Asgard Dirty Secrets

32 'Cause they say home is where your heart is set in stone


Notas iniciais
* 'Cause they say home is where your heart is set in stone = Porque dizem que lar é onde seu coração está gravado na pedra - Trecho da música "Home" de Gabrielle Aplin. Olá!!! Como estão? Eu estou sempre apressada e correndo atrás do prejuízo... Obrigada pelos comentários e palavras de incentivo! Amo vocês! E boas-vindas aos novos leitores!! o/ Sobre o capítulo... Não sei se já perceberam, mas vez ou outra, acontece de um capítulo ter um tema geral. Um assunto dominante, mesmo em situações adversas e com personagens tão diferentes... Pois é.. Aconteceu de novo... Apesar dos mais variados acontecimentos do capítulo, praticamente todas as cenas têm coincidentemente um tema em comum: lar. Por este motivo, achei a música que dá nome a este capítulo perfeita! Eu diria que ela se encaixa em quase todas as cenas... Então para quem gosta de ler ouvindo música, fica minha sugestão... Deem o "play" em "Home" e ouçam-a em loop eterno até o final da leitura... Bommmm, como alguns já sabem, amanhã estarei saindo de viagem! "Vou pra Porto Alegre, tchau!" hehehehehe... Então teremos uma pausa em ambas as fics de duas semanas... Ok? Prometo tentar rabiscar os próximos capítulos em meio às minhas andanças.. Então, é isso... Beijos e até a volta... Boa leitura... PS: Na foto, Vardamir, rei de Alfheim.

Há muitos anos...

A menina de cabelos escuros, de rosto alvo e rechonchudo, embalava-se tristonha em seu balanço. Seus sapatos envernizados se arranhavam contra o chão duro a cada balançar desengonçado que dava. Ela ergueu os olhos escuros e fitou ao longe um garoto de cabelos claros, cercado por outras crianças. O menino sem dúvida alguma, era tudo o que ela jamais seria: popular. “Quem nasceu para Ared, jamais chegará a Will”, o irmão mais novo dela costumava dizer.

Uma mulher se aproximou e ajoelhou-se ao lado da garota.

— Por quê não se junta a seu irmão e às demais crianças? — inquiriu, afagando os cabelos da filha.

— Eles não me querem lá... Não gostam de mim... — olhava sem emoção para as crianças.

— Mas aqueles ali — apontou —, os mais velhos, não são seus colegas?

— São... Mas não querem brincar comigo... Preferem o Will... — o beiço da menina estremeceu.

— O que foi? — a mãe perguntou percebendo que a filha estava prestes a chorar.

— Eu... Eu... — respirou fundo, tentando conter sua gagueira. — Perguntei porque eles não me queriam na brincadeira e o Will disse que ninguém gostava de mim... — a voz falhou. — Nem... Nem... Papai... — gaguejou.

A mulher ficou espantada, olhou na direção do filho e voltou a encarar a menina.

— Se ele é meu pai e o Will é meu irmão, por que eles não gostam de mim? — a pequena franziu o cenho com os olhos cheios de lágrimas. — Pensei que... Pensei que irmãos deveriam ser amigos...

A mãe abraçou a menina e deu-lhe um beijo no topo.

— Às vezes irmãos não conseguem ser amigos, mas com certeza, alguns amigos podem ser irmãos... — sorriu fracamente.

— Então tenho que arranjar um amigo que queira ser meu irmão... — Aredhel disse enquanto olhava com tristeza para o irmão. — Um amigo de verdade vai gostar de mim e ser meu irmão pra sempre, não é?

— Vai, minha menina, vai... — apertou-a em seus braços.



≈≈



James engoliu em seco e, com um sorriso fraco, depositou a bandeja sobre a pequena mesa. Aredhel se aproximou, tomou uma das cadeiras e observou ele servir o chá em silêncio.

— Chá de morango... — ele estendeu a xícara e um guardanapo. — O seu preferido.

