Ashes of Monroe
1 Episodio Piloto.
Notas iniciais
Instituto Monroe
29/01/2009
— O que o senhor viu de diferente nele, doutor?
— Esta suposta alternância de personalidade, não que bipolaridade seja algo fora do comum, me refiro a alta capacidade de copiar o que está ao redor dele.
— Isso pode ser prejudicial a sociedade, doutor?
— Tudo o que é considerado diferente pode ser prejudicial a sociedade.
***
Casa de Sean
01/01/2012
A noite estava chuvosa, porém, dentro da casa do jovem o clima estava abafado, quase como uma estufa. Ele estava sentado no parapeito da janela, com a mesma aberta, olhando o movimento de sua rua — deserto. As gotículas tocavam seu corpo constantemente e ele nem sequer se importava, não sabia o sentido da vida a muito. Suspirou e olhou seu quarto, suas coisas jogadas de qualquer forma por todos os lados e em sua cama uma garota de programa nua dormindo a sono solto.
Sua rotina não era muito diferente da cena que estava presenciando, com exceção da garota de programa, Sean não possuía tanto dinheiro a ponto de sair com uma por noite, se contentava em uma por semana.
O jovem desceu do parapeito e saiu do quarto caminhando por um breve corredor escuro, em seguida, desceu as escadas indo em direção a sala — também escura — para sentar-se no sofá e fumar um cigarro. Era um mau hábito, ele sabia, mas para seus pais qualquer coisa que ele fizesse era indiferente, contanto que ocultasse sua existência naquela antiga mansão.
Depois de uma longa tragada, o sabor mentolado do cigarro desceu por seus tubos respiratórios fazendo-o relaxar e encostar a cabeça na almofada do sofá. Foi então que ouviu uma batida na porta, levantou-se e foi ver quem era.
Pelo olho mágico ele pôde ver dois homens, o primeiro usava um terno italiano preto com um chapéu de mesma cor encobrindo parte de seu rosto, já o segundo era careca e usava um sobretudo marrom escuro. Mesmo achando aqueles dois homens um tanto familiares o garoto não os reconheceu, mas, mesmo assim, resolveu abrir a porta e saber o que os dois queriam.
— Em que posso ajudar? — Falou o garoto, ainda com o cigarro aceso, em sua mão esquerda.
— Boa noite senhor Keev's. Somos funcionários do Instituto Monroe. Podemos conversar?
— Monroe? Nunca ouvi falar. O que querem comigo?
— Andamos o observando a um tempo, vimos que o senhor é uma grande ameaça a sociedade e precisa de tratamento com urgência. — Disse o homem que estava com o sobretudo.
— Ameaça? Eu? O que? São as drogas? Eu fumo apenas cigarro, várias pessoas fumam, vão prendê-las também em seu instituto? Ou preferem as que bebem? Conheço várias, incluindo meus pais. Ficaria feliz se mandassem eles para Belzebu.
— É exatamente por este comportamento que temos que levá-lo. — Disse o homem de preto arrogantemente.
— Meu comportamento? Não há nada de errado em responder a dois idiotas e estranhos que chegam na minha casa no meio da madrugada. Estou certo? Sim, estou certo. Vocês vieram a pedido dos meus pais? Sim, claro, meus pais, sempre eles. — Sean começava a conversar sozinho e suas mãos tremiam levemente, comportamento que se repetia com muita frequência desde seus doze anos.
Os dois homens se afastaram um pouco de Sean pois o mesmo começou a ir na direção deles e em pouco tempo os três já estavam na chuva discutindo.
— Senhor Keev's, mantenha-se calmo. Seus pais não tem nada a ver com a situação, não dificulte as coisas.
— Dificultar? Acham que vão me levar preso? Não serei preso novamente. Não vou ficar confinado, não vou, não posso, não posso, não posso... — O jovem ficou repetindo as mesmas palavras incessantemente enquanto levava as mãos a cabeça com uma certa força, começando a se machucar.
