Asgard Dirty Secrets

19 Mas mesmo assim se vive.. Morrendo aos poucos por amor..


Notas iniciais
* Mas mesmo assim se vive.. Morrendo aos poucos por amor.. - trecho da música "Fera Ferida" de Erasmo Carlos e Roberto Carlos. Olá!! Finalmente a continuação.. Bem.. Gente.. Peço desculpas pela demora, mas ando meio atribulada.. E aviso que nos próximos três dias estarei meio ocupada.. u_u Mas prometo não demorar com a continuação da "The Unlikely". Obrigada pelos comentários!! ¬¬ Tem gente me devendo alguns.. To de olho!! #Soraiafeelings Bem.. Sobre o capitulo de hoje diria que a palavra chave é: reflexão. E a música tema tem tudo a ver com uma cena em particular.. #ÉMarQueSaiDosOlhos Boa leitura...

No jardim mais afastado do palácio, Fenrir observava a irmã brincar com uma joaninha entre seus dedos.

– Eu realmente não lembro de nada disso.. — Hela disse com um semblante triste, enquanto fitava o pequeno inseto.

– Eu sei.. — murmurou o jovem e cruzou os braços atrás de sua cabeça, recostando-se em uma árvore – Mas não desanime, Hela.. O mais importante é que você está disposta a conhecer o que esqueceu. — tentou amenizar.

– Pode ser.. Mas é tudo tão confuso e contraditório ao que sei. — ela passou os longos dedos pelo cenho — E a verdade parece ser tão dolorosa. Pelos deuses.. Por que eu não tentei ouvi-lo? Por que não conversei com mamãe? Segundo você diz, sempre fomos muito unidas. — meneava a cabeça.

– Ah, Hela.. — ele deixou escapar um suspiro – Sieg contou que você não queria nem ouvir falar no nome do tio Jim e que acreditava que mamãe havia sido cruel em lhe incentivar a cultivar aquele sentimento, sendo que ela sabia que ele amava a ela e não a você. — ajeitou-se e fez um afago nos cabelos da irmã — Você puxou o gênio do papai e estava muito ferida com a situação toda. Ficou cega pela dor e não deu ouvidos a ninguém. Só confiava no que papai dizia. — revelou.

– Como papai pode ter sido tão cruel? Tão egoísta? — ela passou a mão pelo rosto – Eu jamais imaginei que ele seria capaz de fazer tanto caos.. — baixou os olhos – Eu deveria estar desesperada demais para fazer o que fiz. — levantou-se da grama.

– Onde você vai? — Fenrir perguntou em dúvida.

– Fenrir, por mais que eu não lembre ou sinta as mesmas coisas que antes, ao saber de todos esses fatos, existe algo que preciso fazer com urgência. — ela falou enigmaticamente – Obrigada por ser sempre meu amigo e irmão. — deu um sorriso tímido e um beijo demorado no rosto dele.

– De nada.. Somos irmãos.. E só estou devolvendo o mesmo apoio que recebi de você um dia, quando precisei.. — falou seriamente.

– Naquela vez fiz o que deveria fazer. Não fiz mais do que meu dever.. — ela retrucou – Aquilo ficou no passado irmãozinho.. Já é hora de você seguir em frente. Você precisa dar uma nova chance a si mesmo. — franziu o cenho.

Fenrir nada disse e apenas meneou a cabeça em afirmativo, enquanto via a irmã se afastar em direção ao palácio.





Loki engoliu seco ao ver diante de si o príncipe Eric Elladan. Com todos os problemas que tivera, havia se esquecido das consequências do rapto de Hela. O rei de Asgard ponderava o que dizer quando sua filha Hela entrou.

– Papai.. Príncipe Eric. — sorriu meio sem graça a jovem.

– Minha cara Hela. — disse Eric todo sorridente e fez uma reverência – Não imagina o quanto temi por sua segurança. — pegou uma das mãos dela entre as suas e depositou um beijo – Por sorte seu raptor foi reconhecido como sendo o conhecido braço direito de seu pai e ator daquele teatro itinerante.. Imagino que pela semelhança que tem com a vossa majestade, sejam parentes.. — olhou em direção à Loki.

