Notas iniciais
Hey! Eu sei que demorei um pouco mais do que o habitual para postar esse capítulo, mas aconteceram algumas coisas aqui em casa e não tive o tempo necessário para escrevê-lo como deveria. Estou muito animada para saber o que acharam deste. Espero que gostem! Aproveitem, meus anjos!

Aquilo não podia ser real. Só podia ser um pesadelo, um dos piores. Minha vontade era de beliscar meus braços até sair dali, daquela varanda, e acordar na minha cama e rir de meu medo.

— Vai dizer que não se lembra de mim? — Aquele sorriso se alargou, me dando arrepios. Apertei as chaves na mão, sentindo o ferro quase rasgar a minha pele. — Eu sei que já faz oito anos, mas não mudei tanto assim...

— Scott. — Cortei sua frase. A última coisa que eu queria naquela noite era ficar conversando com ele na minha varanda. — Eu estou cansada, acabei de sair de uma prova gigantesca e preciso desesperadamente dormir. Será que não podemos conversar com mais calma depois?

— Achei que ficaria feliz de saber que eu voltei para a cidade. — O sorriso sumiu, como se ele tivesse se lembrado do que tinha feito. — E dessa vez eu vou ficar de verdade, Alexis. Eu juro.

— Boa noite, Scott.

Me virei e destranquei a porta. Quando minha mão tocou a maçaneta, senti seus dedos nos meus braços, me apertando. Ele me obrigou a virar, a ver seu rosto escuro como a noite. O mesmo rosto que vi pela última vez, oito anos antes.

— Se pensa que pode simplesmente me ignorar, está muito enganada, Woods. — Scott rosnava. — Eu voltei para esse buraco só por você, pela nossa história. Eu voltei por nós. Então trate de voltar a me chamar de “amor” e vamos voltar ao que éramos. Um casal feliz.

— Feliz? Você realmente pensa que eu estava feliz? Meu Deus! — Soltei meu braço, sentindo os hematomas se formando na minha pele. — Eu tinha dezessete anos e achava que você era o amor da minha vida! “Nós” éramos apenas uma aventura adolescente, eu e um cara mais velho, drogas e tudo mais. Aquilo foi só uma fantasia! Você não entende?

— Era real para mim, de verdade. — Então ele não estava mais bravo, lágrimas se formavam em seus olhos. Continuava instável como o fogo. Scott deu dois passos em minha direção, segurando meu rosto com as mãos. — Alexis, eu nunca deixei de te amar. Nunca. E eu voltei para essa cidade, voltei só por você. Por favor, por favor, vamos conversar como adultos. Vamos voltar a ser aquele casal.

— Se você não for embora agora, vou chamar a polícia.

E então um sorriso obscuro apareceu em seus lábios, deixando seus dentes a mostra. Olhei para seu uniforme azul e entendi a graça.

— Pode chamar, terei o prazer de te socorrer.

Então ele abriu a porta com violência e me empurrou para dentro de casa. Tentei me apoiar em algo, em qualquer coisa, mas caí no meio da sala de estar. Scott se aproximava cada vez mais, ainda sorrindo, e eu podia ver loucura naqueles olhos. Ele iria me matar se tivesse a oportunidade.

Tentei me levantar, e ele me puxou pelo braço, me jogando no sofá da sala. Gritei por socorro, mas seria impossível que alguém me ouvisse dali. Aquela parte da cidade era praticamente deserta, só com a minha casa e a de Isaac, além dos campos. Ali era quase inabitado.

Senti um estalo no meu cérebro. Como eu pude ser tão idiota? Isaac estava lá, ele poderia me ajudar se eu conseguisse chamá-lo. Eu só precisava alcançar as janelas que davam para o quintal dos fundos e gritar. Só isso.

Scott tinha se distraído com algo na bancada da cozinha. Aquele era o momento perfeito para eu tomar uma atitude, e tinha que ser rápido. Respirei fundo, tomei coragem e corri. Passei pela mesa de centro, pela bancada da cozinha, por Scott. A janela estava aberta, então gritei por Isaac. Gritei como uma louca, como se minha vida dependesse daquilo. As luzes do casarão estavam apagadas, e não tinha nenhum movimento do lado de fora.

Eu estava perdida.

— Quem é Isaac?! — Scott gritava comigo como um louco, me jogando para longe da janela. — Seu namoradinho?!

— Não te interessa! — gritei de volta. — Me deixe em paz!

Ele me mostrou uma foto. Eu e Isaac na feira de flores, juntos em baixo de uma árvore.

— Ele é esse tal de Isaac, não é? — Scott apertava a foto com raiva, quase a rasgando. — Você o ama?

Fiquei em silêncio, o encarando, sentindo minhas lágrimas correndo pelo meu rosto. Eu estava apavorada com o que aquele lunático poderia fazer comigo. Scott poderia me matar.

— É por causa dele que você não me ama? — Ele apertava meus braços novamente, torcendo-os. A qualquer momento eles poderiam se partir ao meio.

— Você está me machucando! — Tentei me soltar, mas aquilo só me machucou mais. — Me solta!

E então eu ouvi um estrondo. A porta da minha sala estava aberta e Isaac corria até mim e Scott. Antes mesmo que eu pudesse ter qualquer reação, uma briga tinha se formado na minha frente. Meu vizinho estava com a raiva estampada em seus olhos, e Scott estava levando vários socos, o nariz sangrando. Segurei os braços de Isaac, tentando fazê-lo parar com aquilo. Ele respirava pesadamente, os músculos retesados e os punhos fechados.

— Scott, suma daqui. — minha voz ainda estava trêmula, e não conseguia parar de chorar. — E não volte nunca mais.

Ele se levantou e me encarou. Tinha um corte acima da sobrancelha que não parava de sangrar e seu olho estava roxo e inchado. Saiu pisando duro e bateu a porta, e eu pude ouvir o som da viatura dando a partida e indo embora.

Quando o som finalmente se tornou inaudível, despenquei no tapete da sala. Eu soluçava incontrolavelmente, e meu corpo não parava de tremer. Nunca tinha sentido tanto medo na minha vida. Senti dois braços me abraçando, e tudo que eu consegui fazer foi desabar em Isaac. Eu chorava no seu peito, manchando sua camiseta com minhas lágrimas, suas mãos me afagando. Me senti protegida.

— Quem era aquele cara? — ele sussurrou, me dando um beijo no topo da cabeça.

— Um antigo erro meu. — sussurrei de volta.

Quando finalmente consegui me controlar, Isaac me levou até meu quarto, me avisando que não me deixaria sozinha naquela noite. Só conseguia agradecer, depois daquilo não conseguiria dormir sozinha. Coloquei o pijama mais confortável que tinha e encontrei algumas roupas do meu pai que serviriam nele. Deitamos na minha cama, abraçados.

— Vou te proteger, ouviu? — A voz de Isaac cortou o silêncio. — Aquele louco nunca mais vai chegar perto de você. Isso é uma promessa.

Com aquelas palavras, finalmente consegui dormir.

Notas finais
O que acharam? Gostaram? Quero agradecer mais uma vez duas leitoras maravilhosas: Clara Stark e Miss Fortune, que não me abandonaram nessa jornada da escrita. Os comentários de vocês serão sempre levados em conta e serão sempre importantes. Obrigada de verdade por serem incríveis. Amo vocês! Um beijo!