Asgard Dirty Secrets

37 I feel something so right doing the wrong thing


Notas iniciais
* I feel something so right doing the wrong thing = Eu sinto algo tão certo fazendo a coisa errada - Trecho da música "Counting Stars" do OneRepublic. Olá!! Estamos de volta! Gente, peço desculpas pelo mais de um mês de atraso, mas esse mês aconteceu de tudo... Mudei de horário, adoeci (e to com uma tosse que não passa) e vi a morte de perto... o.o Obrigada pelos comentários! Sobre o capítulo... Bemmmmmmm Acho que está igual ao título... Tudo trocado... algo certo que é feito da forma errada ou algo errado feito da forma certa... hauahuahau Boa leitura... PS: na foto... Týr

— Então vocês namoram praticamente desde a infância? — Týr enrugou a testa. — O primeiro e único amor... — sorriu. — Que poético...

— Muita gente acha bobo... — Sigrid riu sem graça.

— Bobo é não amar... — rebateu, dando de ombros. — E pretendem se casar logo ou não têm tanta pressa?

— Bem... — ela deu um sorriso fraco. — Não temos pressa — mentiu e uma voz em sua mente sussurrou o contrário. — Afinal, estamos juntos. É isso que importa.

— Verdade... — anuiu.

Sigrid conseguira até então contornar o assunto e não comentara nada sobre os motivos de seu choro. Inventou a desculpa de ter se emocionado com o casamento e Týr acreditara. Ou pelo menos, fingira acreditar.

— E você? Tem alguém por quem suspira? — ela brincou, tentando desviar o foco de si.

Ele ficou quieto por alguns instantes e lentamente esboçou um sorriso torto.

— Apesar de ser novo em Asgard, eu diria que estou interessado em alguém... — brincou com uma flor que estava ali ao seu lado. — Mas eu mal pude trocar algumas palavras com ela... Ela está sempre muito ocupada... — arqueou as sobrancelhas.

— Posso saber quem é a moça? — inquiriu curiosa. — Eu a conheço?

— Conhece... — endireitou-se no banco e voltou a ficar sombrio. — Guardaria segredo? — encarou-a com um semblante preocupado. — É que... Bem... Já notei que ela é bem tímida... Não sei... Se isso se espalhasse, poderia deixá-la chateada comigo e... — tropeçou nas palavras.

— Eu prometo não dizer nada — afirmou a ruiva.

— Nem mesmo à minha irmã — pediu muito sério.

— Certo — riu nervosa.

— Katarina... — revelou.

— Oh... Kat... — sorriu. — De fato. Ela está sempre muito ocupada com seus livros.

— Sim — o jovem anuiu. — Sempre que a encontro está com um em mãos — o sorriso dele se alargou. — Lady Aredhel a apresentou como sua afilhada, mas desde então, nunca tive oportunidade de conversar a sós com ela. Apenas trocamos algumas palavras durante as festas e a observo de longe. Não vou negar que a primeira coisa que me chamou a atenção foi a beleza angelical dela — o calor coloriu seu rosto. — Mas notei o quanto ela é inteligente, embora muitas das vezes a maioria ignore seus comentários.

— Ignoram? — surpreendeu-se Sigrid.

— Sempre a interrompem... — meneou a cabeça pensativo. — Parecem nem notá-la...

— Bom, ela sempre foi tímida e quieta. Creio que ela prefira ser assim, discreta.

— Talvez... — murmurou pensativo.

— Até onde eu sei, ela não está interessada em ninguém... Pelo menos nunca demonstrou — encolheu os ombros. — Creio que deveria arriscar.

— Acha mesmo? — perguntou esperançoso.

— Sim... — ela aquiesceu. — Só devo lhe alertar sobre uma coisa — encarou-o séria. — A menos que queira encurtar sua estada em Asgard e da forma o mais dolorosa o possível, não brinque com os sentimentos dela. Todos nós a amamos e se um dia alguém a magoar, lhe aviso que não será apenas com Wagner e o senhor Jim que terá que se preocupar.

— Percebi que ela cresceu meio que cercada de mais “irmãos” — sorriu e coçou a nuca. — Eu jamais magoaria ou faria qualquer mal a ela — foi sincero.

