As Águas de Veneza
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Enquanto Ludwig tinha o seu NÃO encontro, Gilbert acabava de sair do banheiro da casa do alemão. Ele ainda estava um pouco molhado e as gotas de água escorriam levemente pelo seu pescoço, no seu rosto estava desenhado o mesmo sorriso de sempre. Ele foi para a sala e procurou Roderich com o olhar.
–Nossa! Essa água é quentinha mesmo! O que está fazendo Jovem mestre?
–Estou vendo televisão, não é obvio?
Roderich de fato estava. Sentado no sofá marrom de costas para a porta do banheiro, o austríaco assistia á um telejornal italiano sem qualquer problema, coisa que Gilbert não conseguia fazer visto não falava uma palavra em italiano.
O albino se sentou (se jogou no sofá) do lado do outro, algumas gotas de água pingaram na poltrona.
–Você é um velho mesmo
–Oi? – Roderich se virou arrumando os óculos.
– Nós estamos em uma das cidades mais bonitas da Itália e você quer ficar assistindo televisão?
–Essa cidade da Itália em questão é cercada de água e eu tenho enjoo de barcos.
Roderich virou sua cabeça calmamente para a televisão voltando á prestar atenção no telejornal, e ignorando a presença do outro. Gilbert por sua vez coçou a cabeça energicamente, odiava ser ignorado, em um pulo se colocou em pé na frente do televisor impedindo a visão do outro.
–Pelo amor de Deus, você toma um remédio para enjoo ou qualquer coisa...
–E você tem esse remédio? Sabe onde fica a farmácia? –Roderich respondeu cortante, sentindo o gostinho das palavras e vendo o rosto de Gilbert mudar de irritado, para confuso e então desviar o olhar para baixo.
–Não mas... Encontramos uma...
–Ah é? – Roderich olhou calmamente seu relógio de pulso, um simples com as tiras de couro e a prova d’agua. – Às 8 da noite?
Gilbert bufou e se jogou novamente no sofá
–Que saco Rod!
Roderich se virou melancólico alisando o cabelo com as pontas dos dedos.
–Não posso fazer nada... Eu também queria sair, mas não posso.
O tom de voz do austríaco era extremamente sincero, uma mistura de lamento com pedido de desculpas.
–Amanhã comprarei o remédio Gilbert, por hoje, teremos uma noite caseira... – De repente sua sobrancelha crispou — E você devia secar melhor esse cabelo!
Gilbert coçou os fios brancos com os dedos para perceber que ainda estavam um pouco úmidos.
–Dá nada Rod, deixa assim que já já seca.
–Já já você pega uma gripe. Vá lá e traga uma toalha, eu vou seca-los para você.
Gilbert se apressou em levantar do sofá enquanto Roderich se virava e observava seu namorado ir correndo até o banheiro e voltar com uma toalha branca. Depois, com o maior sorriso do mundo, Gilbert se sentou no chão como uma criança, se aconchegando entre as pernas do austríaco.
–Agora me seque!
E estendeu a toalha para o outro
Roderich riu e pegou o pano passando pelos fios curtos e rebeldes do cabelo do albino.
Passaram-se alguns minutos com Gilbert fazendo “a-a-a-a-a-a-a” com a boca enquanto Roderich secava seu cabelo, o austríaco tentava em vão se concentrar na jornalista de cabelos lisos falando, mas acabava dando mais atenção ao cabelo prateado do outro.
–Você tem as mãos leves, jovem mestre! – Gilbert disse sem aviso prévio.
O austríaco corou estupendamente
–Fique quieto ou então paro. – E aplicou um pouco mais de força em um movimento brusco, o alemão soltou um muxoxo
–Mas sabe de uma coisa... – Gilbert voltou á falar – Jovem mestre, o que vamos comer? Estou ficando com fome...
–Realmente, já está na hora da janta... Será que o seu irmão não ficará bravo se fuçarmos na geladeira?
–O Lud? Não~~, ele não estressa tão fácil... – Gilbert soltou uma risadinha amarga e colocou a mão por cima da de Roderich que ainda secava seus cabelos.
–Acho que está bom Rod, eu vou olhar a geladeira.
Gilbert pegou a toalha e se levantou com um pulo enérgico, pendurou-a no ombro e a colocou no varal da lavanderia antes de seguir para cozinha. Toda a movimentação foi acompanhada pelos olhos de Roderich que tinha se virado no sofá.
Gilbert abriu a geladeira sem muita cerimonia e soltou um moxoxo.
