Asgard Dirty Secrets

34 I was in your arms thinking I belonged there


Notas iniciais
* I was in your arms thinking I belonged there = Eu estava em seus braços, pensando que ali fosse o meu lugar - Trecho da música "The winner takes it all" do ABBA. Olá!! Voltamos!!! Gente! Quase que esse capítulo não sai! Desculpem a demora... Como vocês sabem, o tempo para escrever ficou reduzido... Obrigada pelos comentários! XD AMOOOO VOCÊS!!!!! Sobre o capítulo... Eu diria que, por coincidência, esse capítulo possa agradar muitas leitoras... aiaiai... aproveitem enquanto podem... Afinal, é o vencedor quem leva tudo... Boa leitura... Ps: na foto Ness.

Em um quarto pequeno no palácio de Alfheim, Eric terminava de vestir suas calças.

— Como assim? — a jovem de cabelos castanhos claros puxou o lençol gasto para cobrir o corpo nu.

— O que você ouviu... Acabou. Sem mais encontros — Eric falou despreocupado e pôs a camisa.

— Isso tudo é porque você vai se casar? — indignou-se. — Ela nem gosta de você! Pelo contrário, você disse que ela te odeia! Ainda não entendi porque vai se casar com ela! Além do mais, você nunca foi fiel! Agora vai ser? — tentava controlar a raiva.

Ele deu uma gargalhada e terminou de fechar os botões da camisa.

— Não... Você me conhece, Ness — riu. — Gosto de novidades e não resisto a uma conquista... A partir de amanhã terei uma mulher nova na cama, a qual pretendo desfrutar. Vou seduzi-la, usá-la e depois que eu me cansar eu arranjo outra — deu de ombros.

“Hela sentirá minha falta quando eu abandoná-la”, o príncipe pensou convencidamente.

— Como fez comigo... — sibilou a jovem de olhos verdes, interrompendo os pensamentos dele.

— Oh... — ele levou a mão ao peito. — Você achou que duraria? Acreditou que com você seria diferente? — sorriu com escárnio e a viu trincar os dentes. — Minha nossa... Você acreditou — um riso rouco saiu de seus lábios. — Deixe-me ver... — pôs a mão no queixo. — Você achava que ao me satisfazer na cama eu cairia de amores por você? — deu um suspiro. — A ingenuidade de vocês mulheres é tocante... e ridícula... Sempre acham que possuem o dom, a habilidade ou a fórmula mágica de fazer um homem amá-la e esquecer que existe um mundo inteiro lá fora. Um universo de mulheres disponíveis... As quais é só mostrar dinheiro, poder, algumas gentilezas e promessas tolas que elas caem aos nossos pés... Mulheres que só com um estalar de dedos tiram a roupa e se deitam em minha cama.

Ness cerrou os dentes com força, tentando conter as lágrimas que ameaçavam transbordar de seus olhos. Ela não daria àquele homem suas lágrimas. Seus lábios estremeceram, assim como seu corpo tremia. A jovem serva tinha se apaixonado por Eric e agora descobrira que ele só a usara.

Ele se aproximou da cama e com os dedos ergueu o queixo dela.

— Não faça essa cara de ofendida — sorriu de lado. — Nós nos divertimos muito, não foi? Você realmente tem algo especial... — olhou-a longamente. — Talvez quando eu me cansar dela eu volte para você... — disse cinicamente e tomou os seus lábios.

Boba, Ness rapidamente se entregou a ele naquele beijo. Eric tinha esse poder sobre ela, um domínio irresistível. Ele se afastou de sua boca e a fitou.

— Quem sabe uma última vez mais... — o príncipe sorriu, voltando a abrir a calça. — A princesinha que espere na companhia enfadonha de meu pai... — voltou a beijá-la.



≈≈



— Já tinha ouvido falar que nosso estimado rei de Asgard tinha filhas lindas, mas minha imaginação não lhe foi justa. És muito mais bela pessoalmente... — o canto da boca de Vardamir se retorceu, formando um sorriso singelo.

— Muito obrigada, majestade... — Hela forçou um sorriso.

— Vardamir... — corrigiu-a. — Em breve seremos parentes — arqueou uma sobrancelha. — Ganharei uma filha.

