Asas Da Memoria
13 Talvez seja só uma lembrança
Notas iniciais
Ate la embaixo e boa leitura
Flashback on
Levantei pra tomar café da manha, o friozinho que fazia em abril de 1860 era reconfortante, o vestido que eu tinha escolhido era amarelo e a saia se abria mostrando padrões de cipós vermelhos, de mangas compridas, os sapatos eram amarelos e eu simplesmente os detestava, mas por sorte o vestido cobria.Meu cabelo eu o amarei em um coque e coloquei uma presilha de uma espada enrolada por uma corrente.As luvas eram de renda branca, Vladmir tinha pedido a mãe para que fizesse pra mim, já que eu tinha te contado que meu aniversario era hoje.Desci as escadas e dei bom dia a todos.Meu pai especialmente essa manha estava radiante, ele usava calças de couro marrons, uma blusa branca com um colete bege com o terno marrom por cima, sorri para ele.
–Serena te torturou hoje, papai?-Abracei ele, papai beijou minha testa e me soltou.
–Ah sim, sua irmã só faltou me enforcar, querida.-Rimos.-Parabéns, minha pequena.-Sim, eu era a irmã mais velha e sim, eu era a menos responsável ali, porem a mais dedicada e ao contrario de Serena, eu sabia levar uma conversa ate onde queria.Lorde Roman Stevens II, meu pai, tirou uma caixa media de algum lugar totalmente desconhecido.-Isso é só uma lembrancinha para você, meu anjo.-Abri a caixa e descobri uma linda gargantilha de diamantes, uma pequena cordinha de diamantes descia e nela tinha uma pedra de rubi pendurada.
–Papai, é lindo!-Disse completamente hipnotizada pela joia, papai colocou ela em mim.A gargantilha presa ao meu pescoço como uma coleira e o rubi balançando enquanto eu andava ate o estábulo, abri a porta lentamente.-Vlad?
–Estou aqui, Danielle.-Disse mal humorado, andei ate o pequeno espaço de Moony.Quando apareci, Moony veio ate mim e eu fiz carinho em sua cabeça.
–Como estão as coisas?-Vladmir abriu os olhos e o suspiro que ele ia soltar se prendeu em sua garganta, eu ri.-Como estou, Vlad?
–Você, você, você...-Gaguejou.-Esta estonteante.-Fiz uma reverencia.-Vamos conversar lá fora, não quero que você fique fedendo a cavalo.-Luke bufou e empurrou Vladmir com a cabeça.-Ei rapaz, eu to falando cavalo, não bebê.-Ri do ciúmes de Vlad com os meus “bebezinhos”.-Queria ter te dado algo mais precioso.-Disse, pegando na minha mão, sorri.
–Não me preocupo com isso, e em todo o caso, você sabe como eu não me importo muito com isso.-Vlad olhou para o meu pescoço, peguei o rubi e o arrumei.-Esse é diferente, meu pai me deu, será uma das minhas relíquias de memória.
–Em todo o caso, eu queria ter te dado algo melhor, então pedi para minha mãe me ensinar a costurar...-Olhei surpresa para ele.-Eu fiz um vestido para você, esta no meu chalé.-Levantei meu vestido e sai correndo ate seu chalezinho, abri a porta com um empurro e encontrei o vestido estendido encima da cama, ele era verde petróleo(quase preto) tomara que caia de manga comprida, tinha desenhos de borboletas em todo o vestido, apenas um tom acima, só as notava quando a luz batia.Peguei o vestido como se ele fosse de gelo fino e o abracei, Vladmir tinha chegado nessa hora.
Dobrei o vestido e o segurei num abraço discreto, Vladmir estava preocupado.Só acenei com a cabeça e nos saímos, e fomos andando ate a casa.Olhei para Vladmir de rabo-de-olho, ele mexia no cabelo compulsivamente.
