Asgard Dirty Secrets

36 I'm a cold heartbreaker, fit to burn and I'll rip your heart in two


Notas iniciais
* I'm a cold heartbreaker, fit to burn and I'll rip your heart in two = Eu sou um frio despedaçador de corações, pronto para queimar e eu vou partir seu coração em dois - Trecho da música "You could be mine" do Guns N' Roses. Depois de todo esse tempo... Voltei... Explicações... Perdoem a demora, mas como vocês sabem, eu ando sem tempo para escrever e agora para completar, estou com uma gata nova em casa, Hela... Com a adaptação e mordidas à parte, consegui finalizar este capítulo... Espero que gostem... Já temos tretas novas começando, outras à vistas... enfim.. do jeito que vocês gostam... Sobre o capítulo... Ah... Creio que o título dá a dica do destaque deste... Boa leitura... Na capa, ele... Igor...

Momentos antes, em Alfheim…

Hela deixou o salão às pressas indo em direção ao banheiro. Assim que entrou, fechou a porta e o trancou. De uma das cabines, saiu Ness, suando frio e caminhou até a pia, onde lavou a boca. As duas se olharam e Hela desfez a ilusão. Ness era na verdade Hela e vice-versa.

— Ainda enjoada? — indagou Ness, oferecendo uma toalha.

— Sim... — pegou a toalha e enxugou o rosto pálido. — Acha que é fácil fazer magias desse tipo? — olhou a outra e sorriu. — O vestido ficou lindo em você...

A serva alisou a saia do vestido de cor lavanda e sorriu timidamente.

— Obrigada pela oportunidade...

— Apesar disso servi aos meus propósitos — Hela se encostou na bancada —, ainda acho que isso não foi uma boa ideia. Ele não a ama... — viu a outra baixar os olhos. — Bem, ele preferiu casar comigo por birra... Então por que continuar se iludindo? Por que se casar com ele no meu lugar?

— Eu só queria saber como seria... — meneou a cabeça. — Foi tudo tão lindo... — ergueu a cabeça e encarou a princesa. — Se estivesse no meu lugar... Se fosse o senhor James, você não tentaria?

Hela abriu a boca para negar, mas preferiu se calar. Seria hipocrisia de sua parte condenar Ness. A princesa passara anos correndo atrás de Jim e o vendo se esquivar de suas investidas. No final, ela conseguiu conquistá-lo por persistência, disso não tinha dúvidas, ainda que não tivesse alcançado seu final feliz.

— O que pretende fazer em relação à noite de núpcias? — Ness indagou repentinamente, trazendo Hela de volta à realidade.

— Obviamente vou me recusar... Ainda mais agora que sei que ele não me forçaria — deu de ombros.

Hela ponderava que provavelmente colocaria todo seu sacrifício por água abaixo se Eric tentasse consumar o casamento. Não conseguia se imaginar aceitando que ele a tocasse, que dirá ter relações com ele.

— Hum... Bem... Se você quiser, com sua magia, eu... Bem... — Ness murmurou.

— Você não está sugerindo... — arregalou os olhos e não conseguiu completar a frase.

— Ele vai me procurar hoje... — disse serenamente. — Quando você se recusar, ele vai me procurar... Sei disso...

— Pelos deuses... — bufou. — Onde está seu amor-próprio?

— Quando não se tem nada — a jovem se fitou no espelho e disse inexpressivamente —, a gente se agarra ao pouco que consegue... Ele gosta de mim, eu sei... Só não gosta o suficiente para passar por cima de suas ambições...

Agarrar-se ao pouco que tinha. Hela sabia muito bem o que era isso. Ainda que soubesse que não poderia ficar com James, aproveitou cada oportunidade, cada migalha que conseguiu desfrutar da companhia dele. Seus momentos felizes seriam seu único alento para prosseguir naquele casamento infeliz.

— Se você diz... — Hela meneou a cabeça. — Você tem certeza de que quer isso? — encarou-a através do espelho.

— Tenho — afirmou sem pestanejar.

— Vamos dar um tempo... — crispou os lábios. — Ele estranharia se eu repentinamente o aceitasse. Vou fingir que me conformo com o casamento e aos poucos cederei. Depois fazemos a troca... Só tenho que ver onde vou ficar — fez um careta. — Quanto mais longe de você, mais energia tenho que usar para manter a ilusão.

