Notas iniciais
Hey! As férias chegaram, a inspiração veio, o dia foi bom, o capítulo saiu. Estou amando a forma como a minha história está ficando, e estou amando escrever cada capítulo. Espero que gostem deste! Aproveitem!

O sol infiltrava pelas frestas da persiana, fazendo meus olhos arderem. Não sabia que horas eram, estava apenas de calcinha e sutiã, minha cabeça doía um pouco e minha boca estava seca. Mas, ao me lembrar da noite anterior, tudo foi esquecido. Sentia o corpo de Isaac colado ao meu, o calor de sua pele irradiando pelo edredom e me acertando em cheio. Abri meus olhos, sorrindo.

Virei meu corpo e encontrei as costas de Isaac. Ainda estavam lá, o símbolo circular e as cicatrizes perpendiculares, profundas e extensas. Toquei suas costas com a ponta dos meus dedos, sentindo o relevo que as cicatrizes deixaram, sentindo o desenho que sua tatuagem fazia na pele. Abracei seu corpo com meus braços, querendo sentir seu calor, beijando sua nuca e o canto de seu maxilar, fazendo Isaac soltar um suspiro profundo, acordando. Ele se virou para mim, seus olhos ainda fechados.

— Ainda estou sonhando? — ele sussurrou, me abraçando.

— Está. — sussurrei de volta, rindo. Ele abriu os olhos verdes para mim, sorriu. — Bom dia.

— Bom dia, Woods. — Beijou minha boca com delicadeza. — Está com fome, anjo?

Assenti com a cabeça, sorrindo mentalmente pelo “anjo” no final da frase. Ele se sentou na beirada da cama, procurando sua calça do moletom no chão. Colocou, calçando os chinelos nos pés. Disse que faria o café e que logo estaria de volta, me deixando sozinha no quarto. Quando me levantei da cama, podia ouvir o som de seus passos na escada de madeira, em direção à cozinha.

Peguei sua camiseta branca que encontrei perto da porta e a vesti, querendo sentir o cheiro dele no meu corpo mais uma vez. Decidi explorar um pouco a casa antes do café. Descalça, saí para o corredor do segundo andar, passando por três portas. Na primeira, encontrei um banheiro, limpo e arrumado, no estilo militar. Na segunda, um quarto pequeno e completamente vazio, com a janela aberta virada para o rio, o sol iluminando todo o ambiente. No terceiro, precisei acender a luz para enxergar. A janela estava fechada com tábuas pregadas e o quarto era repleto de caixas de papelão sem nenhuma identificação. Poderiam ser coisas da mudança, apenas. Somente em uma pilha de caixas tinha identificação, com a letra A marcada com caneta vermelha e circulada várias vezes. Devia ser algo importante.

As caixas estavam um pouco empoeiradas, como o resto de todas as outras. Quando estava prestes a abrir uma delas, a voz de Isaac me assustou.

— Alexis! — Ele cantarolava alguma música. — Está pronto!

Decidi que mataria minha curiosidade mais tarde. Lavei a poeira de minhas mãos no banheiro e desci as escadas, encontrando Davies com duas xícaras fumegantes nas mãos. Me entregou uma delas, e nos sentamos na mesma mesa que tínhamos jantado na noite anterior. Aquele era o chá mais maravilhoso que já tinha provado em toda a minha vida. Ele explicou que aquele chá era ótimo para acabar com a ressaca, e eu não parava de agradecê-lo mentalmente.

— Minha camiseta ficou boa em você. — Ele riu. — Principalmente por ser a única peça de roupa que está usando.

— Considere-se especial, Isaac. Não costumo dormir com o cara logo no primeiro encontro, então você é uma exceção.

— Mas não foi o nosso primeiro encontro. Já fui até sua casa e já almoçamos juntos no centro da cidade. Esse é, oficialmente, nosso terceiro encontro.

O encarei, e vi sinceridade nos seus olhos verdes.

— Você tem razão. — Então sorri.

Depois de comer as torradas com geleia e terminar o chá, ficamos um pouco no sofá, ouvindo músicas no rádio da sala. Ainda estava um pouco espantada por não ter uma televisão ali.

— Você só lê e ouve músicas o dia inteiro?