–Calma, eu gostei.-Disse baixo.-Ah, e eu tenho uma coisa para você.
–Mas hoje é seu aniversario, e eu sou apenas um escravo.-Olhei para ele com ira.
–Servo, você é um servo e o de mais confiança para a filha mais velha do Lorde da cidade, por mais que eles não gostem do jeito que eu ajo.Porem, esse não é o assunto, é meio como um presente para mim, sabe?Hoje a noite terá o meu baile, e você estará nele, papai comprou roupas junto com sua mãe e, você e sua família são convidados também.Só que sua mãe insiste em não vir, mas você estará lá, comigo, como meu cavaleiro.-Nesse momento eu podia jurar que Vladmir ia desmaiar, mas ele segurou as pontas, e continuou andando.
Entramos em casa, Vladmir tomava cuidado ate quando ia andar.Subimos ate o meu quarto, apontei para Vladmir aonde estava a banheira para ele tomar banho, aonde estava as coisas e dei sua roupa intima.
Ele não demorou muito, logo saiu, só de ceroula, que cobria do quadril ate as coxas.Coloquei a calça preta nele, a camiseta branca e lisa, deixe-o colocar as botas pretas novinhas e então o sentei enfrente a penteadeira para pentear seu cabelo, cortei a frente para que duas mechas ficassem soltas enquanto as outras estavam presas por uma tira de couro.
–Vem, agora é o paletó.-Vladmir se levantou e ficou de frente para mim, coloquei o paletó nele e fechei os botões quase morrendo.-Está ótimo, muito bonito.-Me afastei para vê-lo melhor, Vladmir se virou para o espelho e sorriu.
–Não sou eu.-Disse.
–E essa é a parte que eu menos gosto, mas continue agindo como você e ai eu vou adorar, ta bom?-Ele concordou.Me virei de costas para ele e comecei a abrir meu vestido.
–O que você esta fazendo?-Perguntou ele exasperado.
–Oras, estou tirando meu vestido para por outro.-Ele me olhou de olhos arregalados.
–Na minha frente?Pensei que ia ficar com esse, esta linda!-Sorri.
–Na sua frente, e vou trocar, sabe?-Deixei o vestido cair, mostrado o corpete branco e a ceroula.-Viu?Não é como se eu estivesse nua.-Peguei o vestido que ele me deu e coloquei, graças a Deus, ele era de manga comprida.Coloquei botas pretas, já que o vestido não tinha enchimento na saia, peguei luvas pretas curtas também de rendas e soltei meu cabelo.Penteei meu cabelo para o lado e coloquei o mesmo prendedor que eu estava antes, deixando meu cabelo jogado e preso para o lado esquerdo.-Estou pronta, vamos?-Segurei o braço de Vlad e nos descemos, as escadas davam para o hall, lobby, etc, como você quiser chamar.Já tinha bastante gente ali, gente que eu só havia ouvido falar ou encontrei uma vez na minha vida.
–Você conhece todo esse pessoal?-Olhei para Vladmir e sorri.
–Não, mas o importante não é isso, e sim que você esta aqui.-Olhei para os dois lados das escadas, tinham jovens com os hormônios a flor da pele dos dois lados, olhando para Vladmir falando e dando risadinhas como se fossem inocentes demais para pelo menos dizer o nome a ele.-Ah como eu odeio festas.Serena me pagara tão caro...
–Falando de mim, amada maninha?-Olhei para o lado e ri sem graça, Serena estava linda como sempre, usando um vestido rosa bebê com um corpete igualmente rosa e o cabelo liso solto, simples, mas linda.
–Ah, vejam se não é a causadora da festa, tenho muito o que agradecer, irmãzinha.Cadê Jack?-Jack era o par de todas as festas que Serena estava, eles dois ficavam no canto simplesmente rindo e dizendo coisas ruins sobre as pessoas.
