Asas Da Memoria
10 É somente um sonho
Notas iniciais
Eu e Matt chegamos de madrugada na casa dos meus padrinhos, a gente tinha ido num parque de diversões, depois num restaurante para almoçar, então passamos no supermercado, brincamos de bater carrinho lá e compramos aperitivos e bebidas, fomos a casa de Ollie e enchemos a cara, não é um bom exemplo.Porem, umas goladas ajuda a gente a ter os pensamentos nublados e mais felicidade.
–Ai, caramba.-Falei quando bati o joelho no corrimão da escada.Nós rimos.
–Se ta bem?-Perguntou Matt.
–To, mas doeu.-Eu sussurrei.Subimos, abri a porta do quarto devagar.Sophia não estava ali, graças a Deus, mas isso significa que de manhã ela estaria, porque ele foi lá hoje.-Deita ai.-Sussurrei pro Matt, apontando para a minha cama, ele tirou o sapato e deito.
–Eu devia voltar para casa, sabia?-Sussurrou ele de volta.
–Se ta alto demais para dirigir, então você fica.-Tirei minhas sandálias e minha jaqueta, e deitei de lado, não era a primeira vez que eu e Matt dormíamos na mesma cama, quer dizer, eu já sai com ele outras vezes e o álcool dele só permitia ele fazer uma viagem dirigindo.-Matt?
–Dany?
–Promete para mim que a gente vai se diverti muito daqui para frente juntos?Que não vai me trai?-Olhei para a camiseta dele, onde minha mão se encontrava, isso podia ser mais que uma amizade, não?Mas, eu não sinto nada mais que um carinho.
–Isso esta claro, não é?-Disse ele, e seu peito subiu com a respiração.-Vamos dormir, ok?Amanhã a gente conversa.
–Boa noite.
Mas não consegui dormir de novo, então fiquei olhando o quarto escuro.Então me levantei, de dois passos quando um olho meu perdeu a visão.Então a imagem mudou, eu estava olhando através da água então tudo esta meio embaçado, tinha uma pessoa sentada numa cadeira.E ela veio em minha direção, meu Deus, era o Matheus.Fechei meus olhos com força e pressionei meu olho, foi quando ele voltou ao normal.
Suspirei e voltei para a cama, e dormi.
De manhã, eu acordei com um movimento.Era Matt se levantando, ele viu que eu acordei e sorriu.
–Desculpa.-Disse ele, eu ri.
–Tudo bem.Você esta legal?
Ele olhou para mim e deitou-se de novo.
–Dormir no mesmo quarto que ele deve ser barra pesada.-Virei para vê ele.
–Depois da morte da minha família, isso não me importa.-O que não era verdade, mas eu estava sendo forte.
O dia depois disso passou correndo, eu e Matt ficamos brincando com Lara, que era a prima da Soph, a menina nem ligou para a prima.Ela era muito lindinha, seus cabelos castanhos estavam presos como Maria-Chiquinha com um cacho perfeito natural em cada lado, os olhos dela eram azuis, suas bochechas fofas e rosadas, ela tinha apenas 5 aninhos e já era tão fofinha.Brincamos de pega-pega(ela corria pra caramba e como é pequena entrava em lugares difíceis), pique-esconde (ela ria, então sempre era pega, mas para encontrar alguém era rapidinho), e ate balança caixão.Depois nos sentamos no chão da sala para assistir filme, Lara se sentou no meu colo e acabou pegando no sono e eu também.Acordamos deitada em Matt que estava assistindo o filme que ainda não tinha terminado, na hora de ir embora, Lara chorou e me fez prometer que ia na casa dela junto com o meu “namorado Mama”, o que nos fez rir.Matt foi embora logo atrás.
Eu subi para o quarto, coloquei um pijama, nem jantei e fui dormir.No meu sonho, eu estava andando de vestido de alcinha na neve, não tinha nada a não ser neve, quando corri em direção a uma luz e fui para na mesma visão do outro dia.Mas dessa vez foi interrompido por um peso que me puxou para o lado direito da cama, me virei e do nada, sem aviso, uma boca tomou a minha.Me virei de barriga para cima e senti pernas de cada lado do meu quadril, mãos do lado da minha cabeça.Minhas mãos instintivamente rodearam as costas de sabe-se-lá-quem, então eu quebrei o beijo, buscando um rosto.Quase gritei.
