Asas Da Memoria
3 Impulsos
Notas iniciais
Espero que gostem!
beijitos!
Nós dois fomos ate o segundo andar, lá não tinha pessoas e a musica não era tão alta.Diego era o tipo de garoto frio, tímido e calado.Mas, nós dois (tecnicamente) crescemos juntos e Soph me zoava por isso.”Vocês estão ligados ate mesmo antes de nascer, sua mãe esperava que você fosse um menino e a mãe dele esperava que ele fosse uma menina”, bom, ela se divertia com a situação.
–Vamos lá para baixo, ok?Eu quero dançar um pouco e vê como ficou o pessoal.-Falei, piscando os olhos freneticamente e juntando as mãos implorando.
–Aqui ta melhor, e lembre-se que quando você me convidou para vim, eu falei que teria que aceitar as minhas condições.-Ele estava encostado no muro, olhando para rua.
–Você fala como se fosse a pior coisa do mundo eu te convidar para vim, você não ia fazer nada importante mesmo.Sou uma menina e-s-p-e-c-i-a-l, se a montanha não vem ate mim, eu vou ate a montanha e saio arrastando ela para um baile de formatura.-Cruzei os braços encima do peito, virei minha cabeça para olhar lá embaixo.Todo mundo parecia ta se divertindo, dei um meio sorriso.-Depois de tantos anos junto com eles, é difícil acreditar que vamos nos separar.
–Esperado de você, sentir falta desse bando de inútil.-Disse ele sem a menor emoção na voz.Continuei olhando o pessoal.
–Inúteis ou não, cada um deles me ajudou de algum jeito.E quando você não estava lá, por causa do seu orgulho, eles estavam.
Foi tudo muito inesperado da parte dele, sua mão pegou meu pulso com firmeza e me puxou para o muro, eu continuei equilibrada, seu pé empurrou um dos meus e eu acabei quase caindo, sendo segurada por ele, uma das minhas pernas estava esticada, a outra dobrada e eu quase deitada numa ponte horripilante.Minhas mãos estavam segurando sua camiseta com força, se eu caísse ele ia ficar com uma camiseta rasgada.
Quando notei o que ele ia fazer, minhas bochechas ficaram vermelhas e minha cabeça não estava trabalhando direito.Sua boca se aproximava rápido demais e eu me movia lenta demais, foi quando ouvi sons de saltos subindo a escada.Me equilibrei e fui mais baixo, deixando sua boca acima do meu olho.
–Tem alguma coisa ai?Ta doendo!-Eu disse, escutando uma risada familiar.
–Não, não tem nada aqui.-Diego me levantou e nos encaramos Soph, ele vermelho e eu como sempre em situações embaraçosas, ficava normal.
–Quer que eu guarde seu sobretudo, ta escondendo seu vestido.-Foi quando lembrei que tinha fechado meu sobretudo quando o coloquei novamente.Abri ele lentamente, mostrando o azul bebe claro do meu vestido e entregando a Soph.
–Brigada.-Disse enquanto ela descia as escadas.
Ainda de costas, ela levantou a mão e negando com o dedo de indicador.
–Não beije ela antes da festa acabar, Diego.-Eu ri, por incrível que pareça, eu achei engraçado.
–Vou descer, ok?-Olhei para ele, me curvei um pouco e estiquei a minha mão em sua direção.-Me permite ter uma dança com você?-Tocava alguma das musicas antigas do Usher.
–Idiota.
–Você não faz o papel de acompanhante, então eu faço.-Disse, arriscando alguns passinhos.-Te ensino a dançar se você quiser.
–Você mal consegue controlar seus pés.-Riu de mim.
–Sei,...-Falei olhando para eles, estava tudo certo pelo que me parecia.-Eu vou descer, ate mais.
Desci as escadas, foi quando começou a tocar Missing You do Black Eyed Peas.Comecei a cantar e dançar, me perdendo na multidão e me entregando a musica.Eu tinha mania de me empolgar com musica.
Não sei quanto tempo eu fiquei com o pessoal, encontrei vários amigos meus de outras salas e gente que já tinha saído da nossa escola.Subi as escadas correndo, depois da dor nos pés que eu senti lá embaixo, não estava mais sentindo eles.Dei um rodopio e parei em frente a Diego.
