Asgard Dirty Secrets

35 I'd flee this town... I'd bury my dreams underground


Notas iniciais
* I'd flee this town... I'd bury my dreams underground = Eu fugiria dessa cidade... Eu enterraria meus sonhos debaixo do solo - Trecho da música "Elephant Gun" da banda Beirut. Olá leitores!!! Como vão? Gente, estou assustada com as reações do cabaré do capítulo anterior... Pelo amor de Loki! hauahuahuahaua Os comentários foram um show a parte!!! Amei!! Obrigada pelos comentários e os novos leitores, recebam minhas boas-vindas!! Sobre o capítulo de hoje... Bemmmmmmmmmmmm Ele trás altas revelações... É tudo que posso adiantar... Boa leitura... PS: Na foto... Merida.

Algumas horas antes...

James, invisível, invadiu o quarto de Aredhel e, fuçando no armário do casal, furtou uma de suas garrafas com a água do lago. A amiga havia lhe confidenciado onde guardava algumas delas para uma eventualidade.

— Hela, minha amada... Já estou indo... — murmurou com a voz arrastada, fitando a garrafa dourada.

Terrivelmente bêbado, cambaleou até uma pequena mesa e encheu uma pequena tigela com a água do lago. Jim mentalizou sua princesa e afundou o rosto na superfície daquele líquido. Uma luz branca o envolveu e o ator despencou sobre os ramos de um arbusto espinhoso. A água do lago nunca era precisa.

Ele olhou ao redor e se viu em meio a um jardim, que ficava na lateral leste do palácio de Alfheim. Olhou para cima e viu uma sacada, com a porta aberta. Não tinha certeza de que cômodo poderia ser aquele, mas era a única entrada disponível para o palácio. Imaginou que se tinha caído ali, Hela deveria estar por perto. Ouviu um farfalhar da marcha de soldados ao longe e ficou nervoso. Usou o pouco de lucidez que tinha para se concentrar para ficar invisível. Seria bem mais seguro assim.

Rolou para o lado, tentando sair do arbusto e caiu em uma poça de lama. Levantou-se todo desajeitado, sacudiu o grosso da lama e voltou a se concentrar. Olhou mais uma vez para cima e de maneira tosca calculou a distância. O balcão estava a uma altura razoável. Três andares, talvez? Tanto fazia... Por Hela facilmente ignoraria seu medo de alturas. Faria qualquer coisa por ela.

De forma atabalhoada, ele apoiou os pés nas entrâncias das grandes pedras da faixada do palácio e se impulsionou. Passou os dedos por uma fenda que havia entre uma ou outra pedra e seguiu subindo, se esfregando e se apoiando onde podia. James não se importava com a sujeira ou os arranhões. A bebida o deixara amortecido e extremamente determinado. Nada o tiraria de seu caminho.

Após alguns minutos, alcançou o balcão, passou o corpo por ele e desabou no chão da sacada. Trôpego ele se empertigou e tentou se recompor, mas toda sua compostura evaporou diante da imagem dela...

— Meu Deus... Você está tão linda... — murmurou emocionado.

Lá estava o amor de sua vida, vestida de noiva. Naquele instante jurou a si mesmo que a levaria dali, custasse o que custasse. Hela não se casaria com Eric, nem que para isso ele tivesse que perder sua alma.



≈≈



Ainda horas antes, no quarto de Ness...

— Oh, você é tão gostosa, Ness... — gemeu Eric, após gozar.

Ele saiu de cima da serva e se largou ao lado dela, puxando-a para seu peito. Passou os dedos por suas costas e inspirou seu perfume.

— Sentirei sua falta... — falou por fim e a olhou demoradamente. — Você realmente é diferente das outras. Tão meiga, bonita, gostosa — resvalou o nariz no rosto dela. — É a única com quem converso. Definitivamente, não consigo resistir a você.

— Também sentirei sua falta... — ela disse baixinho e um sorriso tímido brincou em seus lábios.

Como o amava. Doía-lhe saber que dali a meia-hora ele se casaria com outra.

— Eric... E se ela não o quiser hoje?

O príncipe deu um suspiro irritado e virou-se na cama para encará-la.

— Você a forçaria? — Ness insistiu.

— Eu alguma vez já forcei você ou qualquer outra mulher? — fez uma careta.

— Não...

— Já disse que eu a seduzirei... — riu. — Se não for hoje, será em breve... Nenhuma mulher resiste por muito tempo às minhas investidas — deu de ombros. — Hela será minha por vontade própria. Vai rastejar atrás de mim — afirmou convencidamente.