— Obrigada... — apanhou a xícara e estendeu o guardanapo sobre o colo.

— Eu trouxe o apfelstrudel que Loki havia comprado — serviu o folhado em um prato e entregou. — Era uma surpresa dele para seu aniversário. Ele foi a Terra só para trazê-los para você, mas... — seu sorriso morreu — …aconteceram aquelas coisas e... Bem, ele usou magia para conservá-los.

Ela o continuava fitando quieta. Por fim, ele se sentou, abriu o guardanapo e ficou mexendo a colher em seu chá. Não sabia por onde começar a conversa.

— Não entendo o propósito disso... — ela deu uma risada sem humor. — Pensei que daríamos um — arqueou as sobrancelhas — tempo em nossa amizade... — disse impassível.

Ele largou a colher e a encarou nervosamente. Instintivamente, sua mão amassou o guardanapo sobre seu colo.

— Aredhel... Perdoe-me por favor... — pediu com a voz falha.

— Pelo quê? — inclinou a cabeça, mantendo-se inexpressiva. — Por dizer a verdade? Por falar o que acha sobre mim, nós ou nossa amizade? A franqueza sempre foi o requisito principal de nossa amizade — lembrou. — O que disse sobre o Loki não fora novidade. Você sempre me disse aquelas coisas. Quanto ao resto... — franziu o cenho. — Eu sinto muito por lhe importunar e amaldiçoar a sua sorte. Lamento que nossa amizade só tenha lhe trazido problemas, mas — seu lábio inferior tremeu de leve — eu não me arrependo de ter lhe conhecido... Peço perdão por meu egoísmo — baixou os olhos.

— Não, Aredhel... — meneou a cabeça visivelmente envergonhado. — Não tenho o que perdoar. Eu não acho que seja uma maldição. E tampouco me atrapalha. Na verdade você foi uma benção em minha vida... E por anos foi — respirou fundo tentando se conter e escolhendo bem as palavras — muito mais que uma amiga — foi sucinto.

— Mas... — ela murmurou aturdida.

— Eu não quero que deixemos de ser amigos... — agarrou a mão dela. — Nunca... — foi sincero. — Eu lhe disse que sempre poderíamos contar um com outro e pretendo manter essa promessa até o fim de minha vida — a voz ficou embargada.

Aredhel não se conteve mais e deu um soluço.

— Além de ser meu melhor amigo e ser como um irmão... Você é tudo que me restou... — ela fungou e o encarou. — Eu só tenho você... É a minha única ligação com minha realidade... Com o nosso mundo... A nossa Terra... — lágrimas desciam por sua bochecha.

— Ah, Aredhel... — ele se levantou e se ajoelhou ao lado dela. — Você não imagina o quanto é importante para mim. Perdoe minha ingratidão — limpou as lágrimas dela e beijou sua mão. — Você sempre me apoiou e se sacrificou tantas vezes por mim e por minha felicidade — também começou a chorar. — Sou grato por tudo o que fez por mim... Por todos esses anos de amizade... Por Deus... Você é minha melhor amiga...

— Eu que sou grata... — disse emocionada. — Sei que sem você ao meu lado tudo teria sido diferente... Eu seria diferente... — balançou a cabeça. — Você sempre esteve ao meu lado. Obrigada por segurar a minha mão — fitou as mãos juntas e riu —, por me ouvir, me defender, me levantar, me acolher, por estar comigo nos bons e maus momentos. Minha vida é melhor porque você faz parte dela — beijou a testa dele.

— E a minha vida também é muito melhor porque você é parte dela... — Jim segurou o rosto dela e deu um selinho em seus lábios.

Aredhel sorriu timidamente e ele retornou à sua cadeira.

— Fico feliz que esteja bem... — suspirou. — Fiquei muito assustado com o que houve mais cedo — olhou-a de esguelha. — Temi por você... Às vezes esqueço que você é como a fênix... — meneou a cabeça. — Sempre renasce. E mesmo quando mergulhada em águas profundas, sempre guarda uma centelha.