— Bem melhor assim... — empertigou-se. — Mas... Por quê os outros e sua irmã não podem saber que gosta de Kat?

Ele se remexeu desconfortável no banco e deu um pigarro. Olhou longamente para Sigrid e parecia indeciso quanto ao que diria. Ela arqueou as sobrancelhas e o instigou a falar.

— Minha mãe ambiciona que eu corteje uma das princesas — disse de supetão. — Segundo ela, o rei estaria inclinado a aceitar a minha união com uma de suas filhas — fez uma careta.

— E você não aprova a ideia? — olhou-o desconfiada.

— Olhe, eu não tenho nada contra as princesas... Pelo contrário, eu até as acho bonitas... Mas sou totalmente contra casamentos arranjados.

Ela sorriu e então ele voltou a encará-la.

— Você conhece Kat desde pequena, não? Do que ela gosta além dos livros?

No salão de baile, Váli procurava por sua namorada já fazia quase uma hora. Fora informado por Myria que boa parte de seus irmãos e amigos já tinham partido e que ela mesma já estava de saída, junto com Fenrir. Impaciente e confuso, o herdeiro mais velho do trono de Asgard, resolveu procurar por Sigrid nos jardins.

Caminhava a esmo naquele local de vasta beleza, quando ouviu a voz dela e, em seguida, sua risada. Ele sorriu e seguiu na direção do som e estacou quando ouviu uma voz masculina se misturar àquele riso. Seu sorriso esmaeceu e inúmeras coisas se passaram por sua cabeça. Naquele instante, um sentimento até então praticamente desconhecido a ele começou a se espalhar feito fogo por suas veias: ciúme. Váli tinha herdado bem mais que a aparência do pai...

Ele se aproximou cautelosamente, tentando não fazer barulho. O que quer que estivesse acontecendo, não era sua intenção interromper. Averiguaria o que se passava antes de tirar conclusões precipitadas. Após passar por um arbusto coberto de flores roxas, ele viu sua namorada, sentada de costas para si, na companhia de Týr.

Os dois conversavam aos sussurros e riam de algo. Váli crispou os lábios e percebeu que não conseguiria ouvi-los ou se aproximar mais, sem se fazer ser visto. Uma luta interna começou dentro dele.

Não havia nada demais naquela cena, mas algo lhe dizia que, caso se revelasse, não saberia todos os detalhes do que estava acontecendo e muito menos o que estaria por vir. Algo sinistro o impelia a ficar ali escondido apenas observando o desenrolar daquilo, enquanto perguntas e acusações insistentes permeavam sua mente.

Repentinamente, Týr segurou as mãos dela entre as suas e as beijou. Em seguida, Váli leu nos lábios do jovem Einherjar um agradecimento e o assistiu se inclinar sobre ela. Um suor frio desceu pela têmpora de Váli ao mesmo tempo que um rubor subia as faces de Sigrid e um sorriso singelo se abria no rosto de Týr. O príncipe só notou que parara de respirar no instante em que suspirou ao ver o soldado beijar o topo de sua namorada. O Einherjar fez uma nova mesura e se retirou, mas Váli já não espiava mais o casal. O príncipe respirava rapidamente, tentando controlar as próprias emoções que entravam em erupção. O ciúme se alastrou feito um incêndio.

“Por que ela deixou o salão? Estava o tempo todo com ele? O que conversavam?” As dúvidas ameaçavam o afogar. “E se eles... Ela não seria capaz” A possibilidade de confirmação da infidelidade dela fizeram com que os pensamentos caóticos que o minavam lhe dessem calafrios. Balançando a cabeça lentamente, tentou afastá-los. Há anos que conhecia aquela mulher. Não, mais que isso... Pelos deuses, a conhecia a vida inteira.

“Espere até que algo ameace tirar Sigrid de você e saberá como me sinto. Aí você conhecerá a si mesmo e sua real natureza. Não se sabe quem realmente se é de verdade até se ver acuado. Você tem um monstro dormindo dentro de si...”, a voz de seu pai ecoou em suas lembranças.

