Asas Da Memoria
12 Normal?
Notas iniciais
Nos vemos lá embaixo, ok?
–Diego, me devolve!-Disse, saindo correndo atrás dele.Descemos a escada, passamos pela sala, pela cozinha e estávamos no jardim.Diego rindo descontroladamente com o meu livro na mão.
–Você costumava correr mais.-Riu.
–Esta com ciuminhos de um livro?Serio?!Me devolve.-Disse estendendo a minha mão.Diego sorriu como o gato da Alice no Pais das Maravilhas.Ele sabia que eu tinha que me arrumar daqui a meia hora para ir no aniversario de uma das minhas amigas da faculdade.
Me virei de costas para ele e sai andando com cara de demônio.
–O que aconteceu, meu amor?-Perguntou minha madrinha.
–Aconteceu seu filho infantil.-Bufei, revirando os olhos enquanto minha madrinha dava risada.
Subi e peguei o secador, deixando meus cabelos secos, logo depois alisando as pontas com a chapinha e prendendo minha franja para trás.Meus cabelos estavam mais vermelhos, como vinho, fiz uma maquiagem esfumaçada azul e preta.Coloquei um gloss incolor, vesti um sutian preto de bojo e uma calçinha de renda.Por cima, coloquei uma blusa regata cinza clara com o que parecia colares pretos penduradas nela, uma saia de cós alto cinza e um salto fechado azul turquesa com pequenos ferros pontiagudos no salto.
–Ate que você é gata.-Falei para o meu reflexo no espelho e ri.Peguei meu celular com o dinheiro e coloquei no bolso, já que não gostava de bolsa e nem tinha uma.
James, um dos convidados e um menino super gato, ia vir me buscar.Olhei para o relógio da sala, só 12 minutos e ele estaria ai.Diego apareceu do nada e me olhou.
–Para onde você vai?-Disse, só olhei para ele.-Aé mesmo, você vai sair com os universitários.-Riu, andei ate ele e dei um selinho.
–Sente ciúmes não, ta?-Pisquei para ele.E ouvi uma buzina lá fora.Abri a porta e encontrei um Eco Sport preto parado na minha porta, ele abaixou o vidro e me olhou.
–Cheguei cedo?-Perguntou sorrindo vermelho, sorri de volta.
–Quase nada, deixa só eu me despedir da minha família?-Ele acenou.
Entrei e gritei um tchau para todo mundo, minha madrinha me entregou o meu RG e nós fomos.A festa iria ser no camarote do Sub-mundo, que era uma espécie de pátio enorme com a vista para a sala do DJ e direito a presença do dono.
A musica tocava mais alto do que eu me lembrava, subimos e cumprimentamos a aniversariante.Depois de sorrisos forçados, risadas de algumas piadas sem graça, eu decidi que seria melhor ficar olhando para a pista lá embaixo.Pessoas dançavam freneticamente e loucamente, casais se beijavam nos cantos.
–O que houve?Não gostou?-Perguntou James, olhei para os olhos verdes dele.Mas antes que eu pudesse responder, as caixas de som explodiram com a musica ainda mais alta.E eu fui pegada pela cintura forçada a dançar no ritmo da musica, quando me virei, vi o dono da Sub-Mundo.
Um cara com um moicano preto ( sem as laterais totalmente raspadas ), magro, mas não tão magro, com um ar sinistro.Ele sorriu para mim, mostrando dentes perfeitos, sorri de volta.
–Sem querer ser sem graça.-Sussurrei no seu ouvido.-Mas não sou a aniversariante.
–Então feliz aniversario para mim!-Gritou ele no meu, ri.-Qual é o seu nome?
–Danielle.-Ele se afastou um pouco e sorriu.
–É o nome do ressoar dos deuses.-Rimos, mas James me pegou de volta e sussurrou alguma coisa no ouvido do Chapeleiro Maluco( que era o único jeito de chamar o dono da Sub-Mundo ).
–O que você falou para ele?-Perguntei para James quando ele voltou.
–Não é o tipo de cara para você.-Disse com a cara fechada, dei de ombros e fui dançar com as meninas.