–Só tem batata, umas latas de cerveja e umas misturas congeladas... Nem dá pra comer...
–Então eu faço comida – Disse Roderich com um suspiro, ele se levantou do sofá e desligou a TV.
–Nada disso Rod, você é o convidado! Convidado não cozinha! – Gilbert olhava reprovatório com as mãos na cintura, mas mesmo assim, ainda sorria.
–Mas você também é, fool!
–Sim, eu sei – Respondeu Gilbert sorrindo mais e pegando o telefone na mesinha– E é por isso que vamos pedir pizza! Deixe só o incrível eu achar a lista telefônica...
Roderich ficou olhando para o namorado que procurava a bendita lista em todas as gavetinhas da mesinha
–Onde o Lud guarda essas coisas?
Roderich olhou para o raque da televisão e imediatamente encontrou a lista na parte de baixo da estante, discretamente pegou-a e foi até o albino batendo levemente na cabeça dele com o livro.
–Ai! Isso dói! Oh! Você achou, jovem mestre! O incrível eu sabia que conseguiria!
Roderich rolou os olhos e observou a lista ser tirada das suas mãos e colocada na mesa da cozinha.
–Muito bem! Vamos ver... p...p...pizza... aqui!
Assim que Gilbert virou a pagina, a folha seguinte estava preenchida só com as pizzarias da cidade, Veneza podia ter só o dobro do tamanho do central parque de Nova Iorque, mas a demanda por pizzas era imensa.
–Santo Deus – Exclamou Roderich boquiaberto
Gilbert também ficou surpreso, mas logo se recuperou e apontou para a primeira da lista.
–Vamos pedir nessa! “Pizzeria Arcana Famiglia” Rod é com você! – E estendeu o telefone, Roderich deu um passa para traz, as sobrancelhas tranzidas.
–Porque eu? Nem sei qual pizza pedir...
–Pede uma á moda da casa com borda e milho! – Disse despreocupado Gilbert abanando a mão com indiferença.
–Milho?
–Para o Gilbird
Até aquele momento, ninguém tinha sentindo falta do passarinho, este estava dormindo no quarto.
–Certo então...
Roderich pegou o telefone e discou o numero da pizzaria, depois de dois toques o atendente atendeu:
– Buonanotte...
–Buonanotte, che volevo ordinare uma pizza a la moda... si...con granturco...si.. — Roderich cochichou tampando um dos lados do telefone — Gilbert, cartão ou dinheiro vivo?
–Ah... cartão – O albino se aproximou do outro tentando ouvir a conversa, Roderich corou e fez um sinal para que este se afastasse, sem muito sucesso.
–Si, scheda... –Gilbert, qual é o endereço daqui?
O outro pegou o telefone e passou o endereço, ao menos nome de rua Gilbert sabia pronunciar, depois Roderich voltou a falar:
– Quanto tempo ci vuole?...si ... Buonanotte
Quando desligou o telefone o austríaco se virou para o outro:
–Leva meia hora, só esperar
Gilbert soltou um suspiro e voltou para o sofá seguido por Roderich , ambos ficaram um tempo em silêncio encarando a Tv desligada, eles estavam se perguntando mentalmente se deviam liga-la para matar o tempo ou então fazer outra coisa
Gilbert escolheu a segunda opção.
–Jovem mestre, estou entediado! – O albino resmungava se esticando no sofá por cima do colo do austríaco, como um gato folgado quando se espreguiça.
–E o que eu posso fazer, sua alteza? – Roderich arrumou os óculos e respondeu com o melhor tom irônico que conseguiu.
–Muita coisa, jovem mestre... – O albino esticou um dos braços e passou a mão pela nuca de Roderich o trazendo para mais perto, quando percebeu, o austríaco estava sendo beijado calma e lentamente por Gilbert. Isso foi mais do que o suficiente para faze-lo corar.
–Fool, é a casa do seu irmão! Não podemos!
–Eu acho que o Lud não liga... – Gilbert com destreza se levantou e puxou Roderich junto só para depois joga-lo novamente no sofá e se deitar por cima. Ele estava com o rosto tão perto que era possível sentir seu hálito enquanto falava. Com um movimento rápido ele capturou os lábios do outro.
No inicio era um beijo calmo, onde Gilbert aos poucos abria a os lábios do austríaco para ter mais acesso á sua boca. Depois o beijo foi ficando mais urgente, mais excitante. Roderich passou ambos os braços em volta do pescoço do outro, o trazendo para mais perto, aprofundando o toque, enquanto se beijavam o joelho de Gilbert tocava delicadamente sua virilha aumentando o prazer.
