Asgard Dirty Secrets

17 Cause you broken all your promises


Notas iniciais
*Cause you broken all your promises = Porque você quebrou todas as suas promessas - Trecho da música "Jar Of Hearts" de Christina Perri. Olá gente.. Demorou, mas saiu.. Obrigada pelos comentários e favoritações!! Sejam bem-vindos novas leitoras!! Bem.. Avisos.. Vou ficar um pouco ocupada.. Tenho que ajeitar algumas pendências da faculdade, então vai demorar um pouco mais as postagens. Foi criado um grupo no whasapp das fanfics.. Quem quiser entrar é só mandar mensagem privada para mim aqui no spirit. Mas aviso, o grupo é muito agitado e rola de tudo.. Muitas fotos e comentários sobre homens bonitos, taras e fantasias sexuais.. hauahuahau Novas fics à caminho.. Em breve espero trazer o primeiro conto da fic "Harém do Loki", fanfic com conto erótico a cada capítulo, tipo oneshot. Outra fanfic que também já está em planejamento é outra do Tom, "In love with defeat". Sobre o capitulo de hoje.. Bem.. Está suave.. E bem calmo.. Todo mundo machuca alguma vez.. Então.. Segurem firme..

Aredhel ficou parada apenas olhando para a porta do local. Não pensava exatamente no amigo que havia partido, mas sim em tudo o que tinha acontecido naquele longo dia. A agressividade do esposo, o retorno ao palácio, as brigas e discussões e, por fim, a amnésia parcial de Hela. Ver a filha acusá-la de negligência fora a gota d'água para Aredhel. Novas lágrimas rolaram pelo rosto dela. Era sofrimento demais para absorver de uma só vez.

A rainha de Asgard tivera uma infância difícil. Desde muito nova percebera a antipatia que seu pai nutria por ela. Com a chegada de seu irmão William, a preferência por ele ficou logo evidente. As traquinagens do irmão eram agraciadas com a complacência e muita paciência, enquanto que cada deslize de Aredhel sempre era punido com severidade. Ela cresceu ouvindo que não era bonita e que tampouco teria sucesso na vida. Por este motivo sempre teve uma péssima autoestima. “Não é fácil tirar da nossa cabeça algo que fomos levados a acreditar por toda uma vida. Você ouve tantas vezes a mesma coisa que, mesmo sendo mentira, ela se torna verdade. Se torna parte de você..”, ela costumava dizer.

Mas, ainda assim, Aredhel era romântica e sonhadora. E foi com encanto que um jovem de cabelos e olhos castanhos chamou sua atenção na faculdade. Phillip se aproximou de Aredhel como um amigo e com facilidade conquistou o coração solitário e carente dela. Em pouco tempo começaram a namorar. Ela era apenas uma jovem inexperiente e acabou por mergulhar de cabeça naquele relacionamento. Encontrou em Phillip alguém que via nela qualidades e um fiel confidente. O rapaz, sendo testemunha dos maus-tratos que a namorada sofria, acabou por não ter um bom relacionamento com Wilson. Por fim, a doçura, o carinho e dedicação de Aredhel fizeram o jovem pedi-la em casamento seis meses depois e irem morar juntos. O casal teria se casado dali a um ano se Aredhel não tivesse entrado na luz que a levou para a outra realidade e fizesse Loki cruzar seu caminho.

Sem nem perceber, Aredhel já nutria um amor platônico pelo “deus da mentira”. Era uma fã devotada ao personagem, tanto o do cinema quanto o dos quadrinhos. Admirava-o e identificava-se com seu drama familiar. Afinal, ambos experimentaram o gosto amargo da rejeição. Mesmo tendo o conhecimento sobre sua personalidade, ambições e origem Jotun, ela nunca o temeu. Antes mesmo de conhecê-lo, Aredhel já admirava Loki do jeito que ele era.

