Asgard Dirty Secrets

39 All the love gone bad turned my world to black


Notas iniciais
*All the love gone bad turned my world to black = Todo o amor tornou-se mal, transformou meu mundo em escuridão - Trecho da música "Black" de Pearl Jam. Gente, voltei... Mil desculpas pela demora, mas ando tendo alguns problemas que estão literalmente tirando o meu sono. Sei que demorei muito para trazer uma continuação, mas fiz uma compensação... Conforme o que foi votado em uma enquete no grupo das fanfics no facebook, a maioria votou por eu deixar os capítulos do tamanho que eu achar conveniente. Geralmente eu tentava me controlar para não fazer capítulos longos para poupar quem lê pelo celular. Sei como é complicado "pausar" postagens longas. Mas como geralmente vocês reclamam que o capítulo "foi pouco", então para compensar a demora trouxe um capítulo grande... Espero que isso as satisfaçam até o próximo capítulo... Sobre o capítulo... Essa música do título ainda será trilha sonora de uma nova fic... hehehehe... Ela resume a escuridão que as vezes o amor pode se transformar... Em todas as suas formas... Boa leitura... PS: na foto, Nina.

Alguns anos atrás…

Aredhel terminava sua explanação quando se virou para encarar seu pequeno público e percebeu que praticamente falava sozinha. Ou, pelo menos, apenas com Narfi. Mesmo sendo o mais jovem (apenas onze anos), era o único que parecia atento às suas palavras. Siegfried parecia mais interessado em algo que via pela janela. Váli e Sigrid riam e cochichavam sobre algo que não parecia ligado à aula. Hela por sua vez brincava de secar e reviver uma folha.

— Vocês estão prestando atenção? — a rainha quase berrou e cruzou os braços em uma postura severa.

Com o susto Váli e Sigrid pularam em suas cadeiras, Hela matou a pobre folha e Sieg quase caiu de sua cadeira inclinada. A rainha crispou os lábios.

— Siegfried, troque de lugar. Quero você longe da janela. No intervalo você fala com sua namorada — ela arqueou a sobrancelha ao ver pela janela Broomhilda brincado com as demais crianças no jardim.

O rapaz de dezoito anos corou violentamente, se levantou e sentou-se em outra mesa, do outro lado da sala.

— Você deveria ser o mais interessado nesta aula — prosseguiu ralhando —, o que você faria se Hilda ficasse grávida agora? Como criariam essa criança sendo tão jovens? Você ainda é aprendiz e ela babá. Como se sustentariam?

O rosto de Sieg parecia a ponto de entrar em combustão, de tão vermelho que estava. Sigrid olhou na direção do irmão e deu uma risadinha.

— A pergunta serve para os demais — Aredhel continuou —, afinal nunca se sabe onde pode terminar o que começa com alguns beijos e abraços — olhou na direção de Váli. — Uma pequena fagulha pode virar um incêndio em um piscar de olhos.

Váli, no auge e seus dezesseis anos, deu um sorriso amarelo e uma cor rosada tingiu sua face. Sigrid, da mesma idade do príncipe, escondeu uma mexa do cabelo ruivo atrás da orelha e baixou os olhos, sentindo o rosto se aquecer.

— A verdade nunca fica enterrada por muito tempo… — a rainha ainda tinha os olhos no filho mais velho.

Sieg franziu o cenho e olhou desconfiado na direção do amigo.

— De qualquer forma — Aredhel voltou a altear a voz —, às vezes, atos aparentemente inocentes, pode trazer consequências com as quais você ainda não está preparado para lidar. Namorar é muito bom e faz parte da vida, mas ter um filho é uma responsabilidade muito grande. Por isso vocês precisam aprender a escolher o melhor momento para começarem uma família.

Hela bufou e revirou os olhos. Ainda que tivesse apenas treze anos, era uma menina muito precoce e seu coração já tinha um dono. Entretanto, diante dos fatos, não conseguia sequer imaginar que um dia pudesse se preocupar em engravidar. “Ele me vê como filha”, fez um muxoxo.

— E mesmo que ainda não namorem é importante aprenderem isso para quando chegar o momento — lançou um olhar condescendente à filha. — Então retomando a nossa aula, qual é o nome da erva usada em chás, que serve como anticoncepcional? — encarou sua pequena turma. — Quem pode responder?

Aredhel viu Narfi erguer seu braço magrelo. Ela ponderou, mais uma vez, se não tinha sido cedo demais para introduzir seu filho ainda tão jovem àquele assunto. Ele sacolejou o braço com urgência, na ânsia de responder. A mãe estreitou o olhos na direção do jovenzinho. “Não”, ela concluiu.

≈≈

Ness estalou os dedos diante dos olhos vítreos de Hela.

— Ei!

A princesa pestanejou e encarou a serva boquiaberta.

— Eu estou ferrada! — agarrou os braços da serviçal. — Por meu avô Odin! Estou grávida!

