Assassino Vermelho

2 Chapter 2 - Onde tudo aconteceu


Era 19h30min, e John havia acabado de chegar à festa, onde se deparou com um cartaz convidativo de ornamentos e luzes penduradas em cordas de varal de náilon, e abaixo delas jaziam bancadas e tendas com petiscos e guloseimas.

O evento se realizava em um campo aberto, coberto apenas por algumas árvores espessas mais adiantes. O garçom se aproximou oferecendo lhe um drink. E, enquanto saboreava um uísque de péssima qualidade, ele se deparou com Rachel conversando com um rapaz alto e esguio. Ela estava radiante em seu vestido verde, onde deixava amostra apenas os seus joelhos. Os cabelos vermelhos estavam soltos e volumosos envoltos por um brilho reluzente. Ela se despediu do rapaz e deu meia volta avistando John parado perto de uma plataforma de madeira, onde havia uma bancada. Em seguida, veio em sua direção, e ele pôde ouvir a grama sendo esmagada pelo pisar titubeante de Rachel, que não estava habituada a usar saltos. A cada passo, o orvalho respingava em sua pele clara deixando pequenas marcas marrons.

Com um meneio de cabeça John a cumprimentou-a. E o olhar profundo e intimador de Rachel logo o alcançou.

—Olá, você é o cara que veio fazer a entrevista hoje não é¿ — não esperava te ver aqui. Como é mesmo seu nome¿ — indagou Rachel.

-John Renfield, e o seu é¿ (Pergunta retórica pensou ele) obviamente ele já sabia a resposta, pois viu seu nome no crachá enquanto passa pelo balcão da empresa. Afinal, ele possui uma memória de elefante.

— Rachel Mills. Secretária do vice-diretor, as suas ordens. E com um sorriso que mais soou como um sibilo convidou-o para dançar.

A música que tocava no ambiente era projetada por pequenas caixas de som de coloração preta, soando dissonante, lenta, e não era muito conhecida pelo público ali presente.

—Claro. -Disse John. E, ao se aproximar, ele pôde sentir o cheiro que emanava de seus longos cabelos. Ah, como isso o fascinava. O perfume penetrou em suas narinas como um alucinógeno. Renfield envolveu seus braços na silhueta de Rachel, e pode sentir uma costela que saltava por entre seus dedos.

Ao término da música, John convidou Rachel para dar uma volta. Afinal disse ele, a festa estava um tédio. Rachel hesitou, mas aceitou de bom grado.

Caminharam por entres as arvores mais adiante, onde havia uma trilha de terra que levava a um pequeno bosque. Ao desenrolar da conversa, eles foram cada vez mais adentrando a estrada, de onde se projetava pequenas lacunas no chão. Seria impossível seguir adiante a partir dali, pois a trilha já estava escura demais, e ao olhar para frente, Rachel sentiu um cala frio ao observar aquelas sombras projetadas das árvores e a escuridão a qual a estrada levava, parecendo um portal negro ofuscante. Por um instante, ela sentiu medo.

Subitamente, Rachel começou a estremecer com o ar gélido que circulava os arredores.

—Acho melhor voltarmos. -disse ela, num tom de voz suave. Está ficando muito escuro aqui.

John assentiu. E, ao perceber que ela estava passando as suas próprias mãos envolta dos seus próprios braços na tentativa de reduzir o frio, Renfield apressou-se em oferecer-lhe seu casaco. Ele pensou por um momento enquanto tirava seu casaco: Agora é a hora, não posso hesitar, afinal, essa poderá ser a minha única oportunidade, melhor prevenir. Então, John Decidiu agir.

John levou bruscamente o casaco em volta do pescoço pálido de Rachel, e com a outra mão tapou lhe a boca. Virou-a de volta para a estrada que parecia infinita.

Rachel conseguiu dar meia volta e olhar para trás, e se odiou por isso, pois só agora percebeu o quanto estava longe do campo e das pessoas que ali se encontravam. Não podê perceber o quanto caminharam. E pensou: Oh Céus, como fui tola! Não deveria ter vindo aqui, não deveria ter saído de lá nunca. E com um puxão brusco no seu braço, John a colocou de volta rumo a estrada sombria. E desapareceram em meio à escuridão.

Renfield enfiou a mão em seu casaco e retirou uma lanterna. E iluminando o caminho, Mills conseguiu avistar mais adiante a figura de um carro. Chegaram até o carro, John abriu a porta, e ainda tapando-lhe a boca e segurando seu pescoço, John puxou uma corda do porta luvas, e amarrou os frágeis punhos de Rachel para trás.

—O que você esta fazendo¿ — indagou Rachel assustada. — Você está louco¿ sua voz era trêmula. Enquanto isso, ela observava-o pegar uma fita preta de dentro de uma valise, que se parecia com um isolante. E se contorcendo ela disse:

—Pare! — Por que esta fazendo isso¿

E John, se aproximou com a fita perto da boca de Rachel, na tentativa de tapá-la. Ledo engano. Rachel mordeu o dedo indicador de John, sentindo o gosto de sangue escorrer sobre sua língua. Com um olhar furioso, tapou a boca de Rachel. Colocou- a dentro do carro, mas, relutante ela tentou fugir, porém, não obteve sucesso. Entraram no carro seguiram rumo ao bosque.

Mills sentiu uma lágrima escorrer pelo rosto. Ela estava se perguntando como sairia dessa situação viva.

Passando por uma alameda, John desviou do bosque e entrou em outra estrada a esquerda, andaram por mais alguns 20 km e estacionaram perto de uma cabana velha.