Hela deu um sorriso amarelo e Loki bufou.

– Meu rei.. — Eric continuou — Eu sei que é um costume milenar o casamento arranjado entre reinos. Concordei com esta ideia por desejar não contrariar a vontade de meu pai. Mas diante da fuga de minha noiva, imagino que não era de sua vontade se casar comigo, razão pela qual apelou ao seu parente para que a resgatasse. — franziu o cenho e encarou Hela – Princesa Hela, longe de mim vir até aqui exigir o cumprimento do arranjo feito por nossos pais. Jamais desejaria tê-la ao meu lado de forma obrigada. — afagou a mão dela — Entretanto devo confessar que me encantei por sua pessoa e que realmente desejo tomá-la como esposa. — declarou.

James havia chegado a algum tempo e observava a conversa com um semblante sério. Hela olhava para Eric estupefata com a revelação e não percebera a presença de Jim. Loki olhou de Eric para James e deixou escapar um sorriso. Apesar de ter voltado atrás e estar determinado a devolver a memória da filha, via com bons olhos a ideia de vê-la ao lado de outro homem. Ainda não lhe agradava a ideia de ver Hela e Jim formarem um casal. Depois do desgosto sofrido ao descobrir sobre o relacionamento entre os dois, Loki tolerava a presença de James unicamente em função de Aredhel.

– Príncipe Eric.. — murmurou Hela embaraçada.

– Minha princesa.. — Eric a interrompeu – Vim lhe informar que suspendi a cerimônia de nosso casamento. Não cheguei a cancelar por que ainda nutro esperanças de que aceite ser minha esposa. Então, em nome de meus sinceros sentimentos por sua pessoa, do acordo feito por nossos pais e pela união de nossos reinos, peço a permissão para cortejá-la. — pediu um olhar suplicante e depois olhou rapidamente na direção de Loki – Sei que ainda é cedo para que você nutra algum tipo de carinho pela minha pessoa, mas estou disposto a esperar. Darei tudo de mim para conquistá-la. — afirmou.

Hela olhava para Eric sem saber o que dizer. A jovem princesa achara o príncipe muito atraente e extremamente cordial, mas de fato nada sabia ao seu respeito. Loki pensou em interferir e apoiar o príncipe, mas achou melhor se controlar. Hela ponderou por alguns instantes e pensou que seria injusta se desse a oportunidade à James e negasse a Eric, pois na realidade ela mal conhecia a ambos.

– Príncipe Eric, eu não posso lhe prometer nada.. — ela franziu a testa – No momento tudo o que posso lhe oferecer é minha amizade.. — foi sincera.

– Eu sei disso, princesa. — sorriu Eric – Mas já fico satisfeito com a oportunidade que me dá. Tudo o que queria era a chance de conquistá-la. — deu um beijo na mão dela – Informo que virei vê-la com regularidade. Irei me instalar em uma das propriedades de minha família em Asgard. Meu pai autorizou meu afastamento de Alfheim pelo tempo que fosse preciso, então estarei ao seu dispor. — disse todo sorridente.

James abriu a boca e franziu o cenho incrédulo. Algo em seu peito afundou ao ouvir aquela conversa. Loki, percebendo a expressão do ator, deixou escapar uma risada baixa. O príncipe se despediu de Hela, alegando que precisava tratar de sua instalação em Asgard, e deixou a promessa de voltar para vê-la no dia seguinte. Eric cumprimentou Loki de forma pomposa e ignorou a presença de James, em seguida se retirou.

Assim que Eric deixou o salão, Hela se virou para encarar o pai e encontrou James a fitá-la com um olhar triste.

– Você vai mesmo aceitar a corte dele? — perguntou Jim meio indignado.

– Jim.. Eu não o aceitei namorar o Eric. — disse Hela seriamente — Apenas ofereci minha amizade. O que, por sinal, foi o mesmo que ofereci a você. — lembrou – Mas lembre-se, eu sou uma mulher solteira e posso aceitar a corte de quem eu quiser. — cortou.

