Asgard Dirty Secrets
8 It's not.. What you thought.. When you first.. Began it..
Notas iniciais
Hela olhou surpresa para Freyja. Ela queria deixar de amar James, mas não esquecer tudo o que viveu ao lado dele, muito menos correr o risco de perder boa parte de suas memórias em família. Afinal, desde sua infância, Jim fazia parte de sua família, sendo assim seria inevitável esquecer de mais da metade de sua vida.
– E então princesa? O que decidiu? — indagou Freyja tirando Hela de seus devaneios.
– Eu preciso pensar, Freyja.. — a moça disse em um fio de voz – É um preço muito alto a se pagar. — entristeceu-se.
– Pois pense com calma, querida. — Freyja pôs as mãos nos ombros da jovem — Veja pelo lado positivo, se não lembrar dele, não sentiria nada. Seria o fim de seu sofrimento. E com o banimento dele daqui, não teria o risco do feitiço ser quebrado. — deu de ombros.
– O feitiço pode ser quebrado? — rebateu Hela surpresa.
– Sim, minha querida. — a mulher de cabelos loiros afirmou — Mas não se preocupe.. No seu caso seria quase impossível. — fez um afago no ombro dela.
– Como o feitiço pode ser quebrado? — a jovem insistiu.
Freyja aproximou os lábios do ouvido de Hela e aos sussurros revelou como poderia ser revertido. Hela assumiu um semblante sério e trancou os dentes.
– É.. Seria impossível.. — afirmou com frieza.
– Pois bem.. Pense e assim que tomar sua decisão volte a me chamar. Virei vê-la imediatamente. — Freyja falou se encaminhando para a porta – Boa sorte, Hela. Até. — sorriu e retirou-se.
No corredor a bela mulher passou por Eisa que se encaminhava para o quarto da irmã. Eisa estranhou a presença dela, sabia que seus pais não simpatizavam com Freyja.
– Ainda mais cantarolando uma música chata nos pensamentos.. — Eisa pensou alto.
Ainda com essas dúvidas em sua cabeça, bateu no quarto a irmã.
– Olá Hela.. — Eisa cumprimentou ao entrar no quarto — Nossa, você não sabe quem acabei de ver. Freyja! O que será que ela veio fazer aqui? — disse surpresa.
– Sério? — Hela se fez de desentendida – Não faço a menor ideia.. — mentiu.
Mesmo desconfiada da resposta da irmã, Eisa se conteve e não leu os pensamentos de Hela. Ainda criança, pediu ao pai que a ajudasse a controlar seus poderes. Dessa forma, aprendeu a respeitar a privacidade dos pensamentos de seus amigos e familiares. Isso lhe causava menos problemas e frustrações.
Igor andava apressadamente pelos corredores do palácio. Ainda estava aturdido com a conversa que ouvira entre Aredhel e James. Estava tão perturbado que acabou esbarrando em Narfi, que retornava das masmorras.
– Ei! — gritou Narfi empurrando o irmão – Olhe por onde anda seu bastardo! — rosnou.
– Perdoe-me.. — murmurou Igor nervosamente.
– Você me pedindo desculpas? — Narfi franziu o cenho surpreso – Você não está bem.. O que foi que aconteceu? Parece que viu fantasma, lobinho branco. — provocou.
Igor olhou para o irmão e ponderou se deveria comentar o que descobrira. Narfi percebeu pela expressão no rosto do loiro, que algo grave deveria ter ocorrido. Ele agarrou o braço de Igor, arrastou-o para dentro de um dos salões do palácio e fechou a porta atrás de si.
– Fale.. Diga logo o que aconteceu. — disse Narfi com seriedade – Aconteceu alguma coisa. — cruzou os braços.
– Eu fui ver nossa mãe.. — Igor deu um suspiro – Queria tentar esclarece aquela confusão que testemunhamos entre ela e o papai. — começou a andar nervosamente pela sala – Logo que cheguei fui falar com o nosso pai e quando perguntei por nossa mãe, ele insinuou que ela seria amante do tio Jim. — resumiu.
