Asgard Dirty Secrets

7 Como vês o amor vai desbotar


Notas iniciais
* Como vês o amor vai desbotar - Trecho da música "Como vês" de Alice Caymmi Olá!!! Como vocês vão? Obrigada pelos comentários e favoritações!! o/ Sejam bem-vindos os novos leitores!! Espero que gostem e acompanhem a fic até o fim! Minha semana foi extremamente estressante.. Alguns documentos meus sumiram na mudança e por conta disso perdi minha matrícula no SISU.. Não farei mais Teatro.. u_u Os deuses conspiram contra mim, então eu desconto minhas frustrações nas fanfics.. O capítulo de hoje "is dripping treta".. Brace yourselves.. Boa leitura..

O sorriso de James morreu. Ele abriu a boca e encarou Aredhel por algum tempo. Jim não conseguia acreditar que Hela havia aceitado isso. Seu primeiro pensamento foi de que Loki encontrara alguma forma de obrigá-la a se casar.

– Loki.. — ele murmurou trancando os dentes – Eu não vou deixá-lo fazer isso com Hela! Ele não pode obrigá-la! — rosnou marchando em direção à porta.

Aredhel rapidamente correu e o alcançou, segurando seu braço.

– Não, Jimmy.. — Aredhel começou – Hela vai se casar por vontade própria.. — revelou e Jim a fitou boquiaberto – Ela está visivelmente deprimida e amargurada. Não quis me ouvir. Loki conseguiu convencê-la de que você na verdade não a ama, que na verdade.. — ela desviou o olhar — ..ama a mim.. — murmurou.

– Aredhel.. — Jim a fitou, mordendo os lábios em aflição e em seguida a segurou pelos ombros – Eu preciso fazer algo, eu tenho que falar com Hela! — disse com urgência – Ela não pode fazer uma besteira dessas! Não pode se casar assim! Não posso deixar isso acontecer! Eu não posso perdê-la! — desesperou-se.

Ele largou a amiga e rumou mais uma vez em direção à porta, mas novamente foi paralisado por Aredhel.

– Jimmy.. Espere.. — Aredhel o puxou — Se for agora lá, Loki vai acabar.. — lembrou-se das palavras do marido — ..fazendo uma loucura e isso vai terminar em desgraça! — exasperou-se – Ele proibiu sua entrada lá! Você sabe disso! E nem sabemos se ela irá recebê-lo. — lembrou – Você precisa se acalmar. — viu o amigo dar um suspiro triste — O casamento será daqui a algumas semanas. Então temos tempo para evitar isso. — tentou argumentar.

– Certo.. — James disse meio contrariado – Mas o que faremos para evitar esse absurdo? — questionou.

– Você precisa falar pessoalmente com Hela.. Isso é um fato. — passou uma das mãos pelos cabelos – Vou encontrar uma forma de vocês se encontrarem. E só tem um jeito de fazer isso. — afirmou e o encarou – Vou lhe ensinar como ficar invisível. — disse decidida.

Aredhel ao longo dos anos aprendeu todas técnicas de magia do marido e ensinou a grande maioria ao seu amigo. Entretanto, com a ajuda que prestava à Loki e sua dedicação ao teatro itinerante, James só tinha tempo para treinar o que já sabia. Seu aprendizado sobre magias havia estagnado.

– Quando começamos? — Jim indagou em meio a um sorriso.





Em Midgard, uma pequena pomba branca e cheia de manchas pousou sobre o telhado de uma velha fábrica. A pequena ave observava uma curiosa cena: vários robôs construindo armas e novos robôs. A pomba deu um breve rasante sobre o local, mas fora ignorada pelas máquinas. Ela retornou ao telhado e lá pôs-se a observar.

Do outro lado do mundo Steve Rogers andava impaciente no laboratório de Stark, sendo observado por Einmyria e Nicolas. Vez ou outra o Capitão lançava um olhar para Fenrir que permanecia quieto e de olhos fechados, sentado confortavelmente em um poltrona.

– Há quanto tempo ele está assim? — perguntou Steve impaciente.

– Meia hora.. — disse Myria – Mas é assim mesmo.. Ele deve estar tentando memorizar ao máximo o que vê no local. — esclareceu.

– Estamos perdendo tempo. — disse Rogers erguendo os braços — Se você já sabe onde é essa fábrica, deveríamos estar montando um plano de ataque. E não apenas esperando. — olhou para Myria.