Impulsiva da forma que era, não fora surpresa alguma ela tomar partido de Loki e usar o que sabia dos filmes para ajudá-lo. Mesmo com a desconfiança dos Avengers e de Odin, a pena de um ano de prisão e a indiferença inicial por parte de Loki, ela se manteve determinada em continuar o defendendo. Quando descobriu-se apaixonada por ele, se sentiu culpada e confusa por amar dois homens ao mesmo tempo. Entretanto, no final, o seu amor por Loki se provou maior. Tanto o era, que ao retornar à sua “Terra”, mesmo sem ter a certeza de ser correspondida, estava decidida a terminar o noivado. Mas ela não contava descobrir que Phillip havia morrido momentos depois de sua partida para a outra realidade. Uma vez de volta ao “mundo” de Loki, e munida da certeza que era amada por ele, entregou-se por inteiro àquele relacionamento. Logo se tornou esposa de Loki.

Loki se mostrou ser um marido extremamente dominador, mas Aredhel não se deixava dobrar. Ele temia a fragilidade e efemeridade de sua esposa, mas ela sempre o enfrentava e acabava fazendo o que queria, levando o marido muitas vezes às raias da loucura. Quando Loki finalmente conseguiu dar a ela a longevidade, sentiu-se aliviado.

Neste mesmo período veio a notícia de que seu primeiro herdeiro estava a caminho. Aredhel se revelou uma mãe dedicada, mas ficou apavorada quando descobriu que seria mãe pela segunda vez. Ela temia repetir com os filhos a injustiça que sofrera a vida inteira: ser preterida em relação ao seu irmão. Por este motivo se dedicou a eles de forma devotada, sempre evitando tratar os filhos de forma diferente. Esforçou-se para criar seus filhos livre de dogmas e preconceitos. Seu maior receio era errar com eles.

Em relação a Loki, por anos ela seguiu apoiando, perdoando e sendo complacente com os erros e desatinos do marido. Aredhel nunca desejou que Loki fosse diferente ou mudasse. Desta forma, coadunou com seu comportamento, mesmo quando este acabava por lhe magoar. Loki possuía inúmeros defeitos, mas nenhum era tão perigoso quanto o ciúme e a possessividade que ele nutria por Aredhel. No início ela até achava engraçado, mas com o passar dos anos viu esse sentimento crescer e se transformar em um monstro incontrolável, que acabou por culminar em sua primeira morte.

Com o tempo Aredhel foi gradativamente se isolando e, sufocada pela superproteção do marido, tornou-se solitária. Loki ergueu ao redor de sua esposa uma redoma, construída sob o disfarce de proteção, mas cheia de obsessão. O que ele não contava é que alguém atravessaria essa redoma. Uma pessoa que tinha o mesmo rosto, mas uma personalidade contrária a sua: James. O jovem ator se tornou amigo e confidente da rainha de Asgard. Ela passou a amá-lo como um irmão. Recebia dele o carinho que nunca teve de seu irmão e pai, desta forma Jim passou a suprir tal carência. Aredhel nunca o viu com outros olhos, tampouco percebeu que um dia ele a amou de uma forma diferente. A amizade desmedida nunca fora apreciada por Loki, mas em nome do amor que tinha por sua esposa, ele aceitou e aprendeu a conviver com a presença de James na vida deles.

Aredhel seguiu perdoando cada vez que Loki a machucava ou magoava em virtude de seu amor obsessivo. Mesmo carregando algumas marcas dos maus-tratos dele, ela não guardava mágoas. O amor que Aredhel dedicava a Loki era maior do que ela mesma. Esse amor era cego, incondicional e capaz de tudo. Aredhel facilmente daria a própria vida por ele, como o fez quando morreu pela segunda vez.

Mas nem tudo fora sofrimento para ela. Aredhel se sentia feliz e abençoada pelo lar que construiu ao lado de Loki. Depois de tantos inimigos e agruras, o casal pode desfrutar de duas décadas de paz e felicidade. Criaram seus filhos e tudo parecia em perfeita harmonia, até que Loki decidiu casar a filha mais velha. Quando o romance entre Hela e James veio à tona, Aredhel jamais imaginou que sua vida mudaria drasticamente.