— Se as penas foram feitas para o céu e, sendo um pássaro, por que eu deveria permanecer no chão remoendo feridas? — deu de ombros. — Tinha o dever de voltar a voar. Precisava renascer das cinzas de novo — riu.

— Foi essa força sua que me fez sempre ter orgulho de você — encarou-a pensativo.

“E me apaixonar também”, seus pensamentos o lembraram. Ela levou um pedaço de seu apfelstrudel à boca, enquanto ele a observava contemplativamente.

— Então decidiu ficar no palácio — lançou-lhe um olhar condescendente.

— Parece que prefiro viver no caos... — ela deu uma risada divertida.

— Eu lavo minhas mãos a respeito disso — ergueu as mãos. — Já desisti de tentar entender esse amor de vocês — riu de leve.

— Mesmo com todos esses desastres parecendo um cenário de uma tragédia shakespeariana, eu não conseguiria viver longe disso — admitiu. — Águas calmas nunca me atraíram e tampouco fazem parte de minha natureza. A turbulência é que nos leva para algum lugar real. O caos traz o novo e a evolução — disse despreocupadamente. — Eu sei que há luz na escuridão em que Loki escolheu viver. Já testemunhei isso. Ele só precisa enxergar também. Nunca saberá se não tentar. Então quero dar essa chance a ele — mordeu os lábios. — Além do mais... Eu o amo.. E lar é onde seu coração está... Ele é meu lar... Sempre será...

— Fico feliz por vocês — foi sincero. — Sei o quanto se amam. E dessa vez ele realmente não fez nada errado, mas sempre acabamos pagando por erros do passado — deu um gole em seu chá. — Enfim... Tudo fica bem, quando acaba bem...

Ela aquiesceu e em seguida apertou os lábios, assumindo um semblante triste.

— Nem tudo acabou bem... Eu não consegui fazê-la mudar de ideia — encarou-o com compaixão.

Jim exalou o ar lentamente.

— Imaginei que não conseguiria... — entristeceu-se. — Ela me afirmou, com todas as letras, que o que sentia por mim já não existe mais... Que era algo efêmero... — fitava desolado sua xícara de chá.

— Isso não faz sentido... — ela negou com a cabeça e afagou a mão do amigo. — Hela sempre foi meio mimada, mas nunca frívola. A maneira como ela fala dele... Como se fosse uma garotinha deslumbrada com o príncipe encantado... Não parece nada com ela. E para onde foi todo aquele amor que sempre teve por você? Meu Deus, ela sempre foi louca por você, desde menina! — suspirou inconformada.

— Aredhel... — tentava se conter. — E agora? O que eu faço com esse amor que sinto por ela?

Ela se levantou e o abraçou pelas costas.

— Ah, Jimmy... — foi tudo o que a amiga conseguiu dizer e deu um beijo em seu topo.



≈≈



Eisa e Wagner estavam deitados na grama do jardim. Ambos fitavam o céu singular de Asgard em silêncio.

— Vocês vão voltar para a vila? — ela questionou.

— Eu não sei... Papai ainda não falou sobre o assunto — fez um muxoxo. — Ele anda tão cabisbaixo. A decepção com Hela e a situação dele com a madrinha estão tirando o seu sono.

Ela se mexeu e ficou de lado no gramado.

— Sei que não vão mudar para outro reino ou planeta, mas — mordeu os lábios e manteve os olhos baixos — eu não queria que fosse embora — enrubesceu. — Não seria a mesma coisa, sabe... Não nos veríamos nas refeições e...

O toque suave de alguns dedos em sua face a fizeram parar de falar. Eisa levantou o olhar e viu que Wagner a observava hipnotizado.

— Eu viria todos os dias a pé te ver... — afastou a franja dos olhos dela.

— É mais de uma hora de caminhada — arregalou os olhos.

— Não importa... Eu não conseguiria ficar um dia sem te ver — afirmou.

A jovem ficou carmim.