– Capitão.. Para começar, Thor, Sif e os filhos deles já estão a caminho dessa fábrica. — começou Nick – Segundo.. Einmyria apenas sabe onde é uma das fábricas que ele controla. Existem várias outras por aí. — informou – Ultron não é exatamente uma máquina, ele é um programa de computador, logo ele pode migrar com facilidade para outras máquinas espalhadas em vários lugares do mundo. Quem sabe se ele até já não fez cópias de segurança de si mesmo e espalhou por aí. Tudo que ele precisa é ter acesso a Internet ou a algum satélite. Por isso precisamos de toda informação que Fenrir possa conseguir para saber onde estão as outras fábricas. Como Ultron nem imagina que exista alguém com tais habilidades, ele nem desconfia que os animais ao redor do local podem ser usados por Fenrir para coletar esses dados. — explicou.

– Verdade.. — anuiu Myria – Eu não posso controlar o que vejo sobre o futuro.. Se pudesse, eu já teria passado a localização de todos os locais que Ultron está comandando. — deu um suspiro triste.

– Se Ultron pode estar em todo lugar, então é impossível derrotá-lo! — Steve exasperou-se – Cada vez que atacarmos um local, ele simplesmente pode se transferir para um novo. Vamos ficar eternamente nessa brincadeira de gato e rato? — indignou-se.

– Não, Capitão.. — disse Váli entrando acompanhado por Stark e Banner – Vamos conseguir acabar com esse joguinho de Ultron. Ainda que demore um pouco.. — franziu o cenho e olhou para Stark.

– Então qual é o plano? — rebateu Rogers.

– Bem, vocês vão se dividir em grupos e sair pelo mundo desativando e demolindo o maior número de fábricas que o filhote cabeludo de rena puder localizar. — Tony indicou com a cabeça Fenrir.

– Esse é o seu brilhante plano? — Steve indagou incrédulo – Não precisa ser um gênio para saber que em pouco tempo ele conseguirá produzir um exército maior que nossa capacidade de destruir as máquinas criadas por ele! Isso sem contar que passaremos meses para buscar e destruir todos esses locais! — rosnou.

– Acalme-se Rogers.. — interferiu Bruce – Isso é apenas parte do plano principal. — revelou.

– Parte? — Steve franziu o cenho.

– Isso mesmo, Capitão.. — disse Váli dando um tapinha nas costas de Steve – Só precisamos ganhar tempo enquanto executamos a outra parte do plano.. Não é tio Tony? — sorriu cinicamente.

– É isso mesmo, menino rena. — Stark afirmou sorrindo de lado.

Fenrir repentinamente se endireitou na cadeira, abriu os olhos e sorriu.

– Já sei para onde irá a próxima equipe. — ele revelou.

– Onde é o segundo esconderijo? — aproximou-se Nick.

– Nós vamos para a Sibéria. — Fenrir revelou.





Siegfried bateu na porta do quarto de Hela. Ela, com a voz fraca, pediu que ele entrasse. O amigo não deixou de ficar surpreso com a imagem que viu diante de si. Havia quase uma semana que ele não via sua fiel amiga, mas nunca imaginou que iria encontrá-la naquele estado. Hela estava extremamente pálida, magra, abatida e com olheiras profundas. Visivelmente não comia e não dormia direito há semanas.

– Hela.. Você não pode continuar assim.. — Sieg disse se aproximando dela — Muito menos insistir nessa loucura de se casar com o príncipe Eric. Você precisa conversar com o Jim. Tem que dar uma chance a ele de esclarecer as coisas e resolver a situação entre vocês. Por favor, pense um pouco. — pediu com veemência.

– Sieg, não foi para falar de James ou sobre meu casamento que lhe chamei aqui. — foi fria – Quero que mande entregar essa carta urgentemente. — disse lhe estendendo um envelope.

– Hela.. — murmurou o amigo ao ver para quem era endereçado – O que você quer com essa mulher? — ficou desconfiado — Você sabe que seus pais não gostam dela e.. — começou a argumentar.

– Siegfried.. — ela apertou as mãos dele entre as suas – Apenas faça o que pedi.. — disse com o olhar triste.

O rapaz deu um longo suspiro e anuiu com a cabeça.

– Agora me deixe ficar sozinha.. — pediu em um fio de voz.

Sieg olhou para a amiga e retirou-se em silêncio do quarto.