Váli não poderia se deixar envenenar por seu ciúme. Ele não seria como seu pai. Não faria a mulher que amava sofrer por não conseguir controlar seus sentimentos. Não havia testemunhado nada de anormal. Sigrid não merecia tamanha desconfiança. Com os olhos fechados e os punhos cerrados, ele mentalizou: “Vou peguntar a ela e, com certeza, ela esclarecerá tudo. Não sou como ele...” Alguns minutos se passaram até ele conseguir aplacar o que sentia e se convencer de fazer o que achava certo.

Vestindo a máscara de frieza e inocência, Váli se recompôs e saiu lentamente de seu esconderijo.

— Sigrid? — fingiu encontrá-la.

— Váli! — surpreendeu-se.

— Eu a estou procurando por quase uma hora... Por quê deixou o salão?

— Ah... Estava muito abafado lá... — mentiu. — Eu precisava respirar um pouco de ar fresco. Então eu vim para cá.

Sigrid decidiu não comentar sobre os tristes comentários que ouvira. Apesar de ainda estar abalada, não pensaria mais naquilo.

— Entendo... — ele se sentou ao lado dela. — Poderia ter me esperado, assim não teria ficado sozinha — não se conteve.

Ela sorriu nervosa e alisou a saia de seu vestido.

— Ah... Às vezes é bom ficar sozinha um pouco.

O coração dele bateu em falsete e sua expressão calma se tornou levemente sombria. Ele a encarou e forçou um largo sorriso.

— Sozinha... — ele repetiu lentamente. — Claro... É muito bom ficar a sós com nossos pensamentos.



≈≈



Merida cochilava no chão da sala onde havia sido trancada. Após duas horas de interrogatório, a deixaram sozinha e com fome por um longo tempo. Ela perdera a conta de quantas vezes repetira que não era uma espiã e muito menos uma ameaça. Tudo aquilo lhe parecia surreal. Em um momento estava observando uma garrafa e uma tigela com desenhos de runas, que foram encontradas abandonadas em um galpão abandonado. No momento seguinte havia simplesmente despencado em um mundo bizarro onde personagens de quadrinhos e lendas nórdicas eram reais. Antes de pegar no sono, Merida se perguntara inúmeras vezes se o líquido encontrado na garrafa não era algum tipo de entorpecente tóxico. Somente isso poderia explicar as alucinações tão vívidas que estava vivendo.

Sonhava que estava debruçada sobre sua mesa de trabalho, quando um banho de água fria a acordou. Ela tossiu a parte da água que engoliu e se sentou de supetão, encarando o autor do ato.

— Filho da puta! — praguejou a ruiva.

— Quem disse que poderia dormir? — riu Ullr.

Ela encarou os olhos verdes daquele homem e cruzou os braços, abraçando o próprio corpo. Ele inclinou a cabeça, fazendo seus cabelos negros caírem sobre um de seus olhos e a olhou longamente. “Até que a midgardian não é feia...”, ponderou.

— Podem levá-la para a cela — ordenou aos dois guardas que observavam a cena. — Amanhã informarei ao rei sobre a invasora.

Merida foi levada até o outro lado das masmorras e foi posta em uma das muitas celas. Tremendo de frio e com medo, ela se encolheu em um dos cantos. Seus olhos arregalados, olhavam fixamente para os dois outros indivíduos que compartilhavam a cela com ela. Um deles parecia uma versão feminina de alguma outra espécie. A fêmea tinha o corpo musculoso, quatro braços e a pele em um tom de laranja. A outra companheira, parecia ser humana comum coberta por uma armadura de batalha, mas olhava para Merida com desdém, como se ela fosse um inseto.

— Tenho que acordar desse pesadelo e rápido... — murmurou Merida, abraçando as pernas.



≈≈



Loki cerrou os punhos e caminhou decidido na direção de James. O ator encarou o amigo e tentou se empertigar. Encararia seu destino como homem, por mais bêbado e arrependido que estivesse. Não culpava Loki por reagir daquele jeito. O que tinha feito com Aredhel o deixou envergonhado. Por muito pouco não tinha ido além com ela. “Jesus... Que merda fui fazer”, lamentou em pensamento.

