Ashes of Monroe

2 Instituto Monroe


Notas iniciais
'No capitulo anterior: Sean foi levado por dois estranhos para o tal Instituto Monroe e se encontra desacordado, mesmo fazendo força para acordar é como se uma força o fizesse permanecer estável. A questão é. por quanto tempo?

Instituto Monroe

21/07/2014

"O que eu estou fazendo aqui em cima? Não! O que estou fazendo ali em baixo!? Eu morri? É assim que é morrer? Ver seu corpo imóvel e sem vida enquanto se debate para tentar voltar para ele... Espera, quem é aquele cara sentado ao lado da minha cama? O cara do sobretudo! Foi ele quem me matou! Desgraçado, vou estrangulá-lo e beber seu sangue com minhas presas..."

A aura de Sean estava rodeando seu corpo — confusa e bastante irritada ao achar que estava morto — enquanto o doutor usava a mente para entrar no corpo do jovem e tentar fazer com que o mesmo conseguisse mudar sua personalidade e dessa forma pudesse controlar a sua força e as suas transformações. O plano foi falho a partir do momento em que o garoto percebeu o que estava acontecendo e começou, de forma frenética, a tentar para seu corpo. Aos poucos o doutor foi perdendo as forças e o controle sob o controle do garoto e ele voltou a si, bastante irritado deixando o homem totalmente tonto e desnorteado.

"Vou bater nesse careca estúpido, dilacerar cada osso de seu corpo e acabar com a sua existência definitivamente..."

Sean tentava levantar mas era como se cordas invisíveis o prendessem na cama, não importava o quanto tentasse.

— Não faça muito esforço, senhorita Schiv's. Ele não vale a pena.

— Não deixarei que toque no senhor, doutor.

O homem sorriu como um mentor sorri ao ver a melhor aluna tirar uma nota azul, mas logo olhou para Sean e fez um sinal para alguém que estava próximo, Sean logo sentiu algo ser injetado em seu braço e sua vista ficou novamente embasada, até que adormeceu novamente.

***

Os raios de sol adentravam por uma janela existente ali, parecia até mesmo um novo quarto. Quando Sean abriu os olhos, seu corpo doeu por completo e percebeu que não estava mais em uma maca, nem naquela sala branca. Mas tudo aquilo também não havia sido um sonho, onde ele estaria? Tudo parecia tão diferente e semelhante ao mesmo tempo que fazia sua cabeça confundir o real com um filme da disney. O garoto suspirou e caminhou até a janela, para olhar lá fora. Era tudo incrível, enorme e com certeza impossível de fugir sem um bom plano. Havia uma grande área ao redor da casa com várias alas diferentes, como em uma prisão onde existem áreas para diferentes atividades, porém, os jovens ali pareciam felizes e praticando atividades um tanto estranhas. Mais ao fundo um grande jardim com árvores por todos os lados cercavam o lugar, não dando para enxergar os muros da construção.

Ele suspirou e abriu a janela, pôde sentir o ar puro bagunçar seus cabelos e refrescar o seu corpo. Olhou para baixo, deveria estar no quarto andar do edifício, um tanto difícil para sair durante a noite mas poderia tentar, impossível não seria. Foi então que ele ouviu a porta se abrir e antes mesmo de se virar ele já sabia quem era, ouvira a dona daquela mesma voz no quarto branco. Algo aconteceu com seu corpo, já não conseguia se virar para ver quem era, apenas permaneceu no mesmo lugar enquanto a outra falava.

— Bem vindo ao Instituto Monroe, aqui você poderá aprender mais sobre a sua existência, o que você é de fato e a controlar seus poderes, e, no seu caso, seus impulsos.

— Quem é você?

— Não importa, tudo o que você precisa saber já foi dito. Agora vou voltar para minhas atividades, e você, trate de iniciar as suas. Se não cumprir tudo o que deve e ir a todos os compromissos você receberá punições.

— Espere. — De alguma forma ele sabia que ela estava indo embora e sentia-se sem chão sem a sua presença, mesmo sem saber quem era. — Me diga apenas seu nome.

— Não posso.

— Não pode ou não quer? — Ele falou com um sorriso de canto.