– Hum.. Então eles ainda estão brigados.. — Narfi passou uma das mãos pelo queixo – Mas não é só isso, não é? — olhou para o irmão desconfiado.
– Olha Narfi.. O que vou lhe contar deve ficar entre nós. — começou Igor com um olhar sombrio – Creio que precisamos averiguar alguns fatos e além disso não acho que devamos interferir no casamento de nossos pais. — enrolava-se.
– Fale logo! — rosnou Narfi.
Igor narrou brevemente a conversa que ouvira entre Aredhel e James. Narfi ouviu tudo inexpressivamente. Terminado o relato, Narfi caminhou até a janela da sala e ficou observando o céu.
– Mamãe grávida do tio James.. — Narfi murmurou passando uma das mãos pelo rosto – Então o vovô tinha razão.. Os dois eram amantes. — trancou os dentes.
– Tudo leva a crer que sim.. — disse Igor visivelmente triste – Eu sempre pensei que nossa mãe fosse louca por papai. Ela praticamente o venerava. Concordo que ela e o tio Jim eram muito amigos e unidos, mas... — deu um suspiro – Jamais imaginei que ela o enganava.. — meneou a cabeça.
– Se o papai souber disso, vai acabar em morte.. — Narfi franziu o cenho.
– Narfi! — Igor agarrou o braço do irmão – Pelos deuses.. Ele vai matar o tio Jim e pode fazer uma loucura com a nossa mãe. Não vamos interferir nisso. Deixemos que ela mesma conte e converse com ele. Quem sabe isso possa terminar de forma amigável.. — passou uma das mãos pelos cabelos preocupado.
– Hunf.. — bufou Narfi – Isso não tem como terminar de forma amigável. Você conhece papai tão bem quanto eu. Sabe que ele jamais aceitaria que mamãe o deixasse, que dirá aceitar um filho bastardo. Se bem que ele lhe adotou.. — olhou com desdém – Mas não se preocupe. Não falarei nada. Mesmo estando decepcionado com o tio Jim e com mamãe, não quero que nada de ruim aconteça aos dois. Eu gosto dele, foi um segundo pai para mim. E ela é minha mãe e eu a amo. — foi sério.
Aredhel e James caminhavam em uma parte encoberta e distante do jardim.
– Como? Você não vai mais me visitar? — perguntou Jim incrédulo – Como vamos nos ver? Eu posso vir algumas vezes escondido, mas sabe que é complicado. — coçou a nuca.
– Jimmy.. Entenda.. Loki anda muito estressado com tudo o que está acontecendo. Ele não quer que eu vá lhe ver. — Aredhel tentou se explicar.
– E você vai ceder? Vai desistir de nossa amizade só porque ele quer? Simples assim? — ele retrucou indignado – Olha, eu realmente acho que vocês dois têm que resolver essa situação de vocês, mas não concordo que você abra mão de sua liberdade por isso. Muito menos abra mão de nossa amizade. — meneou a cabeça – Aredhel.. Você é minha melhor amiga e.. — fitou-a nos olhos — Eu.. — deu um suspiro e desistiu de falar.
– Eu jamais desistiria de nossa amizade. — ela o encarou e disse com urgência – É só por um tempo. Pelo menos até o Loki voltar a si e deixar de lado esse rancor todo. A coisa é mais complicada do que você imagina. — baixou os olhos visivelmente triste.
Jim olhou para a amiga e percebeu que ela deveria estar escondendo algo dele.
– Ele lhe ameaçou, não é? — perguntou e viu a amiga anuiu silenciosamente – O que ele disse que faria? — indagou irritado.