— Isso significa que... — olhou-a pasma.

— Que provavelmente terei que me esconder no armário — revirou os olhos.

— Oh... — corou a outra.

— Vamos... Precisamos logo trocar de roupa. Ainda tenho que dançar com um monte de gente — resmungou impaciente.

— Bem, nisso eu realmente não posso lhe substituir. Não sei dançar.

— Depois eu lhe ensino — balançou a mão. — Mas antes terá que aprender a falar e agir como uma princesa, já que pretende se passar por mim mais vezes.

— Ah, mas no que vou substituí-la, não precisa necessariamente agir como uma princesa — riu.

— Poupe-me desses detalhes... — fez uma cara de nojo.



≈≈



O jantar foi servido e logo começou o baile. O casal recém-casado, foi até o centro do salão e fez a primeira dança. Hela agiu com altivez e fez o papel de noiva feliz de forma primorosa. Em seguida, a pista foi liberada para os demais convidados. Após dançar com o marido e o sogro, Hela também dançou com seus irmãos e amigos.

— Hela — começou Siegfried enquanto dançava com a amiga —, sei o quanto ficou magoada com a possibilidade de Jim ter sido apaixonado por sua mãe, mas não entendo como esse amor todo acabou de uma hora para outra.

— Era uma paixão nascida de um sonho infantil... — mentiu. — O amor que eu tinha por ele...

— Pare — ele ergueu uma das sobrancelhas. — Essa conversa não funciona comigo. Seus irmãos e seus pais podem ter acreditado nisso, mas eu não caio nessa — encarou-a seriamente. — Eu lhe conheço muito bem... Apesar desse sorriso no rosto, posso ver em seus olhos que não está feliz. Você e Váli são meus melhores amigos. Sempre fui seu confidente. Conte a verdade...

Ela encarou o amigo e teve vontade de chorar. Tudo aquilo era verdade. Siegfried sempre fora seu fiel amigo e sabia de quase todos os seus segredos.

— Confie em mim... — ele insistiu.

— Sieg... — ela olhou para os lados.

— Vamos procurar um lugar mais reservado — sugeriu. — Lá conversaremos.

Hela anuiu e os dois deixaram o salão sorridentes, pegaram uma taça da bebida que era servida e caminharam despreocupadamente até a sacada do salão. Ela se apoiou no parapeito e exalou o ar lentamente. Siegfried recostou-se na parede contrária e aguardou em silêncio.

— Antes de eu falar qualquer coisa, preciso que me prometa que não vai contar nada a ninguém e tampouco deixará que Eisa possa ler em sua mente — ela disse fitando a floresta escura que havia abaixo.

— Então eu tinha razão... — cruzou os braços e se aproximou dela.

— Prometa — exigiu.

— Tem a minha palavra — afirmou. — Sabe que nunca revelei seus segredos.

— Então vou lhe contar toda a verdade... — franziu o cenho.



≈≈



Do outro lado do salão, Rebecca estava sentada observando os casais valsarem pelo salão. Ela já havia dançado com seu irmão e Fenrir e agora se refrescava bebericando um suco. Estava distraída quando Narfi se aproximou dela.

— Becca — ele fez uma mesura rápida e estendeu a mão —, você me daria a honra de dançar comigo? — convidou.

A jovem lançou um olhar gélido ao príncipe.

— Prometo que será apenas uma dança. Não tentarei nada — murmurou com o rosto triste. — Sei que errei com você e quero me desculpar. Por favor... Dê-me uma chance... — manteve a mão estendida.

A jovem de cabelos loiros e olhos azuis ponderou pelo que pareceu uma eternidade para Narfi, até que finalmente pousou sua mão delicada sobre a dele. Ele sorriu abertamente e a conduziu até o centro do salão.

Começaram a dançar em silêncio. Ele a fitando com ternura e ela inexpressiva, sem se deixar envolver.

— Eu sinto muito... — Narfi murmurou. — Quando a beijei naquele dia, não foi com a intenção de ofendê-la ou fazer um show para os convidados — foi sincero. — Becca, acredite em mim... Estou apaixonado por você... Eu te amo.

— Narfi... — meneou a cabeça — Não comecemos com isso de novo e...