A princesa meneou a cabeça em afirmativo e meio sem graça. Ainda não sabia se a recepção do pai de Eric era algo bom ou ruim, mas algo lhe dizia que era melhor conquistar sua simpatia. Hela não tinha certeza de quem mais sabia sobre o segredo da origem de seu pai, o real motivo daquele casamento forçado. Se Vardamir não sabia da chantagem, poderia fazê-lo seu aliado em alguma trama no futuro. Mesmo que no dia seguinte fosse se casar com Eric, não estava nos planos da jovem passar o resto de sua vida ao seu lado. Não tinha esperanças de voltar para James, mas Eric receberia seu troco. “Tudo ao seu tempo”, mentalizava a moça.

O rei de Alfheim acenou para alguns de seus guardas e eles abriram a porta, por onde entrou uma serviçal rechonchuda e idosa.

— Princesa — a idosa fez uma mesura.

— Espero que se sinta em casa, Hela... — sorriu-lhe Vardamir. — Esta senhora irá lhe conduzir aos seus novos aposentos e lhe auxiliará a se acomodar.

— Obrigada... Vardamir... — anuiu e se retirou, seguindo a serva.

Vardamir observou em silêncio a saída de Hela.

— Filha... — fez um muxoxo baixo. — Sim... Ganharei uma filha... — riu.



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No palácio Valhalla, uma jovem de cabelos negros e olhos verdes terminou de arrumar sua trouxa e deixou seu quarto. Passou pela cozinha e deixou uma carta sobre a mesa de refeições dos empregados, local que estava vazio naquele momento. Saiu de forma sorrateira do palácio e cruzou os jardins a passos rápidos.

Não estava fugindo, propriamente. Na carta, pedira sua demissão. Só não desejava ver ninguém. Não queria parecer uma derrotada. Ela apenas estava se retirando momentaneamente até poder retornar.

Repentinamente, uma voz familiar a fez interromper seu trajeto e espiar por trás de um arbusto.

Aredhel segurava Jörmungand nos braços e fazia gracejos para ele com algumas flores nas mãos. A imagem da rainha recuperada e feliz despertou uma fúria em sua observadora.

— Aproveite, majestade... — a voz saiu sussurrada e cheia de mágoa. — Eu me vingarei de você, de seu maldito marido e, principalmente, daquela sua fedelha... — passou a mão pelas marcas de queimaduras que tinham em seu rosto. — Vocês todos vão pagar caro! — prometeu amargurada.

Astrid a observou por mais algum tempo e depois se afastou, embrenhando-se pelo jardim, até desaparecer em meio a vegetação.



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A serva de cabelos brancos, conduziu Hela até um quarto de porta de carvalho com desenhos florais entalhados.

— Este era o aposento de nossa Lady Maeve... — informou a serviçal de cabelos brancos. — Bem... O quarto do príncipe fica ao lado do seu — indicou a porta que ficava mais distante. — Após morte da Lady Maeve, nosso rei o mandou fechar e também trocou de quarto, cedendo ele ao príncipe Eric. A morte de nossa rainha devastou a todos — balançou a cabeça entristecida. — Seus aposentos são separados por seus respectivos banheiros e quartos de vestir, mas se comunicam por eles — explicou, abrindo a porta.

A princesa se absteve de comentar algo. De fato, achava estranho que marido e mulher normalmente dormissem em quartos separados em muitos reinos. Crescera testemunhando os pais dividirem o mesmo aposento, mas, quando menina, Aredhel lhe explicara que o costume era diferente.

Pouco lhe importava se dividiriam o mesmo quarto, sua maior preocupação era se ele exigiria manter relações com ela. Hela crispou os lábios e sentiu o estômago revirar ao pensar nisso. Tinha esquecido dessa “parte” do casamento. Na verdade, não esquecera... Só vinha tentando ignorar. Todavia ignorar o problema não o faria desaparecer. Ainda que Eric não fosse um homem de aparência asquerosa, ela sentia nojo dele. Não conseguia se imaginar se entregando a ele. Seu coração e seu corpo só pertenciam a James.

Os servos depositaram os baús com as roupas de Hela e se retiraram rapidamente.

