Notas iniciais
Talvez não esteja formatado direito mas é por que eu não tenho Word. Me desculpem, pretendo melhorar.

Ledoc, Rei de Arthedain era um homem justo.Sentado em seu cadeirão de carvalho, fungava enquanto o julgamento ocorria.

– Este homem é culpado de assassinato e estupro ! — bradava o arauto ao lado do rei. O homem vestia um rústico gibão de pano empoeirado e com remendos. As únicas partes visíveis do seu corpo eram suas mãos enrugadas e ossudas, juntamente com o rosto destruído por varíola e coberto por fios solitários de cabelo prata. — Que o nosso rei o julgue com sabedoria.

A voz do arauto ecoava por todo o salão, reverberando nas paredes em uníssono com as vaias e gritos da multidão que ali se encontrava. A guarda real com suas armaduras em prata brilhante, tentava conter a multidão que se atirava para cima do acusado prostrado no chão.

– SILÊNCIO ! — gritou o Rei em sua agitada impaciência.A plebe calou-se e se virou para o governante.- O que você tem a dizer em sua defesa, assassino ? — o Rei se levantou ao dizer isso, mostrando imponência e deixando sua presença real se alastrar por todo o salão. Poucas pessoas eram capazes de olhar Ledoc diretamente nos olhos. Eles eram de um azul profundo e eram capazes de desnudar um ser humano que se atrevesse a encará-lo. O meliante comemeçou a tremer.

– S-Senhô, eu sou inocente, juro ! — falou o homem em meio a lágrimas e soluços. — Eu estava plantando minhas batatas na minha fazenda, quando ouvi gritos e resolvi ver o que era. Chegando lá, encontrei uma mulher com a garganta cortada e com o vestido rasgado.

– É mentira dele ! — berrou alguém da multidão enraivecida. Era uma mulher. — Eu vi esse desgraçado soltando gracejos para cima da Ertha. — em meio a gritaria que começou a aumentar, alguma coisa foi jogada no rosto do acusado. Era esterco. O homem cuspiu fezes de animais, antes de se dirigir para o rei novamente.

– É v-verdade, senhô. Eu realmente estava apaixonado pela Ertha, o que torna a morte dela ainda mais dolorida para mim. Meu coração anseia por vingança. — estendeu as mãos acorrentadas para Ledoc. — Por favor, meu lorde, não me deixe voltar para as masmorras. — voltou ao seu pranto. Poucas pessoas conheceram as prisões de Arthedain, talvez por disciplina, ou por puro medo. Reza a lenda que as celas da masmorra tinham um fosso profundo com água pura e límpida que corria abaixo do palácio. No entanto, era proibido que qualquer prisioneiro recebesse água durante sua estadia nas celas. Muitos enlouqueciam, outros tentavam alcançar o rio subterrâneo mas caiam e não tentavam outra vez. O nome, Cela dos Afogados, a cada dia fazia jus ao seu nome.

– Não estenda suas mãos sujas de sangue e merda para o nosso amado rei. — falou o arauto. Fez um gesto, e dois guardas vieram espancar o homem acorrentado. Ele gritou e esperniou.

– Parem com essa loucura, JÁ ! — gritou Ledoc para os guardas e eles se afastaram. — Qual é o seu nome, prisioneiro ? — "Isso é um erro. Eu não devia perguntar o nome para um homem morto, mas mesmo assim... É meu dever perante minha condição de Governante de Arthedain."

– Meu nome, senhô ? — estava meio confuso. — Meu pai me chamou de Moros, porém sou mais conhecido como Purê. — sorriu.- É o único prato que sei fazer, e muito bem.

O rei pigarreou.- Moros, ou Purê, como preferir, a minha decisão foi tomada. — "Por favor, que eu tome a decisão certa. O corpo que me foi apresentado hoje cedo se encaixa perfeitamente na descrição que a mulher fez, e estava na fazenda desse tal de Moros. Acho improvável que ele tenha feito isso, no entanto preciso dar para essas pessoas um pouco de justiça e nenhuma prova foi encontrada a favor do Purê. Deuses... Esse homem precisa morrer. Por favor, que eu faça a escolha certa." — Eu, Ledoc, filho de Blenyc, Senhor de Arthedain, declaro Moros culpado por assassinato e estupro. — Ledoc conseguiu respirar novamente.

Após ouvir a sentença do rei, a multidão entrou em alvoroço e começou a jogar mais coisas em Moros. A mulher que outrora tinha falado, pulou e abraçou um homem ao seu lado, gritando:

– Viva ! Viva o Rei Ledoc.