James a encarou boquiaberto. Loki cruzou os braços e abriu um largo sorriso. Hela rapidamente se arrependeu do que dissera e percebeu que fora dura demais.

– Perdoe-me, Jim.. Eu não quis ser rude.. — ela passou as mãos pelos cabelos – Eu entendo que tenhamos tido algo anteriormente, mas eu não lembro. Infelizmente, até que eu recupere a memória, isso, se for possível, o que aconteceu entre nós é passado. Agora, somos só amigos. Você não pode fazer exigências sobre com quem eu faço amizade ou quem eu possa aceitar que me corteje. — foi direta – Agora, se vocês me dão licença.. Até amanhã, Jim. — fez um aceno com a cabeça e retirou-se.

Assim que Hela deixou o salão, James ergueu a cabeça e fitou o teto, deixando escapar um suspiro triste. Percebeu que reconquistá-la seria mais difícil e doloroso do que imaginara. Teria um concorrente na disputa pelo coração de Hela.

– Pelo jeito não será apenas eu a ter muito o que fazer para conseguir reconquistar alguém. — disse Loki venenosamente.

– E você deve estar muito satisfeito com isso! — rosnou Jim.

– Satisfação não está na minha natureza.. — rebateu Loki com ironia.

– A culpa disso tudo é sua! — gritou o ator agarrando o traje de Loki e encarando-o.

– Não abuse da sorte, James. — disse Loki entredentes e agarrando o braço dele.

– Ei! — exclamou Eisa ao entrar no salão, se interpondo entre os dois – Pelos deuses! Chega de confusões! — ralhou – Será que vocês não conseguem fazer uma trégua? Pensem na mamãe! Ela não aguentará um novo desgosto! — lembrou.

Os dois se afastaram, mas ainda trocavam olhares ameaçadores.

– Vamos logo, pai! — continuou a jovem – Quanto mais cedo irmos atrás de Freyja, mais rápido resolveremos essa situação sobre Hela. — completou.

– Freyja? Qual a ligação dela com a situação da Hela? — indagou James.

Eisa pacientemente explicou a Jim o que Siegfried revelara e o que sabia sobre Freyja. O ator rapidamente se ofereceu para acompanhá-los na visita à famosa feiticeira. Loki aceitou meio contrariado e assim os três partiram.





Aredhel estava sentada em uma cadeira na sacada do seu quarto. Ela observava a paisagem e sonhava acordada com dias do passado. Lembrava-se do tempo em que ela e Loki eram apenas amigos. Lágrimas desceram pelo rosto dela ao rememorar da primeira vez que dançara com ele. Ainda podia sentir a chuva gelada caindo sobre si enquanto desfrutava do calor dele durante a valsa. Aredhel se lembrou dos momentos felizes que ela e seu marido partilharam naqueles jardins que avistava daquela sacada. Soluçou ao relembrar as brincadeiras com os filhos e amigos nos dias ensolarados, bem como das flores de jasmim que colhia e colocava nos cabelos do esposo.

– Eu era tão feliz.. — murmurou escondendo o rosto entre as mãos.

A rainha de Asgard acreditava que tudo havia acabado, que seus sonhos tinham sidos rasgados por seu marido e que ela, dessa vez, por sorte ou azar, apenas havia escapado com vida. Naqueles dias Aredhel era, em suma, uma mulher que morria aos poucos por amor. Ferida, ela tentava sufocar sua dor em uma tentativa infrutífera de esquecer o que sofrera, em nome de ter, pelo menos, uma vida de paz ao lado de Loki. As esperanças de ser amada por ele tinham morrido. Tudo era dor. Sua alma e coração estavam em pedaços.

Aredhel ainda o amava, isso era um fato. Seu ser ainda clamava por se sentir amado por ele. Desejava profundamente acreditar em sua mudança e palavras. Queria realmente perdoá-lo, mas ela temia se deixar enganar mais uma vez pelas falsas promessas de seu marido. Desta vez, as cicatrizes de seu sofrimento falavam tão alto que era impossível não ouvi-las ou ignorá-las.

