Notas iniciais
I'm alive! ~grita surgindo de escombros~ Sério, fiquei todo este tempo sem computador, usando só a internet do celular. Por isso o cap atrasou. Tudo bem, atrasou um pouco mais porque o Assassin's Creed Syndicate que comprei na Black Friday FINALMENTE CHEGOU!!!! Maas, estou de volta. Acabou o caô. Revelações chocantes no próximo cap. Devo postar mais um ainda hoje, se tudo der certo. Boa leitura!

Quatro. Meses.

Quatro meses desde o funeral de Minowhaa. Quatro meses desde a chegada de Shay à minha casa. Talvez fosse uma ironia da Maçã que a recuperação de Shay andasse em passos tão vagarosos. Por maiores que tivessem sido os cuidados de Prudence e minha mãe, Shay contraiu uma grave infecção, que praticamente anulou sua recuperação. Dias se passaram com Shay tendo febre alta, balbuciando coisas e nomes de seu passado de Traidor dos Assassinos. Ouvi o nome de meu Mentor, Achilles. “Se você tivesse me escutado desde o princípio, Achilles, toda essa tragédia teria sido evitada.” Foi o que ouvi. Certa vez, ouvi algo como “você me fez matar inocentes!”, dito em um tom aborrecido e horripilante que fez Tessa estremecer, é claro. Embora estivesse cada vez mais difícil esconder de minha irmã a real natureza de nossas vidas, ouvir coisas relacionadas a matar ainda fazia minha pequena irmã sentir calafrios.

E para completar, Shay estava conquistando minha família. Shay fez isso, Shay fez aquilo... Tessa ficava sempre empolgada em ouvir suas histórias de caça pela Fronteira ou pelo Ártico, algo bastante parecido com o que eu conto a ela. Mas de uma hora para outra, Shay tornou-se uma espécie de herói para minha irmã.

Para não mencionar a irritante parceria que meu pai e Shay possuíam. Desde que Shay tornou-se hábil para se levantar e dar alguns passos lá fora, meu pai gostava de andar ao seu lado, conversar. E eu era sempre excluído dessas conversas.

Pensava que minha mãe fosse a única pessoa daquela casa neutra ao seu “carisma”. Até que percebi que a porta lateral que tinha me oferecido a consertar semana passada apareceu momentaneamente boa.

–Shay cuidou disso. – foi o que ela me respondeu, sem mais detalhes.

Isso estava cada vez mais inaceitável.

Para completar, eu estava há meses sem ver Amália. Desde a chegada de Shay, eu procurei afastá-la de minha casa, concentrando boa parte dos contratos de Assassino em suas mãos, sempre em locais distantes. O problema é que isso implicou em um afastamento de mim mesmo. Vez ou outra eu me pegava pensando alto, rindo sozinho de alguma coisa engraçada que ela tinha me dito certa vez, ou mesmo me lembrando de seu olhar acolhedor, tão profundo que me fazia sentir perdido, submerso...

Desde a morte de Minowhaa, os Assassinos estavam concentrados em trabalhar em prol da Independência, como se desejassem manter um Legado deixado por ele, que tal como eu agira, fora um braço forte para George Washington. O problema é que eu não desejava o mesmo. Sabia que a tal “liberdade” prometida pelo General Washington jamais viria ao meu povo. E no fundo, eu não mais desejava vê-lo em minha frente. Saber que ele fora o responsável pelo incêndio em minha aldeia me fizera estar mais reticente quanto a ele. Por isso, passei os últimos meses alegando trabalhos na fazenda para me manter afastado de ajudar a Revolução. Para mim, o resultado dela seria indiferente. Meu povo seria excluído de sua própria terra, tanto por britânicos quanto por Patriotas. Nada que eu fizesse poderia mudar este destino.

O único refúgio que me restava era dormir. É bem provável que nos últimos meses, eu tenha dormido mais do que o costumeiro. Era em meus sonhos que um pouco de paz me era alcançado, afinal os pesadelos de minha vida tinham se reduzido consideravelmente, talvez porque eu estivesse mais “apegado” à vida que estou vivendo agora. Pensei que esta noite o sono daria alguma tranquilidade à minha consciência para passar o resto do dia, mas não foi exatamente com tal coisa que fui brindado, quando acordei.

Abri meus olhos, de fato sentindo-me mais leve e descansado. No entanto, assim que me virei à cama, notei que ninguém menos que Amália estava dormindo ao meu lado, tranquilamente.

