Asgard Dirty Secrets

23 Passarinho na gaiola, feito gente na prisão


Notas iniciais
* Passarinho na gaiola, feito gente na prisão - Trecho da música "Chora coração" de Wando. Olá!! Voltei... Sei que atrasei.. Mil desculpas.. u_u Obrigada pelos comentários, são eles que me dão força quando estou cansada demais para continuar escrevendo. Obrigada do fundo do meu coração. Bemmmm.. Esse capítulo.. Nem sei o que dizer... Prefiro não comentar.. Boa leitura..

Era madrugada, James revirava na cama sem conseguir dormir. Para ele, de certa forma, era difícil retornar ao palácio. O lugar era repleto de lembranças, principalmente ligadas a ela: Hela. Frustrado, ele desistiu de lutar pelo sono e se levantou, resolveu tomar um ar e pensar um pouco.

Ele não podia negar o quão estava feliz em ser aceito por Loki novamente no palácio. Aceito não, tolerado. Para Jim, aquilo com toda certeza já era um grande avanço, principalmente quando comparada à situação de alguns meses atrás. Depois de todo aquele tempo a visitando diariamente, já havia reconquistado a amizade e a confiança de Hela, mas isso não era o suficiente. Deus sabia o quanto ele queria mais. Desejava desesperadamente que ela o amasse outra vez.

Inocentemente, James mal percebia as mudanças de Hela em relação a si. Cego pela ansiedade de ser amado, não percebera que já mexia com o íntimo da jovem. O comportamento sutil e tímido da “nova” Hela, em nada lembrava o jeito arrebatador de outrora. Sendo assim, Jim não conseguia enxergar o quanto sua dedicação encantava a princesa. Na verdade, ele mal podia imaginar que, naquele momento, sua presença permeava os sonhos mais íntimos de Hela.

Já havia alguns dias que a moça sonhava com ele e suas longas conversas. Hela ainda não tinha atinado para tais mudanças em sua pessoa e tampouco sobre seus novos sentimentos. Para ela isso era apenas fruto da simpatia e convivência diária com Jim. “Como não sonhar com alguém que se vê todos os dias?”, ela fazia pouco-caso. Tudo o que ela percebera é que gostava de estar com ele, de conversar com ele. Ao lado dele se sentia livre e podia ser ela mesma. Ou pelo menos, quem ela acreditava ser. James de modo consciente ainda pertencia à famosa “friendzone”, mas no subconsciente da jovem já era algo maior. E por este motivo, mesmo que de forma inconsciente ainda, ela se interessara a voltar a atuar. Tudo para ficar mais tempo ao lado de James.

Jim parou em um dos muitos balcões dos corredores do palácio e fitou o céu diferenciado de Asgard. “Será que um dia ela voltará a me amar?”, perguntava-se triste.



No quarto do rei, Aredhel revivia seus piores medos em um pesadelo quase febril. No sonho Loki esbravejava impiedosamente todo tipo de impropérios contra ela.

– Eu não tenho uma esposa! — Loki gritava com ela — Tenho uma inimiga que abrigo sob meu teto e que trama constantemente contra mim. Começo a me arrepender de ter me casado com você. Eu já estou farto de você e sua rejeição! Farto! — ele a sacudia com violência — Você não é nada e nem ninguém aqui! Eu sou o rei de Asgard e soberano nesse palácio! Você não é nada além de minha esposa. Ninguém além de alguém com quem eu me deitava todas as noites! — sibilou.

Loki a largou, se afastou e, tomando Astrid em seus braços, deu um beijo apaixonado na serva.

Aredhel despertou do pesadelo aos soluços. Um suor frio descia por sua testa. Trêmula e respirando de forma exasperada, sentiu uma dor aguda em seu peito. Aquelas palavras cruéis parecia que ficariam gravadas para sempre em sua memória. Ela passou as mãos pelos cabelos de forma nervosa e olhou para o lado. Loki dormia tranquilo e indefeso, com um sorriso tímido no rosto. A rainha de Asgard, como imaginara, arrependeu-se pelo que fez na noite anterior.

“Assim vai ser mais difícil deixar de amá-lo. Mais complicado não sofrer tanto.”, ela lamentava em pensamentos.

– Por Deus.. Como eu queria poder acreditar em você.. — ela disse em um sussurro, deixando algumas lágrimas caírem.

Ela nunca desejou tanto que o amor que ele clamava fosse verdade. “Ah, se fosse verdade.. Eu seria a mulher mais feliz de todas as realidades novamente..”, Aredhel chorava em silêncio, desolada.