Ao apoiar o amor entre seu melhor amigo e sua filha, Aredhel despertou a fúria do marido. Contrariado, Loki a humilhou diante dos filhos e dos servos e jogou o que lhe restava de dignidade na lama. O rei de Asgard queria mais uma vez dobrar a esposa à sua vontade e vê-la ceder. Para isso usou-se mais uma vez de palavras rudes e até a proibiu de comer. Mesmo sofrendo com o desprezo e indiferença de alguns seus filhos e marido, Aredhel se manteve firme e exigia a retratação dos mal-entendidos criados por Loki, bem como a liberdade da filha de escolher a quem amar.

Diante das ameças de Loki em quebrar a promessa de não fazer mal à James e da recente descoberta da nova gravidez, Aredhel retrocedeu em alguns pontos. Parou de visitar o amigo e, quando o marido ameaçou procurar em outra mulher o que não conseguia com ela, pensou em ceder. O que ela não contava era encontrar o marido aos beijos com um serva. Para Aredhel, Loki havia passado dos limites. Sentiu nojo e repulsa dele. Quando, por fim, foi escorraçada por ele do palácio, Aredhel teve a certeza de que seu marido não a amava mais.

Destruída por dentro, Aredhel se perguntava onde teria errado e o que fizera para merecer tudo aquilo. Ficou confusa e amedrontada quando ele foi atrás dela e, de forma violenta, declarou que ela não poderia abandoná-lo. Ela passou a crer que não era mais do que um brinquedo nas mãos de Loki. Percebeu que não tinha como deixá-lo ou fugir dele. Estava destinada a permanecer escrava de suas vontades. Temendo ser separada do filho que carregava e a morte de James, Aredhel se resignou e aceitou fazer de tudo o que ele quisesse em troca de um pouco de paz.

O que está ruim, sempre pode ficar pior. E como se tudo o que já vinha sofrendo não fosse o bastante, Aredhel levara um novo golpe: sua filha mal se lembrava dela em sua vida. Impotente diante daquelas incessantes ondas de amargas surpresas, a rainha de Asgard passou a crer que sofrer era o real motivo dela continuar viva e que a derrota era sua sina.





Sentindo-se esgotada com as recentes emoções, Aredhel se apoiou em uma pequena mesa que havia no local. Respirando com dificuldade e percebendo a vista escurecer, ela murmurou o nome do marido. Loki percebendo o estado da esposa correu para ampará-la.

– Aredhel? Você está bem? — preocupou-se Loki.

– Loki.. — ela disse baixinho com a voz rouca – Tem que haver uma solução.. Hela.. Ela mal se lembra de mim.. Acredita que eu sempre a rejeitei.. — passou as mãos pelo rosto – Eu sou uma péssima mãe? Onde eu errei? O que eu fiz para merecer tudo isso? — chorava.

Loki se limitou a fitá-la boquiaberto. Ele não sabia o que dizer. Tinha a plena consciência de que era o principal responsável pelo ato desesperado da filha e pelo sofrimento da esposa.

– O que eu lhe fiz para me odiar tanto? — ela o encarou – Onde eu lhe faltei? — agarrou o traje dele de forma exasperada – Quando foi que deixou de me amar? Por quê? — soluçava – Durante todos esses anos.. Desde que nos conhecemos.. Tudo o que fiz foi lhe amar! — berrou visivelmente alterada – Eu lhe dei minha vida! Virei sua sombra, seu fantasma! — gritava toda trêmula.

– Aredhel.. — Loki murmurou assombrado – Eu não lhe odeio.. Eu.. — começou a falar.

– Então porque me faz sofrer tanto? — Aredhel indagou em um fio de voz – Você sente prazer em magoar sua própria filha? Como você pode sair por ai deixando um rastro de dor e cicatrizes por onde passava? Será que sua alma também é feita de gelo? Você quebrou todas as promessas que me fez.. Despedaçou o nosso amor.. Meu Deus.. Eu te amo tanto.. — apertou uma das mãos contra o peito e, por fim, desabou em um pranto sofrido.

Lágrimas desceram pelo rosto de Loki. Naquele momento, o sofrimento dela também era seu. Ele jamais imaginou que a machucara tanto. Loki segurou entre suas mãos o rosto de sua esposa e deixou que mais lágrimas rolassem por seu rosto.

