Asgard Dirty Secrets
14 I'm holding out for a hero 'til the end of the night
Notas iniciais
James aguardava calado Ada terminar de fazer seu curativo. Eisa apenas o observava quieta. Na mente da jovem, ainda pululavam as imagens da noite da morte de sua mãe.
Era quase como assistir um filme. Entretanto seu papel era de alguém que sabia o roteiro, pois ela tinha a consciência de como se sentiam alguns dos personagens da cena. Eisa percebeu a ira e a dor de seu pai e também entendeu que tudo fora um acidente. Por mais que lhe doesse a desconfiança de seu pai sobre a fidelidade da mãe, compreendia as razões que o levaram a pensar daquela forma. A moça se compadeceu com o remorso que ele carregava há anos, mas ainda sentia raiva da forma como ele vinha se comportando com Aredhel nos últimos tempos.
Todavia, não fora apenas os sentimentos de seu pai que Eisa percebera na noite fatídica. Os sentimentos de outra pessoa também ficaram bem claros para a jovem.
Ada terminou os curativos e os deixou a sós. Eisa olhou ao redor e sentou-se ao lado de James na cama.
– Você ainda ama a minha mãe? — ela perguntou de supetão.
James arregalou os olhos e olhou para a mocinha estupefato. Ele abriu a boca com a intenção de perguntar do que ela falava, mas a jovem arqueou as sobrancelhas. Jim sentiu seu rosto esquentar e engoliu seco. “Que dom mais inconveniente..”, ele pensou e viu a jovem ficar séria. Ele se aprumou na cama e deixou o ar escapar lentamente.
– Não.. Não dessa forma.. — ele respondeu meio constrangido – Hoje eu a amo como uma irmã. — foi sincero.
Eisa o olhou intensamente, prescrutando a mente dele em busca de uma possível mentira. Algo que provasse que a teoria de Loki sobre Hela estivesse certa. James, percebendo o que Eisa fazia, apenas aguardou em silêncio. Ele não tinha mais nada a esconder da jovem. Seu amor por Aredhel era coisa do passado e seus sentimentos por Hela eram os mais sinceros o possível.
Após algum tempo, ele viu a jovem franzir o cenho e olhar para ele com compaixão. Eisa, com os olhos marejados, baixou a cabeça e abraçou-o repentinamente. Ele ficou surpreso, mas correspondeu ao abraço.
– O senhor e a Hela vão conseguir se acertar.. — ela murmurou com o rosto escondido no peito dele — Não quero ver mais vocês dois sofrendo. — ergueu a cabeça para encará-lo – Tio Jimmy.. O senhor já sofreu demais.. Merece ser feliz.. — declarou com lágrimas descendo pelo rosto.
– Obrigado, Eisa. — ele sorriu e fez um afago nos cabelos dela – Eu só peço que não comente nada sobre.. — mordeu os lábios – Sobre o que descobriu.. — deu um suspiro — Passei todos esses anos em silêncio porque sabia que isso só traria problemas e mais sofrimento.. Acima de tudo sou amigo de seus pais. Não quero perder a amizade que tenho com sua mãe e ainda tenho esperanças de um dia seu pai aceitar meu relacionamento com Hela. — disse com tristeza.
– Tudo bem.. Eu entendo.. Prometo nunca revelar nada do que vi.. — Eisa anuiu.
Enquanto aguardava do lado de fora do quarto, Váli remoía todos os anos em que acreditou que seus pais tinham um casamento perfeito. Sentia-se enganado. Ele ponderava que talvez existissem outros segredos sobre Loki e Aredhel. Depois de sua longa conversa com Eisa, ele sabia da fidelidade de sua mãe, mas sobre seu pai não era a mesma coisa. De repente, Váli teve a sensação de que não conhecia mais o homem por quem teve admiração a vida inteira. Doía-lhe na alma imaginar que ele havia machucado e matado sua mãe, mesmo que tivesse sido por acidente. Não saía de sua cabeça a imagem de Aredhel machucada caída no chão da casa de James.
– Ele foi longe demais.. — murmurou o rapaz com raiva.
– Quem foi longe demais? — perguntou Fenrir que apareceu repentinamente no corredor.
