Assim Estava Escrito

36 A chegada de Ana


Notas iniciais
Olá pessoal! Estamos chegando ao fim desta jornada, mas ainda teremos algumas emoções! Boa leitura! Comentem à vontade!

A gravidez de Clara havia transcorrido tranquilamente durante 8 meses e meio, exceto pela pressão, que insistia em subir nas semanas que antecediam o parto. Por esta razão, a morena estava passando mais tempo em casa, de repouso. Na última semana tinha inclusive se afastado das atividades do estúdio.

Marina mimava a esposa o tempo todo. Não queria que Clara fizesse qualquer esforço desnecessário. Sempre ia do estúdio até a casa para ver como Clara estava. Levava todas as refeições para a morena. Fazia massagens nas costas e pernas da esposa, na tentativa de amenizar as dores que o peso da barriga a essa altura provocava. Tirando a pressão alta e o peso que nesse momento da gravidez causavam um relativo cansaço, a esposa de Marina se sentia bem.

Ela e a fotógrafa haviam feito um curso juntas, mais para que Marina, mãe de primeira viagem, pudesse aprender algumas técnicas e truques que ela nem imaginava que existia. A morena pacientemente mostrava tudo para a esposa e riam juntas toda vez que a fotógrafa se atrapalhava com algo.

Passadas 39 semanas de gravidez, elas se preparavam para a chegada da pequena Ana, que poderia ocorrer a qualquer momento.

Um dia, quando se preparavam para dormir, Clara levantou-se da cama para ir ao banheiro. No caminho, sentiu um líquido escorrer entre suas pernas. Olhou para a esposa e em seguida para o chão. A fotógrafa percebeu algo diferente no semblante da morena. Quando viu o chão molhado, o coração acelerou.

— Chegou a hora? — Marina perguntou.

— Chegou amor! — Respondeu a assistente. — Chegou a hora da nossa pequena vir para os nossos braços!

A fotógrafa deu um pulo da cama e se aproximou da morena. Pediu que ela se sentasse. Depois foi buscar uma roupa para a esposa. Andava para lá e para cá aceleradamente. Percebendo a agitação da mulher, Clara a chamou:

— Amor, vem aqui um pouquinho. — A morena pediu.

— O que foi? Você está sentindo algo? — Marina se aproximou meio afobada.

— Não amor. Está tudo bem! Vai correr tudo bem! Não precisa ficar assim. — Clara tentou acalmá-la enquanto acariciava seu rosto. A fotógrafa relaxou um pouco. — Vai dar tudo certo amor. Te prometo! Você confia em mim? — A morena perguntou olhando nos olhos da esposa.

— Confio amor! Confio sim. — Marina sorriu tentando se acalmar. — Desculpa o nervosismo, eu sei que a gente se preparou, mas é que eu quero tudo corra bem.

— E vai correr amor! Confia em mim! Me ajuda a me vestir aqui. — Pediu a morena.

A fotógrafa se acalmou e passou a ajudar a esposa. Também trocou de roupa e pegou a bolsa que já haviam preparado para levar à maternidade.

Ivan tinha ido passar o final de semana na casa do pai. Ligaram para Chica e Helena, que foram direto para o hospital. A sogra e a cunhada de fotógrafa chegaram um pouco depois do casal.

O coração das mães da pequena Ana batia acelerado, mas tanto Marina quanto Clara tentavam segurar a ansiedade para não deixar a outra nervosa. A fotógrafa havia se afastado da morena por um instante apenas para conversar rapidamente com Helena e Chica, mas logo voltou para a sala do parto, onde as enfermeiras terminavam de preparar sua esposa. As contrações de Clara estavam cada vez mais fortes e frequentes. A médica que faria o parto era Doutora Sara, a mesma que acompanhou a morena durante toda a gravidez.

Com tudo pronto, Marina posicionou-se ao lado da esposa, segurando sua mão. A fotógrafa tinha o coração acelerado, assim como a morena. Dra. Sara pediu para Clara fazer força enquanto empurrava sua barriga.

Em virtude do enorme esforço que fazia, Clara suava muito. As enfermeiras monitoravam a pressão da morena, que vinha subindo. Mas a esposa de Marina queria estar consciente durante o trabalho de parto e pediu para que não lhe aplicassem nenhum remédio. Queria mostrar que estava forte e resistente.