–Que tal você descer agora, vai começar a tocar um pouco de rock’n’roll lá embaixo.-Dei um murrinho em seu braço.
–Não to afim.-Foi só o que ele disse, e foi o que bastou para acabar com meu clima.
–Por que você tem que fazer isso toda vez que eu to me divertindo?Por que você não pode curtir a festa comigo e com o resto do pessoal?É a despedida, Diego.Depois de hoje vai ser muito difícil nós nos encontrarmos.-Disse com raiva.
–Por que você ainda se abala?Por que você ainda se importa?Se já sabe que vou fazer algo ou dizer algo que vai acabar com o seu querido conto de fadas.-Disse friamente.
–Dessa vez, você realmente passou do limite.Podia simplesmente não ter aparecido hoje, eu não esperaria menos de você.-Falei cuspindo as palavras.
Foi quando Rômulo apareceu, suas mãos se colocaram em minhas cinturas.Ele piscou para Diego e fez um barulho com a boca.
–Valeu ai, garotão.Agora eu posso fazer meu papel.-Eu fui levada para o terceiro andar do salão.As mãos de Rômulo não me soltaram um segundo se quer.Sua mão veio para minha nuca e eu a tirei.
–Não vou ficar com você.-Eu disse olhando em seus olhos.-Eu vou descer, me diverti e depois voltar para casa com meus sapatos na mão e rindo a toa.
–Se é isso que você quer, então vamos.-Disse pegando minha mão e descemos.Eu não olhei para Diego.
Dancei com um monte de garotos, dancei com o meu grupo de melhores amigas e ri muito.Fui embora as 4:50h da manhã.Com os saltos ainda nos pés e a bolsa que Soph me arrumou na festa na mão.Kaio e Rodrigo me levantaram, me sentando no ombro deles e cantando Give me everything do Ne yo e Pitbull.
–Vamos lá para o Club A, quer ir?Ou melhor, se ainda agüenta?-Disse alguém atrás da gente.
–É lógico que eu agüento.Mas to sem dinheiro.-Disse olhando para os meninos.
–Sem problema, porem,...-Um olhou para o outro.-Vai ter que dançar do jeito que você dançou lá dentro, desde quando você é tão descomportada daquele jeito?-Eu ri.
Na hora de sair do Club A, eu fui embora mais cedo, sem o pessoal.Tinha que anda um pouquinho ate o metro, ainda bem que a rua estava bem iluminada.Andei ate chegar ao shopping e lembrar que o metro ainda não tinha voltado a abrir.Olhei para um lado e para o outro.Do outro lado tinha um ponto de taxi.
Fui andando, ate que eu ouvir um barulho de algo sendo quebrado, algo que era muito resistente para ser quebrado e logo em seguida um barulho de algo sendo rasgado, olhei em meio á escuridão.
Prendi a respiração, antes mesmo de ver um osso voar e passar de raspam pela minha bochecha.De repente, um homem com asas enormes azuis marinhas, em sua mão direita tinha uma cabeça sendo segurada pelo cabelo, a cabeça de um homem.Em nenhum momento passou pela minha cabeça gritar ou sair correndo, ou ate mesmo pegar a merda do meu celular na bolsa.
Eu simplesmente fiquei ali olhando para as asas, meu instinto me dizia que era para eu simplesmente dar de ombros e sair andando, como se não tivesse visto nada.E foi o que fiz, ou o que ia fazer.
–Me ajuda.-Aquilo me pegou de surpresa, olhei para o homem.Mas não era dele que vinha a voz, era da cabeça.-Por favor, me ajuda.
–A cabeça...!-Eu apontei, amedrontada.Adrenalina subia por minhas veias e eu tentava controlar.
–Isso mesmo, a ajude.-Disse o homem, seu olhar mostrava arrependimento.Mas sua voz e sua expressão corporal diziam que aquilo valeu a pena.
–Como?-Era idiota da minha parte, mas a noite é uma criança e crianças vêem coisas que não estão ali.
Meu instinto sabia como, meu corpo sabia.Minha bolsa foi jogada na cara do homem, eu puxei o ar.Fazia mais de 7 anos que eu não lutava, eu estava na terceira serie quando parei com o judô.