O beijo só foi cortado quando o ar se fez necessário, ambos estavam ofegantes, Gilbert olhava nos olhos de Roderich á procura de permissão para continuar, a permissão foi dada com um leve sorriso de redenção vindo do austríaco, então se beijaram novamente, sem se importar se estavam em um sofá ou que alguém poderia chegar á qualquer momento, seja ele o entregador de pizza ou então Ludwig.
Gilbert começou a roçar o nariz e a ponta dos lábios no pescoço do outro ao mesmo tempo em que lançava um olhar provocador, pois ele sabia, aquele era o ponto fraco de Roderich Eldstein.
Roderich por sua vez mordeu o lábio tentando conter os gemidos enquanto o outro desabotoava sua blusa branca, á cada botão aberto Gilbert beijava, lambia e mordia a pele alva do outro. O austríaco lutava para não deixar os gemidos saírem da garganta
–Se está gostando, não negue Rod… Quero ouvir a sua voz. – Dizendo isso Gilbert voltou a beijar o austríaco, mordendo de leve o lábio inferior deste e depois o puxando.
–E os vizinhos? – Foi tudo o que Roderich conseguiu balbuciar em suas condições.
–Que se danem os vizinhos... Vamos acabar logo jovem mestre, fique tranquilo – Sussurrou Gilbert, sua voz já naturalmente rouca estava enlouquecedora na opinião de Roderich, aquilo estava mexendo consigo cada vez mais.
Gilbert tirou a própria blusa jogando-a por cima do sofá, em seguida deu um beijo casto abaixo do umbigo do austriaco, bem perto do cós da calça, “já volto” sussurrou, levantando-se em seguida.
Roderich se sentiu estranhamente abandonado naquele momento, ele estava gostando das caricias do namorado e seu membro já estava semi-desperto, suspirando se sentou e acompanhou Gilbert correndo para o quarto. Depois de um tempo, Roderich ouviu um “twit twit” do Gilbird e um barulho de zíper, logo Gilbert voltou com um tubinho branco, um pacotinho colorido e seguido pelo Gilbird. O austríaco levantou a sobrancelha.
–O que você...
–Lubrificante e camisinha Rod, eu sabia que precisaríamos, não sou um cara legal?
Gilbert deu um selinho na boca do namorado que agora voltara a se deitar, o alemão se posicionou entre as pernas do austríaco enquanto Gilbird pousava em cima do encosto do sofá, observando a cena.
–Muito bem, a onde estávamos? – Gilbert soltou um risinho malicioso, seus olhos faiscavam – lembrei...
Lentamente ele começou a passar a mão pelo abdômen de Roderich indo calmamente até o cós da calça, Gilbert abriu o botão sem pressa e começou a descer o zíper lentamente, sempre provocando o outro, quando estava prestes a tirar tudo, Roderich colocou a mão por cima da sua.
–Espera, Gil... O Gilbird vai ficar aí? – Disse Roderich olhando de esguelha o pássaro.
–E qual o problema? – O albino fingiu que não ouviu e continuou puxando a calça do namorado
–Gilbert espera! – Roderich se sentou e acabou com a graça. – Eu não vou fazer nada com ele aí!
–Mas ele não faz nada, jovem mestre! — Gilbert também se sentou emburrado.
–Mesmo assim! Vou saber o que passa por essa cabecinha amarela? — O austríaco apontou para o pássaro e este inclinou um pouco a cabeça para a esquerda.
–Pelo amor de Deus! Ele é só um passarinho!
–Mas eu não quero ele nos vigiando enquanto fazemos... – Roderich travou e ficou vermelho
–Sexo? Kesesesesesesese. Pois bem, vou guarda-lo e depois continuamos. – Gilbert estendeu um dedo e Gilbird subiu nele. No caminho para o quarto, Gilbert se virou para o namorado e passou a língua pelos lábios jogando um beijo em seguida. Roderich enrubesceu.
Ouviu-se um “twit twit”, um Gilbert resmungando e uma porta batendo, logo o outro estava de volta penteando os cabelos para trás e sorrindo. Roderich apesar de muito vermelho sorriu também e tirou os óculos, colocando-os na mesinha de centro enquanto Gilbert deitava sobre si.
–Agora sim, se prepare para sentir meus 5 metros! Kesesesese!