— Mais um pouco Clara! — Pediu Dra. Sara.

A morena segurou forte nos braços da esposa. Fechou os olhos, rangeu um pouco os dentes e gemeu alto. Marina sentia a força que a amada estava fazendo.

— Isso Clara, tá vindo! Só mais um pouco! — A médica exclamou.

A morena apertou os braços da fotógrafa, deu um grito alto e pouco depois ouviram o choro da pequena: Ana havia chegado ao mundo!

Ofegantes e com o coração acelerado, Clara e Marina choravam junto com a filha.

— Parabéns para as mamães, a Ana chegou! — Exclamou Dra. Sara.

Clara e Marina sorriram e se beijaram carinhosamente. As enfermeiras preparavam a pequena para entregá-la às mães. De repente, o monitor cardíaco apitou. Os batimentos de Clara caíram rapidamente.

— Clara! — Chamou Marina desesperada ao perceber a esposa desacordada. — Clara! Clara!

— Tirem a esposa e a bebê daqui! — Dra. Sara ordenou.

Uma enfermeira já havia deixado o quarto com Ana enquanto a outra tentava tirar a fotógrafa, que resistia em ficar.

— Vai Marina, a gente precisa reanimá-la agora! — A médica gritou. A fotógrafa se assustou e saiu quando a equipe de emergência já entrava na sala com os desfribiladores.

A esposa de Clara insistiu em acompanhar pelo vidro da porta.

A primeira tentativa não surtiu efeito. Marina estava em prantos. A equipe preparou-se para a segunda tentativa. Nada. Clara não respondia. A fotógrafa pedia a Deus pela vida da esposa. A equipe médica preparou-se para a terceira tentativa.

— Se afastem! — Dra Sara pediu e em seguida pressionou os desfribiladores contra o peito da morena.

O batimentos de Clara voltaram a aparecer no monitor. A equipe médica saiu do estado de alerta. Marina chorava, ainda em um misto de alívio e susto. Dra. Sara deixou a sala de parto e foi conversar com a fotógrafa. Puxou-a pelo corredor.

— Eu quero ver a Clara. — A fotógrafa tentou ficar.

— Marina, os batimentos voltaram, mas ela ainda está desacordada. Vamos levá-la para a UTI pois ela precisará ser monitorada de forma mais intensiva. As primeiras 48 horas após um trauma desse são fundamentais para sabermos como ela vai reagir.

— Mas ela vai ficar boa né?! — Marina perguntou desejando que a médica lhe desse uma resposta positiva.

— Não dá pra saber ainda Marina. Precisamos aguardar. — A médica afirmou. — Vai lá ficar com sua menina, pois ela mais do que nunca precisa de você agora.

Marina concordou. Sentia o peso do mundo sobre seus ombros. De repente ela tinha se tornado mãe. Havia um novo ser em suas vidas e que naquele momento só poderia contar com ela. A fotógrafa se dirigiu para o berçário.

Naquela altura, Ana já estava em um bercinho, completamente embrulhada, aquecida e tranquila.

A calma e inocência da pequena fizeram Marina sorrir. A fotógrafa ficou ali por alguns instantes pensando em tudo que tinha se passado. Tentava colocar as ideias no lugar quando Chica e Helena entraram no corredor do berçário. Ao vê-las, Marina voltou a chorar muito, o que assustou a mãe e a irmã de Clara. A fotógrafa não conseguia falar.

Por sorte Dra. Sara chegou ao corredor do berçário para ver como Marina estava e acabou explicando para os familiares de Clara tudo que havia se passado.

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Chica e Helena ficaram muito abaladas pelas notícias, mas tentavam ser fortes para apoiar Marina, pois a pequena Ana precisaria muito dela enquanto Clara não pudesse estar. Foram para o quarto reservado para a gestante. Depois de um tempo a pequena foi levada para lá.

Marina se aproximou do berço onde a enfermeira havia deixado Ana. Embora recém-nascida, a pequena mantinha os olhos abertos e direcionados para a mãe. A fotógrafa a olhou e sorriu. Apesar de tudo que estava vivendo, não tinha como não se alegrar ao ver a inocência da pequena, que por sua vez não tirava os olhos da mãe.