— Em breve você saberá, creio eu.

Sua presença foi se afastando e ele já sentiu que podia movimentar seu corpo. A primeira coisa que fez foi correr até a porta — ainda aberta — e olhar para fora. O corredor, com algumas portas — que levariam a outros dormitórios, provavelmente — estava completamente deserto, como se ninguém estivesse ali a um bom tempo. Ele suspirou e fechou a porta, voltando a examinar seu quarto. Não era muito grande mas dava para ele ficar sozinho, o que já era lucro. O cômodo possuía uma cama um pouco maior que a de solteiro mas não chegando a ser de casal, forrada com um lençol negro com um emblema onde estava escrito "Instituto Monroe". Na outra parede estava um armário, Sean foi até ele e o abriu. Haviam roupas negras e brancas nele, provavelmente uma espécie de padrão, tudo tinha o emblema do instituto. O jovem fechou a porta do armário com uma certa força e caminhou até o banheiro, era completamente branco e limpo.

Ao observar o garoto viu que tinha tudo o que uma pessoa precisava para manter a higiene em dia, ficou satisfeito por isso. Foi então que percebeu a existência de um espelho. Sua aparência estava horrível, ele estava magro e sua barba estava por fazer, em seus olhos haviam bolsas negras resultantes de noites mau dormidas. No entanto, nada disso chamou sua atenção como uma ponta negra saindo de sua testa. Sean se aproximou ainda mais do espelho e tocou naquela ponta negra, era pontuda e afiada, deixou um pequeno corte em seu dedo. Ele não desistiu, tentou tirar aquilo de sua testa da mesma forma que se tira um cravo quando se é adolescente. Foi pior, ao por os dedos ao redor a ponta começou a ganhar espaço para crescer e, com um pouco de impulso, revelou o seu tamanho. Tinha aproximadamente quatro centímetros.

Ele se afastou do espelho um pouco em pânico, aquilo não podia ser real. O que aquelas pessoas haviam feito com ele? Que papo todo era aquele de poderes? E agora aqueles... Aqueles... Chifres? Era isso? Ele estava com chifres? Sean esmurrou a parede e fez o azulejo rachar levemente fazendo um pequeno arranhão em sua mão. O garoto tirou suas roupas e foi tomar banho. A água fria em seu corpo o fazia esquecer um pouco de tudo o que estava acontecendo e ao mesmo tempo fazia o contato do garoto com seu novo corpo parecer mais estranho ainda.

Sean caminhou até o armário e vestiu uma calça social negra e uma camisa, social também, branca. Procurou algum casaco com capuz e lá no fundo encontrou um que parecia perfeito para cobrir suas novas imperfeições. O vestiu e pôs o capuz sob sua cabeça, ocultando os chifres. Feito isso, saiu de seu dormitório com o objetivo de explorar aquele novo mundo.

***

O corredor era feito de madeira e alguns quadros estavam pendurados nas paredes. Eram, com certeza, de gente morta pois pareciam demasiadamente antigos. Aliás, toda aquela construção estava parecendo antiga para ele. Enfim Sean encontrou uma escada, um lance subia e outro descia, o que o fez perceber que o lugar era muito maior do que ele imaginava. Deu de ombros e desceu as escadas, estava ciente de que eram quatro andares até o térreo, então contou os quatro lances. Enquanto descia ele se deu conta do quão fácil era se perder ali, todos os andares tinham as mesmas características, os mesmos móveis e até os mesmos quadros. A única coisa que mudava eram os números nas portas, uma espécie de identificação. E, como era muito esperto, o garoto havia esquecido de olhar o número em sua porta. Revirou seus olhos ao pensar o quão esperto havia sido e continuou descendo até sentir um cheiro de comida. Sua barriga roncou alto, se alguém estivesse próximo a ele com certeza teria ouvido. Seguiu o cheiro da comida até uma porta dupla, abriu uma e se deparou com um grande refeitório cheio de mesas, cadeiras e um enorme balcão que parecia ter comida do mundo inteiro. Junto com tudo isso haviam outras pessoas, aparentemente da mesma idade que ele, e, exatamente como em filmes que o garoto estranho e novato aparece a primeira vez em público, todos pararam o que estavam fazendo e dizendo até que o único som na sala era o dos passos de Sean ecoando até onde a comida estava. Aos poucos as conversas foram voltando, só que agora o assunto era ele.