Roderich deu uma risadinha enquanto era docemente beijado, só um roçar de lábios, e logo Gilbert já estava descendo a boca novamente para suas calças. Lambeu toda a extensão do seu tórax e os mamilos parando novamente no cós, mas diferente da outra vez, ele apenas tirou tudo rapidamente deixando um Roderich completamente nu e excitado enquanto via seu namorado se levantar e também tirar suas calças pegando o tubinho de lubrificante.
–Vamos nos divertir agora, Rod...
Gilbert já havia aberto a tampinha do lubrificante e espalhava uma boa quantidade pelos seus dedos quando ambos ouviram alguém batendo palma do lado de fora da casa.
Os olhos de ambos se arregalaram
“Pizza”
Roderich gritou de dentro de casa um “Já vai” e empurrou Gilbert de cima de si.
–Vá lá! — Disse Roderich se levantando, ou melhor, tentando se levantar, o outro era pesado. Não era nem preciso dizer que Gilbert estava estupefato e frustrado, nunca imaginou que odiaria tanto o entregador de pizza.
–Eu? Por que?
–Porque eu não posso sair assim! – Roderich apontou para o seu tórax desnudo, assim como o resto do corpo.
–Mas caso não tenha percebido – Retorquiu Gilbert com ironia — estamos na mesma situação! –Porém, antes de Roderich conseguir abrir a boca para responder, ouviram novamente as palmas.
Roderich empurrou o albino que caiu sentado no sofá e mais que depressa se levantou jogando suas calças na cara de Gilbert, este por sua vez se convenceu que não era hora para discussão e começou a vesti-las com pressa enquanto Roderich corria para o quarto para pegar sua carteira.
Gilbert tentou disfarçar o volume do melhor jeito que conseguiu, “mas cinco metro são cinco metros”, apertou bem o cinto e ajustou o elástico da cueca, nesse ponto, o austríaco já voltava com a carteira e empurrava Gilbert para a porta.
Em menos de 3 segundos ele estava lá fora com o entregador.
Gilbert tentou dar um sorriso que acabou saído um pouco forçado, devo lembrar-lhes que o albino não falava uma palavra em italiano?
Ele olhou para o entregador e caminhou para perto, o homem rolou os olhos ao ver o cartão.
–Carte di debito o di credito?
Gilbert o encarou novamente com um olhar curioso, o entregador rolou os olhos.
–Debit or credit card?- Repetiu monotonamente o entregador em inglês
–Debit! – Agora sim estavam falando sua língua.
Ele passou o cartão na maquininha, digitou a senha e pegou a pizza, o albino não esperou o entregador ir embora para dar as costas, apenas pegou a comida e se virou. Quando fechou a porta de madeira da sala atrás de si, levantou a caixa de pizza acima da cabeça como se fosse o Oscar com um enorme sorriso vitorioso. A carteira do albino que estava equilibrada em cima da caixa quase caiu com o movimento brusco.
Roderich estava acabando de arrumar os talheres, e para a tristeza de Gilbert, completamente vestido. Mesmo assim ele seguiu até a mesa (depois de jogar a carteira no sofá) e colocando a caixa em cima da toalha se sentou.
O austríaco fez cara feia e puxou a pizza para o seu lado, o olhar penetrante perfurando o peito do outro. Gilbert em um instante entendeu o recado e com um longo suspiro (que mais se parecia com um bufo) foi até o quarto procurar uma camiseta.
Modos aristocráticos eram sempre modos aristocráticos.
Ele nem tentou discutir, já fizera isso antes e acabara sem janta, Gilbert não estava querendo ficar sem pizza, não dessa vez, aquela era uma legitima pizza italiana, quentinha, cheirosa e que lhe custara um grande esforço, e é claro, muito óleo de peroba.
Pegou a primeira blusa que encontrou no guarda roupa de Ludwig (sim, ele usava as roupas do irmão, e não, não dava à mínima), uma regata preta que ficou um pouco grande e voltou para a cozinha, no seu prato fora colocado um grande pedaço com muito queijo. Roderich o acompanhava com os olhos e um sorriso aprovatório.
O austríaco esperou que Gilbert se sentasse para começarem a refeição juntos.
Apesar de todos os perrengues, de todas as brigas, e de todas as discussões, Gilbert se sentia extremamente feliz ao ver aquele sorriso no rosto do SEU Roderich.
O resto da noite dos dois fora bastante tranquila.
Á sua maneira.
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