Marina então pegou a filha no colo pela primeira vez. Sorria e chorava ao mesmo tempo. Aquela criança era fruto do amor entre ela e Clara. Em suas veias corria o sangue das duas mães. Em seu semblante, os traços delicados de Marina e a alegria de Clara. Chica e Helena se emocionaram com a cena. Clara ainda dormia na UTI, mas sua vivacidade estava presente ali na pequena Ana.

A noite chegou e Helena precisou ir para casa. Chica decidiu ficar com Marina. Frequentemente a equipe médica trazia novos boletins sobre o estado de saúde de Clara, todos sem qualquer alteração. Ainda assim, durante a noite Marina foi umas três vezes até o posto de enfermagem da UTI para verificar se havia alguma novidade.

De 3 em 3 horas as enfermeiras traziam mamadeiras com leite materno do banco de leite para a alimentação da pequena, que bebia cada frasco com toda força do mundo. A partir da segunda mamadeira e após receber as orientações da enfermeira, a própria Marina passou a alimentar a filha.

O dia amanheceu sem que a fotógrafa tivesse conseguido pregar o olho. Quando Chica despertou, viu a nora sentada na poltrona. Os olhos repousavam na pequena, mas o olhar estava distante, provavelmente junto de Clara.

Por volta das 10 horas Dra. Sara entrou no quarto.

— Alguma novidade doutora? — Perguntou a fotógrafa.

— Nenhuma ainda. — Respondeu a médica. — Mas como te disse Marina, essas primeiras 48 horas são essenciais. É importante ter paciência e fé, muita fé. — Dra. Sara completou, tentando confortar a esposa de Clara. — Na verdade eu vim aqui para dar alta pra Ana! É hora dela ir pra casa!

— Mas e a Clara? A gente não pode ir sem a Clara. — Questionou Marina. A fotógrafa tinha o semblante triste, pois nunca tinha imaginado levar a filha pra casa sem a esposa.

— Não sabemos ainda como a Clara vai ficar Marina. — Respondeu a médica. Os olhos de Chica se encheram de lágrimas também. — Não sabemos nem quando ela poderá sair. A Ana precisa ir pra casa, não é bom pra ela ficar mais do que o necessário no hospital. — Dra. Sara foi afirmativa.

Marina entendeu a colocação da médica. Sabia que ela tinha razão. Assentiu com a cabeça.

— Podemos ver a Clara antes de sair doutora? — Chica perguntou.

— Podem sim, mas vão uma por vez. — Dra. Sara recomendou.

Antes de se despedirem, a médica tentou tranquilizar Marina. Disse que estavam fazendo tudo por Clara, e que fariam contato assim que tivessem qualquer novidade. Além disso, a fotógrafa poderia vê-la todos os dias no horário reservado para as visitas. Marina e Chica agradeceram e se despediram da médica. Chica foi ver a filha primeiro. Enquanto isso a fotógrafa guardava as roupas e os objetos que tinham levado na bolsa de Ana. Quando a sogra voltou da UTI, Marina foi ver Clara.

Colocou a roupa esterilizada e foi se aproximando lentamente da cama onde a morena permanecia imóvel. Seus batimentos e respiração eram monitorados constantemente. Os índices pareciam normais. Mas a morena não esboçava qualquer reação. Ainda não se sabia se a parada cardíaca sofrida após o parto acarretaria em algum dano, e, caso houvesse, qual seria a extensão dele. A fotógrafa se aproximou e sentou ao lado da esposa. Tocou o rosto da morena. Lembrou-se então de uma conversa que haviam tido durante o curso que fizeram na gravidez.

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INÍCIO DO FLASHBACK

— Então Marina, você deita a neném, depois a levanta delicadamente pelos pés, para colocar a fralda sob o quadril dela. Daí passa a pomada para evitar as assaduras, fecha aqui primeiro... — Clara explicava quando foi interrompida.

— Tem certeza que eu preciso aprender todos esses detalhes Clara?! Vamos estar sempre juntas, não vamos?! Você vai fazendo e eu te ajudando, te passo a fralda, a pomada... — Marina piscou e soltou uma risada.

— Pode ser que eu não esteja por perto algum dia e você vai precisar fazer isso sozinha. — Clara afirmou com o semblante sério.

— Credo Clara, nem brinca com isso! — Falou Marina batendo três vezes na madeira.

— Eu não estou falando que eu vou morrer. Mas vai que um dia você leva nossa filha pra passear sozinha, quem vai trocar a fralda dela?! — A morena perguntou.