As musicas eram frenéticas e sem tempo entre uma e outra.Depois de cinco musicas, as meninas estavam exaustas ou estavam se agarrando com seus namorados.Então falei que estava indo embora e fui lá para baixo, peguei uma bebida, o legal da Sub-Mundo, era que sua conta era uma pulseirinha que você ganhava quando entrava, e quando ia embora, pagava o que estava armazenado nela.Depois de vê-los, fui ate eles e me sentei na mesa dos meus vigias.
–Ollie.-Disse com reprovação na voz, enquanto bebia a tequila.Matt deu um sorrisinho com um ar de desculpa.-Não quero que vocês estraguem minha noite, entenderam?-Falei largando meu copo na mesa e me levantei vendo que James tinha vindo atrás de mim.
–Você fugiu.-Li em seus lábios, ri.
–Aqui é mais divertido e você também fugiu.-Falei lentamente para ele poder entender.
Senti meu celular vibrar em meu bolso, o peguei, era uma mensagem de Diego falando que já era hora de eu voltar.Olhei para o relógio do celular e fiquei surpresa quando notei que já era quatro horas.
–Tenho que ir.-Disse para James.
–Eu te levo.
Sorri e sai em meio a multidão, ate chegar no corredor.James pagou minha tequila e a vodca dele.Subimos a escada rolante e nos deparamos com o estacionamento lotado.
–Já veio aqui antes, James?
–Não e você?
–Uma vez, com meu irmão e a namorada dele.-Sorri com a lembrança.James abriu a porta para mim e eu entrei.Já estávamos a caminho da minha casa quando Diego me ligou.-O que você quer?
–Já ta vindo?-Respondeu serio.
–To.Só isso, papai?-Ai o bichinho ficou nervoso e desligou na minha cara.
–Quer sair amanha?-Olhei para James, o garoto dos cachinhos.
–Claro, para onde?-Olhei de novo para a rua.
–Sei lá, cinema, um jantar, temos muitas escolhas.-Sorri.
–Adoro muitas escolhas.-James parou o carro na frente da minha casa e descemos do carro.-Amanhã que horas?-Perguntei.
–Umas 14h ta bom, não acha?-Assenti que sim e acenei para ele, vi seu carro acelerar e sumir na curva.Olhei para o céu estrelado.
–Nyx me deu uma ótima noite com uma deliciosa companhia.-Sussurrei aos céus e entrei tirando meus saltos.
Encontrei Diego sentado no alto da escada, e decidi usar compulsão.“Você irá para a cama agora e só falará comigo amanha de manhã.”Sussurrei em seus pensamentos, e pelo visto, não estava tão enferrujava quanto pensava.Terminei de subir as escadas e fui para o meu quarto.
Um quarto grande com paredes brancas, um guarda-roupa bege de seis portas, uma penteadeira da mesma cor, antiga e uma cama de casal com um mosquiteiro preto.Troquei de roupa, colocando um camisão cinza com um bigode preto desenhado e meias 7/8 pretas.
Antes de deitar, fui ate a pequena sacada que tinha no meu quarto e olhei para jardim, sentindo o vento da noite passar por mim como um carrinho.Hoje era o turno de Matheus, sentado no chão entre a arvore e o plantio de jasmins, sendo banhado pela luz da lua.Fui dormir, a janela que dava para a sacada aberta, caso Matt quisesse entrar.
Flashback on
Sai correndo o mais rápido possível.Escalei a parede de um prédio, pular de telhado em telhado era mais fácil.O chapéu que Carlota havia me dado tinha voado e meu cabelo agora voava ao vento, tinha escolhido aquela roupa porque era a melhor, Carlota tinha se casado com Kylie e se mudou para a Austrália.Os saltos batiam nas telhas fazendo barulho, as vezes eu escorregava.Olhei para baixo procurando aquele que eu procurava.
–Por que?Por que você perdeu o controle?-Olhei para aqueles cabelos loiros e a pele branca.Vladmir, porque sempre tem que mudar?–Mark.-Gritei, chamando-o.Escorreguei pelo telhado do prédio de cinco andares, o casaco fazendo barulho enquanto se debatia ao vento, Mark me olhou com aqueles olhos um verde e o outro azul, então reconhecimento passou pelo seu semblante e ele abriu os braços para me pegar.
