Asgard Dirty Secrets
5 I'm not happy unless you're far far away...
Notas iniciais
– Problemas em Midgard? — indagou Loki entrando no salão – Isso não pertence a nossa alçada. — disse em tom de ironia – A Terra tem seus amiguinhos para protegê-la, eles que resolvam os próprios problemas. — foi ríspido.
– Imaginei que diria algo do tipo.. — resmungou Thor – Por isso mesmo que não vim pedir ajuda sua, mas sim de meus sobrinhos. — arrematou.
Loki olhou de Váli para Fenrir e crispou os lábios. Para seu desgosto sabia que seus filhos apoiariam Thor. Váli e Fenrir tinham herdado a compaixão da mãe e foram criados com visitas periódicas à Midgard. Aredhel manteve seu relacionamento amistoso com os Avengers e Thor continuou como protetor da Terra ao longo desses anos. Desta forma, os filhos de Aredhel e Loki aprenderam a respeitar e gostar do reino-do-meio, alguns até demais.
– Não se preocupe tio Thor, eu irei ajudá-los. — afirmou Váli.
– Eu também. — anuiu Fenrir.
Loki revirou os olhos e bufou impaciente.
– Seus filhos também vão? — Loki indagou com cinismo.
– Sim, claro. — confirmou Thor – Não só Magni e Modi vão me acompanhar, mas Thrud e Ullr também. — comentou.
– Ah.. Tinha esquecido que Thrud puxou a mãe. — riu-se Loki – É uma combatente nata. Só Rebecca não quis aprender a lutar. É uma princesinha. — provocou – Mas o problema em Midgard é tão grave assim para precisar levar essa comitiva? — perguntou com cinismo.
– É grave sim, Loki. — Thor falou impaciente — Digamos que Stark perdeu o controle sobre suas criações. — disse rapidamente e virou-se para os sobrinhos – Vamos, não temos tempo a perder. Sif e meus filhos já partiram. — explicou.
– Tio Tony perdeu o controle sobre suas criações? Como assim? — questionou Váli preocupado.
– É só o que sei, Váli. Quando chegarmos lá ele mesmo explicará o ocorrido. — Thor disse angustiado.
– E como soube desses detalhes? Heimdall que lhe avisou? — perguntou Loki desconfiado.
Thor olhou para dos rapazes para Loki e deu um suspiro.
– Não.. Foi Einmyria.. — Thor confessou.
– Myria? Então foi uma previsão? — indagou Fenrir.
– Acredito que sim. — confirmou Thor – Eu procurei por ela agora, mas não a encontrei. — completou.
– Ela com certeza já deve estar lá. — disse Loki entredentes – Parece que nenhum de meus filhos me obedece. Muito menos me respeitam. – trancou os dentes com raiva – Mais uma que saiu igual a mãe! Faz tudo escondido! — rosnou – Eu só espero que vocês dois não se demorem por lá. — dirigiu-se aos filhos – Principalmente você, Váli. Igor não poderá assumir suas responsabilidades por muito tempo e você sabe que pouco posso contar com Narfi. Temos coisas mais importantes para resolver aqui no reino, do que problemas causados pelos brinquedos de Stark. — deu as costas e retirou-se do local.
– Então vamos? — insistiu Thor.
– Sim, tio.. — anuiu Váli — Pelo jeito a conversa com a nossa mãe ficará para outro dia. — olhou para Fenrir e viu o irmão menear a cabeça em afirmativo.
Thor e os sobrinhos rapidamente se encaminharam para a Bifrost e partiram para a Terra.
Siegfried bateu à porta de Hela e ela o mandou embora. Depois de alguma insistência ela finalmente cedeu e abriu a porta para seu amigo. Sieg entrou no quarto e viu que as janelas estavam fechadas e encobertas pelas cortinas. Sua amiga se encaminhou para a cama novamente e lá debruçou-se em um novo choro.
– Hela.. — murmurou o amigo se sentando na beirada da cama – Não fique assim.. — afagou os cabelos dela – Isso deve ser um mal entendido.. Deve haver uma explicação.. — tentou argumentar.