— Espere... — interrompeu-a. — Para provar que falo a verdade, tenho uma proposta para lhe fazer.

— Uma proposta? — arqueou uma sobrancelha, visivelmente descrente.

— Quero que seja minha namorada.

Ela deu um suspiro impaciente e ele voltou a falar.

— Mas não será um namoro convencional.

— Como assim?

— Bem... — ele apertou os lábios. — Vamos fazer do seu jeito. Seremos namorados à moda antiga. Mãos dadas, conversas e talvez alguns beijos... — viu-a abrir a boca. — Vamos... Pelo menos os beijos eu mereço.

— Enquanto isso você continua se deitando com todas as servas do palácio — fez uma careta.

— Não... Eu lhe prometo fidelidade — disse sério.

Ela riu descrente.

— Estou falando sério. Serei fiel a você — afirmou. — Não me aproximarei de nenhuma mulher enquanto estivermos namorando. Dou-lhe minha palavra. Seremos namorados e você decidirá se e quando teremos mais... intimidade.

— Sem pressões ou tentativas? — estreitou os olhos.

— Sem pressões. Eu saberei respeitar sua vontade.

Becca o encarou impassível por alguns instantes.

— Se me trair, nunca mais confiarei em você — foi séria.

— Não vou te trair... Não será fácil — sorriu de lado —, mas provarei a você que a amo.

Novo silêncio.

— Aceito ser sua namorada... — ela disse por fim.

Narfi sorriu e fez uma nova reverência assim que a música terminou.

— Creio que podemos selar o início de nosso namoro com um beijo — ele arriscou.

— Não tão rápido... — sorriu com cinismo. — Por enquanto, pode beijar minha mão, me acompanhar até meu pai e contar-lhe a novidade.

Ele deu um longo suspiro, beijou-lhe a mão e ofereceu o braço para a namorada.

— Seja feita a vossa vontade, milady... — Narfi sorriu e acompanhou-a na direção de Thor.

Em vez de fazer ameaças ao sobrinho ou proibir o namoro, Thor deu uma longa gargalhada ao ouvir os detalhes daquela proposta inusitada. Narfi fez uma careta.

— Você não passará da primeira semana, meu caro sobrinho — ria Thor. — Duvido!

Sif acompanhou o esposo e Rebecca lançou ao namorado um sorriso irônico.

— Minhas filhas têm personalidade forte. São difíceis de dobrar. Desejo-lhe boa sorte, Narfi — limpou as lágrimas de riso. — Vai precisar de toda a boa vontade dos nove reinos.

O jovem príncipe forçou um sorriso. “Que os deuses me ajudem...”



≈≈



O casal apaixonado, Váli e Sigrid terminaram de valsar e resolveram procurar um local mais sossegado. Encontraram abrigo próximo a uma das muitas saídas para a grande sacada do salão, ao lado de uma colossal pilastra.

— Vou pegar uma bebida para você — Váli roubou um beijo da namorada e saiu.

Sorridente, a jovem Sigrid se recostou na pilastra e suspirou, aproveitando a penumbra do local para se recompor.

— Eu acho isso um absurdo! — resmungou uma voz feminina próxima a Sigrid. — Imagine só, Váli, o príncipe herdeiro do trono de Asgard, dançando com uma serviçal — bufou.

Sigrid na hora percebeu que falavam dela. Ela se inclinou mais para a sombra da pilastra, temendo ser vista.

— No tempo do Odin isso não aconteceria — comentou outra mulher.

— Também pudera... — uma terceira baixou o tom de voz a quase um sussurro. — O que se poderia esperar dos filhos dele? Um passou anos ausente do reino o outro se casou com uma midgardian!

— Shhh... Fale baixo... — ralhou a primeira. — Todos sabem que nosso rei é louco por sua rainha e notoriamente impiedoso. Se ouvem isso, seriam capazes de nos acusarem de conspirar contra Asgard.

— Eu nem me importo que a rainha seja de Midgard — prosseguiu a outra. — Casamento entre reinos é algo comum. Não sabemos sobre a origem dela, mas duvido que o rei Loki, tão arrogante como é, tenha se casado com uma midgardian comum. Deve pertencer a uma família muito influente daquele reino. Agora aceitar a ralé se misturando com a família real já é demais.

— Verdade... Servir-se da criadagem é algo natural para muitos homens, mas trazê-la para nosso meio e desfilar com ela é uma acinte.