— Então é isso... Está casando com ela porque ela resistiu a você? Isso tudo é porque ela não o quis? — indignou-se.

— Talvez... — sorriu de lado. — Tudo o que eu sei é que a quero para mim.

— Mas e depois que enjoar dela? Estará casado! Preso a ela para o resto da vida! — tentou argumentar.

— Preso... — fez um muxoxo. — Estar casado não me impede de ter outras mulheres. Posso continuar vendo você — deu um beijo em sua testa. — Mais cedo ou mais tarde teria que me casar e produzir um herdeiro legítimo. Hela é bela e saudável, me dará filhos bonitos e fortes. Ela é filha do rei Loki, algo de suma importância para o futuro político de nosso reino. Além do mais, meu pai se livrou fácil de minha mãe, porque eu não faria o mesmo? — falou com indiferença.

— Pelos deuses... Você faria isso? — espantou-se.

— Melhor ela não pagar para ver do que sou capaz de fazer com quem tenta atrapalhar meus planos — ameaçou.



≈≈



A jovem ruiva encarou Ullr em visível confusão. Ainda não conseguia entender como havia ido parar ali.

— Meu nome é Merida... — murmurou, ajeitou os óculos no rosto e olhou ao redor. — Mas que diabos aconteceu? Onde estou?

— Você está em Asgard — anunciou o rapaz de cabelos negros. — Na verdade, você acabou de invadir as dependências de Valhalla.

— Asgard? Valhalla? — ela arregalou os olhos e explodiu em gargalhadas.

Ullr trincou os dentes.

— Do que ri, mulher? — rosnou.

— Dessa pegadinha... — ria. — Se aqui é Asgard, você está de cosplay de que? De Thor, Odin? — limpou as lágrimas de riso.

— Sua mulher insolente! Guardas! — chamou.

Merida entreabriu os lábios e pasma assistiu a chegada de três guardas. Ela engoliu em seco e tentou se levantar.

— Levem essa invasora para as masmorras! Deve ser uma espiã de algum inimigo de nosso reino!

Dois soldados seguraram cada um dos braços de Merida e a ergueram do chão.

— Não! Esperem! — gritou a jovem. — Eu não sou espiã e nem invasora! Sou uma cientista! Não! — esperneava.

— Guarde seus argumentos para nosso rei Loki! — Ullr sorriu cinicamente. — Quando ele quiser e tiver tempo para ouví-la... — riu. — Isso se ele não me autorizar interrogá-la... Farei você falar a verdade — ameaçou.

Os guardas seguiram arrastando a jovem Merida aos berros na direção das masmorras.



≈≈



Em Alfheim, Eric deixou o quarto de Ness e a jovem começou a se vestir apressadamente. O casamento logo começaria e ela teria que voltar ao trabalho. A serva abriu a porta de seu quarto e deu de cara com um guarda alto de cabelos curtos e castanhos. Era Lenwë, seu amigo de infância.

— Eu não acredito que se deixou levar pela conversa dele de novo — disse entredentes.

— Lenwë... Eu... Eu... — gaguejou Ness, constrangida.

— Por que você se sujeita a isso? — rosnou baixo. — O príncipe só usa você!

— Lenwë... Entenda... Eu o amo... — murmurou cabisbaixa.

— Mas ele não ama você! — foi duro. — E nunca vai amar. Ele vai se casar com outra mulher daqui a alguns minutos!

Ela o encarou e seus olhos marejaram.

— Desculpe-me, Ness... — ele pegou as mãos delas entre as suas. — Não quis ser rude, mas como seu amigo há tanto tempo, eu tinha que lhe abrir os olhos. Essa sua paixão cega por ele não a faz ver a verdade e tampouco as oportunidades que está deixando passar — foi incisivo.

— Oportunidades... — fez um muxoxo. — Ninguém nem me nota...

— Não diga isso... Eu noto... — falou meio envergonhado.

Ness sorriu levemente para ele.

— Não sei o que seria de mim sem você... — abraçou-o. — Cuida de mim desde que éramos crianças e nem somos parentes.

Lenwë ficou calado e abraçou-a mais apertado.

— É por se importar com você que digo para se afastar do príncipe — disse baixinho. — Você só vai se magoar e se um dia a esposa dele descobrir, isso pode lhe custar muito caro — alertou.