– Explicação! — ela rosnou erguendo o rosto, banhado em lágrimas, para encará-lo – Que explicação poderia ter? Minha mãe admitiu que o beijou! Pelos deuses! Eles já foram um casal! — sibilou – Eu o esperei por tanto tempo.. — baixou os olhos fitando as mãos – Foram tantos anos praticamente correndo atrás dele.. — movia exasperadamente os braços – E quando ele finalmente deixa de lado a culpa e cede, eu descubro isso.. — esmurrou o travesseiro.
– Bem.. — Sieg procurava as palavras certas para consolá-la — Mas ele te ama, não? É isso que importa. — deu de ombros.
– Ele me ama? — deu uma risada amarga – Pelo jeito a culpa que ele sentia em “estar amando” a filha de seus amigos, na verdade era outra coisa. A culpa era por saber que estava me enganando. Que na verdade ele sabia que aceitar meu amor seria o mesmo que se conformar com a filha, já que não podia ter minha mãe. — trancou os dentes — Talvez durante todos esses anos ele esperasse que minha mãe deixasse meu pai! Resolveu permanecer viúvo na esperança de conquistá-la! E a otária aqui se guardando todo esse tempo! Sou uma virgem velha por nada! — disse com raiva.
– Acalme-se Hela.. — o amigo falou meio sem graça.
– Sieg, você é testemunha de todos os pretendentes que dispensei ao longo desses anos. Eu fiz tudo por ele.. — escondeu o rosto nas mãos – Eu sou apaixonada pelo Jimmy desde menina.. — deixou escapar um soluço.
Siegfried abraçou a amiga e ficou acarinhando os cabelos dela.
– Como fui cega.. — Hela meneou a cabeça – Estava diante de meus olhos e eu não quis ver. Durante todos esses anos os dois eram confidentes e estavam sempre juntos. Como eu não enxerguei isso? Eu diria que algumas vezes o Jimmy passava mais tempo com a minha mãe, que meu próprio pai. Mas cresci com a ilusão de que os dois eram como irmãos. Confesso que jamais me passou pela cabeça que pudesse haver algo a mais entre os dois. Eu sei que meu pai e Jimmy são muito semelhantes fisicamente, mas eu sempre os vi como duas pessoas totalmente diferentes. Jimmy é praticamente o oposto de meu pai.. É tão doce e amável.. — franziu o cenho com olhos sonhadores – Quem sabe foi isso que a minha mãe também viu nele. Alguém por quem acabou se apaixonando também. — retomou o choro.
Hela chorava inconsolavelmente debruçada no colo de seu amigo. Por mais raiva que sentisse de James naquele momento, não podia negar que o amava devotadamente. Lembrou-se do tempo que se dedicou a conquistá-lo. Hela, de maneira astuta, afastou uma a uma cada fã que tentou se aproximar de James durante aqueles anos. Havia herdado do pai o ciúme e a possessividade, bem como a habilidade de convencer as pessoas. Várias vezes foi grosseira e até agressiva com algumas fãs de Jim, mas este nunca desconfiou de nada. Hela jamais deixaria transparecer seus ciúmes, não gostava de parecer insegura. No entanto, agora ela se via entregue ao desespero e à mágoa, totalmente perdida. Nem no seu mais longínquo devaneio passou por sua mente a possibilidade de ter que disputar o amor de James com a própria mãe. Mesmo que Aredhel ainda fosse casada com Loki, Hela acreditava que não teria chances contra ela, pois se o que seu pai dissera fosse verdade, era ela quem estava querendo roubá-lo de sua mãe. “Ele a amou primeiro.. Eu sou apenas o prêmio de consolação..”, torturava-se em pensamentos. Hela tinha a crença de que Jim não a amava de verdade.
Mais tarde, ainda no mesmo dia, James e seus filhos partiram. Aredhel ainda lamentava a partida de seu amigo, quando foi informada da partida de Fenrir e Váli para a Terra.
– Meu Deus.. É um problema atrás do outro.. — Aredhel murmurou ao receber a notícia de um guarda.
Aredhel ponderou em ir ajudar seus amigos da Terra, mas pensou que era melhor resolver os problemas que já tinha. Temia que com a sua saída Loki resolvesse tentar algo contra James, em retaliação pelo ocorrido. Ainda não havia conseguido falar com a filha, pois esta se recusava a falar com ela. Aredhel se sentia cansada e derrotada, não sabia como contornar a situação, vez que Loki havia sinalizado que não queria ver a filha ao lado de Jim.