— De fato, muito vergonhoso. Para completar, ainda trouxe mais gentalha junto. Aquele rapaz que vi dançando com a princesa Hela se parece com a serviçal, creio que deve ser parente dela.

— Pensei que era um dos guardas do rei.

— Nada, se fosse teria vindo uniformizado como aquele belo Einherjar que dançou com a princesa Myria.

— Belo? Encantador! — suspirou. — Será que é namorado da princesa?

— Essa união eu aprovaria — deu um risinho baixo. — Chefe da guarda real e arrasadoramente lindo. Pelo que ouvi ele é filho da atual rainha de Vanaheim.

— Seria um casamento proveitoso. Mesmo não sendo filho do rei, seria uma união indireta dos dois reinos.

— Então o par da princesa Hela é um ninguém mesmo... — fez um muxoxo. — É o fim dos tempos! O jeito caridoso da rainha Aredhel acaba atraindo esse povo aproveitador. Aposto que a jovem está sonhando em se tornar rainha.

— Ah, mas isso jamais aceitaremos! Se o príncipe Váli fizer algo do tipo, enfrentará resistência de nossa sociedade.

— Eu seria a primeira a convencer meu marido a apoiar a ascensão do príncipe Narfi como futuro rei.

— Sim... Sim... Jamais aceitaremos uma rainha da plebe! O que teríamos depois? União com jotuns? — riu.

— Isso nunca aconteceria — riu junto. — Graças aos deuses, não há a menor possibilidade de nosso povo se relacionar com aqueles monstros. Agora, mudando de assunto... Eu não vi aquele parente do rei, só os filhos dele. Ele é o que mesmo do rei e do príncipe Thor?

— Parece que é primo... Mas é incrível a semelhança dele com o nosso rei.

— De repente, é um filho fora do casamento que Odin teve — disse com malícia.

— Não duvido!

As três mulheres riram sonoramente.

Sigrid, às lágrimas, se afastou do local. Não suportava mais ouvir tanto veneno ser destilado. Quando chegou às portas que davam para o jardim, a moça correu. Só parou de correr quando se viu cercada pela beleza dos jardins daquele palácio. Olhou ao redor e percebeu que pertencia àquele lugar tanto quanto pertencia ao palácio Valhala.

— Sou apenas a filha de uma serva... — soluçou baixinho ao se sentar no banco de um caramanchão.

— Oh, pobrezinha... — uma voz feminina se fez ouvir.

A ruiva limpou as lágrimas rapidamente e ergueu a cabeça. Viu uma jovem esguia e de cabelos escuros e curtos lhe fitando. Ao lado dela estava Týr.

— Senhorita Sigrid, aconteceu algo? — ele indagou ao se aproximar.

— É claro que aconteceu algo, irmãozinho... — a morena revirou os olhos. — Não vê que ela está chorando? Faça algo útil e ofereça um lenço a ela.

Atabalhoadamente, Týr puxou seu lenço e ofereceu a uma Sigrid aturdida.

— Perdoe a falta de tato de minha irmã, Nina — o rapaz sorriu sem graça —, mas é que as vezes ela é muito... — olhou de esguelha para a irmã — …franca.

— Claro — Nina balançou a mão —, de falsidade o mundo já está cheio. Eu estou aqui apenas representando a realidade — deu de ombros. — Sou sincera.

Sigrid olhou de um para o outro, sem saber o que dizer.

— Bem — Nina fez um muxoxo. — Nossa entrada repentina deixou a jovem sem fala. Vou buscar algo para você beber, querida. Já que vocês se conhecem, talvez fique mais à vontade de conversar com ele — arqueou uma sobrancelha. — Prometo demorar... — balançou a mão debilmente, enquanto se afastava.

Týr se sentou ao lado de Sigrid e olhou na direção do outro lado jardim.

— Sutileza não é uma das características de Nina — ele riu sem encará-la.

— Pode ser — murmurou a ruiva —, mas, pelo menos, é sincera.

— Isso com certeza ela é... — balançou a cabeça. — Ela também costuma dizer que sou um bom ouvinte e amigo. Bobo — riu —, mas bom... Então se quiser falar... — finalmente a olhou.

Sigrid o fitou e deu um sorriso tímido.