— Lenwë... Posso lhe confiar um segredo? — ergueu os olhos para fitá-lo.

— Claro, sempre!

— A princesa Hela não gosta dele... É um casamento arranjado.

— Como você sabe disso?

— Sou camareira dela e ela me confidenciou — falou com os olhos brilhantes.

— Ainda assim... Não se iluda — meneou a cabeça. — Eles serão marido e mulher. Com o tempo ela pode começar a gostar dele e as coisas podem mudar. Você sempre estará em segundo plano. Sempre será apenas a amante dele — disse secamente. — A menos que um dos dois desista desse casamento, a partir de hoje não existirá a possibilidade de você ser a oficial.



≈≈



Em Asgard, a maçaneta girou e a porta se entreabriu lentamente. Hela, com uma ilusão, escondeu James e mudou sua aparência.

— Hela? — Aredhel chamou ao entrar no quarto.

A princesa deu um suspiro de alívio e desfez a ilusão. Aredhel fitou boquiaberta a cena.

— Meu deus! Jimmy! — exclamou a mãe da noiva. — O que ele faz aqui? — aproximou-se da cama.

— Ele veio atrás de mim, mãe e... — Hela olhou demoradamente para ele. — Eu tive que desacordá-lo... — confessou.

— Misericórdia! Ele está todo sujo e machucado... — Aredhel passou uma das mãos pelos cabelos dele.

— Ele entrou pela sacada. Pelo menos foi onde ele apareceu...

— São três andares! — arfou a outra e olhou para a filha.

Aredhel a fitou dos pés a cabeça, depois prescrutou a cama e parou em seu amigo desmaiado. Além de estar descomposta, Hela exibia marcas avermelhadas em seu colo e na cama jazia a calcinha arrebentada. O rosto da rainha corou violentamente.

— Vocês... Oh, Deus... Hela você vai se casar com o príncipe Eric daqui a alguns minutos... — gaguejou.

— Eu sei... — a jovem manteve o rosto cabisbaixo, enquanto segurava o corpete. — Não o chamei aqui — foi firme. — Ele estava bêbado, mãe... Extremamente embriagado...

— Santo Cristo... Ele...

— Mãe, eu preciso me arrumar — interrompeu-a. — Peço que me ajude a tirá-lo daqui, sem que ninguém o veja. Precisamos evitar um escândalo — disse secamente.

— Oh, claro... Mas filha...

Hela agarrou o pulso da mãe repentinamente.

— Cuide dele... Por favor... — pediu com veemência. — Por mim...

A rainha suspirou. Gostaria de levar o amigo às pressas para Asgard, mas não queria perder o casamento de sua filha. Perdida, Aredhel pôs as mãos na cintura e mordeu os lábios.

— Cuidarei... — afirmou.

Ela ponderou um pouco e depois encarou a filha.

— Podemos confiar em sua camareira? — perguntou de repente.

— Ness? Sim... Acho que sim... Por quê?

— Então já sei o que fazer... — afirmou. — Arrume o Jimmy e o esconda até eu retornar. Não se preocupe, tomarei as providências. Apenas, tente dar um jeito em sua aparência — franziu o cenho.

Aredhel foi até a porta e pediu que chamassem Ness. A jovem rapidamente apareceu, meio desalinhada e rubra.

— Princesa Hela... — exclamou a jovem ao ver o estado dela. — Acidentou-se?

— Volto logo com a ajuda... — disse Aredhel e saiu correndo.

— Ness, rápido! Ajude-me com o corpete! — sacudiu a mão.

— Pelos deuses! O vestido está imundo e você... — ficou constrangida. — Está toda marcada...

Hela bufou e lançou um longo olhar para a serviçal.

— Você também não está em seu melhor estado... — arqueou a sobrancelha, desconfiada. — Estava com ele, não é? — perguntou de supetão.

Ness se engasgou e ficou extremamente vermelha.

— Pode falar... — a outra insistiu.

— Estava... — confessou envergonhada.

Hela revirou os olhos e se sentou na cama.

— E você? Estava com o... — a serviçal ergueu as sobrancelhas e com a cabeça indicou as marcas no colo dela.

— Está lá na banheira... Desmaiado... Chegou aqui bêbado... — olhou triste na direção da porta do quarto de vestir. — Não se conforma com meu casamento.

— Vocês pretendem continuar se vendo? — perguntou assustada.