— Logo virá sua serva particular, Ness — a mulher gordinha franziu os lábios. — Onde está essa menina? — resmungou e se retirou do quarto.

Hela ignorou o comentário da serva e se sentou na cama com os braços cruzados sobre o ventre. Seus olhos pousaram sobre a outra porta de carvalho que dava para o quarto de vestir, que servia de conexão com o quarto de Eric. Ela ponderava que um homem que a chantageou e a coagiu a se casar com ele, seria capaz de forçá-la a ser dele. Algo subiu por seu esôfago e Hela sentiu um gosto ácido invadir a sua boca. Levou a mão aos lábios e tentou conter a ânsia.

Ela sabia se defender, e muito bem. Hela era letal quando queria. Não o deixaria tocá-la a força, mas como faria para evitar que ele se vingasse revelando a origem de seu pai e matasse James? Como se livrar dele sem antes saber se mais alguém sabia do segredo ou sem gerar uma guerra? A princesa percebeu que precisava de tempo e isso era tudo o que ela não tinha. Casar-se-ia no dia seguinte e naquela mesma noite ele poderia exigir seus direitos de marido.

Não tinha saída... Hela faria qualquer coisa para proteger sua família e principalmente Jim. A nauseante conclusão de que teria que se entregar àquele homem a fez correr para o banheiro. Após vomitar e limpar o suor de sua testa, ela se resignou e aceitou sua sina. Faria o que tivesse que ser feito, mas sem se deixar abater.

— Eu vou me vingar... — prometeu austera.

Depois de recomposta, ela deixou o banheiro, retornou ao quarto de vestir e se sentou na frente de uma suntuosa penteadeira. Hela buscava a sua coragem na mulher refletida no espelho quando bateram à sua porta. Uma jovem de cabelos castanhos e cabisbaixa entrou.

— Minha senhora... — fez uma pequena mensura. — Sou Ness... Sua serva particular — apresentou-se.

Hela olhou para a jovem e deu um suspiro. Ainda que fosse uma princesa e vez ou outra precisasse da ajuda de algumas servas para entrar em trajes de festa mais elaborados, não estava acostumada a ter uma camareira. Sua mãe a havia criado para não depender dos outros e sempre tivera Greta e Broomhilda como amigas e não servas. A origem midgardian de Aredhel causara uma verdadeira revolução nos costumes de Valhalla. Hela se recordava bem das reclamações de seu pai sobre o comportamento de sua mãe em relação a criadagem. Fato era que a princesa havia aprendido a pensar como sua mãe.

— Prazer... — disse se levantando e indo na direção da jovem. — Pode me chamar de Hela. Não precisa ter formalidades comigo — fez uma ligeira cortesia.

A jovem ficou meio sem jeito e foi direto para um dos baús.

— Rapidamente arrumarei suas coisas... — murmurou abrindo o maior deles.

— Agradeço a ajuda, mas não precisa ter pressa... — bufou Hela abrindo outro baú. — Por mim nem ficava aqui... — sussurrou sem pensar.

Ness largou um vestido e olhou para a princesa.

— Você não quer casar com Eric, não é? — indagou de repente.

Hela levantou a cabeça de supetão e a encarou com os olhos arregalados. Pensou que a mocinha não a tinha escutado.

— Er... Perdoe-me a indiscrição... — a serva corou.

— Não... Eu não quero — confessou Hela.

Não fazia sentido desmentir o que ficara evidente. O casamento seria no dia seguinte, então não faria diferença se soubessem que ela não desejava aquilo. Além do mais, a ela só interessava que sua família não soubesse da verdade.

— Então por que vai se casar? — Ness inquiriu.

— Estou sendo obrigada... — foi sucinta.

— Ah... Casamento arranjado... — a outra meneou a cabeça. — Pelos Deuses! Até quando vão fazer esse tipo de casamento?

A princesa sabia que não era isso, mas deixou que Ness acreditasse. Afinal, não sabia se podia confiar na serviçal.

Ness observou Hela retirar os vestidos e colocar sobre a cama. Viu a princesa parar pensativa e contemplar um em especial. Era o vestido que Hela trajara na noite em que se entregou a James pela primeira vez. A serva rapidamente reconheceu aquele tipo de olhar. Era um olhar apaixonado.