–Vladmir?-Murmurei, acho que Diego não ouviu, por um pequeno minuto, eu vi um outro rosto no lugar dele e o nome apareceu na minha cabeça.-Diego!
–O que?-Respondeu ele como se aquilo não fosse errado.-Que nem nos velhos tempos.-Disse e me beijou de novo, fiz ele virar e fui para cima dele.Isso continuou ate que nos cansamos e deitamos de conchinha.
Velhos tempos?Velhos tempos, ele diz.Só que nos velhos tempos a gente não se beijava.Sua mão, quente, rodeou minha cintura quando eu virei de lado, e seu outro braço foi parar embaixo da minha cabeça.E por incrível que pareça, naquela noite, eu não senti culpa e nem pensei em Sophia, ate que a vi de manhã.Ela e Diego ainda estavam procurando faculdades para fazerem juntos.Não sei que hora ele saiu da minha cama, mas Diego não tem noção do quanto agradeço por te feito isso.
Fui para o cursinho, depois procurei estágios e fui para a faculdade, metrô e ônibus ate eu chegar nela.No caminho me encontrei com as minhas colegas de sala, combinamos de sair, daqui a duas semanas seria o aniversario de uma delas.Depois disso tivemos aula e eu voltei para casa, Soph estava lá, sentada no sofá perto de Diego.
Fui para a frente deles, peguei o telefone e liguei para Holly, precisava saber como ela estava.Caiu na caixa postal, como não tinha mas nada para fazer, fui escutar musica.Fui para o jardim, que era muito grande e lindo, já que minha madrinha era paisagista.Ela de algum jeito, não sei como, conseguiu plantar uma cerejeira com um banco debaixo.Me sentei lá, escutando Untouched da The Veronicas.Puxei o ar pensando num passa tempo, então a visão que eu tive esses dias, a de que é como se eu estivesse embaixo d’água.
Fechei meus olhos me concentrando, então a imagem tomou conta da minha mente e era como se eu estivesse mesmo lá.Vi que a sala agora estava vazia, então a água parou e eu consegui vê claramente, a sala era grande, sem janela, a luz estava acesa.Não tinha sinais de portas tão pouco, tinha uma mesa no centro, uma mesa pequena marrom e parecia a ponto de se quebrar.Olhei para baixo e vi uma espécie de tripé com um livro aberto e antes que eu pudesse ler o que estava escrito, alguém me acordou.Olhei para Matt e Ollie.
–Você esta bem?-Perguntou Ollie, sorri tirando os fones.
–Só meditando.-Respondi, eles sentaram ao meu lado.-O que fazem aqui?
–Passeando.O cara me trouxe para jantar.-Disse Ollie, ele sempre chamara Matt de cara.
–E o que minha madrinha disse?-Perguntei para Matt.
–Disse que a sempre lugar para mais um e começou a por a mesa.-Eu ri, minha madrinha era dessas pessoas que gostava da casa lotada.
–Então vamos comer.-Falei puxando eles.
–Quer dizer, você ta com estomago?-Perguntou Ollie, sorrindo maliciosamente.-Porque ontem você tomou três garrafas de tequila e se manteve em pé, você deve ter pagado ou esta pagando por isso.-Rimos, empurrei ele.
–Não sou como as mocinhas aqui, que aposta e nem agüenta.-Olhamos para Matt.
–Eu?!-Nos assentimos.-Ta, vocês me pegaram meio doente por isso não agüentei.
–Ta bom, garotinha, ta bom.-Rimos e fomos nos empurrando ate a mesa.
–Eu trouxe o violão, a gente pode tocar algo depois.-Disse Matt.
–Ok, pelo menos hoje eu to mais afinada que ontem.-Rimos, sentou eu, Matt e Ollie de frente para Sophia e Diego.
Jantamos, sem dizer nada.Então Matt foi pegar o violão e nós nos sentamos no chão da sala com todo mundo junto.
–O que vocês querem que eu toque?-Perguntou Matt, o violão era lindo, era preto e cordas de aço.