Mais uma vez foi ao encontro de Hela e bateu em sua porta.
– Vá embora! — gritou Hela – Você é a última pessoa que quero ver! — rosnou.
– Filha, deixe-me explicar.. — Aredhel murmurou em meio às lágrimas.
Hela estava magoada com a mãe. Sentia-se duplamente traída. Primeiro por acreditar que Aredhel lhe roubara o amor de Jim. Segundo por esconder o que houve entre ela e James.
Aredhel havia confessado que sabia há anos que Hela se apaixonaria por James. Por este motivo, Hela culpava a mãe por tê-la deixado alimentar tal ilusão, de que um dia teria o amor dele, quando na verdade Jim amava Aredhel.
– Você podia ter me contado.. — soluçava a filha recostada na porta, do lado de dentro do quarto — Desde criança sabia que eu o amaria.. Por que deixou eu me iludir? — esmurrou a porta – Vá embora! — expulsou-a.
Vencida, Aredhel foi aos prantos para seu quarto.
Na Terra, Einmyria se deixou afundar na confortável poltrona daquele local, enquanto observava o rapaz andar de um lado para o outro do quarto.
– Meu pai é uma mula teimosa! — ele rosnou – Ficou com essa mania de não confiar nos outros e olha no que deu. “Sem concessões” ele dizia. E agora acabou perdendo o controle sobre a própria criação. — passou as mãos pelos cabelos castanhos — Isso está parecendo o livro do Stevenson. Meu pai, que se acha um gênio inigualável, criou o próprio Hyde! — jogou-se na cama e fitou o teto – Quanto tempo temos até o ataque? — ele indagou virando-se para olhar para Myria.
– Alguns dias.. — ela murmurou franzindo o cenho – Mesmo sendo uma máquina, levará algum tempo para montar seu exército. — informou.
– Exército? — o rapaz se levantou e caminhou até Einmyria – Ele já levou todas as criações de meu pai e ainda construirá mais? — indagou incrédulo.
– Sim, Nick.. — ela deu um suspiro e fitou o chão – O objetivo dele é muito claro. Para manter a Terra a salvo, ele precisa eliminar todos os humanos. Ele objetiva o extermínio. — explicou.
Nicolas se ajoelhou diante da moça e afagou os cabelos curtos dela.
– Isso é mais um motivo para você voltar para Asgard. — deu um beijo demorado nos lábios de Myria – Não quero que nada de ruim aconteça a você. Eu jamais me perdoaria. — encostou a fronte na dela.
– Nick, não posso deixar vocês.. — ela meneou a cabeça – Seu pai e os demais irão precisar de toda a ajuda possível. Sozinhos vocês seriam destruídos. Milhões morreria só no primeiro dia e os que restassem teriam que viver escondidos. — exasperou-se – Não sabe o quanto eu gostaria de não ter visto o que vi. — cerrou os olhos com força.
– Acalme-se. — acariciou o rosto da namorada — Agora que sabemos o que acontecerá, podemos tomar algumas providências. Meu pai não imagina, mas.. — deu um sorriso cínico – .. creio que você obviamente sabe que eu preparei uma Mark para mim. — sorriu de lado – Afinal, não tenho como esconder nada de minha namorada. — riu e viu Myria apenas revirar os olhos – O velho mesmo todo “atualizado”, não tem mais condições de aguentar esse tipo de aventura sozinho. Além disso, como você mesmo disse, precisaremos de toda a ajuda possível. — deu um suspiro – E então? Quem você chamou? — perguntou.
– Avisei apenas o tio Thor. — informou — A essa hora ele, Váli, Fenrir e meus primos já devem ter chegado para ajudar. Sei que meu pai não viria e tampouco Narfi. Você sabe a opinião deles a respeito de interferir aqui na Terra. — fez uma careta – E, para completar, papai, Igor e Narfi logo estarão ocupados. Mamãe também terá alguns problemas meio complicados para enfrentar. Por isso pedi para Eisa ficar em Asgard. Gostaria de poder oferecer a vocês toda a ajuda possível, mas Asgard também terá problemas. — revelou.