— Você não quer o bebê? — a outra enrugou a testa.

Hela a encarou e sua exasperação se atenuou.

— É claro que quero essa criança… — murmurou e levou a mão ao ventre. — Era tudo o que eu queria… Tudo o que sempre sonhei… — a voz se embargou. — Mas agora…

— Você e ela correm risco… — completou Ness meneando a cabeça.

De fato esse era o pensamento de Hela. Quando planejara se sacrificar em nome de Jim e sua família, jamais podia imaginar que estaria grávida. Essa descoberta praticamente modificaria todos os seus planos. Não poderia correr o risco e ser morta durante sua tentativa de calar as possíveis testemunhas do maior segredo de sua família. Não agora que carregava uma vida.

— Eu tenho que protegê-la — abraçou o próprio ventre e deu uma risada engasgada. — Eu vou ser mãe, Ness… — lágrimas desceram por seu rosto. — Vou ser mãe…

A jovem serva deu um sorriso solidário e fez um afago no ombro de Hela. Carente e preocupada, a princesa puxou a mão da amiga e apertou entre as suas.

— O que faço? — o lamento escapou de seus lábios.

— Acho que terá que apressar algumas coisas. O que decidir sabe que tem meu apoio — murmurou a serviçal.

Hela a encarou em dúvida. Gostava cada vez mais da jovem e não se sentia bem com a ideia de usá-la.

— Você tem certeza que quer fazer isto?

— Não faria diferença na prática — deu de ombros. — Ontem… — baixou os olhos. — Ontem ele foi me procurar — confessou enrubescendo.

— Imaginei que o faria… — Hela fez uma careta. — Mas se passar por mim não o fará gostar de você, mesmo que você não se mostre uma “Hela” muito… — crispou os lábios — … apaixonada.

— Eu sei, mas talvez assim ele tenha logo essa curiosidade saciada e lhe deixe me paz. Além do mais, você precisa ter relações com ele — viu a outra esboçar uma cara de nojo —, pelo menos em teoria, para justificar a sua gravidez.

— Fazê-lo acreditar que este filho é dele… Pelos deuses… — a princesa passou a mão pelo rosto.

— Que outra saída você teria?

— Isso fugiu ao controle… — cerrou os olhos com força.

— Você precisa proteger seu filho e ele lhe engana comigo. Estão quites. Você não deve nada a Eric. Ele não te ama e ainda assim praticamente a obrigou a se casar mesmo sabendo que você amava outro — disse quase com mágoa.

— Eric não me ama… Mas ele não ama ninguém além dele mesmo… Ainda o quer assim mesmo? — encarou-a com compaixão. — Pode se machucar ainda mais nesse jogo.

— Ele não pode me magoar mais do que já tem feito… — fitou as próprias mãos. — Espero que quando essa fixação passar, que ele enxergue quem realmente o ama.

Dando um suspiro desconsolado, Hela concordou. Sabia que partiria o coração de Ness assassinando Eric, mas esperava que até lá a moça já tivesse caído em si. Precisaria apressar as coisas e traçar um novo plano de fuga assim que eliminasse os que sabiam do segredo. Não podia mais aceitar morrer ou passar o resto da vida presa. Agora tinha que pensar em seu filho. Teria que se preocupar inclusive com seu parto. Sabia que os servos e Vardamir nada comentariam de uma criança que nasceria antes do tempo. Não teriam como saber se o casal tivera ou não intimidades antes do casamento. Todavia, seu maior receio era Eric. Mesmo convivendo pouco tempo com ele, sabia que era extremamente desconfiado. Ele jamais poderia suspeitar de sua paternidade antes que ela estivesse preparada para matá-lo e fugir. O tempo definitivamente estava contra Hela.

— Hoje mesmo começamos a mudança em meu comportamento, mas vamos com calma — disse por fim. — Daqui a uns dois dias creio que vocês já poderão consumar o casamento sem que ele desconfie da verdade.

≈≈

Týr engoliu em seco ao ouvir a revelação feita pela irmã.

— Eu disse que não se livraria de mim tão fácil irmãozinho — Nina disse com ironia. — Mamãe lembrou lembranças.

Embora estivesse claro o desconforto no rosto dele, Katarina não percebeu. Ela olhou de um irmão para o outro e sorriu.

— Que bom! Seja bem-vinda ao palácio Nina — levantou-se para cumprimentá-la com um abraço. — Se quiser posso lhe emprestar todo o meu material sobre ervas curativas.

Em meio ao abraço, Nina lançou um olhar inquisitório ao irmão e recebeu como resposta apenas uma expressão de frieza.

— Agradeço a sua ajuda, Kat — Nina se afastou.

— Não precisa agradecer… Agora vou indo. Vou aproveitar para ler o presente que ganhei — abraçou o livro e olhou na direção dele. — Mais uma vez muito obrigada, Týr.