≈≈



— Você ficou louca, Hela! — grunhiu Siegfried inconformado. — Essa ideia é suicida! Você não pode aceitar essa chantagem! Pelos deuses! Seu pai, sua família, nós todos lutaríamos e acabaríamos com Eric, o pai dele e — olhou ao redor — esse reino todo! Se é guerra o que ele quer, que tenha!

— É exatamente isso que estou tentando evitar, Sieg! — sibilou Hela, puxando o amigo mais para o canto da varanda. — Sabe que não seria fácil, Alfheim conseguiria o apoio dos demais reinos em um estalar de dedos. Todos temem e repugnam os jotuns. Papai não teria o apoio nem de Jotunheim, todos o odeiam lá. E depois da confusão que papai já causou em Midgard, duvido que alguém nos prestasse algum socorro. Ainda que tivéssemos a ajuda do tio Tony, tio Banner e do Capitão... — deu um suspiro triste. — Só custaria a vida de mais pessoas... Minha família é muito poderosa, mas isso não garantiria que não teríamos perdas de nosso lado.

— Se alguém morrer, você pode trazê-lo de volta — tentou argumentar.

— E se mais morrerem? Sabe das limitações de meus poderes! Eu não consigo trazer de volta a vida mais de uma pessoa por dia e nunca consegui ressuscitar o mesmo ser duas vezes, você sabe disso.

Ele a encarou com aflição e a impotência evidentes em seus olhos. Trincou os dentes com raiva e deu um murro no parapeito da sacada.

— Lady Aredhel e James... — Sieg murmurou com raiva.

"E meu pai", ela completou em pensamentos.

— Se algo acontecer a eles, eu não poderei... — a voz dela morreu. — Em uma guerra não há garantias... — seus olhos se encheram de lágrimas. — Eu prefiro fazer qualquer sacrifício a correr o risco de perdê-los.

— Então é isso... — fitou-a. — Passará o resto da vida ao lado de Eric por causa dessa chantagem? E quando ele fizer novas exigências? Chantagistas sempre querem mais! — bufou irritado.

— Não pretendo ficar ao lado dele por muito tempo. Eu só preciso descobrir se mais alguém sabe do segredo e quem contou isso a ele. Assim que tiver essas informações, me livrarei deles — afirmou com frieza.

— Hela, se você o matar, será condenada à morte — rebateu alarmado. — Nem mesmo seu pai poderá passar por cima das leis de outro reino. Não sem causar uma guerra — alertou.

— Eu sei... — meneou a cabeça. — Mas se eu aceitar a minha pena, meu pai não terá alternativa a não ser se conformar com minha sina.

Siegfried cerrou os olhos com força e suspirou.

— Por Odin! Você poderia fugir, tentar se salvar.

' — Oh, Sieg... — ela o abraçou. — Não há salvação para mim...



≈≈



A festa prosseguia e, a esta hora, Loki já deveria estar chegando a Valhala, enquanto seus filhos desfrutavam da festa de casamento em Alfheim. Eisa tinha até exagerado na comemoração, o que a fez ter de retornar para casa mais cedo.

— Ah, Wawa — Eisa disse com a voz arrastada —, já que vamos para casa e o caminho é longo — sorriu com malícia —, poderíamos fazer alguma coisa... — passou a mão pelo peito do rapaz.

Wagner engoliu em seco quando a mão da jovem começou a descer por sua barriga.

— O que acha? — ela insistiu deslizando a mão pela coxa dele, circulando sua masculinidade.

— Eisa — ajeitou-se no banco da carruagem flutuante —, você bebeu demais e não está em condições de fazer ou decidir nada — afastou a mão dela.

— Eu bebi só um pouquinho a mais... — estreitou os dedos debilmente e deu um soluço.

Ele se limitou a rir. Repentinamente, a princesa se atirou no colo do rapaz e o beijou. Bêbada, beijava-o de forma desajeitada, mas voraz. Wagner levou uma mão até o bumbum da jovem e a segurou com firmeza, enquanto ela enroscava os braços em seu pescoço e enfiava os dedos em seus cachos dourados. Murmurando seu nome, ela deixou seus lábios e escorregou a cabeça até apoiá-la no ombro dele. Com a outra mão livre, ele a pôs sobre as costas da namorada, evitando que caísse.