A esposa de Loki vinha lutando para se afastar dele, para ter paz e, quem sabe com um pouco de sorte, um dia superar tudo aquilo e deixar de amá-lo. Ela só não queria sofrer mais. Aredhel estava cansada de lutar.

Todavia, ela não imaginava que a abstinência seria tão cruel, que sua dependência fosse tão grande. Na verdade ela amargamente sabia que precisava do amor dele para continuar vivendo. Sem ele ao seu lado, seria o mesmo que viver sem ter razão.

Seu amor por Loki era como um feitiço que não podia ser quebrado, um nó que não podia ser desmanchado. Era como uma rosa cheia de espinhos, belo e fascinante, mas que também a machucava. Um sentimento que a fazia se curvar diante de suas vontades, feito um galho que se dobra, sobre o corte do facão. Algo que era sublime, mas que ao mesmo tempo dilacerava seu coração. Aredhel era refém do amor que tinha por Loki. Era como um pássaro preso em uma gaiola, mas que nunca quisera fugir.

Aredhel era uma vítima que sempre se identificara com seu “sequestrador”. “Aquele que luta contra monstros deve ter cuidado para não se tornar também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Mas ao contrário às palavras de Nietzsche, Aredhel nunca lutara contra o amor de Loki, por mais doentio que fosse. Ela entendia e conseguia enxergar com facilidade pelos olhos do “monstro”. De certa forma, pensava como ele. Em seu íntimo, amar daquela forma fanática também pertencia à índole dela. Ela encarava o próprio abismo e se via nele. Aredhel, quando olhava para Loki, se via refletida nele. Não podia renegar sua natureza, por que então rejeitaria a dele?

Ela o amava do jeito que ele era. Então, por mais absurdo e estranho que fosse seu relacionamento com ele, ela não era infeliz. Pelo contrário, ao lado de Loki ela era feliz, sempre o fora. Loki era a “Fera” e Aredhel a “Bela”. Só que ao contrário do conto, Aredhel sempre amou a “Fera” e nunca a temeu. Loki nunca lhe pareceu estranho ou monstruoso aos seus olhos. Ele nunca foi a “Fera” para ela. Ela sempre viu o homem que existia por trás daquela maldição.

O que Aredhel ignorava é que tais sentimentos eram recíprocos. Loki não vivia sem ela. Ele a amava de forma obstinada, maníaca. Por mais vezes que a tivesse magoado, ele vivia por ela e para ela. Aredhel era o sol maior de seu sistema solar. Tudo girava em torno dela. Ela era, para Loki, como o ar que ele respirava. Seu motivo para levantar todos os dias e sua razão de existir.

O amor que um tinha pelo outro, fugia a razão. Não tinha explicação ou lógica. Era viciante, possessivo, obsessivo e compulsivo. Algumas vezes divino e radiante, outras, nocivo e destrutivo. Estavam presos, encarcerados um ao outro por vontade própria. Envolvidos por um laço invisível, indestrutível e atemporal. Seus destinos pareciam estar atrelados de forma indissolúvel. Era, definitivamente, um estranho tipo de amor.

E de maneira surpreendente, tal amor havia resistido a várias tempestades. Será que resistiria a mais uma?





De repente, Aredhel se sentiu sufocada e perdida. Precisa respirar, refletir. Ela se levantou, vestiu-se e deixou o quarto.

Passeando pelos corredores, viu, iluminado sobre uma luz tremeluzente vinda da fraca iluminação, James recostado no parapeito de um balcão. O ator, que ouvira passos se aproximando, virou-se e a viu.

Antes que ele pudesse murmurar o nome dela, Aredhel correu em sua direção e o abraçou apertado. James fechou os olhos, correspondeu àquele abraço e o intensificou, puxando-a mais para perto de si.

– Jimmy.. Eu senti tanto a sua falta.. — ela disse quase inaudível e começou a chorar.

– Eu também, Aredhel.. Eu também.. — ele murmurou emocionado.

– Pensei que.. Que nunca.. Nunca mais poderia falar com você.. — soluçava – Eu.. Eu me senti tão sozinha.. Tão perdida.. Desamparada.. — desabafou.

– Ei.. — ele ergueu o rosto dela — Eu estou aqui. Sempre estive e sempre estarei ao seu lado. — afirmou.

