Asa Preateada
1 Capítulo 1 - Tragédia na Chuva
Notas iniciais
"As vezes nos encontramos na escuridão e não sabemos fugir dela... Só resta achar a luz ou aprender a viver no escuro"
Ano 3.440 – Planeta Aria
Um homem e sua mulher fogem pela floresta com seus três filhos, ambos com 1 ano de idade, o desespero era notável em seus rostos, e os filhos choravam bastante; a chuva caia juntamente com suas lágrimas de desespero, eles estavam apenas buscando refúgio para se esconder de algo que estava perseguindo-os.
Foi então que se depararam com uma igreja em estado de abandono com algumas velas acesas dentro, sem muito pensar eles entraram, e enquanto o homem trancava as portas e janelas, a mãe escondia seus filhos embaixo de uma mesa e os fazia parar de chorar.
– Você está bem, Edward? – A mulher se aproxima do homem e o toca em sua barriga, Edward estava ferido na barriga e estava sem sua mão esquerda. – Temos que tratar logo de você!
– Não temos tempo para isso... Você deve se esconder com as crianças, Allia... Não há tempo para se preocupar comigo... – As lágrimas nos olhos dele mostravam todo o desespero e toda a preocupação que ele estava sentindo.
– Ed... Não posso... Eu não posso deixá-lo assim... Isso é tudo culpa minha... Desculpe... – Allia retira o lenço que aquecia seu pescoço e utiliza como bandagem no ferimento de Edward.
– Não é hora de ficar se culpando... Eu concordei com você, a culpa é tanto sua quanto minha... É hora de nos concentrarmos em proteger as crianças, é só um ferimento... Nada que um bom dia de descanso não resolva...
Uma música começa a ser escutada pelos dois, um som trêmulo e macabro de órgão antigo ecoava pela igreja que deveria estar abandonada, então o som do órgão parou e depois ficou ecoando em apenas uma nota, o som dessa nota era completamente perturbador; eles olham para o órgão e veem uma faca fincada em uma das teclas do órgão.
O desespero toma conta deles, e começam a procurar o responsável ao seu redor, mas não conseguiam ver ninguém que poderia estar escondido ali na igreja, a chuva se intensifica e o som dos trovões assusta as crianças que começam a chorar.
– Essa não... Não façam mais barulho – Allia corre na direção das crianças e ao estender suas mãos para segurar seus filhos, seus braços são rapidamente decepados por uma foice que foi lançada do telhado da igreja, mas não havia ninguém lá. – Mas como? – Allia olha na direção da foice e vê um símbolo desenhado nela.
– Allia sai já daí!!! – Edward começar a gritar e se desespera ao ver sua esposa sem os braços, entrando em estado de choque, ele corre na direção de sua esposa, então a força do vento abre as janelas e a porta da igreja, e o vento apaga as velas deixando-os no escuro total, Edward segura sua mulher nos braços e sente o corpo dela começar a ficar frio, então suas lágrimas começam a cair no rosto de Allia. – Desculpe... Não pude lhe proteger.... Me desculpe... Não morra, por favor... Não conseguirei viver sem você!
– Não seja por isso, é só não viver... – Uma voz sussurra no ouvido de Edward, e tudo fica em silêncio.
A noite passa, e pela manhã líderes religiosos que se reuniam naquela igreja, se depararam com uma terrível cena, os corpos de Edward e Allia estavam pregados na parede, com pregos em todo o corpo, e estavam de mãos dadas, e havia uma mensagem no chão feita com o sangue deles.
Os líderes religiosos imediatamente mandaram chamar o Comandante daquela região para ver aquela cena, minutos depois, Leo, líder da Familia Leon e Imperador das 13 Familias, chega até a igreja e fica assustado com aquilo.
– Quando foi que isso aconteceu? – Leo pergunta para um dos religiosos que ali estavam.
– Não sabemos, mas provavelmente foi hoje de madrugada, apenas chegamos aqui e vimos isso... E achamos muito importante você ver essas duas coisas, a primeira é os corpos de seus amigos... – O religioso responde.
– Edward... Allia... Porquê? Então foi por isso que vocês não compareceram... Idiotas... – Leo olha para os corpos pendurados e depois para a tecla quebrada do órgão. – E qual é a segunda coisa?
– Isso... – O religioso aponta para a mensagem escrita no chão, estava escrita em uma linguagem muito antiga, mas que traduzida significava: “A lâmina de prata renasceu...” – Lorde Leo... O senhor já tem idéia de quem tenha sido o responsável por essa atrocidade?
– Não... Eu não tenho idéia... Eu tenho certeza... Mande os exércitos das Familias de Libra, Aquarius e Leon se reunirem no Palácio Central... Eu já estava suspeitando há algum tempo da Serpentarius... Vá, isso é uma ordem! – Leo vai em direção aos corpos e os retira da parede, foi então que escutou um choro fraco de criança vindo debaixo da mesa, ele retira o pano e vê os dois filhos de Edward e Allia. – Mas até vocês... Como é que foram se envolver nisso? Não eram três? – Leo os pega e procura pelo terceiro, mas não o encontra. – Infelizmente seu irmão não teve a sorte que vocês tiveram... Deve estar morto...
Leo sai da igreja com as duas crianças em seus braços, enquanto os religiosos removiam os corpos para lhes dar um enterro digno, Leo entra em uma carruagem e fica olhando para as duas crianças, e depois para os corpos de seus amigos.
– Vocês são muito pequenos, então provavelmente não sabem e nem entendem nada do que houve... Mas infelizmente não posso ficar com vocês... Terei que entrega-los para uma das Familias... Estamos em tempo de guerra, e vocês não estarão seguros comigo... – Leo olha para as crianças que estavam dormindo em seus braços e vê que eles tinham uma medalha pequena de cristal e nela estava escrito seus nomes. – Mary, a garota de cabelo vermelho, irei entregá-la para a família Aries, tenho certeza que Rachel será uma ótima conselheira para você... Quanto a você.... Monkey, o garoto ruivo, irei entrega-lo para a Familia Scorpio, o ambicioso Kai irá ser um ótimo professor... Vocês terão que aprender a viver nesse mundo terrível... Pois o som da guerra já está ecoando...
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