe muito ficar ausente de sua vida.

Naquele momento, seu coração a havia levado até a fotógrafa. Sentiu que precisava procurá-la, e embora Vanessa tivesse lhe jogado na cara o quanto estava atrasada, queria estar perto da chefe, e, de alguma forma, demonstrar que seu coração sempre estivera por ali.

– Vanessa, eu só quero vê-la um pouco. — A morena insistiu.

– Ela voltou a dormir Clara. Melhor deixá-la assim.

– Mas eu não vou acordá-la, só quero vê-la, sentir que está tudo bem. — Clara disse, dirigindo-se em direção à escada, quando Vanessa colocou-se à sua frente.

– Outro dia Clara. — A ruiva interrompeu seu passo.

– Vanessa, eu não vou sair daqui sem ver a Marina hoje. Eu tô tentando conversar com você numa boa, mas se você continuar criando problema a gente pode resolver de outro jeito também. — Clara disse, começando a se alterar.

– Opa que a mulher tá ficando brava, gente! — Disse a ruiva com deboche mais uma vez.

Nesse momento Clara tentou mais uma vez abrir passagem, mas Vanessa manteve-se em sua frente. A morena então chegou bem perto da ruiva, falando baixo mas com raiva entre os dentes:

– Vanessa, eu vou falar pela última vez: SAI DA MINHA FRENTE!!

A ruiva percebeu o clima esquentar e abriu passagem para a assistente. Brigar só ia piorar o clima da casa, que já não estava muito bom.

Clara então subiu e foi em direção ao quarto de Marina.

Ao chegar na porta, a morena já havia se acalmado da irritação que Vanessa havia lhe causado. Entrou no quarto devagar, e ao se aproximar da cama, percebeu que Marina dormia profundamente. Deitada de bruços, seu rosto estava voltado para o lado de fora da cama, do lado direito da mesma. Marina estava nua, com o lençol jogado sobre parte de seu corpo, deixando de fora suas pernas e boa parte de suas costas. Clara se aproximou e se agachou ao lado da cama, ficando bem próxima do rosto de Marina. Percebeu que os cabelos da fotógrafa ainda estavam molhados, certamente em razão do banho de piscina que Vanessa falou.

Ao ver a cena, os olhos de Clara ficaram marejados. Sentia que a fotógrafa estava frágil, e vê-la assim mexeu com seu coração. Estava acostumada a ver Marina sempre tão segura, tão certa em suas ações, em suas falas, e vê-la fragilizada assim era de certa forma novo para Clara.

A assistente deu um longo beijo no topo da cabeça da fotógrafa e se sentou no chão. Permaneceu olhando para Marina, ainda bem perto de seu rosto, que começou a acariciar. Queria dizer tanta coisa para a fotógrafa, e mesmo sem saber se a mesma poderia ouvir, começou a falar:

– Não queria te ver desse jeito Marina... Tentei te ligar hoje o dia todo, mas como você não retornou, eu tinha que vir até aqui... precisava de te ver... Peço desculpas por minha ausência, sei que não tenho tido muito tempo, com esse negócio do Cadu e tal... mas queria que soubesse que sinto muita falta de você também...

Neste momento, Clara deu um beijo carinhoso na testa de Marina e começou a acariciar seus cabelos... A fotógrafa permanecia em um sono profundo. A morena continuou:

– Queria tanto dividir mais momentos da minha vida com você... você me dá segurança, me dá alegria, paz... e eu queria fazer o mesmo por você... Se Deus quiser, logo essa fase difícil vai passar, e as coisas vão ser diferentes pra mim, pra você, pra gente... mas até lá Marina, eu preciso ser forte, e você precisa ser forte também... por você... por nós...

As lágrimas que Clara tinha segurado até então agora abriam passagem por seu rosto... O desejo da morena era pegar Marina no colo e não sair dali mais, até sentir que tudo ficaria bem. Seu coração pedia pra ficar ali, mas a razão dizia que Cadu e Ivan a esperavam em casa e que já era hora de ir.

Quando se preparava para levantar, Clara ficou novamente ajoelhada ao lado da cama. Olhou toda a extensão do corpo da fotógrafa, com o lençol desenhando alguns de seus contornos e suas belas costas que permaneciam à vista. Apesar da tristeza que a envolvia naquele momento, Marina continuava linda. Era impossível não reparar em seu corpo escultural, naquela beleza 'marmórea' que ela transbordava.

A morena deslizou sua mão direita pelas costas da fotógrafa, e sentiu seu corpo se arrepiar pelo simples contato com a pele da outra. Sua mão percorreu o caminho de volta, chegando até o rosto de Marina, onde fez um carinho. Clara chegou seu rosto bem próximo ao dela, fechou os olhos, e lhe deu um longo beijo na bochecha. Aproximou-se do ouvido da fotógrafa e se declarou:

– Eu te amo Marina. Muito.

Beijou novamente os cabelos molhados da fotógrafa e se levantou. Foi caminhando até a porta do quarto, não sem antes olhar mais uma vez para Marina, que continuava em seu sono profundo.

Clara seguiu para casa, ainda sentindo um aperto no coração, pois sua vontade era ficar ao lado da fotógrafa. Mas por outro lado, pelo menos tinha conseguido vê-la e se abrir um pouco, mesmo que não tivesse certeza se a outra de fato poderia lhe ouvir.

Marina dormiu direto até a manhã do dia seguinte. Quando acordou, sentia-se melhor, mais disposta, como se tivera vivido em um pesadelo e agora voltava para a realidade, que embora ainda imperfeita, estava novamente sob seu controle. Sentia o perfume de Clara no ar. Não estranhou, pois essa impressão lhe vinha às vezes, como se pudesse perceber a morena por perto apenas fechando os olhos e sentindo seu perfume. Aquela sensação lhe fazia bem. A visita de Clara naquela noite não foi revelada por Vanessa, e só seria do conhecimento de Marina tempos depois.

Notas finais
Cena posterior - Marina tira Vanessa do sério ao dispensar exposição internacional (19/05/2014): http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/marina-tira-vanessa-do-serio-ao-dispensar-exposicao-internacional/3356694/ Até breve! Comentem à vontade! Twitter: @marcellasfr :D Capítulo 5 postado em 22 de outubro de 2014.