– Desculpe-me.. — ela fungou e limpou as lágrimas — Eu não podia falar com você.. Não poderia arriscar a sua vida.. Jamais me perdoaria se lhe acontecesse algo.. Temia que Loki.. — tropeçava nas palavras.

– Shhh.. — Jim pôs o dedo sob os lábios dela – Eu sei.. Eu imaginei que fosse esse o motivo de você me ignorar. Agora tente se acalmar. Isso não vai fazer bem ao bebê. — ralhou de leve.

Aredhel se encolheu nos braços de James e escondeu o rosto contra o peito dele. Ele ficou afagando os cabelos dela, até que se acalmasse. Após algum tempo, os dois amigos seguiram rumo aos jardins.



Sentados no gramado do jardim, Aredhel e James conversaram sobre suas angústias e dúvidas. Assim como o amigo, ela também pôs para fora todos os tormentos que vinha passando nos últimos tempos e que vinha mantendo em silêncio.

Aredhel atenciosamente observava o amigo desabafar. Entendia seus receios e partilhava de seu sofrimento e confusão. A rainha de Asgard também vinha remoendo amargamente a amnésia da filha. Diferentemente do passado, ela pouco podia fazer para acalentar James. Tanto quanto ele, Aredhel também desconhecia aquela Hela. Na verdade, naquele dado momento, sabia menos sobre a jovem que o próprio amigo. Assim como ele, ela ainda estava redescobrindo a filha e seus sentimentos. Não fazia ideia de como a moça pensava e reagia diante de tudo. Aredhel pouco podia ajudá-lo.

James também ouviu pacientemente as lamúrias da amiga, mas nada comentou. O ator que sempre tinha um bom conselho a dar para a amiga, dessa vez não sabia o que dizer. A dúvida pairava sob sua mente, como na de Aredhel. Ele, de fato, sempre achara um erro a condescendência dela em relação a Loki. Para James, Aredhel, ao perdoá-lo sempre, era indulgente demais com o marido. No entanto, as mudanças que Loki sofrera o faziam acreditar (ou querer acreditar), que o amigo realmente amava a esposa. Estava inclinado a crer no arrependimento de Loki. Porém, não achava justo e muito menos seguro, dar esperanças a amiga. Vez que, posteriormente, ela poderia descobrir que era vítima de mais uma mentira de Loki.

– Eu queria poder escolher.. — Aredhel disse, após um tempo em silêncio.

– Escolher o quê? — surpreendeu-se James.

– Partir ou ficar.. — foi sucinta.

Surpreso, Jim a observou em silêncio por alguns instantes, até que tomou coragem para voltar a falar.

– Aredhel, eu entendo seus motivos para ficar. — ele começou – Eu também jamais me afastaria de uma filha desmemoriada e tão pouco abriria mão de um de meus filhos. — concordou – Sei qual decisão você teria tomado no passado se Hela estivesse bem e se Loki não soubesse que esperava outro filho dele. Mas.. — franziu o cenho e a encarou – Hoje.. Se Hela recuperasse a memória e você pudesse levar seu filho. Você o deixaria? — indagou.

Aredhel baixou a cabeça e deu uma risada amarga.

– Não, Jimmy.. — ela voltou a encará-lo — Por mais que eu tente negar ou fugir.. Eu ainda o amo. Desesperadamente. — revelou – E quero crer no que ele diz, tanto quanto você e eu acreditamos que Hela recuperará a memória. — deu um suspiro.

James deu um sorriso tímido e exalou o ar lentamente.

– É.. Aredhel.. Estamos aqui, dois corações partidos e divididos, sonhando em sermos correspondidos novamente.. — ele fitou o horizonte.

– Pelo menos temos um ao outro de novo.. — ela comentou em meio a um sorriso torto.

Ele pôs a mão sobre a dela e apertou de leve.

– Verdade.. — ele murmurou e puxou a mão dela dando um beijo suave — É muito bom ter minha irmãzinha de volta.. — completou.

Sem respostas para as questões que pululavam as mentes um do outro, restou aos dois amigos, apenas oferecer apoio mútuo. No horizonte, até onde suas vistas alcançavam, o sol finalmente despontava. As nuances de azul e roxo, davam lugar ao alaranjado do amanhecer. Aredhel e James, assistiram o dia nascer, tentando ter fé na esperança de um novo recomeço.





Loki acordou radiante naquela manhã. Tivera uma noite tranquila, sem lamentos, pesadelos ou sonhos. Pois, pela primeira vez em meses, ele estivera sonhando acordado.