– Fenrir! — exclamou Váli – Quando chegou?
– Eu acabei de chegar.. — Fenrir olhou ao redor – Onde está todo mundo? — coçou a nuca.
– Eu tenho algumas coisas para lhe contar.. — Váli falou e pôs a mão sobre o ombro do irmão.
Váli começou a contar resumidamente sobre os últimos acontecimentos no palácio. A briga dos pais, o casamento de Hela, a gravidez e fuga da mãe e o desfecho quase trágico na casa de James. Entretanto, nada mencionaria sobre o passado dos pais. Não faria isso por Loki, mas sim por Aredhel que sempre fez de tudo para esconder tal fato. Ele estava certo de que encontraria o momento de convencê-la a revelar este fato e talvez outras verdades a ele e aos seus irmãos.
James e Eisa continuavam conversando sobre Hela. Ele revelou seu plano de fugir com a moça e de Aredhel os acompanhá-los.
– Então a mamãe não ama mais o papai? — ela perguntou incrédula.
– Pelo contrário.. Ela ainda o ama.. — ele afirmou – Mas depois de tudo o que aconteceu.. Aredhel está muito magoada e tem a certeza de que Loki não a ama mais. — revelou.
– O senhor, como amigo de mamãe, deve saber de mais detalhes sobre o que aconteceu naquela noite.. Quando ela foi embora.. Afinal o que mais aconteceu? O que a fez acreditar que ele não a ama mais? — estreitou os olhos.
– Eisa, não acho conveniente ficar falando de algo que só diz respeito aos seus pais e que sua mãe me confidenciou. — Jim rebateu meio impaciente – Aredhel nunca quis envolver vocês nos problemas dela com o Loki.. — esclareceu.
– Quem é Astrid? — ela perguntou repentinamente com o semblante carregado.
– Eisa... — ele murmurou em tom severo e passou as mãos pelos cabelos – Eu gostava mais do tempo que você evitava ler nossos pensamentos. — disse seriamente.
– Aquela vagabunda! — exclamou a moça ao vasculhar novamente os pensamentos de James – Ela vai pagar caro pela audácia! — rosnou e saiu correndo da sala de cura.
– Eisa! — James gritou.
No quarto, às lágrimas, Aredhel olhava para o esposo temendo a reação que ele teria. Estava determinada a se humilhar para garantir a vida de seu amigo e que não seria separada de seu bebê. Confiava que James conseguiria fugir com Hela, sendo assim iria assegurar que Loki não fosse atrás dele. E mesmo tendo que suportar os maus-tratos do marido e suas traições, faria de tudo para poder ver seu filho crescer.
Loki assistia sem reação a esposa começar a se despir. Tudo o que ele via nos olhos dela era medo. A mulher que Loki observava diante dele era apenas uma sombra da Aredhel que um dia ele conheceu. Seus olhos passaram pelo curativo recente na testa dela e pousaram na velha cicatriz que ela tinha no pulso. Os olhos dele marejaram. “Eu a machuquei novamente”, lamentou. Piscou os olhos lentamente lembrando das últimas discussões que eles tiveram. “Posso não tê-la matado fisicamente dessa vez.. Mas a matei por dentro..”, amargurou-se em pensamentos.
Ele agarrou os pulsos dela repentinamente, viu-a cerrar os olhos apertado e largar a própria roupa. Loki percebeu que ela tremia visivelmente com medo dele. Ele trancou a mandíbula e uma lágrima solitária desceu por seu rosto. “Eu a perdi..”, concluiu em seus pensamentos. Loki a largou, levantou-se em um átimo e saiu marchando furiosamente em direção à porta.
– Loki, espere! — ela pediu voltando a fechar o vestido – Não o machuque! Por favor! — gritou enquanto se levantava.
O rei de Asgard abriu as portas e encontrou Fenrir e Váli conversando. Ele passou pelos filhos velozmente e, ao alcançar o corredor seguinte, deu um berro de frustração. Aredhel chegou à porta do quarto chorando nervosamente e Váli a amparou.
– Mãe, o que houve? — o rapaz perguntou preocupado.
– Loki.. Ele.. Ele vai matar o Jimmy.. — soluçava – Por favor, filho.. Vocês têm que impedi-lo.. Não.. Deixem que.. Ele o machuque... — tropeçava nas palavras.