— Enquanto estivermos juntos, realmente importa para onde irei?

— Não... — ela o olhou com doçura.

— Então... Independente do que meu pai decidir, antes de partirmos, se assim ele escolher, vou conversar com o padrinho e a madrinha — disse decidido. — Vou pedir a permissão deles para te namorar.

— Permissão? — riu. — Não é meio antiquado?

— Pode até ser, mas aprendi que não se deve esconder nada de seu pai — estalou a língua.

— Olhando por esse lado — crispou os lábios —, creio que tem toda razão.

— Então, se eu sobreviver — fez uma careta divertida —, ainda que eu vá morar na vila, serei seu namorado oficialmente. Afirmo isso porque mesmo que o padrinho não concorde, não desistirei de você — enlaçou-a pela cintura, colando-se nela.

Ele roçou o nariz no dela e a beijou calmamente. Eisa deslizou os dedos por entre os cachos dourados dele e aprofundou o beijo. Girando por cima de Wagner, ela se deitou sobre o namorado e assumiu o controle da situação. Ele conteve uma risada de satisfação. Sem parar o beijo, as mãos do rapaz passearam pelas costas da jovem e, não se contendo, desceram até o bumbum dela. Um gemido escapou dos lábios de Eisa, quando ele apertou e a pressionou contra si. Aquele som fez algo se enrijecer logo abaixo de sua cintura. Que Deus o ajudasse, se continuasse naquele ritmo, ele a possuiria ali mesmo, no jardim.

Agarrando-se ao pouco de racionalidade que restava, ele se separou dos lábios dela e sorriu sem graça. Eisa percebendo a “animação” dele, lançou-lhe um olhar malicioso e se remexeu contra ele.

— Ah, Eisa... — ele riu. — O padrinho vai me matar, mas, com certeza, você é algo pelo que vale a pena morrer — brincou e ela gargalhou.

Em um balcão do palácio que dava vista para os jardins, Igor observava a cena do casal. Irritado, ele deu um murro no parapeito e se afastou do local a passos largos.

No caminho, ele remoía o conflito que vivia. Demorara muito tempo, mas agora não podia mais refutar a verdade: Igor estava apaixonado por sua irmã de criação. Desde menino, sempre foi protetor de seus “irmãos” mais jovens e cultivara em segredo um carinho especial por Eisa. O jeito doce e tímido da jovem sempre o encantara. E sem perceber o sentimento inocente se transformou em algo mais intenso. Para sua infelicidade, percebeu isso tarde demais.

Em seu íntimo sabia que se tratava de um amor impossível. Primeiramente, jamais ousaria decepcionar Loki, a quem tinha como um pai, ou macular a ideia de lar que a família que o acolheu lhe deu, tentando cortejar a jovem. E para completar, ainda que Eisa fosse na realidade sua prima, ela estava apaixonada por outro. O despeito e o ciúme o faziam amaldiçoar Wagner.

A frustração e a mágoa de um amor não correspondido cresciam feito uma erva daninha, cobrindo seu coração e enuviando seus pensamentos. A amargura e a inveja que sentia de Wagner tomaram as rédeas de seu discernimento e decidiram seus futuros atos.



≈≈



Katarina estava encolhida em um sofá na sala de leitura. Sonhadora, suspirava enquanto lia um dos muitos romances que suas tias da outra realidade a tinham presenteado. A irmã gêmea de Wagner tinha herdado dos pais a paixão pela leitura. Lia de tudo, mas sua preferência residia nos enredos açucarados, juras de amor eterno e em finais felizes.

Suspirando, ela se moveu no sofá, deitando-se de costas sobre ele e jogando a cabeça para trás. Ao fazer isso notou que alguém a observava da porta. Kat quase deixou o livro cair sobre sua face ao ver Igor lhe sorrir de lado.

— O que a fez suspirar assim? — ele indagou alargando o sorriso, enquanto entrava na sala.

A loira ficou rubra e se sentou em um átimo no sofá.