Ao ouvir seu nome pronunciado por aquela voz serena e doce, um sorriso instantâneo brincou os lábios de Týr. Ele já mal podia esconder o encanto que sentia por ela.

— De nada… — saiu em um sussurro, enquanto ela se afastava.

Assim que Katarina estava a uma boa distância, Nina se aproximou do irmão.

— Você é patético… — revirou os olhos. — Você está apaixonado por ela e mal consegue disfarçar. Eu deveria ter desconfiado quando você parou de…

— Quero você longe dela — interrompeu-a rispidamente.

— Como? — ela arqueou as sobrancelhas. — Desde quando você manda em mim? Além disso, não se faça de bom moço. Afinal, você…

— Mantenha distância dela — ele alteou a voz e ergueu o indicador em riste. — Esteja avisada — ela se manteve impassível. — Já que ficará aqui porque não tenta fazer o que nossa mãe tanta ambiciona e tenta fisgar um dos príncipes herdeiros?

— O quê? — indignou-se. — Você sabe muito bem que eu….

— Acabou! — alteou a voz. — E eu já cansei de repetir isso.

Nina fechou a cara e o encarou com a raiva faiscando nos olhos.

— Se veio para cá pensando nisso, está apenas perdendo o seu tempo — virou-se e seguiu na direção do palácio, deixando a irmã sozinha.

— Veremos… — sibilou, enquanto o via sumir por entre a vegetação do jardim.

≈≈

Aredhel terminou de arrumar as cobertas ao redor de James e o fitou longamente. Quando finalmente se acalmou, ele havia mordiscado alguns pãezinhos e tomado o chá oferecido pela amiga. Esgotado, rapidamente foi vencido pelos efeitos da mistura de ervas e logo sucumbiu em um sono pesado. Ela o observando dormindo, sentiu seu rosto se aquecer. Jamais acreditaria que um dia outro homem além de Phillip e Loki teria gostado dela. “Muito menos você”, mordeu os lábios, pensativa.

Ela desde o início admirara seu jeito gentil e moral de ser. Tornou-se sua fã pela imagem de perseverança e cortesia que Jim espelhava. Com a convivência, justamente por sua natureza alegre e positiva, o julgara um homem muito sábio e prático quanto ao seu gosto por mulheres. Sempre acreditara que o amigo preferisse mulheres mais confiantes e ponderadas. Tanto que não fora surpresa para ela, a medida que sua filha crescia, entender o que atrairia a atenção dele em Hela. Apesar de a jovem não se mostrar serena como Greta, era a confiança em pessoa. E a rainha de Asgard não se considerava um exemplo de mulher a ser seguido. Muito pelo contrário… Era impulsiva, inconsequente, passional demais e de baixa autoestima. Pelo menos era assim que se enxergava. “Praticamente uma suicida, como dizia Loki”, deu uma risada sem graça.

— O que você viu em mim? — escapou dos lábios dela.

Com um menear de cabeça, ela afastou a questão da cabeça. Isso era passado e ainda que fosse presente, o que poderia fazer a respeito? Mesmo que não fosse casada, Aredhel não o amava desta forma e nunca o vira de maneira diferente. “Talvez se Loki não existisse, quem sabe”, deu de ombros. Lamentou profunda e sinceramente o tempo que o amigo possa ter sofrido por aquele sentimento não correspondido. Deu um suspiro triste e beijou-lhe a testa.

— E agora você sofre novamente por algo semelhante… — murmurou. — Eu realmente sinto muito, Jimmy. Se eu soubesse que ela o magoaria tanto… Que todo aquele sofrimento seria em vão — acariciou o rosto dele e sentiu os olhos se encherem de lágrimas. — Deus… Eu juro que vi amor sincero naquela visão. Ainda não entendo como aquele amor todo deixou de existir.

Ela terminava de fechar as cortinas do quarto, quando Wagner apareceu.

— Madrinha? — chamou-a timidamente ao entrar no quarto. — Como papai está?

Aredhel olhou na direção do amigo e depois para o afilhado e deu um sorriso errático. Em vez de dizer a verdade, preferiu amenizar.

— Oh, meu filho… — ela juntou os itens na bandeja para deixar do lado de fora do quarto. — Ele está meio abatido, mas agora vai descansar um pouco — disse aos sussurros.

Wagner olhou para o pai entristecido e se ofereceu para carregar a bandeja.

— Ele vai ficar bem… — afagou o ombro do rapaz. — Lembre-se que seu pai é muito otimista. Agora vamos… Você disse que queria conversar — conduziu-o para fora do quarto.

≈≈

Loki estava no salão do trono na companhia Fandral, Modi, Ullr e de um Fenrir emburrado. Era dia de tentar atender a todas as reclamações feitas pelos representantes locais do povo de Asgard. Como de praxe, Thor, Sif, Volstagg, Magni, Váli, Igor, Narfi, Einmyria e Siegfried já estavam espalhados pelo reino a fim de resolver parte das pendências, sobrando para os demais prestar assessoria ao rei. Eisa por conta de suas habilidades, geralmente cuidava de assuntos dentro do palácio. Quase nunca saía de Valhalla. O “barulho” de grandes aglomerações, quase a enlouqueciam.