— SEAN! Pare com isso! — Falou o homem do sobretudo, agora claramente irritado.
— Parar!? — O garoto olhou para o homem, um sorriso sádico apareceu em seu rosto e seu olhar mudou, deixando-o com um ar psicopata. — Vou parar. É, parar. Vou acabar com vocês.
Em pouco tempo ele já estava correndo numa velocidade inacreditável e saltando em cima dos homens que tentavam se afastar — inutilmente — dele. As unhas e presas do garoto começaram a crescer quando ele saltou sobre o homem do sobretudo. Sua força estava inacreditável e apenas em segurar os braços do outro ele podia sentir os ossos rompendo as ligações. Aquilo lhe deixava excitado e cada vez mais com vontade de matar. Matar. Matar. Apenas isso vinha em sua cabeça. Foi então que ouviu um grito.
Ao olhar para trás ele viu a garota de programa. Ela estava parada na porta vestida apenas com uma longa camisa acinzentada e observava a cena horrorizada. Um sorriso surgiu no rosto do garoto que em poucos segundos saiu de cima do homem e correu em direção a ela, derrubando-a no chão e dilacerando seu corpo com suas garras, lançando pingos de sangue e pedaços do corpo da jovem para todos os lados. O cheiro de sangue para ele era quase tão bom quanto o cheiro de hamburguer do Mc Donald's. Sean estava inebriado com o cheiro daquele sangue e já estava causando efeitos alucinógenos no rapaz.
De repente Sean sentiu uma pontada em sua nuca e todo o seu corpo estava formigando. Algo que mais parecia com uma descarga elétrica. Ao olhar para trás ele viu o homem de preto sem chapéu e com o terno semi-aberto. Seus cabelos eram brancos como fios de pura luz e dançavam no ar. Seu rosto possuía várias cicatrizes que brilhavam como raios de sol que tentam passar pelas frestas de uma janela e seus olhos eram tão brancos como dois pedaços de puro nada. Novamente ele sentiu o corpo ficar dormente e formigando, vendo dessa vez que os raios vinham do homem vestido de preto. Foi a última coisa que viu antes de apagar por completo.
***
Sua cabeça estava dolorida. Seu corpo estava dormente e ele não conseguia se mover. Tudo o que conseguia pensar era: estou morto. Não estava. Na sala escura, Sean estava deitado em uma maca com lençóis brancos. Estava amarrado por fios de aço e em seus braços haviam seis agulhas enfiadas. Cada uma pondo um medicamento diferente para que ele ficasse estável e não causasse mais transtorno ou mortes.
Sua visão não conseguia captar os movimentos da sala, seus ouvidos não conseguiam ouvir o que falavam mas ele sabia que não estava sozinho ali. Conseguia sentir a presença de mais pessoas e ao mesmo tempo o cheiro. Não era o mesmo cheiro dos homens que foram a sua casa, nem era o cheiro de sangue que tanto lhe excitava. Era algo... Diferente. Doce. Não que lhe desse vontade de comer, acabar, destruir ou matar. Era algo doce como o conforto de um abraço, ele se sentia seguro. Não gostava de estar vulnerável e de ter de depender de alguém — ou no caso, de um cheiro — mas lhe passava calma e tranquilidade.
O jovem respirou e tentou clarear a visão, era inútil. Suspirou e se conformou em ficar parado, já que, de qualquer forma, seu corpo não estava respondendo aos comandos ordenados por seu cérebro.
— Quem está aí? — Ele perguntou.
— Você não tem de se preocupar com nada agora. Apenas descanse um pouco, durma. — Era uma voz feminina. Era diferente das outras pois não lhe dava vontade de "ativar" o instinto assassino. Lhe dava apenas vontade de adormecer, como ela havia pedido.
Foi o que ele fez.
Notas finais
"Sean acordou em um quarto comum, semelhante aos que passam em filmes e séries de colegiais. Sentiu-se diferente por estar ali, parecia ter mergulhado em alguma série da Disney. Foi então que ouviu a porta se abrir.
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