Na cozinha do palácio, a moça de cabelos negros e pele extremamente alva terminou de cortar a cenoura e largou a faca sobre a mesa, bufando de um jeito impaciente.

– Estou cansada dessa vida! — exclamou a jovem irritada.

– Tão nova e já cansada? — riu-se a senhora de cabelos loiros – Volte ao trabalho, Astrid.. Não seja insolente. Senão ainda vão te mandar embora daqui. — alertou.

– Eu não vou embora daqui, Kaira. — rebateu Astrid — Pelo contrário.. Vou vir morar aqui. Muito em breve. — sorriu maliciosamente.

– Outra iludida.. — riu-se uma jovem ruiva – Desista, Astrid.. Outras antes de você já tentaram.. Na verdade, várias. — lembrou — Mas nada conseguiram. Pergunte à Kaira.. – apontou e a senhora anuiu – Eu mesma já tentei.. — admitiu – De uma forma espantosa, nosso rei é fiel à esposa. — fez um muxoxo.

– Ah.. Poupe-me, Liv.. — desdenhou Astrid – Você é uma idiota.. Não sabe como conquistar um homem. Por favor! Você é quem caiu na conversa do príncipe Narfi. Eu te avisei para não ceder tão fácil com ele. Ele gosta das difíceis. Já viu como ele rasteja atrás da princesinha Rebecca? Chega a ser patético! — revirou os olhos verdes.

– Se é tão fácil conquistar Narfi, por que você não tenta? — desafiou Liv.

– Porque não me conformo com pouco. — Astrid disse com desdém – Quero ser rainha e agora mesmo! — sibilou – Não quero ter que esperar e além disso duvido que Narfi venha a ser rei um dia. — deu de ombros – Quero o rei Loki. Eu sei que sou melhor que aquela sem sal da Aredhel. — fez uma careta.

– Rainha Aredhel. — corrigiu Kaira impaciente com aquela conversa.

– Rainha por enquanto.. — rebateu Astrid – O palácio inteiro, senão Asgard toda, sabe que ela e nosso rei estão brigados. Que até dormem em quartos separados. — riu.

– É verdade que a briga foi por causa do senhor James? — Liv perguntou em dúvida.

– Claro que foi! — Astrid afirmou — Afinal, depois daquela reunião de família à portas fechadas, ele e os filhos sumiram daqui. E eu mesma ouvi o rei acusar aquela sonsa de passar os dias na casa do amante. A rainha.. — disse com desdém — .. só tem a cara de inocente, mas pelo jeito é uma descarada. Sabe-se lá a quanto tempo ela trai nosso rei. Acredito que até haja outros bastardos além de Igor no meio desses príncipes e princesas. — disse venenosamente – Se eu fosse casada com alguém como o nosso rei, eu jamais teria olhos para outros homens.. Teria apenas olhos para as joias que ele me presenteasse. — riu-se.

– Credo, Astrid.. Como você é venenosa. — Liv meneou a cabeça negativamente.

– Vocês duas deveriam ter vergonha! — indignou-se Kaira – Você, Liv, por ficar fornicando com o príncipe Narfi pelos corredores! E você, Astrid, por falar esses disparates e conspirar contra a rainha. Ela que sempre nos tratou bem, praticamente viu você crescer e lhe ajudou quando sua mãe faleceu.

– Ela fez porque quis.. Eu nunca pedi nada.. — Astrid deu de ombros.

– Ingrata! — ralhou Kaira.

– Tanto faz.. — Astrid fez um muxoxo – Enquanto vocês perdem tempo aqui, vou lá atrás de meu objetivo.. — tirou o avental e encaminhou-se para a saída — Ser a nova rainha de Asgard! — gargalhou e saiu.

De fato, a jovem e ambiciosa Astrid passou a se insinuar e assediar Loki diariamente. No início ele não percebia as discretas investidas da moça, mas com o tempo ele começou a notar. Loki passou a ignorá-la, chegando a ser rude com a jovem algumas vezes. Ele sempre fazia isso com todas as mulheres que o perseguiram durante todos esses anos. Astrid não era a primeira a fazer isso e nem seria a última. Outras, assim como ela, tiveram a mesma ideia ambiciosa. A concorrência para Astrid seria implacável.