— Não, ele não voltará aqui. Nunca mais... — foi firme. — Apesar de Eric não parecer inclinado a deixar de me trair — viu a serva se constranger —, ele já deixou claro que não coaduna com a ideia de um relacionamento aberto. Já fez ameaças ao Jimmy. Jamais o deixaria correr o risco de ser machucado ou assassinado. Por isso que minha mãe foi buscar ajuda para retirá-lo em segredo daqui — explicou. — Posso contar com sua discrição, não é? — encarou-a.

— Claro — anuiu.

— Que sina infeliz a minha... — Hela praguejou.

— Não entendo... — Ness balançou a cabeça. — Esse casamento só fará você e Eric infelizes. Você ama outro e ele... Eric é tão teimoso! — bufou.

A princesa fitava o vestido arruinado, visivelmente entristecida.

— Eu não quero nada com ele... — confessou. — Só de imaginar ele me tocando... Meu estômago embrulha — levou a mão a boca, enjoada. — Não sei se sobreviverei a noite de núpcias — fitou o teto do quarto.

— Hela... — murmurou. — Tenho algo para lhe contar.

— Por Frigga... Ai... Mais más notícias? — reclamou.

— Não... Acho que é boa... — apressou-se. — Eric não pretende forçá-la a ter relações com ele.

— Não? — o alívio era claro na voz da princesa.

— Não. Ele acha que conseguirá conquistá-la facilmente. Está acostumado a nenhuma mulher dizer não a ele, então acha que cedo ou tarde você cederá — revelou.

— Então é isso... — exalou o ar de forma impaciente. — Sou uma conquista para ele... — fechou os olhos com força. — Maldito homem mimado! — rosnou baixo. — As juras de amor, as declarações apaixonadas... Tudo falso!

— Ele diz a mesma coisa para todas, pelo jeito... — Ness baixou os olhos.

— Não fique assim... — aproximou-se dela e afagou seus ombros. — Quem sabe com o tempo e com a rejeição que pretendo impor ele desista e enxergue o quanto você o ama — tentou animá-la.

— Não sei, Hela... — lançou-lhe um olhar inseguro. — Resistir a ele pode deixá-lo mais irritado e determinado.

— Veremos... — crispou os lábios. — Por hora vou aproveitar que ele não me procurará hoje — deu um suspiro de alívio.

— Seria algo complicado para você... Com todas essas marcas... — apontou. — E seu vestido está destruído... Ele desconfiará. O que faremos? — agoniou-se.

— Ah, isso? — Hela olhou para o corpo e o vestido. — Isso é bobagem... — sorriu cinicamente para si ao se olhar no espelho. — Essas marcas e o vestido são os menores dos meus problemas... Olhe...

Usando magia, Hela mudou sua aparência, deixando sua pele alva e o vestido impecável.

— Oh! — exclamou Ness boquiaberta. — Isso é magia?

— Sim... — fez um muxoxo. — Ilusões... São a especialidade de minha família. Poderia trocar de roupa e até de aparência... — mudou a própria imagem pela da serviçal, arrancando uma nova exclamação dela. — Se eu quisesse poderia até mudar a sua aparência — encarou-a. — Poderia fazê-la se parecer... — seu sorriso se alargou — …comigo.

Ness mal pode acreditar ao se fitar no espelho. Estava idêntica a Hela, incluindo o vestido de noiva.

— Nossa... — a voz da jovem saiu trêmula e ela tocou o próprio rosto. — Eu sou você...

— Sim... Você pode ser... — Hela sorriu satisfeita.



≈≈



Uma batida à porta chamou a atenção de Hela e Ness. Aredhel entrou acompanhada de Modi.

— Minha filha, eu e seu primo levaremos Jimmy para casa — anunciou.

Aredhel saíra atrás de Wagner, mas a primeira pessoa que encontrou foi um dos gêmeos, filho de Thor. Devido à urgência, agarrou o braço do sobrinho e o arrastou até o quarto da filha, explicando aos sussurros o ocorrido.

As duas jovens trocaram olhares e sorriram.

— Ness, esse é seu nome, certo? — sorriu Aredhel. — Peço que entregue este bilhete ao meu marido — entregou o envelope e olhou a filha. — Nele digo que fiquei indisposta e que Modi me acompanhara. Não mencionei o Jimmy porque seu pai ficaria irritado e alguém pode exigir ver o conteúdo do bilhete e deixar essa jovem em uma situação difícil — arqueou a sobrancelha na direção de Ness.

— Tio Loki tem razão, sua astúcia é admirável tia Aredhel... — riu Modi.