— Er... — fechou rapidamente o livro e o colocou sobre o móvel com a capa virada para baixo. — Nada de especial. Só uma história boba — deu de ombros.

Igor se sentou ao lado dela e virou o livro. Um imperceptível sorriso cínico se desenhou no rosto dele.

— Não há nada de bobo em romances — ele começou despreocupadamente. — Principalmente nos da vida real — encarou-a —, não acha?

Surpresa, Kat se limitou a encará-lo boquiaberta. Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela e inclinou a cabeça, franzindo o cenho e semicerrando os olhos.

— Você é tão bonita... — murmurou, mantendo os olhos verdes fixos nos dela.

“E tão inocente...”, seus pensamentos completaram. A jovem ficou totalmente sem jeito. Embora estivesse apaixonada por Igor já há algum tempo, não estava preparada para ouvir aquilo. Estava sem reação.

— Bem... — ele voltou a falar. — Não irei mais atrapalhar a sua leitura — pôs o livro nas mãos dela. — Então nos veremos no jantar, certo? — arqueou as sobrancelhas.

Aturdida, ela apenas aquiesceu em silêncio.

— Então, até mais tarde — beijou-lhe a bochecha —, Kat.

— Até... — disse em um fio de voz.

Igor deixou o local e ela se jogou no sofá, deslumbrada com o que aconteceu.

— Vai ser mais fácil do que imaginei... — ele pensou alto, enquanto se afastava nos corredores.



≈≈



Dois dias depois, em Alfheim, o rei Vardamir conversava com seu filho em seu escritório.

— Recebi a resposta de Loki — olhou com seu jeito altivo e severo para Eric — e ele concordou em realizar a união de vocês aqui no reino. Será daqui a três semanas — balançou a mão de forma entediada.

— O senhor não aprova meu casamento — o outro falou com seriedade.

— Eu só não acho muito digno meu herdeiro se casar com uma jovem que claramente não o queria — foi frio. — Aquela história sobre aquele parente de Loki vir resgatá-la de dentro de nosso palácio, deveria ter deixado claro a você que a jovem se casaria obrigada — ergueu uma sobrancelha. — Ainda me pergunto como a convenceu a mudar de ideia.

— Passei meses a cortejando — Eric disse entredentes. — Não me acha capaz de conquistar uma mulher?

— Já faz tempo que deixei de questionar sua capacidade para algo — disse com indiferença e se levantou. — Ainda bem que sua mãe não está viva para vê-lo rastejar por uma mulher — encaminhou-se para a saída e deixou o local.

— Sim... — Eric trincou os dentes. — Minha mãe não está aqui, graças a você — afirmou com raiva.



≈≈



As semanas rapidamente se passaram. Aredhel e Loki, apesar de tudo o que aconteceu, estavam felizes. Jörmungand era um bebê saudável e tinha o carinho de todos. Mas, ao contrário do casal, o clima não era muito feliz entre os demais habitantes de Valhala.

Rebecca continuava evitando Narfi. Tratava-o como se fosse invisível. Jim e Hela também mal se viam. A dor evidente do ator faziam com que todos evitassem falar sobre a jovem em sua presença. Por este motivo, Wagner e Kat ainda não sabiam se continuariam morando no palácio. O rapaz decidiu que aguardaria a partida da ex-futura madrasta, para ter a conversa com seus padrinhos a respeito de seu namoro com Eisa.

Esperar também era o que faziam outros corações sofridos. Váli e Sigrid adiaram seus planos para falar sobre sua união para depois do casamento de Hela. Einmyria, da mesma forma, se resignou a aguardar o casório da irmã para resolver sua questão com Nicolas Stark.

Todavia, nem todos estavam com seus planos suspensos.