— Vamos Wawa... — começou a rebolar no colo dele. — Eu sou virgem, mas não quero ficar assim pelo resto de meus dias...

Mordendo os lábios inferiores, Wagner conteve um gemido. Sua excitação já latejava na calça. A sua vontade era rasgar o vestido de Eisa até a cintura, encaixá-la em seu membro e possuí-la ali mesmo.

Ela se movia de forma quase preguiçosa em seu colo, oscilando entre a consciência e inconsciência. “Não posso fazer isso. Não desse jeito”, ele ponderou. Respirou fundo e a retirou de seu colo.

— Faremos isso em breve, meu amor... — sussurro ao ouvido dela. — Mas em outra ocasião.

— Você não me quer? — a testa dela se franziu, enquanto suas pálpebras tremulavam, lutando contra a exaustão.

— Claro que quero e como! — disse com veemência. — Mas faremos isso quando estiver mais consciente e puder desfrutar melhor o momento. Amanhã mesmo falo com a madrinha e o padrinho sobre nosso namoro. Então... — aproximou os lábios da orelha dela. — Eu a farei minha... — afirmou com voz sedutora.

≈≈



Enquanto Eisa e Wagner estavam a caminho de casa, outro casal já estava em Valhala. Igor abriu a porta de seu quarto e estendeu a mão para que Katarina entrasse. A moça tropeçou e ele a amparou. Ela ergueu a cabeça, meio desajeitada e lhe ofereceu um sorriso lânguido. Estava irremediavelmente embriagada.

— Fique aqui... — ele a acomodou, sentada em sua cama. — Vou pegar algo para bebermos — beijou-lhe a fronte.

Kat tentou fazer foco, mas os efeitos do excesso de bebida não ajudavam. Ela passeou os olhos pelo quarto. Era a primeira vez que entrava no quarto de Igor. Na verdade, era a primeira vez que entrava no quarto de um homem que não fosse seu pai, irmão ou de seus padrinhos.

Como todos os quartos do palácio, o local era grandioso, decorado com detalhes dourados, mas com cores e tecidos bem masculinos. Um lençol de seda negra cobria a enorme cama.

Igor retornou com duas taças e entregou uma à Kat.

— Eu não sei... — ela fitou a taça em sua mão. — Acho que já bebi demais... — deu um soluço e riu sem graça. — Acho melhor ir para meu quarto e... — começou a se levantar.

— Não, meu coração... — aproximou-se e a fez sentar de novo. — Eu quero ficar mais algum tempo com você. Afinal, não foi você quem se queixou de não ter lhe dado mais atenção lá na festa? Agora, estou querendo ficar algum tempo com você e já quer ir embora? — deu um gole de sua taça e indicou com a cabeça que ela fizesse o mesmo.

Ela deu um gole grande e rápido. Ele a serviu novamente.

— Bem... — a jovem balançou a cabeça com vigor. — Você só dançou uma vez comigo e mal nos falamos — entristeceu-se.

— Minha querida — tocou o rosto dela —, além de dançar com minhas irmãs, eu tinha que ajudar Váli representar a família. Mamãe misteriosamente nem ficou para o casamento e papai, veio atrás dela assim que terminou a cerimônia. O resto de nós tinha o dever de seguir as formalidades. Além do mais, ainda não tive oportunidade de falar sobre nosso relacionamento. Temos que manter as aparências, por enquanto — crispou os lábios. — Seu pai não deve estar com cabeça para me ouvir falar de nosso namoro e meus pais... Enfim... — ergueu os ombros.

— Tem razão... — ela murmurou, cambaleando um pouco. — Papai deve estar arrasado. Nem quis nos ver hoje... — deu um novo gole na bebida.

— Falarei com nossos pais com calma... — sentou-se ao lado dela. — Não temos pressa, afinal, estamos juntos. É isso que importa, não é? — ergueu o rosto dela para que o fitasse.

Um sorriso débil brincou no rosto de Katarina e ela anuiu. Aquele sorriso, mexeu com Igor. “Tão doce e tão inocente, mas a farei minha”, estava decidido. Depois de ver Eisa e Wagner juntos o tempo inteiro na festa e de vê-los se esgueirando para o jardim, seu sangue ferveu. A animação evidente da “irmã” e o sorriso no rosto de Wagner, fizeram a imaginação de Igor navegar por mares obscuros. Em sua mente mergulhada no veneno do ciúme, ponderava que àquela hora Eisa já havia se entregado ao jovem.