– Mãe, tente se acalmar.. — Váli falou angustiado – Isso vai fazer mal ao bebê.. — lembrou – Vá, Fenrir! Eu fico com a mamãe! Vá atrás do papai e evite que ele faça alguma besteira! — disse exasperado.
Fenrir anuiu e saiu correndo atrás do pai. Váli conduziu Aredhel de volta ao quarto e ficou tentando acalmá-la.
Do outro lado do palácio, Eisa abriu as portas da cozinha com violência. A jovem bufava de raiva e seu estado alterado deixou os servos do local confusos e assustados.
– Onde está Astrid? — ela perguntou em alto e bom som.
– Er.. Ela está na área de lavagem das roupas, princesa. — disse Liv.
Eisa fechou as porta e seguiu marchando forte até a área de serviço do palácio. Ela entrou no local e sorriu ao ver que Astrid estava sozinha, dobrando os lençóis com muita má vontade. Eisa parou diante da serva e cruzou os braços.
– Princesa.. — Astrid murmurou, dando um sorriso cínico – Em que posso servi-la? — fez uma reverência exagerada.
A filha caçula de Loki, avançou sobre a moça e puxou-a pelos cabelos. Astrid gritou e agarrou o braço de Eisa tentando se soltar.
– Sua vagabunda! Então é com você que meu pai traiu minha mãe! — rosnou Eisa.
Astrid arregalou os olhos e percebeu que estava encrencada.
– Eu não tive culpa! — choramingou a jovem de olhos verdes – Foi seu pai quem me agarrou.. Eu não podia fazer nada.. — mentiu.
Eisa fuzilou a moça com o olhar, enquanto lia a mente dela.
– Sua mentirosa! — Eisa gritou e deu uma bofetada em Astrid.
A serva caiu no chão e olhou assustada para a princesa.
– Ele te rejeitou! Mandou você ir dormir! Mas quando você viu a minha mãe no corredor, você o agarrou e o beijou a força! — Eisa berrou.
Astrid já tinha ouvido falar as habilidades da jovem princesa, mas nunca levara muito a sério. Agora temia que todos seus segredos fossem revelados.
– Sua ingrata! — Eisa gritou — Mamãe lhe acolheu e como você a paga? Com traição! — bradou e agarrou Astrid novamente pelos cabelos – A sua ambição será sua ruína! — levou uma das mãos à boca da jovem – Vai pagar muito caro pelo beijo que deu em meu pai e pelo sofrimento de minha mãe! — disse entredentes.
A serva começou a se debater desesperadamente ao perceber o calor que emanava da mão da princesa. Eisa abriu um sorriso maligno e aproximou os lábios do ouvido de Astrid.
– Vai ser difícil até comer com esses lábios, que dirá beijar.. — sussurrou.
O pavor era palpável nos olhos de Astrid. O calor se intensificou e um grito abafado se fez ouvir no local. Lágrimas desceram pelo rosto da serva. Eisa largou a moça e assistiu, impassível, Astrid desabar em um choro compulsivo. Astrid se arrastou até a beirada de uma dos tanques do local e jogou água em seu rosto desesperadamente. Ela parou por alguns instantes e viu sua imagem refletida na água. E com horror, Astrid berrou ao ver as marcas deixadas pelos dedos de Eisa em seus lábios e em parte de suas bochechas. Pareciam ter sido feitos com ferro em brasa.
Algumas servas entraram no local após ouvirem o grito de Astrid e ficaram estarrecidas com a cena que encontraram.
– Que sirva de lição a você, Astrid, e de exemplo à todas que pensarem em se aproximar de meu pai! — Eisa falou alto – Para a próxima que se engraçar com meu pai, o castigo será bem pior! — ameaçou e retirou-se do local.
Narfi, Igor, Wagner e Katarina chegaram ao palácio e rumaram apressadamente atrás de informações. Foi com alívio que os quatro avistaram James vagando pelos corredores.
– Papai! — gritou Katarina correndo na direção dele.
– Kat, Wagner! — James falou ao ver os filhos.
