Assim Estava Escrito

37 Assim Estava Escrito


Notas iniciais
Olá pessoal! Peço mais uma vez sinceras desculpas pelas interrupções na publicação da fic, especialmente esta última, que se prolongou muito mais do que eu gostaria. Eu nunca duvidei que a fic teria um fim, porque eu não deixo nada na minha vida por terminar. Nada mesmo. Demorou, mas aqui lhes apresento o capítulo final, imaginado e escrito com muito carinho! Foi um prazer escrever essa história, relembrar Clarina e compartilhar com vocês tudo que gostaríamos de ter assistido na TV. Entre séries, novelas, filmes e propagandas, espero que vejamos cada vez mais histórias de mulheres que se amam. Nosso sonho é que um dia, em um futuro não muito distante, a sociedade naturalize relacionamentos como o de Clarina. Agradeço a todos que nos acompanharam ao longo da trajetória da fic. Muito obrigada ao Nyah pela oportunidade de poder publicar meus escritos e compartilhá-los com o mundo! Foi uma experiência inesquecível! Faço um agradecimento especial para a minha pequena, que há exatos 7 anos, em um dia 24 de setembro, fez seu primeiro comentário como leitora da fic. Naquele dia nossos caminhos se encontraram e permanecem juntos até hoje, e é o que eu desejo para sempre. Assim Estava Escrito!

A pequena Ana já estava com 11 meses. Clara e Marina decidiram passar o final de semana com Ivan e a filha em Angra, para onde não iam há mais de 2 anos, desde quando decidiram tentar ter um bebê. Era a primeira vez que os quatro viajariam juntos Em Família.

Tinham acabado de chegar na ilha e estavam terminando de guardar algumas coisas na dispensa quando Marina teve a ideia de fazerem um passeio diferente.

— Vamos lá na prainha? Faz tanto tempo que não vou lá. — A fotógrafa falou para a morena.

— Onde é a prainha? Você nunca me levou neste lugar. — Clara respondeu.

— Ah, é um lugar muito gostoso que tem aqui na região. Faz tanto tempo que não vou lá, tinha até me esquecido. — Marina esboça um sorriso a partir de alguma lembrança daquele local. — Como estamos com o Ivan e a Ana, achei que eles iam gostar de ver gente, ver movimento, outras crianças, foi por isso que me lembrei. — Justificou a fotógrafa.

— E como faz pra chegar lá? — Clara perguntou.

— É só a gente pegar o barco. — Respondeu Marina. — É um lugar onde as pessoas também conseguem chegar de carro, então tem mais movimento. Eu gosto de ver movimento. Quando eu era mais nova eu ficava muito sozinha. Não tinha irmãos, nem outras pessoas da minha idade por perto. Então quando eu estava aqui em Angra, eu pedia para o meu pai me deixar ir para a prainha só pra ver movimento de gente.

— Então você quer ver movimento de gente é?! — Perguntou Clara com uma pontinha de ciúmes.

— Não sua boba. — Respondeu a fotógrafa se aproximando. Selou os lábios da amada. Quando o beijo terminou, olhou nos olhos da morena e falou: — Tudo que eu quero está aqui! — A fotógrafa completou. Clara abriu um sorriso e beijou a esposa.

Prepararam uma cesta de piquenique. Avisaram Ivan que iriam sair. O garoto se empolgou e foi trocar de roupa. As mães também se trocaram e arrumaram a pequena Ana para o dia na praia. Cerca de uma hora depois entraram no barco em direção à prainha.

Assim que pisaram na areia e Clara olhou em volta, uma sensação estranha tomou conta da morena.

— Esse lugar me parece familiar. — A morena falou. Tinha uma interrogação na cabeça.

— Você já veio aqui?! — Marina perguntou.

— Não sei dizer. De barco não, com certeza. — A morena riu. — Ah, sei lá, esses quiosques aqui parecem novos, mas a praia me lembra algo que eu não sei dizer exatamente o que é.

— Aqui mudou muito mesmo. — Marina confirmou. — Não existiam esses quiosques todos, apenas a barraca do Seu Zé, que hoje já não existe mais.

— Pois é, quando um lugar muda muito a gente fica com dificuldade de lembrar. Enfim, vamos colocar nossa sombrinha?! Pode deixar comigo! — A morena sorriu e piscou para Marina.

Muito rapidamente Clara colocou a sombrinha no lugar. Marina esticou uma toalha grande sob a sombra que se formou.

Ivan chamou a mãe para brincar de bola. Clara, como uma boa 'moleque de rua', foi jogar com o filho.

Marina ficou na sombra cuidando na pequena Ana, que encontrou diversão cavando um buraco na areia. De câmera na mão, a mãe fotógrafa fazia diversos registros da filha na praia.

Em alguns momentos Marina olhava Clara de longe, sem que a morena percebesse. Admirava os contornos do corpo da esposa, que ali na praia eram ressaltados pela luz do sol. Sem que Marina notasse, Clara também a observava. Quando Ivan precisava buscar a bola longe e o jogo era interrompido, a morena olhava na direção da sombrinha e abria um sorriso ao ver a alegria da esposa fotografando a filha delas. Sua pele alva, seus cabelos negros, o sorriso largo. Tudo em Marina a encantou desde o primeiro dia em que se viram. O fascínio que uma sentia pela outra estava mais vivo do que nunca.