Imaginar Wagner tocando a pele imaculada de Eisa, ouvindo seus sussurros, invadindo-a e tomando para si sua inocência, o transtornou. Decidiu que naquela noite também seduziria Katarina e a desvirginaria.

Igor esperou que Kat virasse o resto da bebida e retirou a taça de suas mãos, depositando na mesa ao lado da cama. Com a ponta dos dedos, ele acariciou a pele macia da face dela e viu-a enrubescer.

— Minha bela Kat... — disse baixinho, passando o dedo indicador pelos lábios dela.

Ela piscou longamente, aproveitando a carícia. O rapaz levou a mão até a nuca dela e a puxou para si, selando seus lábios. Como o esperado, ela cedeu sem nenhuma resistência àquele beijo. Quando a outra mão dele subiu da cintura dela e acariciou o seu seio por sobre o tecido fino do vestido, ela se entregou por inteiro e gemeu entre os lábios de Igor. Enuviada pelos efeitos do álcool e devastada pelo beijo e toques dele, ela mal sabia dizer onde estava, que dirá decidir se deveria ou não se entregar a ele.

Mal ele dera espaço para ela respirar, Kat viu-se deitada sobre a cama, enquanto a boca e as mãos dele a levavam à loucura. Igor era habilidoso, já tinha experiência com outras mulheres, então sabia como incendiá-la. Os lábios dele aqueciam e arrepiavam a pele do colo dela, encaminhando-se gradualmente para o decote de seu vestido e com uma das mãos ele subia o longo vestido dela, massageando com firmeza suas pernas e coxas.

Apesar dos motivos errôneos, Igor não podia negar que se sentia atraído por Katarina. A moça era bonita e mexia com ele de uma forma que não conseguia determinar. Definitivamente, não era apenas algo físico e movido por vingança, mas naquele momento Igor também parou de pensar.

Apressadamente, ele abriu os botões do vestido de Katarina, desnudando-a. Arfou quando viu o corpo delgado e alvo dela.

— Você é linda... — balbuciou estarrecido, levando a mão até um dos seios dela e alisando o mamilo intumescido.

Ela sorriu, corando violentamente e em seguida o beijou, agarrando os ombros fortes dele. O beijo era um misto de paixão e inexperiência. Encorajada pela bebida, ela se mostrou desinibida ao começar a despi-lo e alisando o seu peito forte. Em um átimo, Igor se desfez de sua roupa. A esta altura, Kat já estava sonolenta, lutando para manter os olhos abertos e admirá-lo.

— Oh... — os olhos dela se arregalaram ao vê-lo rijo por ela.

Igor aninhou-se entra as coxas dela, beijou-lhe o ventre e lambeu a beirada de sua calcinha, enquanto a baixava lentamente. De olhos fechados, Kat arfou quando ela sentiu a língua dele massagear seu ponto de prazer. A sensação foi tão abrasadora que, mesmo quase inconsciente, ela arqueou o corpo, levantando o quadril na direção dele. Ele a saboreou com gosto, deliciando-se com os gemidos dela.

Ainda que não soubesse com clareza o que estava acontecendo, Kat contorcia-se na cama pelo prazer que lhe era proporcionado. O calor aumentava e sua respiração acelerava a medida que ela se aproximava de um abismo. Tudo naquilo era novo, mas arrebatadoramente excitante. Nunca havia experimentado nada parecido. Na verdade, tímida e retraída, Katarina nunca havia ao menos tentado se descobrir como mulher. Um mundo desconhecido se descortinava à medida que uma onda crescia dentro dela e ameaçava quebrar em uma praia imaginaria. Algo parecia prestes a transbordar, embora não soubesse definir. Então, agarrando os lençóis negros com força, ela despencou naquele êxtase e chamou por Igor em alto e bom som.