– Vai dar tudo certo. — ele a abraçou – Com a sua ajuda e a de sua família conseguiremos mudar esse futuro sombrio. — beijou a fronte dela.
– Tomara, Nick.. Tomara.. — ela murmurou.
Váli, Thor e os demais estavam reunidos no grandioso laboratório de Tony Stark. Banner analisava alguns dados em uma tela, enquanto Rogers olhava impaciente para Stark que ajustava uma peça em seu peito. Ao longo dos anos que se passaram Tony reuniu a pesquisa de sua falecida amiga, Maya Hansen, e seus conhecimentos e desenvolveu sua própria solução para o problema de doação de órgãos e membros amputados: a possibilidade de substituí-los por similares criados tecnologicamente.
– Deixe-me ver se entendi.. — começou Váli – Você criou uma nova arma, chamada Ultron, a qual é dotada de uma inteligência artificial derivada de Jarvis, superinteligente, que possui conhecimentos avançados de táticas de guerra e estratégias de combate, cujo objetivo é manter a paz na Terra. Não contente, esse máquia tem o conhecimento e o poder de construir novas máquinas e de se aperfeiçoar. — concluiu – Pelos deuses, tio Tony! — ergueu as mãos para cima – Que parte desse seu planejamento não incluiu o pensamento de que o maior inimigo da Terra são os próprios humanos? — indagou incrédulo.
– O rapaz tem razão. — concordou o Capitão — Até o Loki sabia que o maior problema éramos nós mesmos. — cruzou os braços visivelmente irritado.
– Espere aí, filhote de rena. — retrucou Stark – Ultron ainda não havia sido finalizado. Eu não cheguei a determinar as diretivas de segurança. Uma delas seria a segurança dos humanos. O problema é que perdi o controle sobre suas decisões. Por se tratar de uma inteligência artificial ele aprende sozinho e pode decidir o que é melhor ou não. — exalou o ar lentamente – Errei ao dar o livre arbítrio também. — ergueu as sobrancelhas.
Rogers bufou indignado e Banner meneou a cabeça em negativo.
– É.. O senhor errou feio.. — arrematou Váli.
– Mas então.. — interrompeu Thor – O que faremos agora? — afligiu-se.
– Temos que descobrir onde está escondido e quando ele atacará. — rebateu Rogers — Pois é óbvio que ele deve estar escondido se aperfeiçoando. — concluiu.
– Certo. E como faremos para descobrir isso? — indagou Fenrir – Pois se trata de uma inteligência profundamente conhecedora de táticas de guerra. Creio que pode adivinhar nossos passos com facilidade. — completou.
– Fato. — disse Banner – E com a sua capacidade de aprendizado superior a de um ser humano, ele está anos a frente de qualquer tecnologia que possamos criar para localizá-lo e efetuar um ataque surpresa. — lembrou.
– Hunf.. — Rogers bufou – E ainda perdemos o elemento surpresa.
– Nem tanto.. — rebateu Stark – Temos uma arma que nem Ultron poderia adivinhar que teríamos. — abriu um largo sorriso.
– E qual seria essa arma? — intrometeu-se Modi.
– A sua priminha.. — revelou Stark – Einmyria pode ver o futuro e habilidades mágicas são desconhecidas para Ultron. — deu um sorriso cínico.
– Mas ela sabe onde ele está escondido? — indagou Sif.
– Sei.. — disse Myria entrando no local acompanhada por Nicolas – E também sei quando ele atacará. Mas.. — olhou ao redor – Precisaremos nos preparar. O exército dele está cada vez mais numeroso. Se não o pararmos, será o fim da humanidade.
Assim se passaram alguns dias. Enquanto os filhos estavam tentando ajudar em Midgard, Loki recebeu noticias nada animadoras. Os Marauders, um grupo de piratas espaciais, estavam mais uma vez atacando os reinos vizinhos.
Foram os Marauders que atacaram Vanaheim enquanto Loki era apenas um prisioneiro nas masmorras de Asgard. O grupo quase havia sido desfeito ainda naquela época. Entretanto, durante o incidente com os Dark Elfs, alguns membros conseguiram fugir durante a rebelião causada por Algrim nas prisões. Estes fugitivos levaram alguns anos para recrutar novos membros e voltarem a realizar seus saques.