Sentia-se sozinha, caminhando a esmo em meio à névoa, tropeçando em seu caminho. Estava perdida, sem rumo ou ajuda, e agora também sem seu melhor amigo. Aredhel nunca havia se sentido tão solitária e desamparada em toda a sua vida.

Desesperançosa, Aredhel acreditava que em seu caminho flores existiram, mas que dessa vez estas não resistiram aos vendavais constantes. E que tudo o que lhe restara eram as lembranças saudosas de dias melhores.



Alguém bateu à porta e tirou Aredhel de seus devaneios. Ela, limpando as lágrimas do rosto, pediu que entrasse. Entretanto ela não se virou para ver quem era, tamanho era seu desânimo.

– Mamãe? — ela ouviu uma voz feminina familiar lhe chamar.

– Hela? — murmurou Aredhel incrédula.

– Olá, mãe.. — disse Hela se sentando na cadeira ao lado de Aredhel – Eu vim conversar com a senhora. — anunciou.

Aredhel olhou para a filha com expressão sofrida estampada no rosto. Calejada pelas constantes derrotas que vinha sofrendo em sua vida, a rainha de Asgard esperou pelo pior. “Talvez novas acusações ou cobranças..”, torturava-se em pensamentos.

O sofrimento da mãe não passou desapercebido por Hela. A jovem notou que Aredhel estava com olheiras profundas e os olhos inchados. Ela tinha quase certeza de que sua mãe andara chorando. Aredhel estava pálida, meio despenteada e apertava nervosamente o tecido de seu vestido. Aparentava estar a beira de sucumbir diante de suas dores.

– Antes de mais nada.. — começou Hela – Gostaria de lhe pedir perdão por ter sido tão dura com a senhora. — pegou uma das mãos da mãe — Papai me contou sobre minha amnésia e tudo o que aconteceu. Infelizmente eu realmente não lembro muito de sua presença em minha vida. — viu os olhos de Aredhel marejarem – Entretanto, soube através de papai, Jim e Fenrir, o quanto a senhora se dedicou não só a mim, como a todos meus irmãos. — baixou os olhos – Mamãe.. Perdoe-me pelo desatino que cometi e por toda a dor que lhe causei.. — pediu com a voz embargada – Agora, estando de certa forma fora da situação.. Posso ver com claridade que, independente dos erros de meu pai, eu também contribuí para que tudo ficasse pior. Eu deveria ter dado a chance da senhora e de Jim se explicarem.. Tudo poderia ser tão diferente se eu tivesse sido mais racional.. — lágrimas desceram por sua bochecha – É extremamente doloroso não saber mais o que é real e o que não é.. Ouvir coisas ao meu respeito, ou sobre um amor que me foi dedicado e não lembrar de nada. Não lembrar de sentir esse amor. É como se de repente eu tivesse perdido minha identidade. Ou estivesse vivendo um grande pesadelo. É como se eu estivesse vivendo a vida de outra pessoa. — desabafou.

Aredhel afagou os cabelos da filha, enquanto chorava em silêncio e ouvia a jovem falar.

– Se eu pudesse, faria qualquer coisa para poder consertar o que fiz.. Para poder lembrar de tudo.. Para voltar a sentir esse amor.. — Hela disse com sinceridade, voltando a encarar a mãe.

As dua ficaram se olhando por um tempo e então Aredhel abriu os braços para a filha. Hela se jogou nos braços da mãe e deu-lhe um abraço apertado.

– Perdoe-me por todo o sofrimento que lhe causei.. — sussurrou a jovem no ouvido da mãe.

– Está tudo bem, minha filha.. — murmurou Aredhel em meio as lágrimas e acarinhou os cabelos da filha.