— Creio que isso pode ser resolvido por você… — Loki fez uma careta e estendeu o papel à Fandral. — Você e Modi podem se reunir com Týr e ver quantos guardas podem acompanhá-los na investigação. Heimdall não viu a aproximação de ninguém daquela área, mas preciso que verifiquem o porquê da baixa de volume nas lagoas daquela região.

— Meu rei… — Fandral deu um pigarro. — Não entendo porque tanta preocupação com lagoas de cavernas tão antigas — a frase saiu com um tom de ironia velada. — Afinal, imagino que quase ninguém saiba a localização e tampouco utilizamos as águas dela lá — deu de ombros de forma quase debochada.

O rei ergueu os olhos e encarou o guerreiro que tentava disfarçar um sorriso cínico. Loki olhou de soslaio para os outros três e de volta para Fandral.

— Você faz o que eu mando, não importa o motivo — falou calmamente em meio a um sorriso. — Agora vão.

Fandral fechou a cara, fez uma reverência e saiu acompanhado por Modi.

— Meu rei… — Ullr voltou a falar quando os dois saíram. — Quanto à humana?

— Que humana? — Loki indagou impaciente enquanto revirava mais papéis.

— A que encontrei no jardim. Devo interrogá-la novamente ou deixo para Narfi?

— Você encontrou uma invasora em nossos jardins? — pasmou-se o rei, levantando a cabeça de supetão. — Por Helheim! Onde está nossa segurança? Chame Týr e diga que quero conversar com ele, urgentemente. Avise a Heimdall que ele precisa ficar mais atento.

— E quanto a invasora? — insistiu Ullr.

— Deixe-a para Narfi… — abanou com uma das mãos, e voltou sua atenção para os papéis. — Se você não conseguiu fazê-la falar, ele conseguirá… E bem rápido. Agora vá dar meu recado a Heimdall e mande chamar Týr.

Assim que Ullr se retirou, Fenrir largou os papéis que verificava e cruzou os braços.

— Deixe-me falar com a intrusa — disse de repente.

— Você? — Loki encarou-o surpreso. — Logo você? — quase riu.

— Sim, eu… Justamente por não me utilizar dos mesmos métodos hostis e ultrapassados de Narfi e Ullr — fez um careta —, creio que tenho mais chances de conseguir extrair a verdade. Afinal, como mamãe e tio Jim sempre disseram, pela tortura as pessoas admitem qualquer coisa, principalmente mentiras.

— Sua mãe e aquele… — trincou os dentes. — Eles quase estragaram todos vocês com essas ideias complacentes… — revirou os olhos.

— Pai… Pense um pouco… — o jovem príncipe esboçou um sorriso paciente. — Não é porque eles são nosso prisioneiros que devam ser tratados dessa forma. Devem ser respeitados como os seres vivos que são…

— Retifico o que disse… — Loki bufou. — Eles conseguiram estragar você… Isso só pode ser castigo! Você até fala como ele!

— Que culpa eu tenho se o tio Jim é mais sensato que o senhor? — Fenrir provocou, em meio a uma risada. — Até hoje ouço as pessoas comentarem que seu governo era bem melhor quando ele era seu conselheiro.

— Vá interrogar a prisioneira — cortou, sem o menor humor. — Faço qualquer coisa para não ouvir mais ninguém repetindo esse maldito nome. Já me basta a sua mãe! — ergueu os braços.

Fenrir alcançara seu objetivo. Ao irritar o pai, se livrara de ter que ficar o auxiliando. O rapaz jamais almejou trabalhar na administração do reino ou herdar o trono. Rindo baixo, o príncipe largou os papéis e pôs-se de pé em um átimo, louco para sair dali.

— Ah! — Loki ergueu uma das mãos. — Primeiro termine de listar as solicitações que estão nesses papéis… Depois pode ir lá papear com a invasora.

— Mas eu pensei que…

Loki o encarou com uma expressão cínica.

— Não se preocupe… Ela não vai fugir — foi sarcástico.

O rapaz bufou baixo e voltou aos seus papéis.

— Sua mãe é bem mais astuta que você e ainda assim não é páreo para mim — riu-se. — Você não escapará de suas obrigações.

— É… Assim como a prisioneira, não vou fugir… — foi azedo.

≈≈

— Mas é claro que você tem minha benção, meu filho! — Aredhel abraçou o afilhado.

— Mesmo, madrinha? — Wagner abriu um largo sorriso e beijou as mãos dela. — Muito obrigado.