— Você gosta de outro homem, não é? — perguntou de supetão.

Hela abraçou o vestido e meneou a cabeça.

— Eu o amo... — murmurou.

— E ele? — largou a roupa que carregava.

— Ele me ama... — fitava o vestido. — Demais... — a voz saiu fraca.

As duas continuaram desarrumando a bagagem em silêncio. Tudo parecia bem até Ness retirar de um dos baús um vestido todo em renda de cor lavanda, bem claro. A cauda longa, sua grandiosidade e o cuidado com que ele fora confeccionado deixou claro que se tratava do vestido de noiva.

Hela olhou para a peça com uma mistura de nojo e tristeza e notou o mesmo olhar nas feições de Ness. Na verdade, percebeu que a jovem estava prestes a chorar.

— Está tudo bem, Ness? — a princesa franziu o cenho.

— Oh, está sim, majestade... — atabalhoou-se. — Um cisco caiu em meu olho... — esfregou os dedos nos olhos.

Mas não estava. Ness tentou em vão controlar as emoções que afloravam e isso não escapou à astúcia de Hela. Já tinha notado a forma íntima que a jovem usou para se referir a Eric. Não o chamou de senhor ou príncipe, mas diretamente pelo primeiro nome.

— Você gosta dele — acusou, encarando Ness. — Você está apaixonada pelo Eric.

— Não... Eu... Nunca...

A outra cruzou os braços e lançou um olhar de clara incredulidade para a serva, que continuou gaguejando.

— Pode confessar... — disse Hela calmamente. — Eu não ligo. Sabe que não quero esse casamento.

Sem alternativa a moça anuiu em silêncio.

— E não é correspondida... — presumiu.

A jovem ficou rubra e indecisa no que dizer. Hela deduziu tudo.

— Deixe-me adivinhar... Ele correspondeu, a usou e agora vai se casar comigo... — bufou.

Novamente Nesse balançou a cabeça em afirmativo. Um brilho diferente se acendeu nos olhos azuis de Hela.

— Você ainda gosta dele?

— Sim... — saiu baixinho.

Um sorriso quase diabólico se desenhou nos lábios de Hela.

— Minha cara Ness... — inclinou a cabeça para encará-la. — Acho que nós duas seremos muito amigas... — sorriu e pôs a mão sobre o ombro da mocinha.



≈≈



Pela noite, em Asgard, Aredhel batia à porta do quarto de James.

— Jimmy... Você está bem? Você não desceu para o jantar e nem apareceu para o chá.

— Eu estou bem... — a voz veio arrastada.

— Você não quer conversar? — ela recostou a fronte contra a porta.

Jim realmente desejava desabafar e queria o consolo da amiga, mas não abriu a porta. Precisava pensar no que faria e tentar sofrer com um pouco de dignidade.

Olhou para a garrafa de hidromel que estava em sua mão.

Se é que isso era possível.

Ele se encostou contra a porta do quarto e inspirou o ar lentamente.

— Não, Aredhel... — ele falou tentando manter a firmeza na voz. — Quero ficar sozinho. Está tudo bem.

— Boa noite Jimmy... — murmurou e se afastou.



≈≈



O dia nasceu ensolarado e, em Valhala, todos se levantaram cedo. O casamento de Hela ocorreria no final daquele dia e todos passariam o dia envolvidos no grande evento.

Como o esperado, Aredhel se levantou cedo e tratou de apressar todos. Ainda que não simpatizasse com o futuro genro, era o casamento de sua filha. Aliás, estava casando um de seus filhos pela primeira vez. Nervosa e ansiosa, após deixar marido, filhos, afilhados e sobrinhos encaminhados com seus respectivos preparativos, foi até o quarto de James. Encostou a orelha contra a porta e tentou ouvir. Silêncio. Imaginou que o amigo passara a noite acordado e possivelmente dormiria o dia inteiro. Ela o conhecia bem, sabia o quanto estava sofrendo. Não querendo incomodá-lo, limitou-se a suspirar e deixá-lo em paz.

Acompanhada do marido e dos filhos, Aredhel deixou o palácio logo após o café da manhã.