– Eu te amo, Aredhel.. E nunca deixei de te amar.. — ele disse com a voz embargada.

Aredhel franziu o cenho e encarou-o com uma expressão incrédula.

– Então por que fez o que fez? — ela indagou com o rosto banhado de lágrimas.

Mais uma vez o rei de Asgard ficou sem palavras. De repente, seu motivos e ambições pareciam apenas birras de uma criança mimada. Eram sentimentos vis e tolices insignificantes e sem sentido. Loki percebeu que trocou suas convicções por algo que não tinha preço: o amor de sua esposa.

– O amor não deveria doer tanto.. Machucar tanto.. Isso não é amor.. — ela falou baixinho, meneando a cabeça.

– Aredhel.. — ele disse em meio a um soluço – Pelos deuses.. Acredite.. Eu te amo.. Perdoe-me por favor.. — implorou.

Antes que Aredhel pudesse dizer mais alguma coisa, Váli entrou na sala. O rapaz ao ver o estado de nervos de sua mãe se aproximou rapidamente dela e afastou-a de Loki. Váli encarou o pai e ficou surpreso ao vê-lo visivelmente emocionado. Aredhel, ainda debulhando-se em lágrimas, se encolheu nos braços do filho.

– Venha, mamãe, você precisa descansar. — Váli disse preocupado.

Sem oferecer nenhuma resistência, Aredhel se deixou ser conduzida de volta para o quarto. Loki, devastado pela dor que sentia, limitou-se a chorar em silêncio, solitário naquela sala.

Eisa, Wagner, Fenrir e Katarina olhavam estarrecidos para Siegfried. Os jovens mal podiam acreditar no que lhes fora revelado.

– Hela não lembra do papai? — Katarina indagou incrédula.

– Papai deve estar arrasado.. — começou Wagner – Ele saiu tão animado daqui para buscá-la. Por Deus.. Parece que nada dá certo para o papai. — passou uma das mãos pelos cabelos.

– Isso é só uma parte do problema.. — Sieg falou de repente.

– Como assim? — Fenrir perguntou preocupado.

– Com as lembranças do tio Jim, também se foram qualquer outra associada a ele. As memórias de Hela sobre sua vida até os dias atuais foi toda distorcida. Ela não lembra de vocês.. — olhou para Wagner e Katarina – E muitos momentos em família também sumiram. — revelou.

– Pelos deuses.. — murmurou Eisa levando ambas as mãos ao rosto.

– É um problema atrás do outro. — comentou Fenrir – Hela praticamente não será a mesma pessoa. Tio Jim sempre foi muito presente em nossas vidas.. Na vida dela.. Ainda mais ela que sempre foi muito agarrada a ele. — afligiu-se.

Os jovens ainda comentavam sobre a situação de Hela, quando James entrou bufando.

– Kat e Wagner, vamos. Está na hora de irmos para casa. — Jim foi direto.

– Pai, e quanto a Hela? — questionou Wagner.

– Amanhã eu virei vê-la. E no dia seguinte e no posterior. Retornarei quantos dias forem necessários para reconquistá-la. — James disse seriamente – Até amanhã, meninos. — dirigiu-se aos demais.

Em seguida, Jim se retirou na companhia de seus filhos. Fenrir, Eisa e Siegfried começaram a discutir sobre a situação da irmã quando Narfi e Igor se juntaram a eles. Logo os demais os deixaram a par do novo problema familiar.

– Nossa.. E mamãe já está sabendo disso? — indagou Igor aflito.

– Ela sabe.. — disse Loki entrando no salão – Precisamos conversar.. — falou calmamente.