Aredhel, não suportando mais, se descontrolou emocionalmente e caiu em um choro sofrido. Esgotada, Aredhel se agarrou à roupa da filha e sofreu um novo evento de hipotermia, desmaiando nos braços de Hela. A jovem, assustada, gritou por socorro e Ada rapidamente foi chamada. Após o socorro e o reestabelecimento da temperatura normal da rainha, a serva explicou a situação peculiar sobre gravidez de Aredhel.

– Então é um dos sintomas dessa gravidez? — indagou a princesa.

– Exato, majestade. — anuiu Ada – A rainha precisa de repouso e cuidados. Ela ainda está no início da gravidez e esses episódios estão ficando muito frequentes. Ainda não é possível saber o que poderá lhe ocorrer até o final da gravidez. Então ela requer cuidados constantes. — explicou.

Ada se retirou do quarto e Hela se sentou na beirada da cama. A moça observava a mãe dormindo encolhida, enquanto em seu íntimo buscava o amor que Fenrir afirmara que ela sentira um dia pela mãe. Infelizmente, para Hela, Aredhel estava mais para uma desconhecida do que para a imagem da figura materna. As parcas lembranças da jovem de seu convívio com Aredhel a deixavam alheia à realidade, mas não a tornavam indiferente diante da situação. Doía-lhe ver aquela mulher, a quem chamava de mãe, sofrendo por sua causa. Em seu íntimo algo pulsava e indicava que sentia mais que compaixão e pena por Aredhel, mas não sabia dizer se era amor. Essa confusão de sentimentos lhe consumia.





Na vila, Sigrid terminava de lavar a louça do café da manhã, quando ouviu batidas na porta da casa. A jovem retirou o avental e foi atender a porta. Era Váli. O príncipe sorriu para a namorada e, enlaçando a cintura dela, tomou seus lábios em um beijo voraz. Sigrid mal teve tempo de pensar. A língua dele passeava com maestria na boca da moça. Ela o amava e adorava o jeito lascivo que ele as vezes a tratava, mas ainda estava chateada com a última discussão que tiveram. Lutando contra seu desejo de ceder, Sigrid pôs as mãos no peito de Váli e o empurrou.

– Espere, Váli. — ela começou – Precisamos conversar. — disse seriamente.

– Eu sei, meu amor.. — ele rebateu todo sorridente – Por isso que eu vim! — falou todo animado – Na verdade eu vim lhe dar uma boa notícia! Nós vamos nos casar! — anunciou.

– Como assim? Seu pai finalmente concordou? — Sigrid perguntou toda esperançosa.

– Não.. Mas eu não ligo! Iremos nos casar e que se dane o que ele acha sobre isso! — revelou meio contrariado.

– Mas Váli.. Eu tenho esperado todo esse tempo porque combinamos de casar com a benção de seus pais. — a moça replicou – Não acho correto nossa união ser motivo de briga entre você e seu pai. — argumentou.

– Não me importa. — retrucou o jovem – Na verdade, se isso for irritá-lo, ficarei duplamente feliz. — deu um sorriso cínico.

– Mas o que você está falando? Vai usar nosso casamento para afrontá-lo? Por quê? — indignou-se Sigrid.

– Não vou usar nosso casamento. Só quero me casar com você e pronto! — rebateu – Eu apenas não me importo mais com a opinião dele. — foi sucinto.

– Mas Váli.. Você sabe que se contrariá-lo corre o risco dele não lhe escolher para sucedê-lo no futuro. — lembrou.

– Não me importa aquele trono! Que ele engula! — rosnou.

– Mas por que motivo? Afinal, o que está acontecendo, Váli? — questionou.

– Não está acontecendo nada! — Váli deu um murro na porta.

Sigrid o fitou assustada e ele passou a mão pelo rosto de forma exasperada.

– Eu não posso me casar com você.. Não desse jeito.. — ela disse de repente.

– Como é? Você está dizendo que não vai se casar comigo? — ele perguntou incrédulo.

– Váli, como posso me casar com um homem que não compartilha as coisas comigo? — ela começou – Que não se abre comigo? Que não deixa eu participar de sua vida? — olhou-o com tristeza.