— Onde ele está? — inquiriu Aredhel.

— No banheiro... — indicou Ness.

As três mulheres auxiliaram a colocar Jim nas costas de Modi. Aredhel testou uma ilusão e Jim desapareceu das costas do jovem.

— Vai ter que servir... Sem a água teremos que voltar pela Bifrost — ela fez um muxoxo.

— Não se preocupe tia... Ele não pesa muito — Modi fez pouco-caso.

— Cuidarei bem dele... — Aredhel apertou as mãos da filha entre as suas. — Espero que seja muito feliz, minha menina... — abraçou-a apertado.

— Obrigada, mãe... — murmurou a outra.

Após uma breve despedida e disfarçarem Jim com uma ilusão, Aredhel partiu apressadamente com Modi. Assim que saíram, Hela olhou para Ness e exalou o ar lentamente.

— Ela nem percebeu...

— Não mesmo... — afirmou Ness com um sorriso.



≈≈



O nervosismo de Loki só aumentou quando leu o bilhete de Aredhel. Já estava ansioso por casar sua primeira filha e a sensação só se agravou com a preocupação. Sabia que deveria ser algo muito grave. Aredhel não era uma mulher que se deixava abater por qualquer coisa e para obrigá-la a perder o casamento da própria filha, coisa boa não haveria de ser.

Ele deu uma espiada pela entrada principal e viu que o salão já estava cheio. Não poderia se ausentar da cerimônia, mas, com certeza, não ficaria para a festa. Ao longe viu seus demais filhos enfileirados do lado da família da noiva e Thor entrando acompanhado de Sif e dos demais. Após sua família estar toda acomodada, ouviu a voz de Vardamir pedir atenção a todos e anunciar a entrada do rei de Asgard. Sem opção, Loki adentrou altivo e tomou seu lugar ao lado de Vardamir e Eric, que os cumprimentaram de forma efusiva.

Os clarinetes soaram e, no final do corredor, surgiu Hela estonteante em seu vestido cor de lavanda. Um sorriso presunçoso se desenhou no rosto de Eric. Loki desceu alguns degraus e recebeu sua filha.

— Tem certeza de que é isso que você quer? — Loki perguntou em um sussurro e a olhou profundamente. — Ainda há tempo de desistir.

— Tenho... Papai... — ela lhe sorriu.

Ele deu um beijo em sua fronte e, passando o braço pelo dela, subiu os degraus e a entregou a Eric. O destino daquele casal estava traçado.

A cerimônia prosseguiu um pouco mais longa e pomposa do que Loki teria preferido. Imaginou que Vardamir estava determinado a aproveitar todas as vantagens daquele casamento, a começar pelo alongamento daquele evento. No final dos votos, o rei de Asgard já estava entediado. Finalmente Vardamir anunciou a união de Hela e Eric. O jovem príncipe sorriu abertamente, virando-se para sua esposa, a enlaçou pela cintura e deu um beijo cinematográfico. Enquanto Loki e seus filhos trocavam olhares significativos, a plateia rompeu em aplausos.

— Não sei o que ela viu nesse idiota... — sibilou Narfi.

— Pela primeira vez concordamos com algo — anuiu Igor.

— Hela pode até parecer feliz, mas esse casamento ainda não me convenceu... — resmungou Sigrid a baixa voz para Váli.

— Isso tudo parece ser um grande erro — ele respondeu baixinho. — Nunca fui com a cara dele...

— Geralmente tento não interferir nas escolhas de meus irmãos, mas tenho que concordar — intrometeu-se Fenrir. — Acho que Hela não fez uma boa escolha.

— Creio que Wagner e Kat concordariam conosco... — Váli olhou na direção dos amigos em meio aos convidados. Kat e Wagner mal disfarçavam a tristeza.

Eisa e Einmyria nada disseram e se limitaram a trocar olhares silenciosos.

— Eu dei a ela a chance para desistir... — Loki ergueu os ombros. — Bem, Váli... Você e seus irmãos fiquem até o final da festa e representem a nossa família. Se perguntarem, invente uma desculpa qualquer — balançou a mão impaciente. — Vou voltar para Asgard. Estou preocupado com sua mãe.

— Certo, pai. Qualquer coisa nos avise por projeção — anuiu.

Loki deixou o salão a passos rápidos e Váli voltou a fitar a irmã entristecido. Independente do que todos imaginavam, ansiavam ou desejavam, Hela era oficialmente esposa de Eric. Os sonhos de Hela e Jim agora jaziam enterrados no solo de Alfheim.