Ele sorriu satisfeito ao ouvi-la. Embora o objetivo maior fosse prepará-la para seu próprio prazer, fez bem ao ego dele, sabe que a tinha satisfeito. Impaciente e terrivelmente excitando, Igor subiu distribuindo beijos esparsos pelo corpo dela e com os joelhos a forçava abrir-se mais para ele. Apertou seu membro contra a coxa dela e levou os dedos até a sua feminilidade, introduzindo um deles com calma. Sentiu-a estremecer embaixo de si e mordeu os lábios. “É muito apertada”, desesperou-se. Era a primeira vez que estava com uma virgem e, mesmo desejando tomá-la por motivos nada nobres, não queria machucá-la. Resolveu ser franco quanto a situação.

— Vai doer um pouco, coração... — disse sôfrego, posicionando-se à sua entrada estreita.

— Eu sei... — ela deu um sorriso preguiçoso. — Confio em você... — tocou o rosto dele. — Eu te amo, Igor... — a mão caiu sobre a cama e fechou os olhos.

Igor prendeu a respiração. Não esperava por aquela declaração. Todavia, ele já havia ido longe demais e não tinha volta. Em vez de responder àquela confissão com uma mentira, ele preferiu se omitir, beijando-a com ardor e a penetrando de uma só vez. Com o susto e a dor, ela resfolegou, agarrou os ombros dele e o apertou com as pernas, tendo seu grito abafado por seu beijo.

Ele ficou imóvel dentro dela, esperando que a dor pelo menos diminuísse, enquanto a beijava e dizia palavras doces. Quando sentiu as pernas de Kat se afrouxarem em sua cintura, começou a se mover lentamente. Ela era perfeita. Quente, apertada, úmida e apaixonada. Os gemidos baixos da jovem e o prazer que sentia, o fizeram se perder.

Logo, ele já movia os quadris em um ritmo frenético, dando estocadas profundas em sua busca desenfreada por alívio. Katarina gemia seu nome, agarrada aos seus ombros, embalada pelo frenesi do momento. Ela lhe oferecia tudo de si, mas ele queria mais. Explorou o corpo dela de forma famigerada. Beijando-a, sorvendo-a e tomando-a por inteiro. Em pouco tempo, os dois pareciam prestes a derreter e se fundir no calor de seus corpos.

Sentindo a chegada de seu orgasmo, ele debruçou-se mais sobre ela, agarrou suas nádegas e forçou-a a se abrir mais para si, arremetendo com força. Não sabia dizer se ela estava próxima ao ápice, mas não importava, não podia esperar por ela. E com o pensamento de que já a havia feito gozar anteriormente, ele não se conteve mais e se diluiu dentro dela, deixando seu peso desabar sobre Kat.

Assim que sua respiração se regulou, ele se ergueu e a fitou. Katarina adormecera e ressonava docemente em seus braços. Ele saiu de dentro dela e viu um pouco de sangue sobre si. O sangue dela. Olhou para ela novamente e passou uma das mãos pelos cabelos.

— Pelos deuses, o que fiz?

≈≈



No quarto de James, Loki bufava e tentava lutar contra a fúria violenta que se apoderava de seu ser. Jim saiu rapidamente de cima de Aredhel.

— Loki... — ele ergueu as mãos. — Deixe-me explicar... Aredhel é inocente... Bem... Nós não fizemos nada... Eu só... — tropeçava nas palavras.

— Cale-se! — berrou Loki, conjurando a Gungnir.

— Loki, por favor... Ouça... — pediu Aredhel, colocando-se na frente do amigo.

— Por favor, Loki. Isso não precisa terminar em uma nova tragédia — Jim afastou a amiga.

— Ah, mas não vai — afirmou o moreno.

Com o movimento de uma das mãos de Loki, Aredhel voou de cima da cama, indo parar suavemente colada à parede, pairando acima dos móveis. Ela deixou escapar um gritinho com o susto e demorou apenas alguns segundos para perceber que estava imobilizada.

— Loki? — ela arfou, tentando em vão se mexer.

— Dessa vez, o mais importante ficará a salvo de seus próprios atos impensados e de minha fúria — disse Loki sem olhar para a esposa, encarando friamente James. — Ela não vai se machucar — foi incisivo. — Desta vez, eu farei o que já deveria ter feito desde o começo. Desde aquele maldito dia há mais de trinta anos quando fui até a outra realidade. Vou me livrar de você de uma vez por todas! — esbravejou apontando a Gungnir para o outro.

— Loki não! — berrou Aredhel.

Notas finais
Oh, e agora, quem poderá defendê-lo? Gostaram? Odiaram? Comentem.