— Na verdade, não tenho muito tempo para fazer nada disso. Estou quase o dia inteiro lá fora consertando tudo ou na cidade comprando coisas. Quando volto para casa, só consigo dormir e me preocupar em arranjar um emprego logo. O dinheiro da isenção das Forças Armadas não vai durar tanto tempo.

— E como é... a guerra? — murmurei, lembrando das cicatrizes.

— Uma das piores coisas que existem. Você nunca sabe se vai sair de lá com vida ou em um caixote de madeira, e dormir parece ser uma tarefa impossível de ser executada. Mas se as coisas derem certo, depois de um tempo você se sentirá muito bem. Você vai se sentir vivo como nunca antes.

E eu o entendi.

Dei uma olhada no relógio da parede, e já passava das oito e meia. Claire iria me matar.

— Meu Deus! — exclamei, me levantando do sofá correndo e indo até as escadas. — Eu estou tão atrasada! Minha amiga vai arrancar meu fígado!

Enquanto eu corria pela escada, pude ouvir Isaac rindo.

Já no quarto, procurei meus jeans em todos os lugares possíveis e impossíveis, encontrando debaixo da cama. Calcei meus tênis, mas minha blusa tinha desaparecido. Decidi que usaria sua camiseta de qualquer forma, e quando desci, Isaac estava no mesmo lugar, sorrindo para mim.

Ele se levantou, me deu um abraço e um beijo na testa, bagunçando meu cabelo com suas mãos. Me senti com sete anos novamente, no meio do canteiro de flores, com Lucy na mão, o vestido colorido sujo de terra e grama. Me senti como se aquele anjo estivesse na minha frente mais uma vez.

— Você está bem? — Isaac perguntou, me tirando dos meus devaneios. — Parece um pouco tonta.

— Eu... — Fechei meus olhos com força, balançando a cabeça. — Está tudo bem, só tive um déjà vu. Estou bem.

Isaac Davies me deu mais um beijo antes de me levar até a saída, e quando atravessei a cerca e olhei para ele na porta, quase pude ver duas asas saindo de suas costas.

...

Estava acabada por causa daquele provão, minha cabeça latejando de dor. Nunca foi tão difícil fazer uma prova como aquela, e tinha sido uma péssima ideia beber duas garrafas de vinho com meu vizinho na noite anterior. Claire estava bem mais preparada e concentrada, por isso saiu da sala de prova bem antes de mim, e já tinha ido embora. Quando acabei, já passava das oito horas da noite, e tudo o que eu queria era um café bem quente e uma boa noite de sono. Entrei na minha caminhonete vermelha como uma zumbi.

Quando cheguei na estrada de terra do meu bairro, caindo de sono, encontrei uma viatura de polícia estacionada na frente da mureta de pedras da minha casa, com um policial parado na minha porta de entrada. Estacionei a caminhonete, peguei minha mochila e minhas chaves nas mãos e saí.

Subi as escadas de madeira da casa e fui até o policial, que estudava com atenção o cartaz enfeitado pelas crianças que eu tinha deixado na janela da frente. A varanda estava escura, por isso precisei acender a luz de fora para poder enxergá-lo.

— Alexis Woods...? — Ele olhava para um bloco de anotações em suas mãos, para ter certeza que aquele era o meu endereço.

— Sou eu. — O que eu poderia ter feito para um policial aparecer na minha casa? — Algum problema, oficial?

— Vinte e cinco anos, nascida em Londres? — Ele ainda olhava para o papel, como se estivesse falando sozinho. Como se eu não estivesse ali.

— Está falando comigo. Eu fiz algo errado? — Já estava ficando irritada com aquilo.

Então ele levantou a cabeça. E eu reconheceria aquele cabelo loiro e aqueles olhos castanhos em quinhentos metros de distância. A forma de seu sorriso e suas sobrancelhas eram difíceis de se confundir. Ele não podia estar ali.

Scott não podia ter voltado.

Notas finais
O que acharam? Gostaram? Queria deixar um agradecimento muito mais do que especial a duas leitoras incríveis: Clara Stark, que continua me seguindo nessa jornada incrível da escrita; e Miss Fortune, que começou a ler minha história e me deu a crítica mais maravilhosa que eu poderia receber. Os comentários de vocês serão levados em conta e ficarão guardados no fundo do meu coração para sempre. Obrigada de verdade por serem quem são e me presentearem com esse reconhecimento. Amo vocês! Um beijo!