Mesmo achando Astrid e outras servas bonitas, Loki detestava mulheres do tipo desfrutável. Além disso, por amar Aredhel, não passava por sua cabeça traí-la. Apesar de ser insaciável, sua esposa conseguia satisfazê-lo. Não tinha do que se queixar. Entretanto, a sua atual situação com Aredhel estava deixando Loki à beira da loucura. Com o passar dos dias ele percebeu que tinha que fazer um maior esforço para ignorar as curvas voluptuosas de Astrid e das demais servas.

– Aredhel.. — resmungou Loki observando Astrid deixar o salão rebolando o quadril – Você precisa acabar com essa besteira, ou não respondo por mim.. — trancou os dentes e passou as mãos pelo rosto.





Mais algumas semanas se passaram. Ultron começou a fazer ataques a algumas cidades na Terra. Váli, Fenrir, Myria, Thor e os demais continuaram a se dividir entre salvar as cidades e destruir os esconderijos de Ultron que eram descobertos. Porém estavam longe de conseguir frustrar de vez os planos de Ultron. Perceberam que mesmo unindo forças ainda estavam em desvantagem. Ultron sempre estava à frente deles. A equipe estava cada vez mais cansada. Mal tinham tempo de se recuperar de uma batalha e uma nova surgia. Ainda assim, Stark e Váli estavam convictos de que seu plano daria certo, mesmo que levasse mais algumas semanas.

Os preparativos para o casamento de Hela continuavam em ritmo acelerado. Em Asgard e Alfheim não se falava em outra coisa, senão na união dos dois herdeiros. Todavia, Hela continuava a definhar, esperando ansiosamente a resposta à sua misteriosa carta.

Aredhel continuou indo todos os dias para a casa de James e cada vez mais passava um tempo maior por lá. Eles aproveitavam o tempo entre as apresentações dele para treinar a técnica de invisibilidade com determinação. Jim lamentava não dispor de mais tempo para aprender, vez que tinha que trabalhar mais para sustentar sua família na vila. Contudo, com o passar dos dias, ele evoluía em seu aprendizado. O casal de amigos estava cada vez mais unido e cúmplice. Nos intervalos entre os treinamentos, passavam horas conversando. Buscavam apoio mútuo entre si para as dificuldades que estavam enfrentando. Apesar dos problemas de cada um, sentiam-se muito felizes na companhia um do outro. Ao lado de Aredhel, James conseguia relaxar e deixar de lado suas recentes frustrações. Ela, por sua vez, encontrava no amigo o carinho que vinha lhe faltando ao lado do esposo. Entretanto a paz dela durou pouco. Aredhel passou a ficar extremamente preocupada com uma recente descoberta que fizera.

Loki, por outro lado, estava ficando mais hostil com a esposa. Ele tinha a certeza de que estava certo das decisões e do comportamento que vinha assumindo diante da situação. A resistência de Aredhel estava tendo o efeito contrário, só o deixava mais irritado e cheio de si. Depois de anos vendo a esposa ceder aos seus caprichos, não estava mais acostumado a ser contrariado por ela.

Seu ciúmes de James o cegava. Ao perceber que ela, contrariando suas ordens, começou a passar mais tempo fora na companhia de Jim, resolveu confrontá-la. Era noite, pouco antes do jantar, quando ele entrou no quarto da esposa meio de supetão.

– É educado bater antes de entrar.. — Aredhel disse ainda de costas, sentada em sua penteadeira.

– Eu vim lhe fazer um alerta. — Loki disse ignorando o comentário dela.

Aredhel se virou para encará-lo e cruzou os braços.

– Diga.. — falou seriamente.

– Aredhel, eu já lhe dei inúmeros avisos sobre essas suas visitas à James! — aproximou-se dela.

– Loki.. Você é meu esposo, mas não é meu dono. Jimmy é meu amigo e vou continuar a visitá-lo. — informou calmamente.

– Então vai ser assim? — Loki sorriu de lado – Vai continuar me desafiando? Pois bem! Então a partir de amanhã a senhora terá que ir a pé! — foi cínico — Está desautorizada, por tempo indeterminado, a utilizar qualquer aeronave ou cavalo pertencente a este palácio! — vociferou.

Aredhel abriu a boca surpresa. Loki aproximou o rosto do dela e fechou a cara.

– Não serei motivo de chacota nos nove reinos, porque minha esposa passa o dia todo enfurnada na casa de outro homem! — rosnou — Não me obrigue a trancá-la aqui no palácio, Aredhel. — ele disse em meio a um sorriso — Se continuar a vê-lo serei obrigado a fazer isso e a quebrar a promessa que lhe fiz! — viu a esposa arregalar os olhos — Esteja avisada! — sibilou.