Clara não conseguiu parar a bola chutada por Ivan e ela foi rolando até perto de Marina.

— Pode deixar que essa eu pego filho! — A mãe exclamou para Ivan.

A morena foi correndo na direção da esposa para pegar a bola de volta. Marina segurou a bola nas mãos. Clara se aproximou e as duas se olharam.

— Que sensação estranha! — A fotógrafa exclamou.

— Você sentiu também?! Eu tô sentindo isso desde que pisamos aqui na praia. Agora que te vi com essa bola nas mãos, parece que já vivi isso, sabe como é?!

— Eu sei, sei sim! — Respondeu Marina, concordando com a cabeça. — Estou com essa mesma sensação agora também.

Ambas sentiam-se estranhas mas não sabiam explicar ao certo o motivo.

Marina jogou a bola pro alto na direção da esposa.

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INÍCIO DO FLASHBACK

Um grupo de três rapazes e três moças em círculo rebatem uma bola de vôlei na praia. Uma das moças, uma jovem de pele bronzeada dá uma cortada e isola a bola para longe. Um dos rapazes vai buscar. Quando ele volta, fala pra ela:

— Clara, não precisa bater tão forte na bola. A gente está só rebatendo aqui.

— Tá bom, desculpa Cadu. Estou com dificuldades pra controlar minha força. — A jovem morena respondeu.

— Amor, eu já fui buscar a bola umas 10 vezes por conta da sua 'dificuldade' em controlar sua força. — O rapaz reclamou um pouco impaciente.

— Tá certo, desculpa, desculpa. — Clara olhou para o namorado e lhe deu um beijinho nos lábios. — Da próxima vez eu vou buscar a bola, prometo.

Continuaram a brincadeira de rebater. A morena tentava ser mais cuidadosa, porque não queria isolar a bola para depois ter que ir buscá-la.

A alguns metros dali, uma jovem de pele alva estendia sua toalha na areia.

Um homem que estava próximo dela perguntou:

— A senhora vai ficar por aqui Dona Marina?!

— Senhora?! Dona Marina?! Jonas, pelo amor de Deus, já te pedi pra não me chamar assim. Eu só tenho 15 anos, mas você fala como se eu tivesse 60.

— Desculpa Do... desculpa Marina. É que é estranho te chamar só de Marina.

— Mas eu prefiro assim Jonas. Combinado?!

— Combinado! — O homem respondeu sem graça.

— Pode ir dar uma volta, eu vou ficar bem aqui. — A jovem o tranquilizou.

— Seu pai me pediu que não te perdesse de vista caso você saísse da ilha. Eu vou ficar ali na barraca do Seu Zé, aqui pertinho. — Jonas indicou o lugar. — Quando você quiser ir embora, é só me chamar e a gente vai pro barco.

Marina fez aquela cara de quem sabia que não conseguiria fazer Jonas mudar de ideia. O homem era empregado de seu pai em Angra desde muito antes dela nascer. Jonas acompanhou o crescimento de Marina desde o início, e, na ausência do pai dela, sentia um dever ainda maior de cuidar da jovem.

— Tá bom, tá bom. — Marina concordou. — Na hora da gente voltar eu te chamo lá na barraca do Seu Zé.

Jonas se afastou e Marina ficou ali contemplando a praia. Era por volta das 16h, o sol não estava tão forte e o movimento de pessoas já tinha diminuído. Mas sempre ficavam na praia jovens que queriam jogar, paquerar e se divertir até mais tarde. E era exatamente esse movimento que Marina gostava de ver. Como a praia não estava muito cheia, chamou a atenção da jovem aquele grupo de 3 moças e 3 rapazes que rebatiam a bola de vôlei, especialmente a jovem morena de sorriso largo. Marina tentou disfarçar, observar outras pessoas que estavam por ali, mas seu olhar sempre se voltava para Clara. A morena era como um ímã que atraía a atenção de Marina.

A jovem nunca havia se interessado por ninguém, nem por homens, nem por mulheres. Sentia-se diferente de todos que na sua idade já estavam com os hormônios aflorados. Mas isso mudaria. De repente, sem esperar, estava ali hipnotizada por uma moça. Tinha dificuldades para entender o que estava acontecendo com ela mesma. Observar o corpo daquela morena fez seu sexo pulsar. Marina olhou em volta para verificar se alguém havia notado o que estava acontecendo ali com ela, mas tudo ao redor continuava igual. As principais mudanças estavam dentro dela mesma. Neste momento de distração com o entorno, sentiu uma bola tocar suas pernas que estavam esticadas na toalha sobre a areia. Segurou a bola em suas mãos. Quando olhou pra cima pra ver de onde tinha vindo a bola, estava na sua frente a jovem morena que fez seu desejo despertar .