Igor vinha conseguindo avançar em sua aproximação de Katarina. Com seus gracejos, olhar languido e sorriso faceiro, estava deixando a jovem nas nuvens. Passava seu tempo livre a ouvindo falar sobre plantas (uma das paixões da mocinha), teatro e romances. Não estava apaixonado por ela e tampouco algum dia tivera interesse nela. Ele não tinha certeza do porquê estava fazendo tudo isso, mas estava decidido a conquistá-la. Enterraria seu futuro para trás e seguiria o planejado, dançando essa valsa perigosa equilibrada na ponta dessa faca afiada. Kat era bonita e não podia negar que ela lhe atraía, mas seu coração ainda pertencia à Eisa. E já que ela não podeira ser sua, ele a guardaria consigo e tomaria a irmã de Wagner para si.

Hela, por sua vez, provava ser uma excelente atriz. Sua aparência segura e de noiva empolgada com a proximidade do casamento, ocultava uma mulher à beira de um colapso nervoso. A pressão de velhos e novos problemas não a deixavam nem dormir.

Ela estava em seu quarto arrumando suas malas para partir. Na manhã seguinte partiria para Alfheim. Estressada, empurrava de forma impaciente seu vestido de noiva dentro de um grande baú. Ela juntou mais uma pilha de roupas e atirou por cima do vestido. Sentou-se em cima do baú e tentou fechar, mas acabou apertando os dedos.

Um soluço escapou de sua garganta e ela não conseguiu mais conter o choro. Não chorou por causa dos dedos. Com seus poderes, a dor não demorou mais que alguns instantes. Chorou por uma dor que não conseguia aplacar. Nem com todo o poder de regeneração que possuía, não conseguiria curar seu coração destruído.

— Eu não quero ir... — ela estrilou e atirou uma peça de roupa para o outro lado do quarto.

— Se está tão sofrido ter que partir — a voz familiar entrou em seu quarto —, então por que escolheu se casar com ele?

A princesa levantou a cabeça e viu que James estava dentro de seu quarto. Ele exibia uma expressão triste, como se adivinhasse como ela estava se sentindo. Mais lágrimas banharam seu rosto. Jim não parecia adivinhar, ele sabia exatamente a dor que ela carregava. Ele podia ver através dela.

— Se te dói tanto ir embora, então por que você vai? — ele insistiu.

Amedrontada com o que o futuro lhe reservava e com todas as questões que estavam em jogo, parou de resistir e agiu de forma temerária. Hela se levantou e correu para os braços dele.

— Hela... — Jim murmurou surpreso, apertando-a em seu braços. — O que...

Ela não o deixou falar mais nada, tomou seus lábios e sufocou com um beijo as perguntas que ele faria. James nem tentou resistir e os dois se entregaram.

O casal se agarraria àquele momento, mesmo que durasse poucos minutos, horas ou apenas aquela noite. Mais uma vez, aquele instante era tudo no que Jim poderia se agarrar e para ela seria algo que sempre estaria em sua mente. Hela passaria os dias de seu cativeiro naquele casamento forçado, relembrando esses momentos. Não estaria sozinha. Se em suas lembranças eles estavam juntos, não importava o que viria a seguir. Ainda que morasse em outro reino, seu lar sempre seria os braços de James.

O beijo era feroz e carregado de sentimentos frustrados. Em meio a uma fúria de desejo, Hela estava decidida a afogar suas dores nos braços do homem que amava. Ela tentou inutilmente desabotoar o traje dele, mas logo perdeu a paciência e rasgou boa parte da peça. O ator não se fez de rogado e, de forma afoita, também tentava arrancar a roupa da jovem. Ele se prenderia com unhas e dentes àquela última chance de fazer sua amada desistir do louco casório. “Vou te fazer minha até desistir dessa ideia estúpida”, determinou em pensamentos quando rasgou o decote do vestido dela.

Mais rápida que ele, Hela abriu a boca e arranhou o peito trabalhado de James com os dentes. Ele subiu as mãos por baixo do vestido e apertou as nádegas dela. Faminto, subiu os dedos até alcançar as laterais da calcinha e as puxou lentamente, rasgando a peça. A moça arfou contra o peito dele e desceu as mãos até a sua calça e abriu. O gemido escapou feito um grunhido, quando os dedos finos dela começaram a massagear seu membro. Desinibida, baixou as calças dele e ele as chutou para longe.