— Não, Loki! Por favor! — implorava Aredhel às lágrimas, presa à parede.

— Você é um homem de sorte, James — Loki ignorou os apelos da esposa e estacou diante do loiro. — É por ela que darei a você uma morte rápida. Do contrário — um sorriso doentio se fez no rosto dele —, eu teria o prazer de torturá-lo.

Jim meneou a cabeça e lançou um olhar triste à amiga, que soluçava inconsolavelmente.

— Eu jamais quis me aproveitar dela e muito menos trair a sua confiança — disse o ator. — Houve uma confusão e...

O moreno quase riu.

— Já faz muito tempo que não confio em você — rebateu entredentes. — Cometi um erro ao acolhê-lo em meu lar e reino — grunhiu.

— Loki, ele me confundiu com Hela... Isso tudo é um engano... — choramingou a esposa.

— Confundiu? Que conveniente! — o sarcasmo era claro na voz de Loki. — Para mim parecia mais que não importava qual de vocês duas ele teria, desde que tivesse uma! — apontou a Gungnir na direção do outro.

James baixou a cabeça entristecido. Não tinha sorte mesmo no amor.

— Eu amo a sua filha, mesmo que não acredite... — murmurou.

— Pois ela não ama você! — o moreno não perdeu a oportunidade de tripudiar. — Graças aos deuses está casada agora e um dia será rainha de Alfheim.

A dor perpassou pelos olhos do ator.

— Pense em Wagner e Kat! — refolegou Aredhel. — Jimmy é tudo o que eles têm!

Loki encarou o loiro e respirou fundo. Gostava dos gêmeos, mas esse sentimento fora sufocado pela ira do ciúme. Aredhel poderia citar quem quisesse, que ainda assim ele não mudaria de ideia. O rei de Asgard apressou suas passadas com a mira da Gungnir fixada no peito de James.

— Eles vão superar... — disse com um sorriso enviesado, avançando na direção do outro.

A resignação se estampou no rosto de Jim. Sabia que não teria escapatória e que truque algum ou argumento o faria escapar da fúria de Loki, mesmo que estivesse sóbrio. O loiro se recostou na parede e cerrou os olhos, aguardando o golpe final. Seu último pensamento foi para seus filhos e Hela. Desejou que fossem felizes.

— Aredhel... Eu... — ele sussurrou.

O desespero sufocou Aredhel.

— Eu nunca vou te perdoar! — ela berrou. — Loki, se você machucá-lo vou te odiar pelo resto de minha vida! — prometeu aos gritos.

A centímetros da ponta da Gungnir atravessar o peito de James, Loki estacou. Com o corpo trêmulo de raiva, ele viu que a arma em suas mãos havia encostado na roupa do ator. Hiperventilando, ele baixou a Gungnir e se virou na direção da esposa.

— Você o ama... — não era uma pergunta. A acusação saiu carregada com uma mistura de ódio e dor.

— Amo — ela suspirou —, mas não do jeito que está pensando... Sabes muito bem disso...

Ele apertou mais a mão sobre o cabo da lança e tensionou o maxilar, enquanto a encarava. Uma verdadeira guerra de emoções contraditórias era travada dentro do rei de Asgard. Em agonia, ela sussurrou uma súplica e pediu aos céus que Loki reconsiderasse.

— É ele ou eu, Aredhel — anunciou austeramente. — A decisão é sua.

≈≈



Em Alfheim, Hela já estava pronta para dormir. Tinha vestido uma camisola tão puída e antiquada, que Ness torceu o nariz involuntariamente ao vê-la. A princesa de Asgard não tinha a menor intenção de consumar o casamento.

— Ele deve estar terminando o banho... — comentou Ness, enquanto desfazia o penteado de Hela. — Eu vi quando ele foi para o quarto — indicou com a cabeça a porta de comunicação.

— Tanto faz... — deu de ombros. — Ei! Não arrume muito — bagunçou os cabelos que a serva havia acabado de pentear. — Vou dormir e não sair — sorriu cinicamente para seu próprio reflexo.

Ness largou e escova bem no instante em que uma batida à porta soou. As duas mulheres olharam na direção da porta do quarto de vestir.