– Ficamos preocupados. Soubemos que o tio Loki tinha ido atrás de vocês por conta de um mal-entendido e quando vimos o sangue lá em casa pensamos no pior. — disse Wagner.
– O que foi isso no seu rosto, pai? — Kat questionou apontando para o curativo.
– Uma discussão que tive com o Loki. — deu um sorriso fraco – Mas já foi resolvido. — falou rapidamente.
– Graças a Deus o senhor está bem, pai.. — disse Wagner passando uma das mãos pelos cabelos.
– E a mamãe? — Narfi interferiu aflito.
– Ela teve dois ferimentos, mas está bem. Não foi nada grave. E o bebê também nada sofreu. — James falou rapidamente.
– Papai machucou a mamãe? — assustou-se Igor.
– Acho melhor vocês perguntarem isso para ele.. — Jim cortou.
– Eu vou atrás dele.. — disse Igor saindo.
– Onde está a madrinha? — perguntou Kat.
– Está no quarto dela e Váli está com ela. — informou. — Vocês viram Eisa? — perguntou afobado.
– Não.. Acabamos de chegar. — respondeu Wagner – Aconteceu algo com ela? — franziu a testa.
– Não.. Eu só preciso falar com ela. — comentou James.
– Eu vou com o senhor procurá-la. — anuiu Wagner.
– Eu vou ver a mamãe. — disse Narfi.
– Vou com você, Narfi. — Kat o seguiu.
Loki entrou em um dos muitos salões do palácio e começou a andar de um lado para o outro nervosamente. Tentava encontrar uma solução para o grande problema que tinha diante de si. Estava decidido a reconquistar a esposa. Ele a amava e faria de tudo para merecer seu perdão e ter o seu amor novamente.
– Eu não posso perdê-la.. Não posso.. — murmurava para si.
– Então é aqui que o senhor está.. — Fenrir disse atrás de Loki.
O pai olhou para o rapaz e bufou impaciente.
– O que você faz aqui? Quero ficar sozinho. — Loki foi ríspido.
– Eu só vim ver se o senhor não iria fazer algo contra o tio Jim.. — rebateu Fenrir — O senhor deixou a mamãe desesperada. O que o senhor disse a ela? Eu não vou deixar que o senhor machuque o tio Jim. — disparou a falar.
– Basta! — rosnou Loki – Eu não consigo pensar em nada com você tagarelando no meu ouvido. Não vou fazer nada contra aquele.. — parou e olhou para o filho – É isso.. Vou consertar o que fiz. É o que ela queria. — falava sozinho – Isso é uma afronta! — esmurrou a mesa – Serei obrigado a fazer algo que não queria! — gritou e passou as mãos pelos cabelos.
– Mas do que o senhor está falando? — Fenrir franziu o cenho.
– Eu vou ter que conversar com Hela.. — Loki disse entredentes — Revelar a verdade sobre James e Aredhel. Dizer que o beijo que aconteceu entre eles foi sob o comando de Thanos. Que fizeram isso contra a vontade. Enfim.. — bufou – Vou ter consertar as coisas entre Hela e James. — disse contrariado – pelo menos por enquanto.. — falou em um tom quase inaudível.
– Vai mesmo? — o rapaz fitou o pai incrédulo – Tio Jim vai ficar tão feliz. E Hela vai desistir desse casamento absurdo. — comentou.
– O casamento.. — Loki murmurou de repente e saiu correndo.
Loki seguiu correndo até alcançar o quarto da filha e abriu a porta com estrondo. Uma serva que limpava os cacos de vidro do chão se assustou com a invasão.
– Onde está Hela? — ele perguntou sem perder tempo.
– Meu rei, a princesa deixou o palácio já faz algumas horas. — disse a jovem.
– Mas ela partiria somente à noite! — Loki exasperou-se.
– Bem.. Pelo que sei ela pediu para ir mais cedo. — informou a serva – Lembro de ouvi-la dizer que não suportava mais ficar aqui. — contou.
– Por Helheim! — rosnou Loki – Ela estando lá ficará mais complicado resolver tudo isso. Inclusive cancelar o casamento. — resmungou.
O rei de Asgard deixou o quarto de Hela e seguiu pelos corredores. No caminho esbarrou com James e Wagner.