Após todos se acomodarem na cadeiras da mesa, Loki, já recomposto, começou a contar a verdade sobre Aredhel e James. Revelou que Thanos os havia controlado e que eles nunca tinham tido nenhum outro tipo de envolvimento maior que a amizade que possuíam. Entretanto não tocou no ponto em que ele acreditava que Jim poderia ter algum interesse por Aredhel. Por mais que não tivesse mudado sua opinião sobre o assunto, sabia que era melhor não trazê-la à tona naquele momento. Com aquela conversa, Loki almejava consertar a confusão que criara e que fazia a esposa sofrer. Portanto, não era conveniente instigar mais desconfianças e intrigas. Confessou que dissera meias verdades a fim de que Hela desistisse de se casar com James. E finalizou com o assunto sobre a amnésia de Hela e suas consequências.

– Pai, o senhor tem noção da confusão que criou? — Fenrir começou exasperado — Por causa desses mal-entendidos, Hela fez essa loucura! O senhor quase matou o tio Jim e machucou a nossa mãe! Por muito pouco isso não vira uma grande tragédia! Mamãe poderia ter perdido o bebê! — bufava — Ela deve estar arrasada com esse novo golpe.

– Praticamente nos induziu a tirar conclusões precipitadas sobre tudo. — acusou Narfi visivelmente irritado.

– Verdade.. — anuiu Igor – Chegamos a acreditar que ela realmente havia sido infiel. E pensar que mamãe era a principal vítima dessa história toda. — lamentou.

– Vocês é que escolheram acreditar só no que viam ou ouviam pela metade. — retorquiu Eisa – Deveriam ter acreditado nela desde o começo. — disse com desdém.

– Ah, é fácil para você falar em confiar! Você lê mentes! — retrucou Narfi.

– Chega.. Ficar aqui brigando entre nós não vai ajudar a resolver ou desfazer todo o mal. — Fenrir interferiu.

– O que podemos fazer para ajudar? — questionou Igor.

Loki passou uma das mãos pela fronte, visivelmente cansado com todos aqueles problemas.

– Eu vou conversar com Hela e explicar tudo o que aconteceu. — iniciou Loki – Ela provavelmente ficará muito confusa, então eu espero poder contar com o apoio de vocês para ajudá-la. Ainda não sabemos como reverter o efeito da poção e se ela irá recuperar a memória, mas temos que tentar de tudo.

– Meus sinceros parabéns! — gritou Váli ironicamente, batendo palmas ao entrar no salão – Depois de causar todo esse caos, vem até aqui com essa cara de arrependimento e pede ajuda para consertar suas burradas? — rosnou o rapaz irritado – Vai mudar de comportamento também? Aceitará a presença do tio Jim aqui novamente? Fingirá mais uma vez que está tudo bem? Realmente acha que será capaz de desfazer todo o mal que causou? Acredita que poderá juntar os cacos que sobraram de minha mãe? — sibilou.

– Como ousa falar assim comigo? Sou seu pai! Você me deve respeito! — retrucou Loki.

– Váli! — Fenrir se aproximou do irmão – Acalme-se.. — pediu.

– Pai.. — Váli falou pausadamente – Eles podem acreditar em seu arrependimento, mas eu não sou idiota de cair nessa sua conversa! — bufou com raiva e aproximou-se do pai – Vai ter que fazer bem mais do que isso para tirá-la daquela depressão! Ela está destruída! — apontou o dedo na cara dele.

Siegfried segurou o braço do amigo e afastou-o de Loki. O rei de Asgard apenas ficou encarando o filho. Ele sabia que Váli tinha razão. Aquilo só era o começo de seu calvário para desfazer tudo o que fez.

– Váli.. Tenha calma.. — disse Eisa – Eu entendo sua revolta. Todos estamos preocupados com a mamãe e a Hela. Mas o papai pelo menos está tentando consertar as coisas. — tentou argumentar.

Váli voltou a encarar o pai, olhou ao redor e retirou-se da sala marchando. Loki passou as mãos pelos cabelos e exalou o ar lentamente. “Mais uma vez eu criei meu próprio inferno..”, ele pensou.

– Eu só queria descobri como Hela conseguiu aquela poção. — Loki pensou alto.

– Meu rei.. Eu acredito que sei com quem ela pode ter conseguido isso. — disse Sieg de repente.

– Quem? — Loki perguntou agitado.