O susto da situação completamente inusitada fez-me soltar um grito de pavor, que creio ter sido horripilante o bastante para fazê-la acordar, creio que até mais assustada do que eu. A primeira reação dela foi pegar uma pistola que estava ao seu lado, sobre um criado-mudo, imediatamente apontando-a para mim. Sob a mira dela, erguei minhas mãos em sinal de paz, e no fundo me perguntei se ela costumava ter tal reação, quando acordada bruscamente.

–Por Deus, Connor! Mas que merda foi esta?! – ela disse, com alívio na voz, colocando a arma de volta ao criado-mudo.

–Eu é que tenho que perguntar isto! O que você está fazendo aqui?

Ela parecia não compreender a pergunta.

–Bom, eu estava dormindo, assim como você! Mas obrigada por me acorda desta forma, tão educada. Creio que nosso dia será maravilhoso, a julgar por seu comportamento estúpido.

Quando dei por mim, notei que Amália estava simplesmente se despindo de sua camisola, com a maior naturalidade do mundo.

Mas que diabos ela estava fazendo? Ela não está me vendo aqui?!

–Er, eu vou sair por um instante. – disse, ao notar que ela realmente não se importara com que estava fazendo diante de mim. Minhas bochechas deveriam estar pegando fogo, e procurei evitar que ela me avistasse tão corado assim.

Quando saí do quarto, notei de imediato que não estava em minha casa. Aquela era uma casa bem pequena e simples, sem dúvida. Não era como a Mansão em que eu vivia, não mesmo. Sequer tinha dois andares de cômodos. Notei que da janela que era manhã alta, algo que estranhei, uma vez que costumava estar de pé a esta hora há muito tempo. Tudo me causava estranheza.

Mas nada poderia substituir a estarrecedora cena que me deparei diante de mim.

Uma menina em seus cinco anos de idade, de pele morena e olhos claros, estava de pé diante de mim, também vestindo uma camisola simples.

–Bom dia, papai. – ela me disse, com um sorriso esperto.

Empalideci. Afinal, a menina tinha acabado de me chamar de pai. Prestei atenção aos seus detalhes. O tom de pele era claramente meu, mas quase todo o restante me fazia lembrar imediatamente de Amália. A cor dos olhos, o sorriso esperto, e ouso dizer que até mesmo as covinhas pertenciam á Amália.

Não havia dúvidas. Aquela era minha filha com Amália

O que está acontecendo, afinal?

Devo ter provavelmente desmaiado, pois no instante seguinte, vi-me deitado sobre a cama, tendo minha cabeça analisada minuciosamente por Amália, enquanto um pedaço de carne pairava sobre minha testa. Sentia forte dor de cabeça, também.

–Que susto me deu, Connor! E em Anne também! Ela ficou bastante assustada quando viu você desmaiar na frente dela.

–Anne, mas quem é Anne? Eu não entendo...

Percebi que Amália trazia um semblante preocupado. Como se isso tivesse acontecido outras vezes.

–Connor... Você não se lembra, não é? Porque se for isto, não tenha medo de me dizer.

–D-Do que está falando?

Ela suspirou forte.

–Faz alguma idéia de que ano estamos?

–Não. – respondi, com sinceridade. Notei que ela não estava surpresa.

–1783.

Exalei fundo. Anos tinham se passado, então. Não tive dúvidas de que estava em mais um delírio da Maçã, como aquele que me transformara em um Templário monstruoso.

–Então, também não faz idéia do que aconteceu, eu presumo?

–Não. Poderia me elucidar?

Com grande paciência, Amália procurou resumir para mim os últimos acontecimentos.

Como eu imaginava, não estava em minha casa, muito menos na América. Segundo Amália, estávamos em Nice, no interior da França, a milhas de distância de minha terra natal. Morávamos lá desde que os Templários conseguiram exterminar por completo os Assassinos na América, de modo que tínhamos nos tornado os últimos sobreviventes da Irmandade. Desde que partimos para Europa, abandonamos o Credo, passando a viver como clandestinos, praticamente isolados em uma pequena fazenda de trigo, vivendo uma vida pacata e segura. Anne era de fato nossa filha, e tinha nascido na França. Pouco a pouco, perguntei sobre os membros e sobre minha própria família. Foi decepcionante saber que apenas minha mãe e Tessa estavam vivas, e que viviam agora na Inglaterra, debaixo das asas de minha tia Jenny, mulher esta que jamais conheci.

–E quanto ao meu pai?

–Ele morreu, protegendo sua mãe e irmã durante um ataque à Herdade. Eu sinto muito.