Ainda que tivesse sentido falta de Aredhel, Loki não estranhou a sua ausência. Presumiu que a esposa acordara bem mais disposta e se levantara cedo. Aredhel em seu normal sempre fora assim. Não era d tipo de mulher que ficava parada ou tempo demais na cama. Ela tinha sede de viver e para ela, dormir era para os fracos.

Depois de pronto, Loki desceu para tomar seu desjejum. Seu bom humor era evidente. Saiu distribuindo “Bom dia” para todos que encontrava. E com a mesma animação chegou ao salão de refeições. Seus filhos, os de James, Ullr e Rebecca estavam à mesa.

– Bom dia a todos! — cumprimentou Loki alegremente.

– Bom dia, meu pai. — respondeu Fenrir, enquanto os demais trocavam olhares desconfiados.

– Papai, o senhor parece bem-humorado. — Hela comentou – Já fazia tanto tempo que não o via assim. — sorriu.

Loki sorriu encabulado. Eisa não precisava ler na mente dele o que estava estampado na face de seu pai.

– Vocês fizeram as pazes, pai? O senhor e nossa mãe? — Igor não se conteve.

– Mais ou menos.. — Loki meneou a cabeça, ainda sem graça – A mãe de vocês resolveu dar uma chance de reconquistá-la. — disse resumidamente.

– Ah! Eu não acredito! — rosnou Váli irritado.

– Váli! — sibilou Eisa.

– O que você quer, hein Eisa? — rebateu Váli se levantando da mesa — Quer que eu ache tudo isso bonito? Que depois de tudo o que ele fez.. — apontou na direção do pai — Depois de todo o mal que causou, ela o tenha perdoado assim facilmente? Não posso ser hipócrita de dizer que fiquei feliz com isso! — bufou.

– Agora vai ficar divertido.. — murmurou Narfi.

Narfi cruzou os braços e deu um sorriso enviesado. Ele estava adorando ver Váli se rebelando.

– Não piore as coisas, Narfi.. — disse Fenrir entredentes.

– Como você ousa falar assim comigo? — Loki encarou o filho seriamente – O que acontece entre sua mãe e eu, só diz respeito a nós! — vociferou.

– Ah, não mesmo! — retrucou Váli – Eu não vou ficar aqui sentado como os demais vendo você fazer o que quer com ela! Ela pode ser sua esposa, mas é minha mãe! Não vou assistir você a matando aos poucos novamente! — discursava visivelmente alterado – Eu não consigo esquecer o que você já foi capaz de fazer! É irremissível! — trincou os dentes — E se a mãe o perdoou, então ela é mais tola do que um dia eu imaginei que fosse! — gritou.

– Váli! — ecoou a voz de James no salão.

Todos se viraram na direção da entrada do salão e, ao lado do ator, de braços dados com ele, estava Aredhel. Ela olhou ao redor e baixou os olhos, envergonhada. Sentiu-se fracassada, pois tudo o que ela lutara durante anos para não acontecer, estava se tornando realidade. Seus problemas conjugais haviam atingido seus filhos e agora traziam mais discórdia para seu lar. E se isso não bastasse, agora era constantemente vítima de acusações por parte de seus próprios filhos. “Onde foi que eu errei?", lamentou em silêncio.

Aredhel afagou o braço de James e, dando as costas a todos, se retirou do local.

– Depois nós conversamos! — rosnou Loki para o filho e saiu atrás da esposa.

– Mãe! Espere! — gritou Váli e correu, mas James o segurou.

– Primeiro nós dois vamos conversar. — Jim disse entredentes – Depois você vai falar com sua mãe. — saiu arrastando o jovem do local.

– Mas que diabos está acontecendo aqui? — bradou Igor.

– O que está acontecendo é que vocês precisam parar de tirar conclusões erradas! — começou Eisa enfurecida olhando para os irmãos – Pararem de falar sem pensar e principalmente de se intrometerem na vida de nossos pais! — deu um murro na mesa – Desde aquele dia tudo o que vocês tem feito foi julgar e piorar a situação! — desabafou e se retirou da mesa e saiu marchando do salão.

O discurso de Eisa atingiu seus irmãos como um soco no estômago. Hela, Narfi e Igor, principalmente, uma vez que os três foram os que se deixaram levar pelas aparências e julgaram erroneamente a própria mãe. Hela podia até não de tudo o que dissera e fizera, mas, ainda assim, se sentia culpada como os demais. O remorso era visível nas faces de Narfi e Igor.