– Depois daquela noite em que ele quase.. — ela mordeu os lábios e viu James trancar os dentes – Bem.. Ele me prometeu que jamais lhe faria mal algum. Que não tocaria em você. Desde então ele tem cumprido a promessa. Não implicou mais com a nossa amizade e vocês até ficaram amigos. — deu um longo suspiro – Mas depois da confusão, ele não quer mais que eu lhe veja.. E.. — ela voltou a baixar a cabeça – Ele ameaçou quebrar esse promessa. — revelou com a voz embargada.
James passou uma das mãos pelo rosto e exalou o ar lentamente.
– Tudo que eu quero é que você e Hela resolvam a briga de vocês e fujam. Eu só quero a felicidade de vocês. — Aredhel continuou – Quanto mais eu insisto em não ceder, mais o Loki fica agressivo. Acredito que com a fuga de vocês o tempo vai passar e, com ele, a raiva dele também. Quando a situação estiver melhor eu avisarei vocês e poderão retornar. — disse esperançosa – Pelo menos poderemos nos falar através de projeções.. — deu um sorriso fraco.
– E enquanto isso, quem terá que se sacrificar será você.. — Jim bufou.
– Jimmy.. Tente entender. — ela encarou-o — Eu jamais me perdoaria se algo lhe acontecesse. Pense em seus filhos. Como eles ficariam? — tentou argumentar e aproximou-se dele – Eu faria qualquer coisa por você.. Qualquer coisa.. Até mesmo abrir mão de nossa amizade. — revelou.
Aredhel ficou o observando por um tempo e então o abraçou apertado. James rapidamente correspondeu ao abraço e deu um beijo na fronte dela.
– Eu também faria qualquer coisa por você.. Sabe disso. — ele falou com tristeza.
– Eu vou sentir tanto a sua falta.. — ela murmurou com a voz embargada – Eu te amo.. — disse em um fio de voz.
– Eu também te amo, Aredhel.. — ele disse e abraçou-a mais apertado.
– Eu não acredito! — gritou a voz de uma mulher.
Os dois se soltaram e olharam para trás sobressaltados. Hela e Eisa estavam paradas diante deles. Hela respirava pesadamente e lágrimas escorriam por seu rosto.
– Como ousam ficar se agarrando e fazendo juras de amor aqui? Bem debaixo do nariz de meu pai! — Hela berrou.
– Hela, minha filha.. — começou Aredhel – Espere.. Não é nada disso que você está pensando e..
– Cale-se, sua vagabunda! — gritou Hela descontrolada.
– Hela! — gritaram Eisa e James em uníssono.
Aredhel limitou-se a olhar boquiaberta para a filha. Sentiu um aperto no peito ouvir a própria filha falar com ela daquele jeito.
– Hela.. — ela murmurou com os olhos marejados.
– Você não pode falar com a sua mãe assim! — rebateu Jim.
– Cale-se você também! Você é um canalha! — Hela rosnou — Vocês ainda vão negar que são amantes? — vociferou e levou ambas as mãos ao rosto – Como meu pai aceita uma coisas dessas? Pelos deuses! Como eu estava errada! Como fui me iludir tanto? Eu queria nunca ter te conhecido! — disse histérica e deu as costas para os dois.
James correu e agarrou o pulso dela.
– Espere, Hela! Precisamos conversar e esclarecer as coisas! — ele disse com urgência na voz.
– Largue-me! — Hela gritou puxando o braço – Não tenho nada mais para falar com você! — disse entredentes.
– Não vou lhe largar! — ele falou exasperadamente — Dessa vez você vai ter que me ouvir! — foi firme.
Hela o fitou com ódio nos olhos e levou uma das mãos ao peito dele.
– Largue-me James ou você sabe o que farei com você.. — ela disse pausadamente, encarando-o furiosa.
Jim olhou-a estupefato, franziu o cenho e soltou o pulso dela. Ele não conseguia acreditar que ela ameaçara usar seus poderes contra si.