— Tá bom, tá bom. Me dá essa fralda aqui que eu vou te mostrar a grande trocadora de fraldas que eu serei! — Marina respondeu rindo e provocando uma risada em Clara também.

FIM DO FLASHBACK

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— Não queria fazer isso sem você meu amor! Eu volto logo, te prometo! — Marina disse baixinho se despedindo com um beijo na testa da morena. Levantou-se e saiu.

Vanessa foi buscar Marina e Ana no hospital. Chica as acompanhou até Santa Teresa. A fotógrafa entrou em casa com a pequena no colo. Olhou tudo ali, as fotografias dela e de Clara, os objetos de decoração que haviam comprado juntas: tudo lembrava a esposa. Seus olhos se encheram de lágrimas.

Sentia um misto de felicidade por estar em casa com a filha no colo e tristeza por não ter Clara ali. Chica e Vanessa colocaram as coisas no lugar para Marina. Vanessa também já tinha deixado o bercinho pronto para a chegada da pequena. Subiram juntas para o quarto de Ana. A sogra e a amiga ajudaram Marina no primeiro banho da bebê. Foi difícil para a fotógrafa, não pelo tamanho e fragilidade da filha, mas pela lembrança de Clara: Marina nunca tinha imaginado fazer isso sem a esposa.

A fotógrafa deu uma mamadeira para Ana e a pequena dormiu.

— Milha filha, quer que eu fique aqui nesses primeiros dias pra te ajudar? — Perguntou a sogra tocando o rosto de Marina.

— Não Chica. Não precisa. Você já ajudou demais. Você e a Vanessinha. — Marina falou, olhando para a amiga. — Não tenho nem palavras para agradecer. Mas eu preciso fazer isso só, preciso aprender a dar conta das coisas enquanto a Clara não estiver. Eu prometi isso a ela. — Marina completou com lágrimas nos olhos.

Chica a abraçou forte. Se despediu dela, da neta e de Vanessinha. A amiga também deu um abraço apertado em Marina.

— Qualquer coisa me liga tá?! Vou ficar com o telefone em alerta, se você chamar venho correndo viu?! — A ruiva declarou com um sorriso.

— Chamo sim Vanessinha! Obrigada por tudo! — A fotógrafa agradeceu.

Despediram-se e saíram. Marina e a pequena ficaram sós em casa. Ana dormia um sono leve, tinha o semblante tranquilo. Em sua inocência, nem poderia imaginar tudo que tinha acontecido desde que chegou ao mundo. Marina ficou um tempo a observar o rosto da filha. Tocou suas bochechas avermelhadas, seu pequeno e delicado nariz, seus cabelos macios. A imagem de Ana passava tranquilidade para Marina, apesar de tudo que tinha acontecido nas últimas 24 horas.

— Preciso ser forte por você minha filha! Precisamos ser fortes juntas! E logo logo a mamãe Clara estará aqui conosco! — A fotógrafa falou baixinho.

Deixou a filha dormindo e foi para seu quarto com a babá eletrônica.

As roupas de Clara ainda estavam sobre a cama delas. Ali no quarto a lembrança da morena era ainda mais forte, podia até sentir o cheiro da esposa. Marina suspirou fundo. Dobrou as roupas. Despiu-se e preparou-se para o banho. Levou a babá eletrônica para o banheiro, pro caso da pequena acordar enquanto ela estivesse ali.

Entrou no chuveiro e deixou a água correr livre sobre seu rosto e seu corpo. Tentou não pensar em nada, só sentir a água tocar sua pele. Fechou os olhos e conseguiu relaxar por um instante. Tanto que não percebeu quando o choro da pequena começou a ser transmitido pela babá eletrônica. Após alguns momentos com o pensamento longe, Marina ouviu o choro estridente da filha. Saiu correndo. Não desligou o chuveiro, não se secou, apenas correu na direção do quarto da filha.

Chegando lá, a menina chorava alto. Chorava tanto que uma lágrima chegou a escorrer no seu pequeno rosto. Marina a tirou do berço e a segurou forte contra seu peito. Estava molhada, mas sentia que era mais importante acalentar a filha para acalmá-la.