Em Alfheim, Hela também acordara cedo. Não... Mal conseguira dormir. Havia se esquivado do jantar e do café da manhã, alegando um mal-estar — algo que era verdade —, mas não conseguiria escapar do casamento. Ness terminou de preparar seu banho e arrumou a mesa para seu almoço.

— Hela... Trouxe uma sopa. Você precisa comer algo. Apenas beliscou o jantar e o café — a serva franziu o cenho.

A princesa levou a mão à boca e ao nariz e acenou.

— Tire isso daqui... — tentou se conter.

Ness voltou a tampar a bandeja e olhou para Hela com um olhar condescendente.

— Ainda com enjoos? — a serva arqueou a sobrancelha. — Você voltou a passar mal depois do café da manhã?

— Desde ontem nada parece parar no meu estômago — exalou o ar lentamente. — E só de pensar nesse casamento, acho que jamais terei estômago para mais nada.

— Acalme-se... — Ness lhe entregou um copo com água. — Você está muito nervosa, é isso... Tudo dará certo... — tentou animá-la.

Hela deu um gole na água e encarou a jovem com um olhar questionador. Ness meneou a cabeça em afirmativo a uma pergunta silenciosa.

— Sua família já chegou e estão almoçando com Eric e o rei — a criada falou repentinamente. — Ouvi sua mãe perguntar por você... Nossa... Vocês são praticamente idênticas...

— Sim... — sorriu. — Tirando a cor dos olhos, parecemos gêmeas...

— Ela é quem lhe ajudará a se vestir, não é?

— Sim... Mamãe fez questão... — ficou triste. — Ela, minhas irmãs e amigas... — pensou em Kat.

— Eu vou indo, daqui a pouco elas estarão aqui — Ness pegou a bandeja. — Tem certeza que não quer a sopa?

— Tenho. E dispense o chá — foi firme. — Não comerei nada antes da cerimônia, senão vomitarei em cima do noivo... — riu ao pensar que não era uma má ideia.

— Está bem... — a serva fez um muxoxo. — Então nos vemos à noite.

Hela anuiu com firmeza.



≈≈



Algum tempo depois Hela recebeu Aredhel, Einmyria, Eisa, Sigrid e Katarina em seu novo quarto. Enquanto as mulheres que tanto amava a ajudavam se vestir, manteve no rosto a máscara da noiva feliz. Por mais que os sentimentos reais fossem de luto, não fraquejaria e faria o papel da jovem alegre pelo casamento. A filha mais velha de Loki também fazia um esforço extraordinário para controlar seus pensamentos. Não podia arriscar que sua irmã caçula descobrisse sua farsa.

Terminado os preparos as damas pararam emocionadas para contemplar a noiva.

— Minha filha... Você está linda... Uma noiva tão bela... — murmurou Aredhel às lágrimas.

Uma a uma abraçaram Hela e desejaram felicidades. A última a fazer isso foi Kat, a qual lhe entregou o seu buquê de lírios brancos.

— Felicidades, Hela... — disse a jovem tímida.

— Obrigada... — abraçou-a apertado.

— Vamos indo meninas — Aredhel bateu palmas —, também precisamos nos arrumar.

Todas se retiraram e a deixaram a sós com seus pensamentos. Ela caminhou até a cama e se sentou. Era isso. Acabou. Não tinha outro jeito. Agora era só esperar. Seus olhos arderam e as lágrimas ameaçaram transbordar. Hela escondeu o rosto entre as mãos e tentou engolir o nó que se formou em sua garganta.

— Meu Deus... Você está tão linda... — uma voz inesquecível murmurou.

A jovem ergueu a cabeça estupefata e mal podia crer no que via diante de si. James, todo desarrumado, parado na sacada de seu aposento.

— Jimmy... — ela arfou.

Ele deu alguns passos trôpegos para dentro do quarto e se apoiou nas portas da sacada, que estavam entreabertas. Estava visivelmente bêbado, desalinhado, sujo de lama e com alguns arranhões no rosto. Era um farrapo humano.