Sem outra alternativa, Loki se viu obrigado a abrir mão de Fandral, Volstagg, Igor e Narfi, enviando-os para combater o grupo de piratas.
– Maldita hora que Thor e meus filhos escolheram para ir ajudar aquele povo de Midgard! — Loki resmungou pensativo enquanto seus demais filhos e guerreiros aguardavam suas ordens.
– O senhor sabe como Váli e Fenrir são ligados àquele povinho. — comentou Narfi com desdém – E não são somente eles.. Minhas irmãs também.. — disse venenosamente.
Igor olhou para o irmão com um olhar condenador. Ambos os rapazes sabiam sobre o namoro de Einmyria com o filho de Tony Stark, mas prometeram à irmã não revelar nada ao pai.
– É.. — Loki trancou os dentes — Aredhel fez o favor de misturar vocês com aquela gente. — passou a mão pelo rosto – Agora estamos desfalcados! — rosnou.
– Pai, fique tranquilo. Creio que temos condições de resolver isso rapidamente. — Igor tentou tranquilizar.
– O lobinho branco tem razão. Isso será brincadeira de criança para nós. — disse Narfi convencidamente.
Loki revirou os olhos, irritava-lhe o comportamento displicente de seu filho.
– Espero que realmente não demorem e que, até lá, não surjam novos problemas. — Loki disse passando a mão pelo queixo.
Loki e Aredhel continuavam brigados. Ela o ignorava. Estava cada vez mais magoada, pois a filha não falava com ela e Loki nada fazia para esclarecer as coisas. Aredhel se sentia muito solitária no palácio, contava apenas com a companhia de Eisa. Por este motivo passou a visitar diariamente Jim e seus filhos em sua nova moradia na vila.
Uma manhã Loki chegou para o almoço e viu-se sozinho à mesa. Irritado, chamou um dos servos para pedir explicações.
– Onde estão Hela, Eisa e Aredhel? — questionou impaciente – Já almoçaram?
– Meu rei, a princesa Eisa já almoçou, a princesa Hela já faz uma semana que só faz as refeições em seu quarto e quanto a sua esposa.. — fez uma pausa meio sem graça — Bem, como de costume, ela saiu bem cedo hoje pela manhã e ainda não retornou. — informou.
– Deve estar na casa daquele traidor! — rosnou dando um murro na mesa – Ela sabe que a proibi de se aproximar dele! Continua me desafiando! — sibilou.
Loki estava cada vez mais estressado com a situação. Já havia mais de uma semana que sua esposa dormia em um quarto separado. A falta de intimidades com ela o estava deixando mais irritadiço do que de costume e sua raiva contra Aredhel e James só aumentava.
– Pois bem.. Se ela quer passar o dia fora, vai ficar sem comer! — disse entredentes – Avise na cozinha que estão proibidos de servir qualquer tipo de refeição a Aredhel fora dos horários. — dirigiu-se ao servo — Se ela não comer antes de mim ou comigo, não comerá depois! — bufou.
No final do dia Aredhel retornou para o palácio. Por fim, ela passara o dia inteiro fora e chegou após o jantar. Dirigiu-se animadamente para a sala de jantar. A companhia de seus afilhados e seu amigo havia renovado seu humor. No caminho para a sala, encontrou Eisa.
– Mamãe! — exclamou Eisa a abraçando – E então? Como foi o passeio? Como estão Wagner, Katarina e o tio Jim? — encheu-a de perguntas.
– Ah, foi maravilhoso. — disse Aredhel toda sorridente — Eu acompanhei a reunião para a nova peça que Jimmy está planejando montar. Aliás ele pediu para lhe avisar que terá um papel para você nessa peça. O papel deveria ser para Hela, mas.. — deu um suspiro triste — ..ela não quer falar conosco. Wagner e Katarina estão bem, mas com muitas saudades. Já o Jimmy, mesmo não querendo transparecer, está visivelmente abatido. Ele ama demais a sua irmã, mas ela não quer dar nem a chance de nos explicarmos. Na última vez em que ele veio tentar conversar com Hela às escondidas, ela ameaçou chamar os guardas. — disse com pesar.