Alguns momentos depois a pequena parou de chorar. Marina sentiu seu seio esquerdo ser puxado. Instintivamente a pequena sugava o bico do peito da mãe procurando alimento. A fotógrafa sentia um misto de dor pela leve puxada na ponta de seu seio, e alegria pelo contato tão próximo com a filha, que tinha se tranquilizado. Os lábios da pequena moviam-se rapidamente e ela puxava com força. Tentava encontrar leite. Assim que percebesse que daquele peito não sairia nenhum alimento, a fotógrafa sabia que a pequena voltaria a chorar forte. Mas isso não aconteceu. Ana continuou sugando o seio esquerdo da mãe até que adormeceu.

Quando Marina percebeu que a filha tinha dormido, a colocou no berço novamente. Apagou a luz e saiu do quarto bem devagar. Quando estava no corredor a caminho do quarto, ainda nua, sentiu seu peito molhado. Um líquido branco escorria de seu seio esquerdo. Ela estava incrédula e ao mesmo tempo maravilhada.

— Eu tenho leite! — Falou baixinho. Sorriu. Seus olhos se encheram de lágrimas. — Eu tenho leite. — Riu mais uma vez.

Marina estava processando tudo que vinha acontecendo desde que Ana chegou ao mundo. Muitas mudanças, surpresas boas e acontecimentos ruins também. Mas, acima de tudo, muita esperança nas coisas que sempre sonhou viver com a mulher. Voltou para o quarto e terminou seu banho. Colocou um pijama. Depois voltou até o quarto de Ana e trouxe a filha para sua cama. Dormiram juntas naquela primeira noite da pequena em casa.

No dia seguinte, Chica foi até Santa Teresa para ficar com a pequena enquanto Marina sairia para visitar Clara.

A fotógrafa contou para a sogra tudo que tinha acontecido na noite anterior e como estava produzindo leite. Chica ficou igualmente maravilhada. Inclusive Marina havia deixado um pouco de leite em uma pequena mamadeira para alimentar a filha enquanto ela estivesse no hospital.

Chegando lá, vestiu a roupa de visitante. Já na UTI, aproximou-se lentamente da morena.

Clara permanecia dormindo. Marina lembrou-se de tudo que tinham vivido nos últimos dois dias. Lembrou-se dos sonhos e planos que tinha feito com a morena. Do medo que sentia de ficar sem a esposa. Foi inevitável que lágrimas escorressem de seus olhos.

A fotógrafa sentou-se ao lado da morena. Segurou a mão da esposa. Mesmo sem saber se Clara poderia ouvi-la, começou a relatar tudo que tinha acontecido desde que ela tinha levado a filha pra casa.

— Então eu segurei a Ana forte contra meu peito Clara. Foi instintivo. Achei que só assim conseguiria fazer nossa filha se acalmar. E ela passou a chupar meu peito com tanta força que o leite veio. Você precisava ver Clara! Nossa filha mamava com tanta vontade. Foi uma sensação que eu nunca tinha sentido na vida. Sensação de que uma outra pessoa precisava de mim, que precisava do meu amor e proteção. Queria tanto que você estivesse lá pra ver isso Clara! — Marina falou chorando. Abaixou a cabeça.

— Mas eu tenho certeza que ainda vou ver esta cena muitas vezes! — Clara falou enquanto apertava forte a mão da esposa.

Marina se assustou. Levantou a cabeça rapidamente e viu a morena ali, acordada e sorrindo. Deu um abraço apertado na amada. Ria e chorava ao mesmo tempo. Clara estava de volta!

Notas finais
A dica de hoje vai para o filme "Desobediência", de 2018, uma obra que aborda o delicado processo de entender quem somos, respeitar nossa natureza e nossas escolhas. Vale muito a pena! Conforme sinopse disponibilizada pela Sony Pictures: "A fotógrafa Ronit (Rachel Weisz) retorna para a cidade natal pela primeira vez em muitos anos em virtude da morte do pai, um respeitado rabino. Seu afastamento foi bastante abrupto e o reaparecimento é visto com desconfiança na comunidade, mas ela acaba acolhida por um amigo de infância (Alessandro Nivola), para sua surpresa atualmente casado sua paixão de juventude, Esti (Rachel McAdams)". Segue o trailer legendado: https://www.youtube.com/watch?v=1AEIGqGBGno Até amanhã pessoal! Não deixem de comentar!! Nosso próximo e último capítulo leva o nome da fic: Assim Estava Escrito Capítulo 36 postado em 23 de setembro de 2021.