— Sim? — Hela indagou.

— Será que eu poderia entrar, minha amada esposa? — Eric disse do outro lado.

Hela revirou os olhos e bufou.

— Claro, querido — respondeu de forma afetada, deixando claro o sarcasmo.

A porta se abriu e Eric entrou, ainda vestido com a roupa do casamento. Ele olhou para as duas mulheres e sorriu.

— Vejo que minha intuição estava certa — fitou Hela dos pés à cabeça. — Minha esposa está muito cansada e planeja dormir.

— Que sexto sentido maravilhoso você tem, querido — ela comentou com um entusiasmo ensaiado. — De fato. Creio que entende o quanto o dia foi longo e cansativo para mim. Só penso em dormir.

Sentindo a tensão e compreendendo a troca de farpas do casal, Ness deu dois passos para trás a fim de deixá-los a sós.

— Faça-me essa gentileza — ele olhou de esguelha para Ness. — Eu e minha esposa precisamos de privacidade.

A jovem prontamente fez uma mesura e se apressou em sair. Hela manteve a postura despreocupada, lutando com o desejo inconsciente de implorar para que a serva não os deixasse sozinhos. Jamais daria o braço a torcer e deixaria transparecer que o temia.

Ele esperou a porta se fechar e caminhou de forma indolente até a esposa. Parou atrás de Hela, sorriu para o reflexo dela e se inclinou.

— Essa sua camisola está estonteante... — sussurrou ao seu ouvido e passou a ponta do nariz pelo pescoço dela.

Hela prendeu a respiração. Ele deu um longo beijo próximo à orelha e entrelaçou os dedos das mãos entre os cabelos dela, descendo-os lentamente, acompanhando a curva de seu pescoço. Ela estremeceu, mas não de prazer e sim de medo. Repentinamente, ele afastou o rosto e a encarou através do espelho.

— Ah, Hela... Você não imagina o quanto eu desejo tomá-la... — sorveu o perfume dos cabelos dela. — Mas saberei esperar... Você virá até mim, eu sei.

Ela teve vontade de retrucar e dizer que isso nunca aconteceria, mas se conteve. Não iria provocá-lo. Não enquanto não tivesse investigado mais sobre como ele descobrira sobre sua origem jotun. Eric ergueu o rosto dela para que o encarasse e a beijou sofregamente.

— Boa noite, minha esposa — sorriu e deixou o quarto.

Assim que a porta de comunicação se fechou, Hela se levantou correndo para trancá-la. Recostada contra a porta, ela esfregou a costa da mão sobre os lábios e depois passou as mangas de sua camisola no pescoço. Tinha asco do toque dele.

— Você pode esperar sentado por mim... — amaldiçoou baixinho.

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No palácio Valhala, Igor terminava de sair do banheiro com uma toalha umedecida em mãos. Sentou-se na beirada da cama e gentilmente fez um leve asseio em Kat. Exausta e bêbada, a jovem mal se moveu, continuou dormindo serenamente. Ele juntou e arrumou os pertences dela e voltou a se sentar na cama. Não conseguia parar de se condenar pelo que fizera. Na verdade, não se arrependia do que tinha feito, mas sim pela forma e pelos motivos que o fizera.

— Eu prometo arrumar uma forma de compensá-la... — murmurou, enquanto passava a mão pelos cabelos dela.

Ainda que estivesse arrependido, ele não planejava assumir o namoro com a moça e muito menos contar a verdade. Gostava dela e inegavelmente sentia uma atração física, mas era só. Seu coração ainda batia por sua irmã adotiva e prima, Eisa.

Ele precisava encontrar uma forma de não magoar Katarina, mas também de terminar aquilo que tinha começado. “Ou talvez não, talvez ela me ajude a esquecer”, meneou a cabeça.

Igor olhou mais uma vez para ela e resolveu que pensaria no assunto depois. Estava cansado demais para encontrar uma solução naquele momento. Ele se deitou ao lado de Kat e a aninhou em seus braços. A jovem esboçou um leve sorriso e recostou-se contra o peito ele, buscando instintivamente seu calor e aconchego. Ele a beijou na testa e fechou os olhos, pedindo para que sonhasse com alguma solução.