Marina se levantou. Clara ficou um tempo parada olhando aquela jovem de cabelos negros com a bola nas mãos. Agora era a morena quem estava hipnotizada. Não escutava nenhum barulho em volta, não conseguia perceber mais nada do que se passava. Olhava fixamente aqueles lábios vermelhos, aquele corpo alvo com curvas perfeitas. Era a mulher mais linda que já tinha visto!

— É sua?! — Perguntou Marina, enquanto Clara ainda estava naquele estado hipnótico. Marina repetiu: — É sua a bola?!

Só então Clara saiu do transe.

— Ah sim, é minha. Você se machucou?! — A morena perguntou olhando as pernas de Marina.

— Não, de forma alguma. Bateu fraquinho. — A jovem a tranquilizou.

— Você me desculpa. Fui eu que joguei a bola forte. — Clara se justificou.

— Não tem problema algum. — Marina respondeu sorrindo. Se admiraram por alguns segundos até que uma voz masculina as interrompeu:

— Vamos amor, o pessoal tá chamando pra ir embora! — Cadu gritou de longe.

Clara olhou para trás e em seguida voltou-se para Marina. A futura fotógrafa estava um pouco sem jeito.

— O amor está te chamando! — Marina falou para Clara.

— Ele não é o meu amor. — A morena disse sem graça.

— Não?! — Marina fez uma cara de interrogação.

— Ah... sei lá... mais ou menos... — Clara titubeou.

Marina riu do jeito da outra.

— Você parece meio indecisa. — Falou a futura fotógrafa.

— Um pouco né?! Eu preciso parar de ser assim. — A morena constatou. — Nós estamos namorando sabe?! Ele é um cara bom, é lindo...

— Ele é muito lindo mesmo! — Marina interrompeu Clara.

— ... mas ele não faz meu coração bater mais forte, sabe?! Eu não sinto que ele é o amor da minha vida. — A morena olhou nos olhos de Marina.

— E você acredita que existe um amor da vida da gente?! — Marina questionou.

— Ah, eu acredito sim! Você não?! — Clara devolveu a questão.

— Eu acredito também! Eu tenho certeza que cada pessoa tem uma outra que é feita exatamente pra ela. — Marina olhava diretamente nos olhos da morena. — Muita gente passa a vida inteira sem encontrar essa pessoa, mas que ela existe, existe sim. — Completou.

— E como a gente vai saber quando encontrar o amor da vida da gente?! — Clara perguntou.

— Pode ser em qualquer lugar né?! Nos lugares mais improváveis. Aqui nessa praia por exemplo! — Marina falou afirmativamente. — Eu tenho a sensação que no tempo certo, quando for pra acontecer, o nosso coração vai bater mais forte e a gente vai saber que aquela pessoa é o amor da nossa vida.

A essa altura da conversa, o coração das duas estava acelerado. Eram ali duas desconhecidas, nem sabiam o nome uma da outra, e de repente estavam à vontade falando de um assunto tão íntimo. Estavam ali envolvidas, batimentos acelerados, imersas como se nada em volta importasse.

Até que foram interrompidas novamente.

— Vamos embora amor! — Gritou Cadu mais uma vez, já impaciente pela demora da namorada.

Clara e Marina voltaram para a realidade. A morena olhou para trás e para Marina novamente.

— Eu tenho que ir. A gente vai voltar pro Rio agora.

— Já?! — Perguntou Marina desconsolada.

— Infelizmente. — Clara também falou com tristeza.

— Eu achei que ia te ver de novo. — Marina estava pesarosa.

— A gente vai! — Clara piscou, sorriu e foi se afastando.

A morena já estava de costas quando ouviu a jovem lhe chamar:

— Ei!! — Marina falou. — A bola!!

Neste momento a futura fotógrafa jogou a bola pro alto na direção da morena.

FIM DO FLASHBACK

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— Era você!! — Clara e Marina exclamaram juntas.

As duas se aproximaram. Ficaram com os rostos colados, olhos nos olhos, os lábios quase se tocando.

— Aqui nessa praia uma jovem morena estonteante me fez perceber pela primeira vez que eu gostava de mulheres! — Marina falou sorrindo.

— É é?! Olha que coincidência. Porque foi aqui nessa praia que uma linda garota de cabelos negros me falou que todo mundo tem um amor da vida. — A morena abriu um sorriso largo.

— E você encontrou o seu?! — Marina perguntou com seu olhar penetrante.

— Encontrei sim! Mas só percebi isso muitos anos depois. — A morena respondeu.

— Quando é pra ser, não importa o tempo que demorar, vai acontecer. — Marina a olhou no fundo dos olhos. Beijaram-se calorosamente, naquele mesmo lugar onde tinham se visto pela primeira vez. — Assim Estava Escrito!

Notas finais
Não deixem de comentar pessoal!! Se eu tiver outra oportunidade de escrever histórias, espero ter a companhia de vocês novamente!! Foi muito gratificante esse contato com o público leitor por aqui!! Agradeço de coração!! Capítulo final postado em 24 de setembro de 2021.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!