– Minha filha, pelo amor de Deus.. — disse Aredhel nervosa se colocando entre os dois – Por favor, não faça nada contra ele.. — implorou afastando a mão da filha.
Com medo de que Hela fizesse algo contra a própria mãe, Jim puxou Aredhel para trás de si, invertendo novamente a posição. Hela toda trêmula, olhou de Aredhel para James e recolheu a mão. Por mais raiva que estivesse sentindo naquele momento, ela não podia negar que os amava. Não machucaria Jim e tampouco sua própria mãe. Entretanto sua mágoa e ciúmes a consumiam e falavam mais alto naquele momento.
– Você faria qualquer coisa por ela... Morreria por ela.. — Hela murmurou com amargura.
– Hela, me escute.. — ele murmurou.
– Chega.. — ela meneou a cabeça – Você tem cinco minutos para sair daqui ou o denunciarei aos guardas. E não volte mais aqui, ou eu mesma executarei as ordens de meu pai. — falou para James – E quanto a você.. — dirigiu-se a Aredhel – Não dirija mais a palavra a mim.. — declarou e encaminhou-se para fora do jardim.
– Hela, espere! — Jim pediu.
– Vá embora! Suma daqui! — ela berrou – Vá agora! Desapareça da minha frente! — gesticulava histericamente.
– Vá embora, tio Jim! — pediu Eisa segurando a irmã.
Aredhel puxou James e tudo o que ele viu antes de se afastar foi Hela voltar marchando para dentro do palácio. Ele passou as mãos nervosamente pelo rosto e Aredhel se recostou em uma árvore. Jim estava pensando em uma forma de resolver a situação quando ouviu algo cair no chão ao seu lado. Ele olhou e viu que Aredhel tinha desmaiado.
– Aredhel! — ele chamou a tomando em seus braços.
James notou que ela estava gelada e ficou angustiado. Voltou a sacudir Aredhel e a chamá-la, mas não obteve resposta. Ele percebeu que os lábios dela estavam ficando azuis e desesperou-se.
– Mas o que está acontecendo? — murmurou desesperado.
Ele olhou ao redor e viu que Eisa retornava. Ao ver Aredhel nos braços de James, Eisa apressou o passo. Ela chegou correndo e ajoelhou-se ao lado deles.
– Eisa, ela desmaiou de repente e está cada vez mais gelada. — exasperou-se Jim.
Eisa tocou o rosto de Aredhel e também notou a sua queda de temperatura.
– Os sintomas começaram.. — a jovem murmurou.
Ela pôs uma das mãos sobre a fronte da mãe e começou a usar seus poderes para voltar a aquecer Aredhel.
– Sintomas? — Jim indagou confuso.
– Sim.. Da gravidez.. — respondeu Eisa meneando a cabeça – Myria falou que mamãe teria crises de hipotermia. Pelo que entendi tem algo relacionado com os futuros poderes do bebê. — explicou.
– Ah, Aredhel.. — Jim deu um longo suspiro.
James pegou uma das mãos de Aredhel entre as suas e fitou-a com tristeza. Lembrou-se do quanto fora complicada as gestações anteriores de sua amiga. Preocupava-lhe a possibilidade dessa gravidez ser mais complicada que as demais.
– Tio Jimmy.. Você precisa ir.. — disse Eisa de repente — Ouço os pensamentos dos guardas se aproximando. Vá antes que descubram que você esteve aqui. — explicou e viu-o olhar para Aredhel e morder os lábios aflito – Não se preocupe. Eu cuidarei de mamãe. Ela ficará bem. — afirmou.
– Certo.. — ele anuiu contrariado – Cuide dela. Se puder me dê notícias dela o mais rápido o possível. — pediu – E por favor.. Cuide também de Hela. Ela está tão abatida e magra. Por Deus.. — suspirou com tristeza – Eu não desistirei dela. Eu juro! — disse decidido.