Desesperadamente excitado, Jim rasgou o que restava do vestido de Hela e abocanhou um de seus grandes seios, sugando-o sem pudor. Ela deu um grito baixo e ele puxou a coxa dela para cima. Com um pulo, ela abraçou com as pernas a cintura dele e ele a conduziu até a cama. Mal a tinha recostado sobre as almofadas, James a penetrou. A princesa abriu um sorriso lascivo, enquanto ele a estocava.

— Ah, Jimmy... — gemeu e puxou-o para um beijo apaixonado.

Entre súplicas por mais beijos e gemidos de prazer, Hela alcançou seu ápice, sendo logo seguida por ele. Jim ainda arfava de forma descompassada, quando, ainda com ele dentro de si, ela girou e ficou por cima dele.

— Eu quero mais... — disse toda corada e o beijou novamente.

— Tudo o que você quiser, meu amor... — resfolegou e levou as mãos até os seios dela.

Enquanto ela rebolava sobre ele, James circundava com a ponta dos dedos as aréolas de seus seios. Hela cerrou os olhos e jogou a cabeça para trás. Com a palma das mãos, ele massageou os mamilos endurecidos dela, fazendo-a se curvar mais para trás.

Aos poucos a moça acelerou sua cavalgada até alcançar seu orgasmo novamente. Esgotada, ela se debruçou sobre ele, aninhando sua cabeça contra seu pescoço. Adormeceu quase que imediatamente. Jim não chegou a gozar pela segunda vez, mas estava satisfeito em vê-la saciada e tranquila. Retirou-a cuidadosamente de cima de si e ficou a acarinhá-la, enquanto esperava seu corpo se acalmar. Ele puxou a coberta da cama e recostou seu rosto contra os cabelos de sua amada. E enquanto sorvia o perfume que exalava dos cabelos dela, adormeceu feliz, crendo que tudo seria diferente no dia seguinte.



≈≈



Na manhã seguinte, James acordou e viu que Hela já estava de pé, mexendo em algumas roupas. Ele se espreguiçou e, apoiando-se no cotovelo, ficou observando-a.

— Desarrumando a mala? — perguntou com clara alegria na voz.

— Na verdade, não... — respondeu ainda de costas. — Estou terminando de arrumar as coisas.

— O quê? — surpreendeu-se.

— Estou atrasada. Já estão me esperando em Alfheim — tentou manter a voz calma e virou-se para encará-lo. — Nada mudou, Jim. Amanhã me caso com o Eric — disse impassível.



≈≈



Loki estava no salão do trono quando Wagner e Eisa entraram no local. Ao avistar o casal, o rei de Asgard logo percebeu do que se tratava. Os jovens não sabiam, mas o pai da princesa vidente já tinha conhecimento do romance.

— Mal o dia começou e já tenho problemas... — resmungou Loki vendo os dois se aproximarem.

— Padrinho... — o rapaz de cabelos loiros deu um pigarro. — Eu vim conversar com o senhor e pedir a permissão para...

— Aguarde na fila loirinho — a voz displicente ecoou no salão. — Imagino que seu assunto com a vossa majestade seja importante, mas sei que sendo morador daqui poderá esperar — retirou os óculos escuros e piscou na direção de Wagner. — Meu assunto é mais urgente — estalou a língua. — Cunhada... — fez uma ligeira reverência para Eisa.

Ao lado do rapaz audacioso, acompanhava outro de cabelos castanhos claro e com uma aljava nas costas.

— Mas que invasão é essa? — rosnou Loki.

— Vim atrás de minha namorada desaparecida — anunciou Nicolas Stark. — Sua linda filha, Einmyria — a ironia era clara. — E... — ergueu a cabeça e sorriu de lado — ….enfrentar a fera.

Notas finais
As long as we're together, does it matter where we go? Gostaram? Odiaram? Comentem.