— Eu sabia... — soluçou e cambaleou. — Sabia que ficaria linda vestida de noiva... — encarou-a. — Eu vim buscá-la! Você não vai casar com ele — gesticulou atabalhoadamente na direção da porta do quarto. — Você não pode se casar com ele só porque ele é príncipe e rico. Não gosta dele de verdade. Eu sei que você ainda me ama... — choramingou. — Eu senti isso naquele dia. Você pode dizer que foi só sexo, mas eu sei o que senti. Você me ama e vai se casar comigo! — bateu no peito. — Você é minha! — alteou a voz.

Hela se levantou num átimo e moveu as mãos.

— Ssshhh... Fale mais baixo... — angustiou-se e olhou na direção da porta. — Vão acabar te ouvindo...

— Que se dane! Que ouçam! Você é minha, só minha! — agarrou-a pela cintura e se inclinou para beijá-la.

Ela pôs a mão no peito dele e o empurrou.

— Não, Jimmy... Você precisa ir... Antes que... — temia pela segurança dele.

— Não! — interrompeu-a. — Eu prometi a mim mesmo que a faria minha até fazê-la desistir dessa ideia de casamento e é o que farei! Essa noite de núpcias será minha! — tomou os lábios dela.

Ela nem tentou resistir. Pelos Deuses, como Hela o amava. Finalmente estava nos braços dele e sabia que lá era seu lugar.

O beijo era feroz, carregado de desespero, raiva e desejo, mas repleto de amor. O perfume dele invadiu as narinas dela e depois disso ela perdeu totalmente a lucidez. Jim cheirava a algo amadeirado misturado com hidromel, terra e suor. Ainda tinha o cheiro do homem que ela conhecia, mas tinha algo quase inumano no meio daquele perfume que ele exalava.

As mãos dele deslizavam pelas costas dela com uma obsessão excessiva. Ele a apertava cada vez mais contra si, como se temesse que ela fosse lhe escapar por entre os dedos. James mordia e sugava os lábios dela, enquanto sua barba, por fazer a dois dias, arranhava a pele dela.

Ele a conduziu até a cama e o casal praticamente caiu sobre o colchão macio.

— Minha Hela... — ele murmurou com a voz embargada ao deixar os lábios dela. — Minha Hela... — beijou-lhe o pescoço.

E repetindo o nome dela feito uma prece, ele desceu beijando-lhe o colo. Hela resfolegou e entrelaçou seus dedos entre os cabelos dele. Perdida naquele frenesi, ela deixou que ele fizesse o que queria e apenas levantava o quadril, se esfregando contra seu corpo. Era como se o casamento, Eric, Alfheim, tivessem deixado de existir. Nada mais importava para ela, só existia Jim em sua mente.

James puxou o corpete do vestido para baixo e os fartos seios de Hela pularam para fora da peça. Um sorriso doentio se desenhou nos lábios dele, antes de abocanhar um dos mamilos. Um gemido longo e rouco escapou da garganta de Hela. E, como uma bruxaria, tal som transformou o homem que estava sobre ela. Uma fera fora solta e ela estava faminta.

Selvagem, Jim mordeu o bico do seio de Hela e depois sugou a pele dolorosamente, até deixar uma marca vermelho-escuro. Em seguida ele fez o mesmo no outro seio, enquanto, como uma das mãos, levantava a saia do grande vestido desajeitadamente. Buscou com a mão trêmula a feminilidade da princesa e passou os dedos por dentro da calcinha dela. Arfando descompassadamente contra seus seios, ele massageou com a ponta dos dedos o ponto de prazer e, em seguida introduziu com força dois dedos em sua fenda, fazendo-a arquejar. Ele a estocou com os dedos uma segunda vez e sorriu contra a pele avermelhada dela, quando a ouviu gemer e sentiu-a puxar seus cabelos. O fio que prendia Jim à sua racionalidade, por fim, se partiu.

Afoitamente, James abriu sua calça e, com os joelhos, empurrou as coxas de Hela, fazendo-a se abrir por inteiro para ele. Precisava estar dentro dela desesperadamente. Baixou sua cueca, puxou a calcinha e, com dois solavancos, arrebentou-a. Posicionou-se sem muita paciência e a penetrou com uma estocada firme. Ela se arqueou e enterrou as unhas em seu ombro, tentando conter um grito. Ele gemeu. Era maravilhoso estar novamente dentro de Hela.

