Ascensão do Mito

1 Olhos coloridos me fitam


Capítulo 1

Sinto uma coisa gelada na minha nuca, e com isso sinto um arrepio enorme, se espalhando pelo meu corpo. Então vejo uma menina ruiva de olhos vermelhos se aproximando para perto de mim.

– Fica quietinha– disse ela. E então, não consigo ver direito, minha visão esta meio embasada, acho que ela... Não espera, é isso. Ela esta mordendo o meu antebraço. Por que ela esta mordendo o meu antebraço?

Escuto outros passos, agora é uma menina de pele morena se aproximando da ruiva de olhos vermelhos, a menina morena tinha cabelos pretos e olhos dourados, da cor do ouro.

– Oh céus, Rubi. Já lhe disse que você não pode sair por ai se alimentando dos mortais — disse a menina com os olhos dourados.

Como assim, mortais? E por que ela continua mordendo o meu braço? Foi então que percebi que tinha chegado outra menina, um pouco mais baixa que as outras. Ela era loira e tinha olhos de cor violeta. Espera olhos vermelhos, dourados e violetas?

– Aurora, não acredito que você a deixou fazer isso de novo — ela da uma olhada para a ruiva, e a desgruda do meu antebraço, ela estava com a boca toda ensanguentada — oh céus, olhe como você a deixou, Rubi. Ela esta pálida, praticamente sem sangue. — a menina loira olha pra mim, e morde o seu próprio antebraço, fazendo assim jorrar bastante sangue. — Tome, vai fazer com que você se sinta melhor.

Ela aproximou o antebraço para perto da minha boca e bebi do seu sangue. Era quente e tinha um gosto horrível. Eu não sabia o porquê eu estava fazendo tudo o que elas queriam, e nem sabia o que elas eram. A menina de olhos dourados, Aurora, me coloca sentada em um banco da praça. Foi então que notei que já estava de noite e a praça estava totalmente deserta.

– Você vai falar tudo o que queremos saber – disse Aurora, suas pupilas douradas se dilataram. — Qual é o seu nome? Quantos anos a bela moça tem? Onde você mora? E por que esta uma hora dessas na praça da cidade?

Eram tantas perguntas. Não consigo pensar direito... Só penso em responder as perguntas.

– Meu nome é Claire, tenho dezesseis anos. Moro na mansão do prefeito, ele é meu pai. E estava vindo da casa de uma amiga, Lola, e indo direto para a minha casa. — digo as, foi quando reparei na menina ruiva, Rubi, ela revirava aqueles olhos vermelhos, enquanto eu respondia as perguntas, e fazia uma cara de deboche. Uma dúvida veio em minha mente — Quem são vocês? E por que aquela menina estava me mordendo?

Estavam todas em minha volta, me observando, sem sequer piscar. Percebo que elas usavam preto, jeans, uma blusa de flanela, uma jaqueta de couro por cima, e tênis all star. Tudo preto estavam bonitas e sombrias. E me davam medo com aqueles olhos coloridos me fitando.

– Vamos fazer assim — disse Rubi, ela se aproxima de mim e olha bem dentro dos meus olhos — você vai esquecer-se de tudo que aconteceu nessa noite, só se lembrará de que se divertiu bastante na casa da sua amiga, Lola. Agora vá para a casa.

Com a presença da Rubi, sinto uma vontade enorme de sair aos tapas com aquelas garotas. Uma raiva vai corroendo dentro de mim, sinto vontade de pegar qualquer coisa e enfiar no coração delas. Então, sinto como se fosse um estalo dentro da minha cabeça, como se algo estivesse controlando o meu próprio corpo. E levanto do banco da praça, sem dizer absolutamente nada, vou em direção a minha casa.

Escuto alguns cochichos atrás de mim, mas não tenho forças para olhar para saber o que era.

Quando de novo sinto um vento gelado na minha nuca, e logo na minha frente estavam àquelas três garotas estranhas.

– Esquecemos-nos de um pequeno detalhe, — disse a loira. Ela olha diretamente nos olhos da Rubi — olhe, ela tem a marca.

– Não pode ser, Meltia — disse Rubi — não vejo essa marca a séculos.

Aurora se aproxima de mim e rasga a manga do meu casaco. Revelando minha marca de nascença no meu ombro.

– É a marca sim, Rubi.

– Isso? É só uma marca de nascença — digo.

– Não é só uma marca de nascença — disse Rubi, se aproximando para perto de mim. Olha dentro dos meus olhos e vejo de novo pupilas se dilatarem — não grita.

Ela envolve suas mãos — pálidas e frias — em meu pescoço. E então ela bate minha cabeça no banco da praça.

Sinto uma dor forte e ficando tudo preto, quando vejo olhos dourados me observando, e falando de um jeito engraçado. Acho que foi por causa da batida.

– Não era para tanto, Rubi. Vamos levar ela para a Esme...

Rubi chega perto de mim e bate de novo a minha cabeça no banco. Só que agora não vejo olhos dourados. Vejo estrelas. E então apago.