Ainda assim, aquela situação estava estranha.

–Você parece achar natural que eu tenha amnesia e que não me lembre destes acontecimentos. Por que?

Amália parecia perturbada.

–Quando estávamos fugindo da América, você acabou batendo com a cabeça. Desde então, sua memória jamais foi a mesma. Mas eu percebi que você se esquece principalmente do que aconteceu durante e depois do Purgo. Creio que a dor que você sinta deve te fazer esquecer aqueles acontecimentos. Queria também poder esquecer, assim como você.

Passei o resto do dia tentando absorver tudo que Amália me contara.

Trabalhar pela fazenda ajudou a entender. Aquela era uma nova vida. Enquanto assistia a minha filha correndo pelo campo atrás de uma borboleta, fiquei pensando; até que essa realidade não é tão ruim assim. Apesar de os Assassinos terem sido derrotados, me foi dado a oportunidade de recomeçar em outro lugar. Eu tinha uma vida calma e tranquila ao lado de Amália, e chegamos até a ter uma filha!

Sem dúvida, eu seria um homem feliz, ao lado de Amália.

–Mamãe, eu posso brincar com as crianças lá fora?

Tínhamos acabado de almoçar, e minha filha já parecia bastante agitada, desejando brincar. Sua agitação lembrava muito a mim mesmo, naquela idade.

–Está bem. Mas não vá para longe.

Anne assentiu e pôs-se a correr. – Merci.

Quando a porta do lado de fora se bateu, foi a minha vez de conversar.

–Merci? – questionei, tentando entender o significado daquela palavra.

–É “obrigada” em Francês. Parece, Connor, que você jamais aprenderá esse maldito idioma. – ela disse, num tom divertido.

–E você aprendeu.

–Oui. – foi só o que pude captar, pois Amália dissera o que era para mim um bando de palavras estranhas. Até agora, eu não conseguia compreender porque de todos os países da Europa, escolhemos a França para viver, uma vez que eu não sabia uma palavra sequer.

Enquanto estávamos rindo de minha inabilidade com o Francês, senti uma forte vontade de dormir. Um sono, incomum, abateu-se em mim, arrancando de mim um bocejo nada gracioso.

–Você parece um urso, bocejando deste jeito. Ande, vá tirar um cochilo. Mais tarde, voltamos para a lida.

Assenti, sentindo-me subitamente lento. Meu raciocínio estava completamente retardado, enquanto meus olhos encontravam-se pesados. Só o que ouvi por final foi algo como “Você está bem, amor?”, antes que meus olhos se fechassem, contra minha vontade, e eu sentisse meu corpo cair no chão pesadamente.

Acordei sabe-se lá quanto tempo depois, e não por raios de sol ou por Amália, mas por água fria sendo atirada contra meu rosto. Isso me fez soltar um urro de surpresa, e imediatamente abri meus olhos, para tentar entender o que estava acontecendo.

O aposento de nossa casa que eu tinha adormecido dera lugar a um cômodo escuro, diria inóspito. Apenas um feixe de luz escapava, iluminando escassamente aquele ambiente. Sem dúvida, já era noite. Ao tentar me mover, senti que estava completamente amarrado a uma cadeira. Ouvi grunhidos ao meu lado, e imediatamente percebi que Amália estava ao meu lado, amarrada da mesma forma que eu. Cheguei a pensar em um assalto à fazenda ou qualquer evento comum desta natureza, mas a aparição de um homem encapuzado me fez descartar esta hipótese.

Aquele era um homem da Irmandade dos Assassinos.

Ao adentrar, ele retirou seu capuz. Notei que tinha meia idade. Alto, ele tinha o manto claro, chamativo e elegante demais para um Assassino. Trazia o vasto cabelo negro solto, que juntamente à sua barba e as cicatrizes que a traçavam formavam um tom mais animalesco, de alguém que vivera de tudo um pouco. Duvidava muito que fosse daquela região. Soltou algumas palavras, enquanto adentrava aquela porta. Sem dúvida, francês.

–Pensou que passaria despercebido de nós indo viver aqui, no meio do trigo? – questionou o sujeito, em Inglês péssimo, que me fazia ter de pensar duas vezes para entender o real significado de suas palavras. – Creio que se esqueceu da cor de pele que possui, então. – disse por fim, num tom zombeteiro e bastante racista, se referindo às minhas origens.

–O que quer de mim? – questionei, sentindo-me confuso por receber a hostilidade de um Assassino.