— Ah, meu filho... Não imagina a minha felicidade de saber que vocês estão namorando — foi sincera. — Eisa sempre foi tão reclusa e desconfiada, mas eu sabia o quanto ela confiava em você. Sem a sua amizade, imagino que ela seria muito solitária. Minha caçula sempre sofreu muito por conta de seus dons — deu um sorriso triste.

— Confesso que é muito estranho namorar alguém que sabe tudo o que se passa em minha mente — exalou o ar lentamente —, mas sempre foi assim entre nós. Eisa sempre soube como eu me sentia e o que eu pensava… Eu diria que meu relacionamento com ela é mais aberto do que eu tenho com Kat.

— Geralmente é assim com irmãos gêmeos… — anuiu a rainha. — Natural que sejam os melhores amigos um do outro. Não vê Eisa e Myria? Sempre unidas.

— É… Eu e Kat ainda somos muito amigos, mas Eisa… Com ela tudo parecia tão… — procurava a palavra.

— Natural? — completou Aredhel.

— Sim… Isso mesmo…

— Eu sei como é… — riu. — É assim mesmo. Agora — encarou-o com seriedade —, desejo que vocês sejam felizes e namorem bastante antes de tomarem certas decisões — viu o rapaz corar. — Não tenham pressa, vocês têm a vida toda pela frente e se for para ser, será.

Ele concordou, meio sem graça, com um aceno de cabeça.

— Só peço que — segurou uma das mãos do jovem entre as suas —, caso esse sentimento se transforme em apenas amizade, que continue sendo franco com Eisa. Pedirei o mesmo a ela. Amo vocês dois e não quero que nenhum magoe o outro.

— Pode deixar madrinha… Tem minha palavra. Cuidarei muito bem dela — foi firme.

Aredhel beijou-lhe o rosto e acarinhou seus cachos revoltos.

— Madrinha… Er… — passou a mão pela nuca. — Acha que o padrinho reagirá bem?

Ela deu um sorriso amarelo e crispou os lábios.

— Deixe que eu falo com ele… Seu padrinho anda muito desgostoso com algumas coisas, então é melhor que eu converse com ele sobre o assunto.

— É por causa do papai e Hela? — preocupou-se. — Mas ela se casou com o príncipe Eric.

— É meu filho, mas sabe como é… — começou Aredhel, sem jeito. — Loki até hoje não aceitou bem o que aconteceu entre os dois — enrolou. — Ele deturpou fatos e levou isso tudo para o lado pessoal. Então para evitar novas confusões, deixe que com ele eu me entendo.

— Então está bem… — ele sorriu, mal disfarçando o alívio de não ter que falar com o pai de sua namorada. — Deixarei por sua conta. Muito obrigado madrinha!

≈≈

— Eu queria conversar contigo — Wagner e Kat disseram ao mesmo tempo, quando se encontraram na sala de leitura.

Os gêmeos riram e logo Wagner puxou uma cadeira e sentou-se à frente de sua irmã. Sem coragem de confessar primeiro o que aconteceu entre ela e Igor, Kat acenou para que ele prosseguisse. Prontamente Wagner começou a narrar sua conversa com Aredhel.

— Quem bom que ela reagiu bem! — sorriu a irmã. — E… — mordeu os lábios — ...você já falou com o padrinho?

— Não… — exalou o ar lentamente. — Pelo que a madrinha deu a entender o padrinho nosso padrinho ainda está chateado com nosso pai.

— Pensei que com o casamento de Hela isso acabaria — ela franziu o cenho.

— Parece que não… Ela foi meio evasiva. Acho que aconteceu alguma que ainda não sabemos.

— Será que foi por isso que a madrinha saiu repentinamente? — a jovem ficou pensativa. — Ela nem assistiu o casamento de Hela. Modi disse que ela estava indisposta, mas hoje parecia tão bem.

— Desconfio que algo aconteceu com o papai — meneou a cabeça. — Acho que papai pode ter bebido novamente e provavelmente deu algum trabalho por aqui. Pense bem, ele não apareceu para o café e não saiu do quarto desde ontem à tarde. Quando fui vê-lo hoje, senti cheiro de hidromel no quarto e a madrinha disse que ele precisava descansar. Eu vi uma bandeja de chá sobre a mesa.

— Deus… — ela passou as mãos pelo rosto. — Papai nunca foi de beber assim, mas desde que ele e Hela terminaram, essa seria a segunda vez que fica bêbado e se mete em encrenca — entristeceu-se. — O padrinho saiu cedo da festa e veio às pressas para cá. Ele só pode ter discutido com o papai — exasperou-se.

— É exatamente o que acho… — o irmão concordou. — Isso explicaria também o mau humor do padrinho. Hoje ele ficou irritado só de ouvir o nome do papai.

— Jesus… queria que, pelo menos, parassem de brigar — lamentou. — Sabe… Nem parece que um dia os dois foram amigos… Tivemos dias tão felizes. Lembro de como papai e o padrinho trabalhavam juntos — dizia sonhadora. — Das noites em que ficávamos perturbando eles enquanto discutiam planos para Asgard noite adentro. Lembra daquela vez que o papai e o padrinho fizeram aquela peça de teatro para o nosso aniversário?