– Com a senhora Freyja. — revelou – Algumas semanas atrás Hela pediu que eu mandasse entregar uma carta à Freyja. — explicou.

– É verdade! — exclamou Eisa – Eu cheguei a vê-la aqui pelos corredores do palácio! — comentou.

– Tinha que ser coisa daquela mulher.. — Loki disse entredentes – Eu resolverei isso com ela. Amanhã mesmo irei fazer uma visita. — afirmou.

– Se o senhor quiser posso ir com o senhor.. — Eisa deu um sorriso cínico.

– Claro, minha querida. — o pai devolveu o mesmo tipo de sorriso.



Hela já estava instalada em seu quarto novamente, quando alguém bateu à sua porta. Ela pediu que entrasse e sorriu ao ver que era seu pai.

– Oi paizinho! — sorriu a jovem – Ai.. O que vamos fazer agora? O príncipe Eric deve estar super preocupado comigo. — abraçou o pai — Eu ainda não entendi como eu vim parar aqui.. Foi o senhor que me mandou buscar? O plano não era eu voltar depois do casamento? Só será daqui a dois dias. O senhor desistiu? Eu estava até pensando em torná-lo real. Achei o Eric tão bonito e educado.. — continuou falando.

– Hela, minha filha, precisamos conversar. — Loki a interrompeu.

A jovem sorriu e indicou uma poltrona para que o pai se sentasse. Loki limpou a garganta e começou sua explanação. Ele iniciou falando sobre a poção e como ela voltara para Asgard. O sorriso de Hela foi murchando à medida que seu pai lhe revelava os fatos. Rapidamente a jovem começou um interrogatório. A cada revelação que fazia, Loki recebia uma enxurrada de perguntas. A moça meneava a cabeça com incredulidade ao ouvir o pai dizer que ela amava James e que, ao contrário do que acreditava, sua mãe nunca fora negligente. E quando Loki explicou os detalhes que a levaram a cometer a loucura de tomar a poção, ele viu os olhos da filha se encherem de lágrimas. Em suma, ele resumiu tudo o que ocorrera desde a discussão que tiveram quando descobriu sobre o relacionamento dela com Jim. Ao final da narrativa, Hela baixou a cabeça e ficou encarando as mãos.

– Hela.. Peço que me perdoe.. — ele pediu com tristeza – Eu.. — ele começou a dizer.

– Pai.. Eu quero ficar sozinha.. — ela disse baixinho.

Loki deu um grande suspiro e anuiu. Ele se levantou, beijou a fronte da filha e se retirou do quarto.





Silenciosamente Loki se encaminhou para seu quarto e, ao chegar, encontrou Aredhel ainda acordada. Parecia mais calma, mas ainda tinha o rosto inchado pelo choro. Ela estava pensativa e acarinhava o próprio ventre.

– Ainda acordada? — Loki perguntou, chamando a atenção dela.

– Estou sem sono ainda.. — ela disse baixinho.

Loki se sentou na beirada da cama, passou as pontas dos dedos pelo rosto de Aredhel e depois pegou as mãos dela entre as suas.

– Aredhel.. Eu nem sei por onde começar.. — foi sincero – Eu juro que tentei resolver as coisas entre James e Hela, mas não imaginei que ela teria em mãos aquela poção. — meneava a cabeça — Prometo que não descansarei até encontrar uma forma de recuperar a memória dela. — fitou-a nos olhos.

Tudo que Loki viu foi Aredhel, com um olhar distante, anuir com a cabeça enquanto novas lágrimas se formaram nos olhos dela.

– Meu amor.. — ele prosseguiu — Eu sei que nesses últimos tempos tenho sido rude com você, que lhe magoei, humilhei, disse inverdades hediondas e até.. — deu um suspiro triste — ..lhe machuquei.. Peço que me perdoe.. — tocou o rosto dela – Aredhel.. Eu imploro o seu perdão.. Eu te amo e vou amar para sempre.. Você é tudo para mim.. — declarou com a voz embargada – Você me perdoa? — indagou.