Suspirou sabendo que todos os olhares estavam sob ele e pegou um prato enchendo-o das primeiras coisas que viu em sua frente. Caminhou para uma mesa vazia com a bandeja em mãos e o olhar baixo. Sentou-se sozinho e começou a comer. E todos os olhos continuavam fixos nele. Foi então que seu nariz ficou mais apurado e começou a sentir o perfume de cada um naquela sala, todos pareciam extremamente saborosos, começou a ouvir o movimento que suas bocas faziam e forma que seus ouvidos doíam de prazer, sua boca sentia gosto de carvão ao comer a comida da bandeja, o que ele realmente queria era matar todos dali. Suas presas começaram a crescer e juntamente com elas os seus olhos foram ficando brancos. Nesse momento ele sentiu uma pontada em sua testa e sentiu os chifres saltando para fora, estavam crescendo e era uma dor insuportável. Como se o osso estivesse saindo de seu corpo, rompendo todas as ligações e ao mesmo tempo rasgando sua pele.

O garoto se levantou e levou as mãos até a cabeça dando um grito gutural, suas presas estava grandes e afiadas, todos novamente se calaram só que agora, de medo. Ele baixou a vista novamente, o capuz havia caído e os chifres, agora com uns sete centímetros, estavam a mostra e, além deles, sangue escorria por seu rosto. O garoto juntou todas as suas forças e deu um soco na mesa em que estava sentado, fazendo com que ela se quebrasse e o impacto fizesse com que um pequeno buraco se formasse no chão.

Sean olhou para o rosto de cada um naquela sala e teve vontade de matá-los. Queria provar o sangue daqueles que aparentavam ser tão estranhos quanto ele mas não estavam sendo julgados o tempo todo. Ele não entendia por que era o único diferente, não queria ser o diferente em um lugar que prometia fazê-lo sentir-se... Normal. Pela primeira vez na vida ele quis ser normal e viu que seria impossível, haviam mexido com o corpo dele e agora ele era mais diferente que aqueles jovens bizarros que estavam naquele refeitório. Por isso ele queria matar, precisava matar. Mas ela entrou ali e tudo mudou.

Sua pele era branca como porcelana, porém, levemente corada. Seus olhos eram tão negros que ele podia ver sua própria alma refletida neles, seus cabelos era de um castanho claro que o fazia se perder só de olhar. Mas, o que mais o deixou balbuciando foi sua expressão. Ela não olhava com medo como os outros, olhava com compaixão, pena. Como se soubesse tudo o que estava se passando pela cabeça dele. Sean mau pôde perceber quando os seguranças do instituto entraram e passaram por trás dela, que manteve o olhar fixo nele.

O garoto observou novamente o local e viu uma saída, era uma porta de vidro atrás de algumas mesas e cadeiras. Sem pensar duas vezes ele correu até lá e saltou por ela. Sua velocidade estava novamente apurada e ele fez proveito disso. No entanto, não sabia andar naquele lugar e seria encontrado facilmente.

A floresta.

Ele ouviu uma voz feminina em sua mente. Agora tinha certeza de que era ela. A garota do refeitório era a mesma que falava na mente dele. Mudou sua direção e em poucos segundos havia entrado na escura floresta.

Ali seria seu refúgio. Por um bom tempo. Ou até encontrá-la de novo e chamá-la para sair dali, daquele lugar. Só não sabia se conseguiria, ou se ela fugiria com um cara que mal conhecia. Não sabia a resposta, só esperava que sim.

Notas finais
No próximo capítulo: "A chuva molhava seus cabelos e seus chifres, recém adquiridos. Seu corpo tremia de frio, o que mais queria agora era uma coberta para se aquecer mas tudo o que tinha era um casaco rasgado e ensopado pela água da chuva. Seu estômago roncava, não sabia quanto tempo aguentaria ali. Sentiu vontade de morrer, será que se mataria?"
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.