–Jack não chegara tão cedo, Lorde Monak o alugou.-Serena fez uma cara irritada, mas logo sorriu e se fez educada e calma de novo.-Se me derem licença...
–Ela é perfeita, não é?-Disse.-Quer dizer, olhe para mim e depois para ela, vê a grande diferença que existe entre a legitima e a bastarda?Porque me da tudo isso quando se tem uma filha daquele jeito?
–Você tem que parar de falar isso de você mesma, principalmente porque hoje é o seu aniversario.-Olhei para Vladmir e dei um sorriso triste.
–Isso não faz diferença depois de mais de 500 mil anos.-Ri da minha piada interna.
–Vamos lembrar um pouquinho da tensão que existe entre nos para vê se você se distrai.-No meio do salão, na frente de todo mundo, Vladmir me beijou e meu coração parecia parar dentro do meu peito enquanto minha cabeça gritava para não deixa-lo fazer aquilo.Mas quem escuta a cabeça quando o coração volta a bater?Meu coração voltar a bater tão forte que era como se ele estivesse quebrando meus ossos só para se aparecer para Vladmir.
–Crianças?-Ouvi uma voz dizer, era uma mulher.Abri meus olhos e olhei para o lado, Vladmir tinha congelado segurando meu queixo e sua boca na minha.
–Lady Tayla, oh mil perdões.-Disse me separando de Vlad e olhando para minha madrasta, ela era loira, alta com um belo corpo e olhos verdes esmeralda, hoje particularmente ela estava de tirar o fôlego de qualquer pessoa, usava um vestido vermelho sangue com uma chalé preta e o cabelo estava preso num coque.
–Ora Danielle, pare com isso, seu pai e eu também já fomos jovens e sentimos as mesmas coisas que vocês sentem agora.-Riu.-Porem não é motivo de fazê-lo na frente de todos.
–Eu peço perdão a todos, Danielle esta tão linda hoje, que ate perdi meu autocontrole.-Falou Vladmir.
–Tem toda razão, jovem Vladmir.-Disse a voz de Felipe, mas pela primeira vez a voz dele não nos abateu.-Quem te deu esse lindo vestido, Lady Rodrigues?
–Vladmir, Lorde Monak.-Disse sorrindo e olhando no fundo dos seus olhos, aquilo o tinha incomodado, mas seu sorriso nojento não se apagou.-Fico honrada de que tenha vindo ate meu aniversario, acredito eu que ele não era de tanta importância como seus assuntos no continente.
–Oh pelo contrario, ele é de extrema importância para mim.Bom, tenho que lhes pedirem licença.-Se virou, mas logo sua cabeça se voltou para nos.-A propósito, Vladmir, belo gosto.-Então se foi.
–Você o enfeitiçou, Danielle.-Disse minha madrasta indo atrás de Felipe.
–Maldito!O que ele faz aqui?Quem o convidou?-Sai irritada andando pelo salão.
–Ei, ei.Calma.-Vlad puxou meu braço.-Calma, hoje é seu aniversario, não se preocupe enquanto a ele, o que ele pode fazer hoje?Vocês já estão noivos.
–Será levado em conta o seu beijo de hoje, jovem Vladmir, isso colocara a reputação dela em risco.-Olhei para Matheus, seus cabelos estavam curtos e penteados para trás, sua roupa era uma camisa branca, um terno azul escuro e calças pretas.
–Príncipe Matheus...-Me senti tão feliz por vê-lo que eu quase chorei.-Você veio!-O abracei forte, bem forte.
–Você me desonra achando que eu faltaria ao seu aniversario, Lady Rodrigues.-Ri.
–Sinto muito, meu príncipe.-Vladmir deu um sorriso e um aceno com a cabeça.