Os guardas aproximaram-se do condenado e o levantaram para levá-lo à execução.

– Muito bem, m'lorde. Escolha sábia essa sua. Este um está bastante feliz em servi-lo. — falou o arauto aos ouvidos do rei, enquanto se dirigia para a porta atrás do cadeirão real para se dirigir aos seus aposentos.

Um pouco antes de Moros sair do salão, Ledoc levantou a voz e perguntou:

– Senhor Purê, como você gostaria de morrer ? — a voz estava cansada.

Aos prantos, Moros disse:

– Eu queria morrê rápido e sem dô, Vossa Graça. Acho que a guilhotina estaria de bom tamanho para mim. — falou cabisbaixo.

–Então seu desejo será atendido, você será executado amanhã. Por hoje, ficará em uma cela maior e será alimentado adequadamente. Serão permitidas visitas da sua família. Faça bom uso desses privilégios. — Assim, Ledoc virou as costas para o homem e seguiu pela mesma porta que o arauto anteriormente entrara. Precisava de um descanso.

De joelhos, enquanto o rei ia embora, Moros chorava e gritava:

– Obrigado, Senhô ! Muito obrigado... — e assim foi levado pelos guardas e sua voz nunca mais fora ouvida nos salões de Arthedain.

Ja era noite enquanto o Rei Ledoc seguia para o seu quarto. As paredes do corredor possuiam quadros de todos os governantes que ja reinaram naquele palácio, enquanto o chão possuia um grande tapete vermelho com desenhos de batalhas em linhas douradas cobrindo-o. As paredes do corredor eram de pedra escura e as portas de madeira com uma simples armação de ferro. Todo o ambiente era iluminado por inúmeros archotes que crepitavam a medida que o rei passava. "Eu costumava correr e brincar por esses corredores quando era mais novo. A minha babá dizia que se ficássemos até tarde da noite correndo nesse castelo sem dormir, era possível enxergar fantasmas andando por aí. Ela dizia que os antigos reis se levantavam de seus túmulos e assombravam o castelo e as crianças que não obedeciam as ordens... Quem me dera ter so fantasmas para me preocupar." . Ledoc sorria enquanto caminhava na direção do seu quarto e de sua esposa, quando parou e encontrou-se frente à frente com o quadro pintado em homenagem ao seu pai.

– Pai... Que saudade eu tenho do senhor. Se você estivesse aqui, tudo estaria mais fácil. — sussurava, enquanto passava a mão em cima de uma plaquinha de ouro fixada em baixo do quadro que dizia: Rei Blenyc II, General e Governante sábio, Mestre das Artes Ocultas. Desaparecido em batalha e... A parte seguinte estava borrada. — Reencontrado. — "Com um corte na gargante e com manchas negras pelo corpo. Igual a mulher morta hoje.... Não, não vou pensar nisso agora. Preciso dormir."

Após mais alguns lances de escadas e corredores escuros, Ledoc finalmente encontra seu quarto com a porta entreaberta e com sua esposa Myrthile deitada na cama, com os lençóis vermelhos cobrindo seu sexo. Da barriga para cima, estava nua.

– Ledoc, meu amor, esperei ansiosamente o seu retorno. — seus cabelos escuros como a noite e longos, faziam contraste com a pele alva e a boca de um rosado sedutor enquanto falava. Sua voz era calma e doce. — Venha, vamos nos deitar e fazer um filho. Esta noite pretendo dar um herdeiro para Arthedain.

– Claro, minha vida. — O rei tirou a roupa e a deixou cair no chão, revelando um corpo jovem e musculoso, mas com cicatrizes de antigas batalhas. E naquela noite, um Rei foi concebido e o futuro do Reino estava garantido. Ledoc dormiu em paz.

A alvorada chegou com sangue e gritos.

A porta do quarto de Ledoc foi arrebentada e vários guardas protegiam a entrada. Nas paredes do corredor, marcas de mãos ensaguentadas estavam por todo o lugar. Pedaços de membros estavam caídos no chão. O ar cheirava a morte.

– Senhor ! Senhora ! Acordem, meus homens estão tentando defender o castelo mas nossos esforços estão se mostrando ineficazes... Eles são muitos. — Um grito cortou o ar.

O coração de Ledoc estava disparado e não deu conta da sua nudez quando se levantou. Precisava proteger sua mulher e seu reino de qualquer perigo.

– Capitão, o que aconteceu ? — perguntou, enquanto vestia suas roupas do dia anterior e pegava sua espada Temor.