— Lembro… — riu. — A cara do padrinho interpretando o papel de padre no casamento da madrinha com o papai foi impagável — gargalhou. — Ele parecia bem desconfortável, mas não lembro de brigas ou acusações. Na verdade, jamais imaginei que ele fosse tão ciumento e que o namoro de Hela e papai poderia gerar tanto sofrimento.

Kat deu um suspiro triste.

— Quando teremos paz novamente?

— Eu não sei… — ele balançou a cabeça. — Na verdade, temo que meu namoro possa piorar ainda mais o clima tenso que há entre eles.

— Você acha? — afligiu-se.

— Eu tenho quase certeza. Sinto que, na situação atual, o padrinho não quer ter nenhuma ligação com a nossa família.

A irmã mordeu os lábios e baixou a cabeça.

— Então… — ele disse de repente. — O que você queria conversar?

— Ah… Já até esqueci… — mentiu.

≈≈

No horário do almoço, James despertou de um pesadelo e se sentou de supetão na cama. O suor descia por suas têmporas, mesmo o quarto estando levemente frio. A angústia das dúvidas que o assombravam, agora também habitavam o seu sono. Sonhara com uma enxurrada de imagens confusas e até meio desconexas da noite anterior, que culminaram na única cena que sempre lhe fora bem clara: Hela segurando o vestido contra o peito e, com lágrimas nos olhos, estendendo a mão para desacordá-lo.

Com as mãos trêmulas, ele passou-as pelos cabelos, enquanto tentava se acalmar. Ficou ali, sentado em sua cama, apenas ouvindo o som de sua respiração retornar ao ritmo normal. Naquele silêncio, relembrou amargamente tudo o que tinha acontecido nos últimos meses. Sua vida parecia ter mudado de uma manhã ensolarada para um céu cinzento do qual fluía uma tempestade incessante. Era como se todas as cores tivessem desaparecido e tudo tivesse se tingido de preto.

“Onde foi que tudo deu errado?”

Perguntava-se para onde havia ido a sua força e otimismo. Onde estaria aquele homem de outrora? Fora tragado pela escuridão de um amor que se tornara ruim e destrutivo.

“Será que a machuquei de forma tão monstruosa?”

Aquilo não poderia continuar assim.

James não cometeria o mesmo erro. Não seria apenas o amigo de novo. Não passaria anos e décadas a fio, catando os farelos que lhe pudessem ser oferecidos por uma mulher que não o corresponderia. Ainda mais depois do que acreditava ter feito. Bendisse a sua sorte quando se lembrou de que Hela, pelo menos, não viveria no mesmo reino que ele. Não teria que encarar a sua mágoa e nem vê-la todos os dias brilhar no céu de outro homem.

“Por que não pôde ser minha? Por que não pôde brilhar em meu céu?”

Acreditava que longe de seus olhos e ouvidos, talvez fosse mais fácil esquecê-la e seguir em frente. E assim, quem sabe um dia, ele se perdoasse e ela também fizesse o mesmo, pelo que ele tivesse feito naquela noite trágica.

“Tem que ser mais fácil… Tem que ser...”

Jim estava miserável, mas o show tinha que continuar. Ele se levantou de sua cama e sentiu o cheiro de comida. Olhou para a mesa que havia em seu quarto e viu uma nova bandeja. Pegou o pequeno bilhete que tinha ao lado da bandeja e leu a ordem “coma tudo” escrito em uma letra curvilínea bem familiar.

— Aredhel… — o nome dela saiu quase engasgado.

Ele seguiu rumo ao banheiro eapós um banho demorado, tomou algumas decisões. A primeira resolução foi a de que não beberia mais. As duas vezes que o fizera só trouxera sofrimento para duas das mulheres que tanto amava. A segunda era assumir um novo personagem.

Embora não quisesse voltar a se entregar à autocomiseração, James não seria leviano de acreditar que seria tão simples. Não seria com o estalar de dedos que esqueceria do que fez e de Hela, mas ele era um bom ator. Poderia fingir que estava tudo bem, enquanto seu coração permanecesse de luto. Mais uma vez subiria ao palco de sua vida e encenaria o papel de um homem conformado, mas resoluto. Voltaria aos poucos a ser o Jim de antes, ainda que tudo fosse uma farsa digna de um prêmio de atuação. Pelo menos, dessa vez, seu papel não seria o de “melhor amigo”.

“Tem que ser mais fácil… Isso uma hora vai passar… Tem que passar...”

Após o banho, James se obrigou a mordiscar parte do almoço e deixou o quarto. Decidiu que passaria a tarde na biblioteca, lendo e tentando escrever algo novo. Tudo o que lhe restara de seus sonhos, era se agarrar ao seu trabalho. Isso deveria afastá-lo da dor.