James se despediu rapidamente depositando um beijo no rosto de Eisa e outro no topo de Aredhel e em seguida ficou invisível e partiu.
Alguns dias se passaram. A batalha em Midgard se arrastava, sem mudanças para ambos os lados. A cada local destruído pelo grupo, outro era descoberto. E várias cidades na Terra já haviam sido vítimas da força destrutiva de Ultron. Era uma luta incessante contra o tempo, cujo preço era pago com vidas humanas.
Em Asgard, Hela se tornara extremamente reclusa. Não saía de seu quarto e também não recebia ninguém. Abria a porta de seu quarto apenas para o grupo de jovens costureiras que produziam seu vestido de noiva. Como estava perdendo peso progressivamente, ajustes eram feitos todas as semanas. James ainda tentou vê-la por várias vezes, mas não teve sucesso. E faltando um pouco mais de uma semana para o casamento, Hela deixou o palácio dizendo que iria fazer uma curta viagem e que retornaria em três dias. Todavia, não disse para onde iria.
Narfi e Igor pouco falavam com a mãe. Andavam muito atarefados com assuntos do reino e também decepcionados com ela. Sendo assim, nas parcas vezes que se encontravam, trocavam poucas palavras.
Em razão de todo o acontecido e dos sintomas bizarros de sua nova gravidez, Aredhel também pouco saía do quarto. Ela andava demasiadamente deprimida. Sofria com o desprezo da filha, com a ausência de James e também percebera o distanciamento de seus filhos. Como ainda estava brigada com o marido, dispunha apenas da companhia de Eisa. Sua filha caçula era sempre quem lhe socorria em seus episódios de hipotermia.
Loki percebeu a mudança de comportamento da esposa. Notara sua crescente tristeza, mas se sentia satisfeito de saber que ela não mais visitava James. Ainda lhe irritava a falta de intimidades. Nesse ponto Aredhel ainda não havia cedido. Entretanto ele acreditava que a melancolia dela era sinal de que logo ela cederia e acabaria por fazer o que ele queria. Desta forma, ele passou a ignorar Aredhel, tencionando fazer uma maior pressão sobre a esposa.
Em uma dessas manhãs, Aredhel decidira procurá-lo para conversarem. Desejava ter uma conversa o mais pacífica o possível, a fim de poder revelar ao marido sobre sua gravidez. Ela entrou no salão e viu o marido conversando com alguns servos.
– Loki, gostaria de conversar com você. — ela falou rapidamente.
– Você desistiu de sua criancice? — ele indagou sem tirar os olhos do papel que lia.
– Loki.. Você sabe que não estou fazendo isso por birra. — Aredhel meneou a cabeça – Você sabe muito bem que faço isso pela felicidade de nossa filha. — disse calmamente – Eu vim lhe falar sobre outro assunto e.. — começou a falar.
– Basta! — ele falou alto e ergueu a mão fazendo todos olharem em sua direção – Se não veio aqui para por um fim a sua tenacidade, então peço que se retire. — encarou-a com raiva — Eu já estou cansado de sua reclamações e exigências, Aredhel! Enquanto você não resolver acabar com essa situação, não quero mais lhe ver! — rosnou aproximando o rosto do dela — Eu não tenho tempo a perder com suas banalidades e teimosias! Agora saia daqui! — expulsou-a.
Aredhel sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. Ela olhou ao redor e viu os servos baixarem a cabeça, visivelmente constrangidos com a cena que acabaram de assistir. Envergonhada, ela baixou a cabeça e saiu apressadamente do salão. Aredhel correu para seu quarto e lá ficou, não saindo mais pelo resto do dia. Sentindo-se derrotada, ela chorou copiosamente até adormecer vencida pelo cansaço.
À noite, no mesmo dia, Loki tinha terminado de se trocar e pensava em sua esposa. Não saía de sua mente a expressão de surpresa e tristeza do rosto dela depois dele tê-la expulsado. Consumido pelo remorso, foi vê-la escondido, como vinha fazendo algumas noites desde sua primeira briga.