Após uma reverência, o homem disse:

– Vossa Graça, os homens de Voddyn invadiram o castelo enquanto ainda era noite, mataram nossos guardas nas muralhas que estavam de vigia e se esconderam até que o dia raiasse. Alguns conseguiram passar pela defesa interna e entraram no castelo. Foi um verdadeiro massacre. Criados, crianças... Eles mataram todos que viam pela frente. Por pouco não invadiram os seus aposentos. S-Senhor, me perdoe... Eles gritam seu nome, S...

O barulho foi ensudercedor. Parecia que o céu estava desmoronando e que o mundo por um segundo estava respirando para gritar novamente. Ledoc e o Capitão cairam no chão com o impacto. Uma voz desesperada, seguida de um grito de dor disse:

– Eles passaram ! Eles tomaram a muralha interna !

– Capitão. — disse Ledoc. — Coloque seus homens no Grande Salão e me espere lá. Vamos salvar esse castelo. — disse, desembainhando a espada.

– Às suas ordens, m'lorde. — saiu do quarto e levou o restante do exército para onde o Rei ordenou

Sozinhos, Rei e Rainha choraram.

– Myrthile, eu preciso que você entre pela parede. É sua única chance e a de nosso filho. — disse Ledoc abraçando a mulher.

– Eu não vou deixar o meu rei sozinho, jamais. — murmurou nos ouvidos do marido

– Não seja tola... Você carrega o futuro de Arthedain. Vá, salve sua vida e me espera perto do Espelho. — se dirigiu para a estante do quarto a arrastou e puxou uma alavanca escondida. Uma passagem secreta revelou-se. Os gritos estavam chegando mais perto. — Vá, corra agora. Eu tenho que defender o meu povo.

Myrthile aos prantos abraçou e beijou o Ledoc. — Eu vou te esperar, meu amor. — E assim, entrou pela passagem que se fechou atrás dela.

O rei estava só no quarto com a espada em mãos. O aço refletia seu rosto e seu medo... No entanto, iria lutar. " Me dê forças, pai. Preciso salvar meu povo e não ser rei de um lugar morto. Se for para ser assim, prefiro morrer". Colocou sua armadura e correu para o Grande Salão, carregando consigo todos os sonhos e esperanças do seu reino. "É muito pesado..." .

Ao chegar no salão, viu o corpo do capitão ensanguentado em um canto do cômodo junto com vários outros corpos. "Na morte, não importa quem somos. Plebeus, Artesãos, comerciantes, soldador, reis... Somos todos iguais." . Mais à frente, uma linha de homens amedrontados e desencorajados esperava a surtida que se preparava atrás da gigantesca porta de madeira que retumbava aos golpes dos invasores. Tomou a frente dos homens e disse:

– Soldados de Arthedains, coragem ! — brandiu a espada.

Os homens desembainharam as espadas e fizeram uma reverência trêmula para o rei.

– Senhor, estamos todos mortos. A diferença é de 5 homens para 1 em favor deles... Nós vamos cair. — falou um soldado.

Ledoc se virou para eles.

– Sim, este homem fala a verdade. — apontou a espada para o soldado. — Talvez todos nós iremos morrer hoje, não irei mentir para vocês. No entanto, cada um de vocês ainda é um fio de esperança. Lutem, homens ! Protejam o homem ao lado de vocês e viveremos mais um dia. Estes covardes que batem à nossa porta não vale nem metade dos homens que vocês são. Vocês são os escudos de Arthedain, vocês são os risos das crianças que viverão para contar a história de vocês, vocês são a espada que irá defender a honra de nascer neste lugar, hoje, vamos marchar para a vitória e para a morte de nossos inimigos. Hoje eu digo: MORTEEEEE !!!! — e assim, um coro de vozes cantou junto com Ledoc. MORTEE !!! MORTE !!! . Mil vozes entoaram e esperaram a vinda do inimigo. As portas se abriram e a batalha começou.

Sangue e grito decoraram a grande batalha que se seguiu. Homens sem braço ainda lutavam até suas últimas forças até não resistirem mais. A canção da morte foi ouvida a todo o momento.

No final do dia, Ledoc estava no chão, de joelhos, corpos multilados ao seu redor e uma espada em seu pescoço. Ele não viu a face do seu algoz, mas ele cantava: Morte...

Notas finais
Comentem se gostaram ou não, assim saberei se devo continuar a escrever ou deixar de lado. Sua avaliação é bastante importante para mim.