≈≈



Em Asgard, Aredhel tirava o casaco de James após acomodá-lo em sua cama. Modi dispensara a ajuda dos guardas e levara o ator até seu quarto, deixando-o aos cuidados de sua tia e se retirando em seguida. A rainha molhou um pedaço de tecido em uma bacia dourada com água e passou pelo rosto do amigo. Ela tentava limpá-lo e refrescá-lo. Além de bêbado, Jim estava febril. Ele se remexia e gemia o nome de Hela.

— Oh, Jimmy. A essa hora ela já deve estar casada... — murmurou angustiada, passando o pano úmido nos braços dele.

— Hela, meu amor... Não se case... — ele repetia baixinho, movendo a cabeça de um lado para o outro. — A verdade... Direi a verdade... — balbuciava confusamente. — Amei sua mãe sim... Por anos... Mas Loki... Ela amava Loki... Eu te amo, Hela... Acredite em mim... Hoje amo você...

A confissão pegou Aredhel de surpresa. O tecido caiu da mão de Aredhel e ela olhou para o amigo estarrecida, levando a mão à boca para conter um gemido. Então era tudo verdade...

Ingênua e dotada de uma baixa autoestima, nem nos sonhos mais loucos de Aredhel tal possibilidade foi levantada. Também pudera nunca ter notado isso. James nunca fizera nada que sequer insinuasse que segredava tal sentimento e a rainha de Asgard, por sua vez, só tinha olhos para o esposo. Então, ainda que Jim estampasse no rosto esse amor platônico, talvez ela nunca notasse.

— Jimmy... — o nome dele escapou de seus lábios atônitos.

Repentinamente muitas afirmações e teorias fizeram sentido. Uma confusão de sentimentos a invadiu. O pesar e a dúvida a inundaram. Pensou no marido, no amigo e principalmente em sua filha. Ela olhou longamente para o amigo e pegou sua mão entre as suas.

— Meu Deus... — arfou.

James despertou e abriu os olhos lentamente. Inclinou a cabeça e fitou confuso a silhueta feminina à sua frente. Os efeitos do álcool misturados à penumbra que fazia em seu quarto, confundiram sua mente.

— Hela... — disse com a voz rouca. — Meu amor... — deslizou a mão pela cintura de Aredhel e a puxou para si, tomando seus lábios.

Aredhel nem teve tempo para reagir. Em segundos, Jim rolou na cama, ficando por cima dela. Assustada, ela levou ambas as mãos ao peito dele e o empurrou, enquanto ele, usando sua língua, se esforçava para fazê-la entreabri os lábios para recebê-lo. Mas o esforço dela era quase inútil, vez que para completar sua impotência diante da situação, ela temia machucá-lo. Maior e mais forte que a rainha, o corpo de James mal sentia o impacto dos punhos dela em seu peito.

Ela virou o rosto e se remexeu embaixo dele, mas isso só serviu para ele se acomodar melhor sobre o corpo dela. Trôpego e entorpecido, James mantinha os olhos cerrados e prosseguiu com as carícias.

— Pare Jimmy... Pare... — sussurrou sufocada. — Sou eu... — foi interrompida por um novo beijo, agora em seu pescoço.

Jim ouvia Aredhel, mas não assimilava o que dizia. A voz dela parecia distorcida e inteligível para ele. E como mãe e filha tinham vozes praticamente iguais, ainda não notara a diferença.

— Jimmy... Por favor... Acorde! — resfolegou quando o sentiu se acomodar entre suas pernas.

Ele resvalou o nariz pelo pescoço dela e sorveu seu perfume floral. Mas algo não parecia certo. Estranhamente a mulher que estava embaixo de si não cheirava a lírios, mas a jasmim.

— Você cheira como sua mãe... — ele franziu o cenho e afastou a face do colo dela. — Aredhel? — piscou repetidas vezes, tentando fazer foco em seu rosto.

— Sim, sou eu... Aredhel... — arfou.

— Por Helheim! O que está acontecendo aqui? — berrou uma voz bem conhecida.

Aredhel e Jim viraram o rosto na direção da porta e constataram o pior. Loki estava em pé na entrada do quarto e bufava de raiva.

— Que Deus nos ajude... — os dois disseram em uníssono.

Notas finais
Não pude me conter... Gostaram? Odiaram? Comentem.