Minhas lagrimas voavam, ate que cheguei nos braços de Mark.Olhei para seus olhos que ora mostravam felicidade e ora mostrava o objetivo dele ter sido recriado.Sorri e mais lagrimas caiando dos meus olhos, um soluço escapuliu de meus lábios.Então a alma dele se lembrou completamente do que tinha que fazer e seus braços me apertaram com tanta força que eu achei que ia quebrar ao meio, foi ai que meu braço atravessou seu corpo, tirando seu coração do peito.
–Eu sinto muito.-Falei enquanto mais soluços saiam de mim, o sangue dele me banhou enquanto ele perdia a vida e seu corpo caia sobre mim, o peso me vez tombar um pouquinho para trás, mas consegui me manter de pé.
–Dessa vez...-Falou em minha cabeça, a voz de Vladmir.-Eu não vou voltar.
Mordi meus lábios, enquanto arrumava o corpo de Mark no chão, me deitando ao lado do mesmo.Foi quando eu hibernei.
Flashback off
Então acordei quando ouvi o barulho de alguma coisa, abri um olho e vi Matt.Abri os dois olhos e fui mais para o lado.
–O que foi?-Perguntei para ele, depois dele ter deitado.
–Vai sair mesmo com ele amanha?-Olhei em meus olhos.
–Qual o problema?-Perguntei.
–Não tem suspeitas?Dessa vez, você pode não reconhecer a alma dele.
–Vladmir não voltou ainda, e acho, que nem tão cedo voltara.-Disse me virando de barriga para cima e colocando o braço encima dos meus olhos.-E se ele tivesse voltado, você sabe como é o ciclo.E mesmo assim,...-Puxei o ar.-Estou morrendo de saudades dele.-Sussurrei.
–Você aceita isso?Ser morta por ele?-Pegou minha mão.-Por que o ama tanto assim?
–Por que você sempre faz perguntas que já sabe a resposta?-Disse olhando seus olhos, que agora pareciam tão tristes.
–Porque eu espero que algum dia, as respostas sejam diferentes e não se trate de Vladmir, e sim de mim.-Suspirei, meus olhos ardiam a beira das lagrimas.
–Enquanto a isso, eu não tenho respostas.-Disse me virando de costas, colocando minha cabeça em seu braço e sua mão em minha cintura.-Mas eu sei que você entende, não é?
–Entendo sim, Danielle.-Fez carinho em meus cabelos e logo, o sono me puxou.
Despertei de manhã com o sol batendo em minha cara, soltei o mosquiteiro fazendo que se formasse um escuro confortável.Olha, não sou fã de sol e muito menos de calor, gosto do escuro e um friozinho saudável para a pele.
Mas eu precisava levantar, ia sair com um menino super gatinho.Sai da cama e amarrei o cabelo, só os Deuses sabiam como eu estava irritada, minha pele estava sensível e a cor cinza dos meus olhos pareciam gritar.
Abri a gaveta da penteadeira e peguei as lentes de contato, elas faziam a cor do meus olhos escurecerem.Me espreguicei e do jeito que estava, desci para tomar café da manha.Dei um beijo na bochecha de Melanie e peguei café e toradas, me sentando na mesa.Peguei o jornal antes que Christopher aparecesse, nada de tragédias que me chamassem a atenção.
Diego tinha se levantado também, deu um beijo na minha bochecha e se sentou a minha frente.Comemos em silencio, ate que eu terminei e subi para o meu quarto de novo.Era assim desde que eu tinha “voltado”, refeições e quarto.
Meu celular tocou, era uma mensagem.James não ia poder se encontrar comigo, a mãe dele estava no hospital.Respondi dizendo algo reconfortante, então notei que eu precisava de adrenalina.Precisava de uma briga de bar.
Notas finais
Acho melhor assim,porque tem horas que eu não sei descrever direito hehe
Beijinhos, e mandem reviews.
(Revisado 26/12)
Fale com o autor