Loki virou-se de costas e encaminhou-se para fora do quarto. Porém, no caminho, ele se lembrou das investidas que vinha sofrendo das servas e resolveu usar isso para pisar ainda mais em sua esposa.

– Ah, é bom a senhora reconsiderar seu comportamento comigo.. — disse parando à porta – Mulheres atrás de mim nunca faltaram e eu estou ficando cansando de esperar por você! — ameaçou e saiu batendo a porta com estrondo.

Aredhel passou as mãos pelos cabelos. Percebeu que a situação toda estava escapando ao seu controle. Ao invés de ver o marido ceder, ele estava cada vez mais agressivo. Começou a temer que Loki realmente cumprisse suas ameaças. Desesperada, correu até o quarto de sua filha, Eisa.

– Mamãe? — espantou-se a moça ao ver Aredhel à porta de seu quarto – O que houve? — indagou ao vê-la nervosa.

– Eisa, eu preciso que faça um favor para mim. — Aredhel falou rapidamente, ignorando a pergunta de sua filha – Quero que vá até a vila e avise para Jimmy que amanhã é o dia. — pediu.

– Certo, mãe.. Eu vou.. — a filha segurou as mãos dela – Agora, se acalme. Isso pode fazer mal para a senhora e.. — falou, mas não terminou.

A moça olhou meio sem jeito para Aredhel e deu um sorriso fraco. Aredhel percebeu sobre o que a filha ia comentar.

– Você sabe? — surpreendeu-se Aredhel.

– Sim, mãe.. — anuiu a moça — Myria me contou antes de partir e..

– Shh.. — Aredhel a interrompeu, colocando o dedo sobre os lábios da filha — Seu pai não pode saber! — disse com urgência.

– Mas por que, mãe? — Eisa franziu o cenho.

– Apenas me prometa que não vai comentar com ninguém! — a mãe ordenou nervosa.

– Prometo.. — murmurou a jovem.

– Então vá e dê o meu recado a Jimmy. — pediu — Ele saberá o que fazer. — afirmou.





Na manhã seguinte Aredhel se levantou cedo e correu para os jardins. Alcançou o canto mais escondido e discreto do local e lá ficou aguardando. Ela já estava sentada a algum tempo à sombra de uma árvore, quando James apareceu repentinamente diante dela.

– Nossa, que susto. — Aredhel disse levando a mão ao peito.

– Viu? Consegui entrar.. — sorriu James a puxando para um abraço – Então como faremos agora? — indagou ansioso.

– Vamos aguardar. — ela informou – Broomhilda disse que ela sempre vem para os jardins pela manhã. — baixou os olhos – Na verdade é o único momento do dia que ela sai do quarto. — entristeceu-se.

James franziu o cenho e deixou escapar um suspiro triste.

– Temos que ficar alertas. Se ouvirmos alguém se aproximar, você fica invisível. — alertou Aredhel.

– Será que ela irá demorar muito? — ele perguntou.

– Não sei.. Mas não se aflija.. — Aredhel fez um afago no braço do amigo – Para me certificar de que nada poderia dar errado, pedi que Eisa desse um jeito de trazê-la até aqui. — revelou – De hoje essa conversa não passa! — afirmou otimista.





Ainda naquela manhã, Narfi, Igor e os demais retornaram de sua jornada. Por fim, depois de mais de um mês à caça, conseguiram capturar os líderes dos Marauders e boa parte do bando. Narfi seguiu com os demais guerreiros conduzindo os novos presos às masmorras. O filho do meio de Loki sempre preferia interrogar pessoalmente seus prisoneiros. Ele sempre se divertia enquanto extraía as informações que queria. Narfi era extremamente sádico e a tortura de presos era quase um momento de lazer para ele.

Igor, por outro lado, estava mais interessado em ver os pais, principalmente sua mãe. Durante o período que esteve afastado, Igor refletiu muito sobre as estranhas revelações do casal que ouvira naquele dia. Retornou decidido a ouvir de Aredhel sua versão dos fatos.

O filho adotivo de Aredhel e Loki foi primeiramente ver o pai.

– E como andam as coisas? — o jovem indagou após um abraço tímido em Loki.

– Muito trabalho e pouco descanso. — Loki foi sucinto.

– E mamãe? Onde está? — perguntou Igor.