– Eu também tentei conversar com ela, mas ela não quer mais falar sobre o ocorrido. — a jovem fez um afago na mão da mãe — Ontem Hela expulsou Broomhilda aos berros depois que ela insistiu em falar sobre o assunto. Quase que Hela e Sieg brigaram por conta disto. Ele ficou muito chateado por ela ter destratado a namorada dele. Depois ela procurou a Hilda, pediu desculpas e voltou a se trancar no quarto. — contou.
– Estou tão preocupada com Hela.. — Aredhel deslizou os dedos pela fronte — Eu a vejo as vezes pelos corredores e ela parece tão abatida, está bem mais magra. — meneou a cabeça – Eu só queria que ela me deixasse explicar o que realmente ocorreu. — olhou para a filha e afagou seus cabelos – Pelo menos você sabe a verdade e acredita em mim. — lamentou-se.
– Mesmo que não pudesse ler a verdade em sua mente, ainda assim acreditaria em você, mãe.. — Eisa abraçou-a apertado – Sei que jamais trairia meu pai. — sorriu.
As duas entraram na sala de jantar e encontraram tudo vazio.
– Já recolheram o jantar? — surpreendeu-se Aredhel.
– Ah, mãe.. Preciso lhe contar sobre isso.. — Eisa se aproximou de Aredhel – Papai estipulou horários rígidos para as refeições. Quem não comer no horário não poderá comer depois. — informou.
– Claro! — exclamou Aredhel – Era de se esperar! Ele fez isso porque sabe que eu sempre chegarei depois do horário! — sibilou com raiva – Loki teve a audácia de querer proibir que eu fosse ver Jimmy e agora está querendo se vingar porque eu o desobedeci! Mas ele que espere sentado! Pois vou continuar indo vê-lo! — disse decidida – Onde está seu pai? — indagou de repente.
– Creio que a esta hora ele esteja na biblioteca. — Eisa falou meio insegura.
Aredhel saiu marchando em direção à biblioteca. Chegou ao local abrindo as portas ruidosamente, chamando instantaneamente a atenção de Loki.
– Se você pensa que pode me controlar me deixando com fome, pois saiba que está enganado, Loki! — Aredhel vociferou.
– Ora.. Se não é minha esposa desaparecida. — disse com ironia – A que devo a honra de sua visita? Está com fome? Na casa de seu amante não tinha comida? — indagou em um esgar.
Aredhel limitou-se a encará-lo inexpressivamente. Não iria responder às suas provocações.
– Eu lhe avisei que não queria vê-la perto dele! — Loki deu um murro na mesa – E não contente em me desobedecer.. — aproximou-se – ..ainda se nega a agir como uma esposa.. Nega-se a cumprir seus deveres. — sorveu o perfume dos cabelos de Aredhel – Sinto tanto a sua falta.. — resvalou o nariz na nuca dela.
Um calafrio percorreu o corpo inteiro dela. Aredhel tentava se controlar ao máximo para não ceder. Loki mal a tocara e ela já estava em chamas por dentro. Aredhel também sentia falta de seu marido, mas não podia deixá-lo continuar com seus desatino e assistir a filha definhar.
– Vamos esquecer toda essa bobagem, meu amor.. Preciso de você e sei que precisa de mim.. — ele a envolveu em seus braços e depositou um beijo demorado em seu pescoço.
Loki ofegava de desejo. Depois desses dias sem tocá-la, estava desesperado por possuí-la.
– Não, Loki.. — ela o empurrou de leve – Sabe de minhas condições.. — foi firme.
Ele a largou e afastou-se furioso.
– No que depender de mim esses dois nunca ficarão juntos! — rosnou.
– Então não temos mais o que conversar. — ela disse se encaminhando para fora da biblioteca.
– Aproveite a fome, Aredhel. — Loki gritou.
Já era quase madrugada e Loki continuava na biblioteca. Estava agitado e irritado demais para conseguir dormir. Ele folheava impacientemente um livro sobre hipnose, quando sentiu a presença de alguém na biblioteca. Loki ergueu os olhos e encontrou os de Hela a lhe encarar.
– Hela? — ele franziu o cenho – O que faz aqui a essa hora, minha filha? — questionou.
– Papai.. Eu tomei uma decisão. — ela murmurou — Aceito me casar com o príncipe de Alfheim. — disse em um sussurro.
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