Ele entrou silenciosamente e, invisível, aproximou-se da cama de Aredhel. Loki deu um longo suspiro ao vê-la encolhida e com o rosto inchado. Sentiu vontade de abraçá-la, mas se conteve. Tinha certeza de que estava próximo de vê-la desistir da ideia de continuar a contrariá-lo.
– Acabe logo com isso, Aredhel.. — ele sussurrou enquanto acariciava os cabelos dela – Não suporto mais a saudade de você.. — admitiu — Posso até manter minha promessa de não fazer nada contra James, mas eu nunca vou deixar seu amiguinho ficar com nossa filha. Esqueça-se dele de uma vez por todas. Você nunca mais o verá.. — disse com seriedade.
Loki depositou um beijo na fronte dela e retirou-se.
Três dias depois, em Midgard, Váli estava agachado atrás de um carro semi-destruído e respirava pesadamente. Ele baixou a cabeça e viu o próprio sangue pingar no chão. Levou uma das mãos à cabeça e pressionou por um tempo a mão sobre o corte que tinha em sua testa. Váli estava muito cansado e fraco, tinha acabado de retornar à sua forma original. Usar sua forma de lobo por um longo período sempre consumia suas forças. Havia conseguido uma brecha para se afastar e poder se recuperar antes de voltar para o campo de batalha.
Ele ainda tentava controlar a respiração quando viu surgir diante de si a projeção de seu irmão, Fenrir.
– Nossa, Váli.. Você está péssimo.. — disse Fenrir franzindo o cenho.
– Olá para você também. — ironizou Váli — Creio que você não veio falar comigo para reclamar de minha aparência. — retrucou impaciente – Diga.. Descobriram algo? — foi direto.
– Eu localizei outra fábrica. — o irmão deu um sorriso — Eu, Myria, Modi, o Capitão e Ullr estamos indo para a Noruega agora. O tio Tony pediu para dizer que eles finalmente estão terminando. Ainda hoje a solução para esse caos estará disponível. — revelou.
– Perfeito! — comemorou Váli em meio a um suspiro de alívio — Agora é uma questão de tempo. — sorriu de lado – Pena que depois terão muito o que reconstruir.. — murmurou olhando rapidamente ao redor.
– Podemos ajudar no início. — sugeriu Fenrir — Ficamos por mais alguns dias. Pelo menos para socorrer os feridos. — ergueu as sobrancelhas.
– Pode ser.. Mas papai não ficará feliz de saber disso. — o irmão meneou a cabeça — Bem.. Para a sorte de vocês, parece que não terão muito o que fazer. — brincou
– É.. Logo iremos para casa.. — Fenrir sorriu de volta – Ah.. Myria pediu mais uma vez para que cuide de nosso cunhadinho. — lembrou.
– Pode deixar.. — Váli revirou os olhos – A resistência que ele tem é tão grande quanto o ego dele. — riu – Boa sorte e até. — despediu-se.
– Até.. — sorriu Fenrir e a projeção se desfez.
Váli tinha acabado de se levantar, quando viu o corpo de Nicolas passar voando ao seu lado e se chocar contra a faixada de um prédio mais adiante. Ele trancou os dentes e correu para socorrer o amigo. Váli retirou alguns escombros de cima de Nicolas e tirou a máscara da armadura que ele usava. Nick estava desacordado e com vários ferimentos no rosto.
– Droga, Nick.. — murmurou Váli – Acorda.. — sacudiu de leve o rapaz.
– Um já foi, agora faltam quatro. — Váli ouviu uma voz dizer atrás de si.
Váli virou a cabeça e viu um robô apontar uma arma para si. O rapaz teve apenas tempo de franzir o cenho e levar um dos braços ao rosto, antes de ser ofuscado por uma grande luz branca.
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