≈≈



Em uma aeronave que muito lembrava uma carruagem, Váli e Sigrid seguiam rumo à residência dos pais dela. O casal estava em silêncio, cada uma deles preso em seus próprios pensamentos. O príncipe ponderava sobre os motivos de sua namorada ocultar a conversa que tivera com Týr. Pensava que o encontro com o guarda teria sido tão insignificante, que nem se atentara de comentar isso com ele. Ele tentava arduamente acreditar nisso.

Sigrid por sua vez remoía sobre o seu relacionamento com Váli. Acreditava no amor dele, mas temia que seu relacionamento causasse problemas futuros. Não queria ver o povo de Asgard o rejeitando por sua causa, muito menos que ele desistisse do trono por ela. Acreditava piamente que se ele fizesse isso, em algum momento no futuro, acabaria de arrependendo e isso poderia arruinar o casamento deles.

Tentando buscar um conforto para suas aflições, ela se recostou no ombro dele. Ficar próxima a ele sempre a acalmava e a fazia se sentir segura. Como ela amava aquele homem.

Váli assistiu ela se aninhar junto a si e franziu o cenho. Ele a ficou observando em silêncio e um sorriso brincou em seus lábios, quando a viu sorrir para ele e murmurar palavras de carinho. “Como poderia desconfiar dela?”

Ele se inclinou sobre ela e a beijou. Os lábios dele acariciavam os dela, numa espécie de dança sensual. Sigrid já conhecia bem seu namorado para saber a diferença entre um beijo carinhoso e um que levaria a outra coisa. Ela riu baixinho e se afastou dele.

— Preciso dormir em casa hoje... Você sabe... — ela murmurou rubra, fitando a mão dele que brincava com um laço do vestido dela. — Mamãe está doente.

— Eu sei... Estamos indo para sua casa... — afirmou e a beijou novamente.

O beijo se tornou voraz e com facilidade ele a fez abrir a boca para receber a língua dele. A mão que brincava com o laço, o puxou e começou a abrir os botões do decote. A outra mão dele, desceu pela coxa dela, puxando a barra do vestido para cima. Ela levou a mão ao peito dele e o afastou um pouco.

— O que está fazendo? — encarou-o pasma.

Ele apenas sorriu cinicamente para ela. Os olhos dela se arregalaram.

— Aqui? — ela arfou. — Na carruagem? — indagou incrédula.

A mão de Váli finalmente subiu o vestido e ele tocou o joelho dela. Ele inclinou a cabeça, subindo preguiçosamente os dedos pela coxa. Sigrid estremeceu e um gemido baixo fugiu de seus lábios.

— Pelo que me lembre... Nós nunca fizemos aqui... — o sorriso dele se alargou.

— Ficou louco? Os servos podem nos ouvir — sibilou, indicando com a cabeça na direção da porta da aeronave.

— Melhor ainda... — apertou a coxa dela e a debruçou sobre o banco da carruagem. — Assim é mais excitante... — beijou-lhe o colo e abriu o resto do vestido, expondo os seios dela.

— Não seria melhor esperar chegar em casa? — sugeriu nervosa.

— Na casa de seus pais? — levantou a cabeça e riu. — Não acho uma boa ideia... — fez uma careta. — Além disso — sua mão alcançou a calcinha dela —, eu quero você aqui e agora! — arrebentou a lateral da peça.

— Váli! — deu um gritinho. — Você e essa mania de querer fazer amor em tudo quanto é de lugar... — disse, mas logo foi interrompida por um novo beijo.

Após mordiscar os lábios dela, ele se afastou e rasgou o que restava de sua peça íntima. Ajoelhou-se no banco e depositou um beijo suave na parte interna da coxa de sua namorada. Ela tentou se apoiar nos cotovelos para vê-lo, mas Váli a fez sucumbir quando começou a beijar e sorver a sua pele, do jeito que ela adorava. Um gemido gutural ameaçou fugir de sua garganta, então ela mordeu os lábios em uma tentativa de contê-lo. Ele sentiu os músculos da perna dela se contraírem e seu corpo estremecer. Um sorriso de satisfação se abriu no rosto dele e então ele mordeu a coxa, bem próximo a feminilidade de Sigrid. Ela resfolegou.

