Assassino Vermelho

1 Chapter 1 - Memórias


Notas iniciais
Boa leitura!

Naquela manhã, o sol poente pairava no céu azul celeste. John caminhava ao meio fio da calçada pavimentada, a caminho da Rua Yellow Street. Ele estava passando em meio ao caos do trânsito e dos pedestres com os seus belos sapatos pretos sociais que havia comprado um dia antes. Ele estava pensando em sua entrevista de emprego que aconteceria daqui a alguns segundos. O ar estava tão seco que ele mal se dava conta de que estava inalando-o.

Logo a frente, encontrava-se um prédio de doze andares, com uma porta convidativa de madeira acácia Magnum decorada abaixo do marquise . John entrou sem hesitar. Na sala de recepção encontrava-se um balcão de madeira com uma plaquinha em cima que dizia: Seja bem-vindo. Ao lado direito do balcão havia um vaso ornamentado com um coqueiro. As poltronas de couro de um azul marinho ficavam do lado oeste da recepção. Atrás do balcão surgiu uma moça de aproximadamente 27 anos, de aspecto esguio, cabelos ruivos acobreados, com pequenas sardas discretas em seu rosto e olhos cor de mel.

—Bom dia, em que posso ajudá-lo? – disse a moça com receptividade.

—Fui convocado para uma entrevista de emprego nesta manhã, por meio de um telefonema que recebi do gerente Harrison.

—Qual o seu nome? –indagou ela, curiosa.

—John Renfield. – Disse ele indiferente.

—Só um minuto, John. A moça apertou com os seus dedos finos e esguios os botões fundos e desgastados do interfone.

John a observou em cada detalhe, e, em um momento pareceu fascinado pela beleza intimidadora daquela mulher, cujos cabelos ruivos desciam até suas clavículas e iam até a parte superior das mamas.

—John, pode subir até o prédio 12, sala 06. O gerente está aguardando-o.

-Obrigado! John seguiu do lado leste e pegou o corredor até chegar ao elevador.

Já se passavam das 09:00 horas, e John iria fazer a entrevista para uma vaga na área de T.I (Tecnologia da informação) na empresa multinacional de cosméticos.

O elevador chegou a seu destino. A sua frente encontrava-se a sala 06, com uma pequena descrição abaixo do número, no qual dizia: Sala do vice-diretor e gerente Harrison.

John fez menção de abrir a porta, mas, hesitou, e, em seguida decidiu bater antes de entrar.

Toc toc! – Entre John! – disse o gerente.

— Bom dia! – disse John. E, apressou-se em se apresentar. -Sou John Renfield.

—Bom dia, John! -pode se sentar. -Disse o gerente.

A entrevista durou em torno de 30 minutos, e John naquela manhã do dia oito de agosto, recebeu seu novo cargo de T.I na empresa multinacional de cosméticos.

Ao passar pela recepção, pegou um anúncio em cima do balcão que dizia: Evento da Multicosmetics dia 08/08 à partir das 19h00 horas.

— Até mais! -disse ele à secretária.

— Até mais John.

John saiu pela porta daquele recinto e voltou ao caos dos transeuntes, do barulho e do trânsito. E, em um momento pensou: Onde eu estava todo esse tempo¿ Até que se deu conta, e voltou em si subitamente como um raio. O barulho e o cheiro que exalava das ruas o atordoava, não suportaria ficar ali nem mais um segundo. Correu em direção a Yellow Street e depois de percorrer três quadras virou em direção sul. Pegou um atalho estreito pelo beco que fazia junção com a Road Rest, e seguiu seu caminho até chegar em casa.

John tinha aproximadamente 1.80 de altura, cabelos lisos e escuros como penas de corvo, lábios proeminentes e bem corados, olhos de um azul acinzentado, magro, porém com um bom condicionamento físico.

Ao chegar em casa, John subiu as escadas que levavam até seu quarto, e, ao se deparar com a porta, parou por um instante, e, em seguida, adentrou e deslizou-se até sua cama de madeira e nela se espreguiçou. Em meio aos seus devaneios, ele começou a lembrar de sua infância ao olhar para pequena vela bruxuleante que estava na escrivaninha ao lado direito da cama.

Olhou por um momento o anúncio contido em suas mãos trêmulas e pálidas, com os olhos fixos não na direção do anúncio, mas através dele. E repentinamente parecia que não estava mais ali, e de repente se projetou para o mundo fantasma das memórias. E então, recordou por um instante a sua infância, quando brincava aos arredores do campo.

Renfield era de uma família de camponeses que moravam na província de Canterbury. O cheiro do campo era peculiar, e o vento percorria suave como brumas pela vasta extensão verde e rochosa. A égua cor de terra vermelha foi dada a ele quando tinha apenas oito anos, pelo seu pai Scott Renfield. John se deleitava aos passeios matutinos que tinha com sua bela Azahara. Ah! Como ele a amava! Se dependesse dele, passaria a eternidade galopando no campo.

Como era de costume, sua mãe chamava-o sempre ao entardecer quando o crepúsculo aparecia no céu violeta em meio a matizes de cores. Sua mãe era uma mulher relativamente baixa e proeminente, com cabelos pretos em meio a um emaranhado de fios brancos, porém, de aparência jovial.

Seu pai partira logo após a oitava primavera de seu filho, e desde então, sua mãe o criou sozinha.

Repentinamente a imagem da cena que presenciou quando era criança veio à tona.

Quando ele acordava pela manhã, a primeira coisa que fazia era avistar pela janela de seu quarto, para contemplar a beleza de sua égua em meio ao campo. Porém aquele dia de outono ele não fez isso, pois decidiu fazer a segunda coisa que ele fazia: Tomar o seu lanche da manhã, pois estava faminto.

Depois de seu deleite, voltou ao quarto e espiou através da janela de vidro. O céu estava cinzento como nunca havia ficado antes, e por um instante, John constatou que haveria uma tempestade. Sem tempo de pensar, passou com a rapidez de um raio até chegar à porta da cozinha que dava para o campo. A única coisa que pensara naquele momento era colocar sua égua em um lugar seguro, longe da tempestade.

Porém, quando abriu a porta, se deparou com uma cena que o fez fervilhar por dentro como se tivesse ingerido fogo. Azahara estava estirada no gramado verde, e, com lágrimas nos olhos ele correu em sua direção. John aproximou-se e abaixou-se. A égua estava muito ferida, e com o derradeiro suspiro se entregou a morte. Aproximando-se mais da cabeça da égua, Renfield pode observar o furo, causado pela bala colt 45 em sua têmpora. Passou a mão pelo seu focinho até sua cabeça, e, então se debruçou sobre a égua que jazia rígida no chão. Ali em meio à tempestade, um raio cortou o céu, e as primeiras gotículas de chuva começavam a cair do céu negro. John derramou lágrimas de tristeza que se fundia em meio à água. Nunca havia se sentido tão triste como naquele dia catastrófico.

John voltou a si subitamente, e quando se deu conta, havia amassado o papel que se encontrava em suas mãos. Ele estava com uma expressão vazia e ao mesmo tempo, havia raiva em seus olhos. Estava decidido, ele iria aquela festa, e estava determinado quanto a isso.

Notas finais
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