–Ai meu Deus.-Eu repetia e repetia.Por dentro, eu rezava o Pai Nosso pela vigésima sétima vez.O cara veio com tudo para cima de mim, eu levantei a perna ate que quando nossos corpos se encontram e eu fui jogada na parede com ele me pressionando, minha perna lembrou do que era capaz e eu consegui empurrar seu corpo.
Quando ele veio de novo na minha direção, eu me abaixei e passei por debaixo de suas pernas, me levantei e corri ate a cabeça.Peguei ela e minha bolsa, o carinha estava olhando para mim e vinha numa velocidade por cima de mim quando uma mão tampou meus olhos.
–Fique quietinha.-Uma luz começou a brilhar fortemente, mesmo por entre os dedos da mão estranha eu conseguia vê-la.Então tudo ficou claro, senti uma dor na testa e apaguei.
Quando acordei, estava deitada num sofá, um vento gelado bateu nas minhas pernas e eu estremeci.Levantei, sem abrir os olhos ainda.Coloquei a mão na testa para vê se a tontura parava, mas tinha um curativo ali e quando eu dei uma batidinha com dedo encima, uma pontada de dor me acertou e eu dei um gritinho.
–O que foi?Ah, você acordou!-Disse a voz de Diego.
–Não.Acredito.Que.To.Aqui.-Disse pausadamente.Abri um olho, só o suficiente para olhar para ele.-Como eu vim parar aqui?!Eu juro que não bebi.-Disse indignada.
–Minha mãe te encontrou encostada no poste com um machucado na cabeça e um cachorro quase urinando em você.-Sua risada era super feliz.-Quando eu te trouxe para dentro que fomos pegar seu celular, bem, ele estava destruído.
–Ai não!Meu celular não.-Me levantei depressa e minha cabeça deu outra volta de 360° graus.Cai para trás, sentada no sofá.-Eu acho que vou parar de fazer movimentos bruscos e ficar sentada.Se você puder, pode ligar para a Soph e pedir para ela vim me buscar, e para trazer uma roupa em que eu não me sinta livre ou afeminada.
–Vou pegar um short meu e uma blusa, e um chinelo da minha mãe.-Disse começando a subir as escadas.
–Espera.-Me levantei bruscamente de novo e comecei a andar, o rodopio foi mais rápido.Me encostei na parede e soltei um gemido arfado.-Meu Deus, o que aconteceu com a minha cabeça?
–Vem, vamos subir.-Um dos seus braços foi as minhas costas e a outra nas minhas pernas, me levantando e me carregando escada a cima.
–Falou, magricelo fortão.Andou malhando?-Disse rindo.
–Olha aqui, eu te deixo para subir sozinha se continuar falando.E eu sempre fui forte.-Puxei o ar e mordi o lábio para não ri.
Quando chegamos lá encima, ele me colocou na cama e começou a mexer no seu guarda roupa.Me deitei na cama dele, procurando aonde mais eu sentia dor, na minha perna, mas especificadamente no meu tornozelo.Soltei um suspiro.
–Minha mãe ligou aqui?-Perguntei me virando de barriga para baixo e arrumei seu travesseiro em baixo da minha cabeça.
–Ligou sim, se vai trocar de roupa agora?
–Eu to morrendo de sono.-Sussurrei.-Deita aqui e fica falando comigo.
Senti o outro lado da cama abaixar um pouco, fui um pouco mais para trás dando espaço para ele.Coloquei minha cabeça no seu braço.E dei risada, logo eu estava tendo uma crise de riso.
–O que foi?-Perguntou Diego sendo contagiado pela minha risada.Não respondi, simplesmente continuei deitada ali pensando como aquela cena podia ta aparecendo.-Sobre o que você quer que eu fale?
–Sobre sua idéia de usar calças de couro skinny e ser cantor de uma banda.-Falei baixinho e bocejei.
–Muito engraçadinha.Pretendo ser vocalista, porem não pretendo usar calça de couro.
–Que isso?E prevenir as garotas de verem seu quadril fino denilineado e sua belas pernas finas ganhando algum volume?-Ate ele riu.-Vai ficar muuuuuuuuito sexy.
Diego me contou o que planejava para seu futuro ou sua futura banda(melhor dizendo).Me contou de algumas lembranças que ele tinha de algum mico que eu paguei quando gostava dele e de como era engraçado quando eu estava com raiva dele, acabei entrando no embalo das memórias.
Notas finais
Brigadinha gente
(30/11)erros arrumados
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