— Quero ver até onde vai conseguir se conter... — provocou antes de tomar a intimidade dela com os lábios.

Foi impossível ela conter o gemido agudo que escapou de sua boca. Seu namorado sabia como enlouquecê-la. Ela agarrou de forma dolorosa os cabelos negros dele, quando sentiu sua língua habilidosa lhe invadir. Quando ele fazia isso, ela chegava às portas de um paraíso imaginário.

Embora ambos não tivessem experiência com outros parceiros, os anos de convívio o fizeram se empenhar em se conhecerem e desvendarem todas as formas possíveis de darem prazer um ao outro. E criatividade era o que não faltava aos dois. Desde a adolescência, quando tiveram sua primeira vez, eles não conseguiram mais se manter distantes um do outro por muito tempo. A voracidade da idade somada a criatividade, fez despertar em Váli o fetiche de querer tomar Sigrid nos lugares mais improváveis e inusitados. Não havia hora ou lugar errado ou perigoso demais para servir de testemunha do apetite devasso do casal. Certa vez, por muito pouco eles não foram pegos em flagrante por Loki em seu próprio escritório. Ou melhor, em sua própria mesa de trabalho.

Enquanto ele se regozijava com os gemidos enquanto lhe dava prazer, ele subiu uma das mãos até um dos seios expostos e o apertou. Sigrid ergueu o quadril e deixou escapar um grunhido. Ele agarrou os quadris dela e intensificou as carícias com sua língua no ponto de prazer. As mãos dela se fecharam sobre o vestido enrolado em sua cintura e, arqueando para trás, ela atingiu seu clímax chamando por ele.

Váli abriu suas calças e deitou-se sobre a namorada. Com beijos, ele subiu pelo ventre dela deixando um rastro quente, até alcançar os seios. Ele os sugou um por vez com volúpia, enquanto se posicionava em sua entrada, empurrando com os joelhos as coxas para que ela se abrisse mais para enfim recebê-lo. Com um sorriso cheio de malícia e fitando-a nos olhos, ele a penetrou com uma estocada e calou seu gemido com um novo beijo.

Ela se agarrou nos ombros dele, o puxando para si, abraçando-o com braços e pernas. Colou os lábios em seus ouvidos e gemia baixinho para ele. Com movimentos ritmados e profundos ele seguiu naquela busca pelo prazer e por satisfazê-la, embalado pelo calor e sons que ela produzia. Aquilo era o paraíso.

— Oh, Sigrid... Geme para seu príncipe... — pediu com a voz entrecortada.

Grunhindo contra o pescoço de sua amada, ele acelerou as estocadas, se aproximando daquele horizonte mágico do êxtase. Sigrid gritou o nome dele e seu corpo tremeu por inteiro, entregue aos espasmos de prazer. Váli sorriu e arranhou com os dentes o ombro dela, enquanto alcançava seu orgasmo também.

Ainda respirando rapidamente, ele se afastou e a fitou. Ela afastou algumas mechas do cabelo dele e fechou os olhos suspirando.

— Eu amo você... — sorriu de lado. — Minha amada ruiva...

— Eu também te amo... — ela sorriu toda sem jeito.



≈≈



Em Asgard, Narfi seguia silenciosamente ao lado de Becca até seu quarto. Ele se oferecera para acompanhá-la e ela inicialmente recusara. Mas ele a convencera de que era apenas uma atitude cavalheiresca de sua parte, que não possuía más intenções. Ela decidira dar uma chance a ele.

— Pronto! Chegamos... — ela sorriu para ele, fez uma mesura e abriu a porta do quarto.

Narfi acenou com a cabeça e ela entrou rapidamente, se apressando em fechar a porta. Todavia, antes que pudesse fechá-la, ele pôs o pé na passagem e pôs a mão na maçaneta.

— Narfi? — indagou nervosa.

— Não tão rápido... — um sorriso cínico iluminou o rosto dele.

Notas finais
>XD Gostaram? Odiaram? Comentem.