–O que acha que eu quero, Traidor? Acha que saí de Paris até essa pocilga de lugar apenas para que você me contasse como desmantelou toda a Ordem dos Assassinos da América?

De repente, Amália o interrompeu.

–Escute... Não é o que parece...

–Cale-se, sua meretriz! – disse o Assassino, estapeando Amália e assim fazendo meu sangue ferver com sua agressividade. Tentei me libertar, em vão. Aquelas cordas eram muito fortes para isso. – Sabemos que você também foi cúmplice, muito embora tenha sido apenas uma noviça na época.

Mas a agressão do sujeito não impediu Amália de falar.

–Você não entende, fomos movidos pelas circunstâncias!

–“Movidos pelas circunstâncias”... Francamente, eu já ouvi razões melhores que esta. Creio que estou perdendo meu tempo e que deveria logo...

–Nós usamos uma Maçã! – esbravejou Amália, interrompendo o sujeito. De repente, notei o sujeito brilhar seus olhos em abismação.

–Hum... Talvez o que vocês dois tenham a me contar seja interessante o bastante para valer a perda do próximo comboio para Paris. Vamos, mulher. Diga-me sobre esta... Maçã.

Percebi Amália respirar fundo.

–Eu e Connor pertencemos a outra realidade. Uma realidade que foi alterada por uma Maçã, que tem o poder de deslocar uma ou mais pessoas em direção ao passado. Lá, podemos alterar algo que irá se refletir no futuro.

O sujeito parecia surpreso.

–Uma Maçã que pode mudar o futuro... Isso é impressionante.

–Nesta realidade que abandonamos, o Grão-Mestre Templário do Rito Britânico conseguiu obter esta Maçã, que estava escondida em Kingston. No entanto, ele não sabia como acioná-la, nem encontrou alguém com capacidade para isto. Ele começou a suspeitar que, talvez, os Assassinos tivessem o talento necessário para isso. E mesmo com os Templários bastante enfraquecidos, ele conseguiu sequestrar a mãe e a irmã de Connor. Isto aconteceu em 1780. Ele usou a família de Connor para fazê-lo usar a Maçã. Eu não queria que Connor fizesse isso sozinho, por isso ofereci minha ajuda. Nós três usamos a Maçã: eu, Connor e Davidson, o Grão-Mestre. A Maçã nos levou há anos atrás, quando a Irmandade ainda estava renascendo, e... E Davidson nos forçou a matar nossos irmãos Assassinos.

Após grande silêncio, Bellec se pronunciou.

–Que tocante.

–Não acredita em mim, é isto? – retrucou Amália, descrente.

–Sim, acredito mademoiselle. O problema é que você traiu a Irmandade, de toda a forma. Assim como seu marido, Connor. Vocês preferiram dizimar a Ordem, acabar com a possibilidade de nos reerguer, em troca de sua família. Mas vocês se esqueceram de suas obrigações, como Assassino. Vocês são fracos, não passam de vermes que corrompem a Ordem com tais sentimentalidades. Ter pessoas como vocês nesta Guerra que já dura séculos só enfraquece o Credo. E podem até pensar que estamos fazendo mal, por cortar de nossa própria carne. Mas saibam: sacrifícios precisam ser feitos. Para salvar o corpo, as vezes é necessário cortar o membro doente. Por isso, vocês devem ser eliminados.

O Assassino deu alguns passos para o lado, até dar seu veredito.

–Eu, Pierre Bellec, Mestre Assassino, os sentencio á uma morte. Rápida e limpa, por já terem pertencido ao Credo.

Dando dois passos em minha direção, Bellec acionou sua lâmina.

–E o primeiro a morrer será você, Traidor.

Notas finais
:O Caramba!! Connor usou a Maçã de novo, voltou no tempo e passou o rodo em geral!!! Para ele sonhar isso, é bem possível que os Templários estejam bem perto da Maçã. Será que ainda dá para evitar esse terrível destino?? E gostaram da inclusão do Pierre Bellec? Não vi pessoa mais indicada que ele para dar esta sentença. Ele é tão fanático quanto o Achilles. Sem dúvida o Credo da América do tempo de Achilles teve uma leva de Assassinos daquelas... Digo isso porque Bellec estava na América na época do Purgo. Pessoal, devo postar o próximo cap ainda neste fim de semana. Quanto ao Natal e Ano-Novo, creio que será complicado. A não ser que dê tempo e eu agende a postagem, mas não posso prometer muito. Então... Se eu sumir, será por culpa da ausência de internet em certas partes do Rio de Janeiro... Rsrs Obrigada por acompanharem!!!