E então pegamos champanhe, bebemos e rimos, só nos três no nosso mundinho.Pessoas passaram e me cumprimentaram, então logo veio a dança da noite, onde eu primeiro dançava com meu pai, logo depois com o príncipe se assim ele desejasse e então Vladmir.Dancei com meu pai e com Matheus, mas a melhor hora foi quando fui dançar com Vladmir, ele parecia incrivelmente calmo e aquilo me acalmou um pouco.Conforme a dança ia, mesmo nossos corpos se separando e tomando distancia, nossos olhares jamais se desviavam.Quando a dança acabou, todos bateram palmas e começaram a dançar no meio do pátio, eu e Vlad saímos correndo, corremos ate a praia que o Luke tanto adorava.
–Isso aqui esta lindo.-Disse segurando o vestido para não se sujar com a areia, a Lua estava lá no alto, linda e perfeitamente desenhada como um buraco no céu, e a água estava calma e linda refletindo a luz da Lua.Então comecei a me sentir hipnotizada, como o canto de sereia chama um marinheiro.
–Danielle?-Chamou Vladmir, e a hipnose se quebrou, Vladmir era o único que podia quebrar qualquer força, hipnose, feitiço que havia sobre mim, porque ele era minha doce abençoada maldição, graças aos deuses.-Vamos entrar na água?
–Claro.-Sorri.Vlad me ajudou a tirar o vestido, só demoramos mais que o suficiente porque ele queria fazer sem me tocar e/ou olhar.-Pronto, vamos?
–Não, espera, espera, espera.-Tirou todo o terno e pendurou no meio da copa da arvore assim como eu.-Agora sim, quer apostar corrida, senhorita?
–Sim, mas seria feio vê você perder.Vamos tomar distancia.-Nos afastamos e então nos preparamos, Vlad contou ate três e saiu correndo, só que eu tomei a vantagem por ser mais leve e por correr mais suavemente.Nos jogamos na água, nadando ate a pequena ilha que tinha no meio do mar.Sai da água, torcendo meu cabelo para a água sair, ainda bem que os grampos e o colar estavam ali.Peguei uma toalha e me sequei, depois passei para Vlad.
–Como alguém tem uma toalha numa ilha?-Perguntou, olhei para ele e ri.
–Segredo, querido.-Peguei um vestido reto preto de seda e um robby de renda vinho.-Eu tenho o máximo que posso aqui, qualquer coisa, é só escapar para cá.-Andei enfiando meus pés na área, ela estava quentinha.
–E roupas para mim, você tem?-Comecei a andar, ate um grupo de arvores que tinha ali, então chegamos na cabana que eu tinha ali, com a maioria das minhas coisas.Abri as portas e acendi uma vela que tinha perto da porta, e assim fui acendendo as velhas sucessivamente, ate que o pequeno local estivesse totalmente iluminado.
–Nossa.-Disse quando viu o tanto de coisa que tinha ali, mas seu olhar parou no quadro que tinha bem grande, um quadro meu e dele.-Quem é ele?
–Enoch.-Disse olhando para as outras coisas antes que começasse a chorar.Naquela pintura, ele estava mais franzino, não muito, mas perto de agora, estava.Eu usava um vestido amarelo creme, meu cabelo preso num rabo-de-cavalo e ele estava usando um camisa branca, colete preto e calças marrons.Matheus tinha pintado a gente virados de costas um para o outro e uma arvore de cerejeira entre a gente, mas nossas mãos estavam interligadas e sorrisos tranquilos estavam em nosso rostos, nesse dia, tinha tido uma pequena chuva de verão e tudo foi lindo e perfeito.
–Enoch?-Repetiu confuso, peguei calças, uma camisa e um casaco para ele, o entregando e saindo da cabana aos prantos.Coloquei meu rosto entre as minhas mãos e deixei-me cair no chão.Vladmir se vestiu e veio atrás de mim, com um cobertor nas mãos.-É seu aniversario, não devia estar chorando.
–Eu choro porque preciso te contar que você, quer dizer, o que você é, você é...
Notas finais
Beijinhos
(REvisão 26/12)
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