– Besteira! — rosnou ele de volta – Você não quer se casar comigo dessa forma por que acha que posso perder o trono, não é? — encarou-a.

– O quê? — ela franziu o cenho.

– Claro! — Váli exclamou – Como eu não percebi? A verdade é que você ambiciona ser rainha! — ergueu as mãos – Mas eu não a culpo. Sendo filha de uma serva e tendo crescido cercada pelo luxo do palácio, era natural que sonhasse em deixar essa miséria em que vive para viver lá. — sibilou.

Sigrid encarou Váli inexpressivamente, caminhou até a porta da casa e abriu-a.

– Vá embora! — gritou a jovem.

Váli percebeu que tinha sido levianamente cruel. Rapidamente se arrependeu pelo que dissera.

– Sig.. Meu amor.. — ele começou.

– Saia, Váli. — ela disse entredentes, tentando não fraquejar.

– Sigrid.. Perdoe-me.. Eu não quis.. — o jovem tentou argumentar.

– Suma daqui, Váli! — berrou Sigrid – Desapareça! Volte para seu palácio! — esbravejava, empurrando-o para fora da casa.

Sigrid fechou a porta com estrondo, recostou-se nela e deixou-se escorregar até o chão. Ela encostou a fronte nos joelhos e desabou em prantos.

– Perdoe-me Sigrid.. Pelos deuses.. Eu te amo.. — Váli implorou batendo na porta.

Váli bateu à porta mais algumas vezes, mas recebeu apenas o silêncio como resposta. Sentindo-se derrotado, o príncipe resolveu voltar para o palácio.

– Eu voltarei.. Não vou desistir de você.. — ele falou e partiu.

Dentro da casa, Sigrid chorava copiosamente, sentido-se humilhada e mais uma vez excluída da vida do homem que amava. “Será que um dia ele deixará que eu faça parte da vida dele?”, perguntava-se em pensamentos.





No outro lado de Asgard, no palácio de Freyja, a feiticeira gargalhava com as acusações feitas por Loki.

– Sim.. Sim.. De fato sua filha me procurou.. — Freyja anuiu – Ela desejava esquecer-se do homem que amava. — revelou.

– E você prontamente a ajudou! — rosnou Loki.

– Claro! Como eu poderia me negar a ajudar uma jovem que sofria com o desprezo de um homem? — rebateu a feiticeira encarando James – Tadinha, estava em frangalhos na última vez em que a vi. — disse venenosamente.

James baixou os olhos e fitou o chão.

– Eu deixei bem claro o preço que ela teria que pagar. — ela continuou — Expliquei que ela não só se esqueceria dele, mas também de todos os momentos de sua vida que tivessem relacionados a ele. — explicou – Então não venha me acusar de enganá-la. Sua filha, meu caro rei, sabia muito bem o que estava fazendo. — deu de ombros.

– Pois bem.. Eu exijo que me entregue o antídoto desta poção! — rebateu Loki.

– Então você exige? — riu-se Freyja – Mas não existe um antídoto propriamente dito. — disse em um esgar.

James passou as mãos pelos cabelos de forma exasperada. Eisa baixou os olhos e Loki deixou escapar um suspiro.

– Na verdade apenas há uma forma de quebrar o feitiço.. — a feiticeira disse de repente – Mas obviamente não sairá de graça.. — deu um sorriso cínico.

– Imaginei.. — sorriu Loki – Mas eu não pagarei por algo que posso conseguir de graça. — riu.

– Como assim? — Freyja indagou em dúvida.

– Eisa? — chamou Loki.

Eisa, que se mantinha quieta até então, vasculhara a mente da feiticeira em busca da solução para a questão de sua irmã. A jovem olhou do pai para o Jim e franziu o cenho.

– Tio Jimmy.. Eu sinto muito.. — Eisa começou com pesar – Hela só recuperará a memória se ela voltar a amá-lo novamente.. — revelou.

Notas finais
Esse caso tem solução? Gostaram? Odiaram? Comentem.