– Eu vou atrás dela.. — apressou-se Wagner indo atrás de Eisa.

Com a saída de Wagner e Eisa, um silêncio constrangedor imperou na sala. Narfi e Hela ficaram cabisbaixos em silêncio. Fenrir passou as mãos pelos cabelos e Kat roía suas unhas nervosamente. Igor chateado consigo mesmo e irritado ao ver Wagner sair correndo atrás de sua irmã, bufou e também deixou o local a passos largos.

– Quando se vive em um parque de diversão, a festa nunca termina.. — riu-se Ullr, do outro lado da mesa.

Ullr adorava quando tinha esse tipo de espetáculo à mesa, principalmente quando envolvia Loki. Assim como sua mãe, Sif, o jovem não simpatizava com o rei de Asgard.

– Guarde seu sopro para esfriar seu caldo. — ralhou Rebecca para o jovem de cabelos negros – Você adora ver o tio Loki pelas costas. — sussurrou.

– “Tio Loki.” — ele arremedou a jovem e revirou os olhos – Ele não é seu tio. Não é nada seu. — sibilou e se levantou – Se minha mãe perguntar por mim, diga que já fui para o treino. — acenou de maneira displicente e saiu.

Rebecca olhou para seus primos e suspirou. Ela se levantou e se sentou ao lado de Narfi. Timidamente, ela levou os dedos finos às costas do jovem e fez um afago. Narfi, surpreso, a olhou por um tempo e ela lhe ofereceu um sorriso tímido.

– Vai ficar tudo bem. — ela murmurou – O importante é que os dois pelo menos estão se acertando. — lembrou.

– Tem razão Beca.. — Narfi pôs a mão sobre a dela – Obrigado. — sorriu.





Loki encontrara Aredhel, conseguira fazê-la comer, mas não tivera o mesmo sucesso em fazê-la falar. Ela, mais uma vez, voltou a se fechar em sua concha.

Mais tarde, no mesmo dia, Váli após uma longa conversa com James procurou a mãe e implorou seu perdão. Aredhel, como sempre, o perdoou. A pedido de Jim, Váli se comprometeu a dar uma trégua em suas brigas contra o pai. Contrariado, o príncipe apenas concordou em nome da estabilidade emocional e física de Aredhel. O pedido do ator acabou por se estender aos demais filhos. Todos acabaram por se comprometer a ajudar ou, pelo menos, não atrapalhar a reconciliação do casal. Afinal, era desejo comum a todos a recuperação de Aredhel.





Os meses se passaram e a paz aparentemente havia finalmente retornado àquele reino, mas as coisas já não eram as mesmas.

Apesar da proximidade de Loki, Aredhel continuava não confiando nele. Ela desfrutava de seu carinho e dedicação, mas o olhar de dúvida dela continuava a frustrar o rei de Asgard. “Um dia após o outro, um passo de cada vez e um dia ela voltará”, Loki repetia para si todas as manhãs quando se levantava.

Aredhel ganhara peso, recuperara sua vitalidade, voltara a sorrir e se aproximava de seu último mês de gestação. Ainda não era a mulher sorridente de outrora, mas tentava ignorar ao máximo os pesadelos que insistiam em assombrá-la. Seus filhos e afilhados se dedicavam a mimá-la quando estavam em sua companhia. Hela apesar de ainda não ter se lembrado de nada, tornara-se extremamente atenciosa e carinhosa para com a mãe. E, por fim, a rainha de Asgard e James voltaram a ser os amigos inseparáveis de sempre.

Einmyria, contra a vontade de Nicolas, retornara para Asgard. O futuro de sua mãe, do bebê e de Hela continuavam incertos. Aflita e com saudades, a jovem não conseguira se manter distante de sua família. Ao chegar foi recebida com festa por sua mãe e com indiferença por seu pai. Loki a julgava uma traidora e egoísta por se ausentar tanto tempo. Consciente do romance da jovem com Nicolas Stark, Loki aguardava ansiosamente o nascimento de seu filho para finalmente ter seu acerto de contas com o herdeiro de Ironman. Não queria arriscar criar uma nova confusão enquanto Aredhel estivesse grávida. Myria, por sua vez, tentara aperfeiçoar seu dom a fim de conseguir alguma resposta que acalentasse seu coração. O futuro incerto de sua mãe e irmãos tirava o sono da jovem.