Desceu as escadas pensativos e ao virar em um corredor deu de cara com a última pessoa que gostaria de encontrar. Sentiu vontade de rir da ironia de seu destino.

— Você! — sibilou Loki erguendo o braço e desferindo um soco no queixo de Jim.

O ator cambaleou e chocou-se contra a parede. Sentiu um calafrio percorrer seu corpo e sua vista escureceu momentaneamente. Por muito pouco não foi nocauteado.

— Isso foi por ontem — o moreno disse entredentes. — Apenas por Aredhel que não me livro de você ou não lhe dou a surra devida. Mas acredite… No que depender de mim, você não terá paz!

“Paz… Que paz?”, o rosto do loiro se contraiu quando involuntariamente quase sorriu diante da frase irônica de Loki.

— Oh, mas eu acho isso tudo maravilhoso… — riu o rei. — No último instante Hela criou juízo e escolheu Eric em vez de um perdedor como você. Alguém que jamais foi capaz de competir comigo por Aredhel e que tentou se conformar com minha filha — foi venenoso.

Loki deu dois passos a se aproximou do outro, que ainda massageava o queixo e balançava a cabeça, tentando se recuperar do soco.

— Hela provou ser inteligente o suficiente para não aceitar ser prêmio de consolação de um verme como você! — Loki quase cuspiu o as palavras. — Aproveite a oportunidade que Aredhel praticamente me obrigou a lhe conceder e mantenha a distância dela. Não sei se na próxima confusão que você fizer conseguirei me controlar — disse em um esgar.

O moreno o olhou de cima a baixo e, com uma expressão de desdém, seguiu seu caminho.

Embora Loki tenha tentado humilhar James, aquele era um sentimento tolo perto das agruras que carregava. Não precisava ouvir o outro afirmar, Jim já se sentia um perdedor há muito tempo.

≈≈

Merida acordou naquela manhã sentindo um frio inacreditável e uma dor de garganta escruciante. E não era a única dor que sentia. Na verdade, seu corpo todo estava dolorido, como se tivesse corrido uma maratona sem o devido preparo e aquecimento. Estava resfriada e com fome, não tinha forças nem para abrir os olhos.

Quando começou a sentir calafrios percorrerem seu corpo ouviu passos e um balde de água gelada a atingiu feito estilhaços de vidro. Mal teve tempo de se recuperar, quando sentiu seu corpo ser erguido pelos braços. Ela abriu o olhos e viu que os guardas tinham retornado e a arrastavam sem esforço para algum lugar. Foi quase um bálsamo sentir o calor transitório que emanava de algumas lareiras que haviam ali nas masmorras, enquanto eles a conduziam por aquele labirinto.

Ao chegarem diante de uma porta dourada ela foi posta de pé e empurrada para dentro de uma sala escura. Fraca e febril, ela caiu de joelhos naquele chão frio, do qual não conseguiu se levantar. A última coisa que ouvira antes de perder a consciência, foi a porta se fechar com um estrondo, a mergulhando em uma escuridão silenciosa.

Em pouco tempo o frio que Merida sentia pareceu aumentar de forma implacável. Não conseguia controlar os tremores que percorriam seu corpo. Ela já não sabia dizer se estava acordada ou perdida em um pesadelo. A febre consumia suas forças e a fazia alucinar com imagens dela perdida no que parecia um deserto gelado. Repentinamente, viu mãos brotarem do chão congelado, agarrarem seus ombros e a sacolejarem, enquanto ouvia uma voz masculina dizer algo inteligível. Aos poucos a voz se tornou mais alta e clara.

— Acorde… — insistia a voz masculina.

Ela sentiu um toque gentil em sua testa e ouviu a voz chamá-la novamente, enquanto um novo calafrio fazia seu corpo estremecer.

— Pelos deuses… O que vocês fizeram com ela? — a voz ecoou com visível indignação. — Por que ela está encharcada? Ela está ardendo em febre!

— Majestade, foram ordens do senhor Ullr… — desculpou-se uma segunda voz masculina.

— Deixá-la com fome por mais de um dia e banhá-la com água gelada? — rugiu o outro. — O que ela fez para merecer tal tratamento? É apenas uma humana… Uma mulher indefesa!

Novamente a sensação de ser erguida do chão, foi tudo o que Merida pôde perceber. Mas dessa vez fora diferente. Não a carregaram de forma rude como naquela manhã. Parecia que alguém a acolhera em seus braços. Era tão quente e agradável.

O silêncio da inconsciência se fez novamente. Ela não saberia dizer quanto tempo havia se passado, mas percebeu que o frio aos poucos foi amenizando, assim como as suas dores. Uma sensação de conforto se fez ao seu redor. Um toque delicado em seu rosto a fez se esforçar para abrir os olhos.