Aredhel mal ouvia suas palavras, de tão anestesiada e perdida que estava. Ela queria acreditar nas palavras dele, mas depois de tudo o que passou e dos maus-tratos recorrentes, ela já não conseguia confiar no que ele dizia. Entretanto, Aredhel estava disposta a fazer tudo o que Loki queria apenas para ver a filha recuperar a memória, garantir a vida do amigo e poder ficar ao lado do filho que esperava. Nada mais importava para ela. Aredhel, definitivamente, havia desistido de lutar.

Ela meneou a cabeça em afirmativo e Loki abriu um sorriso esperançoso. Ele segurou o rosto dela com ambas as mãos e tomou seus lábios com um beijo cheio de urgência. Loki a desejava desesperadamente. Sentia muita falta de tê-la em seus braços e prosseguiu, debruçando-se sobre ela, até deitá-la na cama.

Aredhel não ofereceu resistência alguma àquele beijo e tampouco às carícias que vieram a seguir. Ela também sentia falta de seu marido, mas já não tinha a certeza que ele a amava. Sendo assim, por maior que fosse o prazer que ele lhe proporcionava, ela se sentia usada e não amada. Todavia, estando disposta a se sacrificar, ela decidiu que o deixaria fazer o que quisesse consigo.

Assim como Loki observou que ela não oferecia resistência aos seus carinhos, ele também percebeu que ela também não demonstrava nenhuma iniciativa. Loki tinha começado a despi-la quando, incomodado com a falta de reação dela, parou para encará-la e viu refletido em seus olhos apenas a dúvida. Ele cerrou os olhos com força e encostou sua fronte na dela, deixando escapar um suspiro. Loki se ergueu e afastou-se da esposa.

– Aredhel.. Eu jamais irei obrigá-la a fazer isso.. — ele murmurou com tristeza.

Ela o fitou surpresa. Loki acariciou seu rosto com pesar e voltou a se sentar na cama.

– Eu quero que seja minha novamente, mas por vontade própria. — ele começou e a encarou – Deixarei você em paz.. Não irei tocá-la, a menos que realmente queira.. – declarou com pesar – Eu sei que fiz de tudo para merecer sua desconfiança e que até você deixasse de me amar.. — falou com a voz embargada – Mas tudo o que peço é que me dê a chance de provar que eu te amo. Que ainda posso lhe fazer feliz. — algumas lágrimas escorreram por seu rosto – Você me daria a chande de provar isso? Deixaria que eu tentasse lhe reconquistar? — indagou em meio a um soluço.

Aredhel piscou os olhos longamente e deixou escapar algumas lágrimas.

– Sim, Loki.. — ela afirmou com a voz falha.

– Obrigado.. — ele murmurou, depositou um beijo demorado na fronte dela e abraçou-a apertado.

Aredhel se recostou no ombro dele e deixou-se levar por aquele carinho do qual sentia tanta falta. Loki se afastou um pouco, conjurou a caixinha de música que sua esposa um dia havia lhe dado, deu corda e pôs na mesa ao lado da cama. Ela se encolheu na cama e Loki deitou ao seu lado. Ele afastou uma mecha do cabelo de Aredhel do curativo de sua testa e ficou afagando os cabelos dela, enquanto a fitava com remorso. Aos poucos, Loki viu sua esposa ser vencida pelo cansaço e adormecer em seguida. Ele deixou escapar um lamento e deu um beijo casto na bochecha dela.

– Eu te amo e vou provar isso.. — sussurrou.





Na manhã seguinte Hela levantou muito cedo. Passara a noite inteira rolando na cama, tentando absorver o que seu pai tinha revelado. Foi para o salão tomar café e encontrou a mesa posta, mas a sala vazia. Era cedo demais. Ela se sentou em silêncio e começou a se servir.

– Bom dia.. Hela.. — ela ouviu uma voz familiar dizer.

Hela ergueu os olhos e viu James parado a lhe observar na entrada do salão. Ela o viu caminhar em sua direção e sentar-se a mesa, bem à sua frente.

– Bom dia.. James.. — ela respondeu.

Notas finais
Somos reflexos de nossas memórias? Gostaram? Odiaram? Comentem.