– Sei lá.. — disse o pai impaciente – Se for esperta, estará em algum lugar nas dependências do palácio. Ela sabe o que acontecerá se for ver novamente o amante dela.. — resmungou se retirando do salão.

Igor observou atônito o pai se distanciar. Jamais passou pela cabeça do rapaz que a situação entre Loki, Aredhel e James, tivesse chegado a esse ponto.

– Então é verdade.. — murmurou Igor pasmo.

Depois de trocar algumas palavras com alguns servos, Igor foi informado de que viram Aredhel seguir para o jardim, bem cedo naquela manhã. O rapaz prontamente foi atrás de sua mãe. Mais do que nunca precisava tirar a prova dessa história toda.

Chegando no jardim e após procurar por um tempo, avistou Aredhel meio escondida, sentada à sombra de uma árvore. Ao se aproximar, percebeu que ela conversava com alguém. A fim de descobrir quem era e ouvir o que diziam, resolveu se aproximar silenciosamente, sem ser percebido. Ficou surpreso ao ver de quem se tratava.

– Grávida? — ouviu James exclamar – Tem certeza? — indagou incrédulo.

– Sim.. — anuiu Aredhel – Confesso que também não acreditei.. Depois de tanto tempo, pensei que não pudesse mais engravidar. — deu um suspiro – Descuidei-me. — mordeu os lábios.

– Aredhel.. — Jim passou as mãos pelo rosto – Loki precisa saber.. Precisamos conversar com ele e acabar com tudo isso. Essa situação não pode continuar desse jeito. — disse visivelmente agoniado.

– Não! Agora é o pior momento para ele descobrir! — ela falou exasperada – Ele está cada vez mais agressivo e fazendo ameaças. E você sabe que nós já estamos a algum tempo sem.. — corou meneando a cabeça negativamente – Isso pode acabar em tragédia. — afligiu-se.

Igor, estupefato, parou de ouvir a conversa. Ele não percebeu, mas se afastava gradativamente do local, chocado com o que ouvira. Mal podia acreditar no que lhe fora revelado. Depois de uma certa distância segura, ele começou a andar apressado de volta para as dependências do palácio. Estava quase correndo. Ao entrar por um dos portões, escorou-se em uma das colunas e passou uma das mãos nervosamente pelos cabelos.

– Mamãe espera um filho do tio Jim.. — o jovem disse em um fio de voz para si.





A bela mulher de cabelos loiros soltou um riso jocoso. Ela e Hela estavam no quarto da jovem a conversar. Hela olhou impaciente para a mulher. Esperava uma resposta para seu pedido.

– Quer dizer que você me mandou aquela carta desesperada para isso? — riu-se a mulher de olhos violeta – Minha querida.. — disse se aproximando de Hela – Acho que seu estado físico parece precisar de mais cuidados.. — olhou-a dos pés a cabeça – Já se olhou no espelho hoje? — ironizou.

– Freyja.. Apenas me responda se pode fazer ou não o que pedi. — Hela foi ríspida.

Freyja ergueu o rosto e estreitou os olhos.

– Posso. — respondeu meio contrariada – O problema é o preço a ser pago. — alertou friamente.

– Pago o quanto quiser. — rebateu Hela.

– Não estou falando de meu preço. — sorriu a loira – Sei que sua família possui posses o suficiente para me pagar até dobrado. — riu – Estou falando do seu sacrifício. — ergueu as sobrancelhas.

– Meu sacrifício? — a jovem questionou confusa.

– Sim.. — aproximou-se e tocou com a ponta dos dedos o rosto cansado de Hela – Para deixar de amar um homem assim.. — fez uma pausa teatral — De um dia para o outro.. Magicamente.. — enfatizou — Tem seu custo. Tudo na magia tem seu preço. Você sabe disso.. — deu um sorriso malicioso.

– Sei, a troca equivalente.. — murmurou a moça franzindo o cenho.

– Para deixar de amá-lo, terá que abrir mão de todas as lembranças que possui com ele. — revelou Freyja — Você jamais se lembrará dele. Será como se nunca o tivesse conhecido. Todas as suas lembranças a ele atreladas desaparecerão. Inclusive a memória de momentos envolvendo outras pessoas.. — explicou em meio a um sorriso – Acha que pode pagar o preço, Hela? Pode? — indagou.

Notas finais
Meias verdades, são mentiras inteiras.. O quão caro pode ser uma mentira? Gostaram? Odiaram? Comentem.