–Puxa e a gente acompanha.-Respondi.E ele puxou mesmo, Avril Lavigne,Smile.
Eu ri e comecei.- You know that I'm a crazy bitch, I do what I want when I feel like it…-Quando acabou, Sophia olhou para mim com os olhos arregalados.E meus padrinhos bateram palmas.
–Posso escolher?-Perguntou Ollie.Eu dei de ombros.-É tu e eu, gata.-Piscou.-Evanescence com aquele carinha lá em Bring me to life.
Matt começou a tocar e eu viajei.- How can you see into my eyes like open doors, Leading you down into my core, Where I've become so numb without a soul, My spirit sleeping somewhere cold, Until you find it there and lead it back home.-Cantei.
– Wake me up.-Cantou Ollie, me segurando nos seus braços enquanto eu fingia estar dormindo em seus braços enquanto cantavamos.
– Wake me up inside.
–Chega.-Disse Matt rindo.-Vocês tão com muita putaria pro meu gosto.Vai na capela mesmo.-Ollie pegou o violão e começou a tocar a musica da novela da globo, Aquele Beijo.
–Sabe?-Fiz sinal de mais ou menos com a mão e me sentei entre as pernas de Matt, de frente para Diego.
–O amor precisa da sorte, De um trato certo com o tempo, Pra que o momento do encontro seja pra dois o exato momento, O amor precisa de sol, E do barulho da chuva
De beijos desesperados.-Olhei para Diego disfarçadamente.-De sonhos trocados da ausência de culpa, Talvez o amor só seja assim pra mim, E pra você não seja nada disso, Mas eu prometo tentar aprender a te amar do jeito que for preciso.-Sorri olhando para as minhas mãos.
–Do jeito que for preciso, do jeito que for preciso, do jeito que for preciso...-Completou Matt.-Mas se o amor quiser mudar as leis do que é certo, Ele faz que o improvável aconteça, Quando o amor vier não tema, tenha fé.Ele encherá seu olhar de esplendor e beleza.-Matt cantou sorrindo, olhei para Ollie, ele tocava olhando para mim.
–Talvez o amor só seja assim pra mim, E pra você não seja nada disso, Mas eu prometo tentar aprender a te amar do jeito que for preciso, Do jeito que for preciso, do jeito que for preciso...-Acabei.
O que estava acontecendo ali?Tocamos mais cinco musicas do tempo do meu padrinho e ele adorou.E quando olhamos, o tempo já tinha corrido e estava tarde, os meninos foram embora e levaram com eles a Sophia.Ela parecia um pimentão de tão vermelha de raiva que ela parecia quando saiu lá de casa.
Olhei para Diego, e fiz sinal com a cabeça para a gente ir lá para cima.Ele sorriu e foi na frente.Gritei para minha madrinha e padrinho que ia dormir e fui ao encontro de Diego.
A porta do quarto estava aberta, então pensei que ele devia estar no banheiro, virei de costas e empurrei a porta com o pé.Tirei minha sandália e minha calça, foi quando eu o vi atrás da porta.Me levantei, peguei meu conjunto amarelo e sai do quarto, indo para o banheiro.Ia tomar uma ducha, meu corpo gritava por uma.
Lavei meu cabelo, depois deixei a água percorrer meu corpo, passei óleo de amêndoa no meu corpo e deixei novamente a água formar seu caminho no meu corpo.Desliguei o chuveiro e me sequei, olhei no espelho.Eu parecia cansada, meus olhos estavam muito escuros e fundos, eu tinha emagrecido.Suspirei e coloquei minha roupa intima amarela.Era de renda, tanto a calcinha como o sutiã, sem bojo e sem aquele ferro chato.Penteei o cabelo, o sequei e o amarrei.
Coloquei meu roupão e sai, Dih não estava no quarto, coloquei meu pijama de verão e me deitei.Cai no sono instantaneamente.Eu tinha voltado para o tanque de água( o que eu supunha que era ), estava calmo e vazio, porem uma musica tocava, um solo de piano, tão bonito, tão triste.
–Eu não acredito no que estou vendo.-E foi isso que me acordou.Sophie, olhando para mim e o seu namorado dormindo juntos.
Notas finais
Revisado(19/12)
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