– James.. — sibilou Loki.
– Loki.. — Jim inclinou a cabeça e encarou Loki com seriedade.
Loki estreitou os olhos, inspirou o ar lentamente e ergueu a cabeça, tentando tomar coragem para falar o que estava engasgado em sua garganta.
– Você realmente tem interesse em Hela? — Loki perguntou de supetão.
James encarou Loki boquiaberto por alguns instantes.
– Sim.. — Jim disse em um fio de voz – Eu a amo.. — afirmou.
Loki engoliu seco e rangeu os dentes. O que estava prestes a fazer era, para ele, uma grande humilhação.
– Então vá atrás dela.. — Loki disse com dificuldade – Ela já partiu para Alfheim há algumas horas. Já deve estar no palácio. — James abriu a boca incrédulo e continuou – Sabe ficar invisível? — viu o loiro anuir – Vai precisar disso para entrar em segredo no palácio. Se o descobrirem lá, podem até matá-lo. — alertou — Pegue Sleipnir, assim chegará logo e também poderá fugir de lá com rapidez. — explicou.
James olhou para Wagner, que também estava estático sem acreditar no que ouvia, e depois para Loki novamente.
– Vá! James! Vá atrás de Hela! — gritou Loki.
Jim saiu correndo. Ainda não compreendia a mudança de Loki, mas aquilo já não era tão importante. O primordial era resgatar sua amada do palácio de Alfheim.
Aos tropeços, James chegou às baias e com facilidade montou Sleipnir. O animal nem chegou a protestar o novo cavaleiro. Parecia até que compreendia a urgência da situação. Finalmente tudo parecia estar dando certo. O coração do ator parecia que iria sair pela boca de tanta excitação. Jim mal podia acreditar na mudança repentina de sua sorte. A felicidade sorria para ele.
Em uma velocidade absurda, ele logo alcançou a Bifrost e, em segundos depois, já cavalgava nas estradas de Alfheim. James cavalgava com um sorriso bobo no rosto. Sonhava que logo ele esclareceria tudo com Hela e finalmente ela seria sua novamente.
Ao se aproximar do palácio James apeou do cavalo e, invisível, invadiu o local sorrateiramente. O local era enorme e levaria horas para encontrar sua amada. Entretanto, para sua sorte, os servos não falavam em outra coisa, senão da chegada da princesa de Asgard. Ouvindo a conversa alheia, ele rapidamente descobriu onde ficava o quarto de Hela.
Caminhando apressadamente, ele chegou à porta do quarto e, na empolgação, esqueceu-se de bater antes de entrar. A vontade de vê-la era maior que qualquer coisa. Ao abrir a porta ele a viu de pé no meio do quarto. Parecia estar terminando de beber algo de um pequeno frasco em sua mão.
– Hela.. Meu amor.. — Jim a chamou, ficando visível.
A bela moça, com o susto, acabou engolindo todo o líquido que havia derramado em sua boca.
– Jimmy.. — ela murmurou olhando para ele e em seguida desviou os olhos para o pequeno frasco que havia na mão.
James olhou demoradamente para ela e depois para o vidrinho. Com descrença, ele entendeu o que estava acontecendo. Seu coração chegou a falhar diante da possibilidade que passava em sua mente.
– Hela, o que você fez? — ele perguntou com a voz embargada.
– Eu sinto muito, Jimmy.. — Hela disse baixinho e franziu o cenho – Eu te amo.. — declarou em um fio de voz e com lágrimas descendo pelo rosto.
Hela começou a cambalear e Jim correu para ampará-la. Ele a segurou em seus braços e fitou-a com os olhos marejados.
– Não, meu amor.. Não.. — ele murmurava em desespero – O que você tomou? — gritou.
Ela não respondeu. Foi ficando sonolenta e aos poucos perdia a consciência.
– Não faça isso comigo, por favor! Eu te amo! — Jim a sacudia – Fique acordada, meu amor! Fique comigo! Por favor.. — implorou em meio às lágrimas e encostou a fronte na dela – Por favor.. — pediu em um sussurro.
A jovem cerrou os olhos, desfalecendo nos braços de James.
– Hela! — ele gritou e a abraçou – Não! — berrou desesperado.
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