— Oh… — um sorriso se abriu no rosto do belo rapaz de cabelos negros e olhos azuis esverdeados. — Que bom que acordou. Pensei que a febre não cederia.

Merida entreabriu os lábios, mas não conseguiu dizer nada. Por alguns instantes acreditou que tinha morrido e estava no céu. Aquele homem era lindo e parecia tão feliz em vê-la. Não poderia ser real.

— Eu sou Fenrir… Filho de Loki, o rei de Asgard — apresentou-se e inclinou a cabeça a incentivando a fazer o mesmo.

— M-merida… — a voz saiu falha e rouca, trazendo de volta uma dor lancinante.

“Meu Deus… Não era um pesadelo...”, ela concluiu ao ouvir os nomes Asgard e Loki.

— Prazer em conhecê-la, Merida — um novo sorriso se iluminou naquele rosto quase divino. — De onde você é? — franziu o cenho.

Ela fez uma careta ao engolir a saliva e arqueou as sobrancelhas.

— Terra? — respondeu em dúvida.

≈≈

James estava na biblioteca lendo um livro. Ou melhor, tentando ler. Até aquele instante, suas tentativas de se concentrar naquela página mostraram-se infrutíferas. Ele mal lia uma frase e logo sua mente se perdia em amargas lembranças. Estava tão absorto com um olhar fixo em algum lugar lá fora, que nem percebeu a aproximação da filha naquele lugar enorme.

— Pai?

— Olá, minha filha — ele deu um sorriso fraco.

— O senhor está bem? — ela o fitou e seu olhos se fixaram na mancha roxa que começava a ficar visível em seu queixo. — O que houve? — apontou.

— Ah… Eu escorreguei no banheiro e bati na pia esta manhã — mentiu. — Mas vou ficar bem.

Katarina apenas meneou a cabeça.

— Sente-se… — ele indicou a cadeira. — E você como está?

— Oh… Eu estou bem — ela se sentou.

— Que bom…

O pai suspirou e voltou a sua luta para conseguir ler. Ela baixou os olhos para as próprias mãos e mordeu os lábios. Procurava uma forma de iniciar a conversa. Jim puxou um pequeno amontoado de papéis e começou a rabiscar. Kat deu um pigarro e juntou toda a coragem que tinha.

— Pai…

— Diga, minha querida…

— Eu estou apaixonada — confessou de repente, mas sem tirar os olhos de suas mãos. —

— Oh… É mesmo?

— É… — ela sorriu, corando violentamente. — E o mais incrível é que descobri que sou correspondida — entrelaçou os dedos das mãos, sem coragem para encarar o pai.

— Que bom...

— Ah, pai… Eu o amo... Eu o amo de verdade. Nós começamos a namorar em segredo e...

Um suspiro longo a fez erguer a cabeça. Por que seu pai suspiraria diante de tal revelação? Katarina viu que seu pai olhava na direção da varanda aberta. Uma expressão entristecida tomou conta do rosto dela. Divagando seus próprios problemas, Jim a ignorava. Ela tinha aberto seu coração e ele não tinha escutado uma palavra sequer.

“Ele obviamente não está em condições de conversar sobre esses assuntos”, ela concluiu penalizada. Constrangida e se sentindo tola, ela empurrou a cadeira, se levantando. O barulho espantou James e o fez lhe dirigir a atenção.

— Você disse algo, filha? — perguntou distraído.

— Nada, pai… Nada… — forçou um sorriso e beijou-lhe o rosto. — Vou dar uma volta no jardim.

— Bom passeio, minha querida — depositou um beijo em sua mão.

Ele voltou à sua ausência e ela, com um olhar triste na direção dele, deixou a biblioteca.

≈≈

Era final da tarde quando Narfi, Váli, Rebeca, Sigrid, Einmyria e Broomhilda acompanhavam Aredhel em sua hora do chá. Todos, com exceção de Myria, conversavam de forma amistosa. Sigrid brincava com Jörmungand quando uma serva lhe entrou e entregou-lhe discretamente um bilhete.

A jovem ruiva inventou uma desculpa qualquer e entregou o bebê à amiga Hilda. Aparentemente ninguém percebera a entrega bilhete e tampouco associara a saída de Sig com a visita recente da serviçal. Aparentemente... Váli notara.

Pouco depois de sua namorada se retirar, ele se ausentou alegando que buscaria um livro e seguiu a namorada a uma distância segura. Acompanhou-a até o outro lado do jardim e a viu se aproximar de um caramanchão que havia por ali.

Assim que Sigrid foi encoberta pela sombra das flores de jasmim, ele viu uma figura masculina se erguer do banco para recebê-la.

— Týr… — Váli murmurou ao reconhecer o homem.

Notas finais
"I know someday you'll have a beautiful life, I know you'll be a star In somebody else's sky, but why? Why? Why? Can't be, can't be mine We, we, we, we, we belong together! Together!" Gostaram? Odiaram? Comentem.