— Minha... Só minha... — repetia com a voz entrecortada, começando a se mover velozmente.

Grunhindo de um jeito quase animalesco ele investia seu quadril contra o dela com certa violência. O homem estava descontrolado, sendo guiado apenas por seu instinto. Calou os gemidos de Hela com novos beijos, fazendo sua língua contornar sua boca e invadi-la vorazmente. Irracional, imprimia um ritmo primitivo, como se fosse movido pelos gemidos e pelo prazer que emanava dela. O amor por Hela, enuviado pela bebida e pelo desejo desesperado, o havia transformando em um animal selvagem.

Agarrada em seus ombros largos e sufocada por seus beijos incessantes, Hela chegou ao seu orgasmo e sentiu-se despencar em um abismo de prazer. James a tinha devastado. Ao sentir os espasmos do ápice dela, ele não se conteve mais e, com mais duas estocadas profundas, diluiu-se dentro de sua amada, emitindo um rugido. Exausto e estasiado, Jim largou seu peso sobre ela e um sorriso débil se fez em seu rosto.

Aos poucos a respiração de Hela foi normalizando e com ela veio a consciência da realidade. Angustiada e temendo que fossem descobertos, ela se moveu embaixo dele, tentando sair. Ele se afastou e a fitou longamente. O olhar inocente e cheio de dúvida de um Jim sonolento, quase a fez desistir de tudo e deixar que uma guerra se iniciasse.

— Hela? — ele indagou ao vê-la puxar o corpete do vestido para cobrir os seios e empurrar as camadas da saia para baixo.

Sem coragem para expulsá-lo, ela baixou os olhos e apertou o decote contra o peito.

— Você precisa ir antes que descubram...

— Mas Hela, eu...

A súplica de James foi interrompida por uma batida na porta do quarto. Hela empalideceu e Jim puxou as calças, meio sem saber o que dizer ou fazer, totalmente confuso.

— Vista-se e saia... — a princesa disse, sem encará-lo.

Ele estendeu a mão para tocá-la e ela se retraiu. Sendo a única sóbria ali, precisava ser firme pelo bem dos dois. Jamais se perdoaria se fizessem algo contra ele.

— Saia — ordenou entredentes.

— Hela, meu amor... Por favor... — agarrou a saia do vestido dela.

A batida na porta soou mais urgente.

— Jim... — ela finalmente o encarou.

Lágrimas desceram pelo rosto dela ao ver a decepção e a dor estampada no rosto de James. Tudo estava sendo difícil demais e o que fizeram só piorou o sentimento de perda. Ela o amava mais do que tudo e precisava protegê-lo a todo custo. Hela estendeu a mão e tocou o rosto dele. Ela resfolegou e olhou-o nos olhos.

— Eu sinto muito... — murmurou.

O tecido leve de seu vestido de noiva flutuou levemente, se espalhando e emitindo um leve farfalhar de saia. Como se tivesse sido envolto pela tranquilidade do perfume e emoldurado pela beleza da flor que dava nome à cor daquele vestido, Jim jazia desacordado no colo da mulher que amava.



≈≈



Enquanto isso, em Asgard... No meio dos jardins de Valhalla, uma luz branca surgiu e dela despencou uma mulher. A jovem de cabelos de um tom entre o loiro e o ruivo, caiu de joelhos no gramado.

— Santo Cristo! O que aconteceu? — ela olhou confusamente ao redor e arrumou os óculos roxos em seu rosto, afastando seus cachos revoltos. — Onde diabos eu estou?

O som de folhas secas anunciou a chegada de alguém às suas costas. Confusa, a mulher se virou e foi surpreendida por um homem de cabelos negros, que cruzou os braços ao vê-la. Não só a postura dele a deixou inquieta, mas como também o jeito que ele estava trajado, parecendo um guerreiro viking. Da mesma forma, as roupas dela deixaram o homem intrigado, fazendo-o concluir que se tratava de uma invasora.

— Quem é você e o que faz aqui? — rugiu Ullr para a moça.

Notas finais
Now it's history... I've played all my cards and that's what you've done too... Nothing more to say... No more ace to play... Gostaram? Odiaram? Comentem.