Enquanto Rebecca e Narfi começavam a dialogar, Igor parecia ter criado uma aversão a Wagner e passara a ser vigiado de perto por Katarina. Igor, que sempre fora um rapaz centrado, passara a implicar com o filho de James. Wagner chegara a perceber a mudança de tratamento, mas seu encantamento com a jovem Eisa o fazia ignorar tudo ao redor. Alheia à percepção de todos, Katarina tentava, em vão, chamar a atenção de Igor para si. A filha de Jim estava apaixonada pelo filho adotivo de Loki e Aredhel.

Apesar de Eric continuar com suas visitas diárias à Hela e ter conquistado a amizade da jovem, James também fizera seus avanços. E bem mais significativos. Ele e Hela estavam cada vez mais íntimos. A jovem já mal conseguia disfarçar o rubor em seu rosto quando ficava a sós com ele. Para a alegria do ator, ela voltara para o grupo de teatro e já estrelava pelos palcos. Ainda fazia papéis pequenos, mas já na próxima peça faria novamente o papel principal.

– Tem certeza de que já posso pegar um papel tão importante? — Hela questionou enquanto olhava fascinada para o roteiro.

– Claro que tenho. — afirmou James – E a escolha não foi minha. Foi do conselho. Eu me abstive de votar. Queria que você tivesse a certeza de que tinha conquistado o papel por seu próprio merecimento. — revelou.

– Ai Jimmy! Estou tão feliz! — ela o abraçou efusivamente.

Quando percebeu o que havia feito, a jovem tentou se afastar dele, toda sem graça, mas Jim a manteve envolta em seus braços. Jim a fitou longamente e a viu enrubescer. Os olhos dela intercalavam entre os olhos do ator e sua boca. James percebeu. Ele finalmente viu um lampejo de desejo perpassar pelos olhos de Hela. O coração dele disparou no peito.

Ambos aproximaram os rostos, a ponto de sentirem a respiração quente um do outro. James sabia que aquela oportunidade talvez fosse única e não poderia deixá-la escapar.

Hela pareceu ler o que ele faria, mas não teve tempo de dizer coisa alguma. Então sem pensar muito no que fazia, Jim tomou os lábios dela em um beijo ardente e vertiginoso. Desesperado. Algo se incendiou dentro de Hela. Ela ardia, se derreteu por ele. James sentiu-a ceder e se entregar àquele beijo. Ela facilmente abriu a boca para recebê-lo. Mas ele estava faminto e seus lábios eram vorazes. Jim queria o que ela lhe oferecia e muito mais.

Ele a apertou contra si, puxando para mais perto de seu corpo incontrolavelmente excitado. Pressionando as costas de Hela e se curvando sobre ela. Ele passeou sua língua pela boca dela, relembrando o sabor que ela tinha. Quanto a Hela, ela o queria. Ela o desejava com ardor. De uma forma que ele a deixava sem chão e sem ar. Hela estava definitivamente apaixonada por Jim.

James desceu sua mão pelas costas dela e até alcançar o traseiro dela. Sem resistir aos instintos, ele apertou a região, enquanto descia a boca pelo queixo dela até seu pescoço. Hela gemeu em seu ouvido, então ele percebeu que precisava parar. Sua masculinidade já latejava em sua calça e já se imaginava despindo a jovem e a possuindo ali mesmo no gramado do jardim. Mas Jim sabia que precisava ir com calma.

Relutantemente, ele conseguiu se afastar de Hela. A princesa arfava, toda rubra. James se empertigou e levou as mãos trêmulas aos cabelos. Hela passou as mãos pelo peito e depois arrumou o vestido de maneira nervosa.

O casal riu timidamente e Jim pegou as mãos dela entre as suas.

– Hela.. — Jim pigarreou — Eu sei que ainda é muito cedo.. E vou entender se você recusar.. — respirou fundo e encarou-a – Você aceita namorar comigo? — indagou.

A jovem abriu um largo sorriso.

– Aceito.. — ela murmurou e mordeu os lábios.

Jim a abraçou e a rodopiou no ar. Desceu-a lentamente e deu um beijo suave em seus lábios. “Ela voltará a me amar”, ele comemorava mentalmente.



A alguns metros dali, alguém assistira o beijo apaixonado do casal e bufava de raiva.

– Minha Hela.. — rosnou baixo Eric – Isso não vai ficar assim. Nem você, James, e nem ninguém irá tirá-la de mim! — prometeu.

Eric jogou no chão o buquê de tulipas que carregava e deixou o jardim decidido a fazer tudo para ter Hela para si.

Notas finais
Tudo são sempre flores? Gostaram? Odiaram? Comentem.