Notas iniciais
Olá como andam? (com as pernas hur, dur). Ok, parei... Bom, atraso e pá. A desculpa dessa vez é volta as aulas, e as famosas "provas de boas vindas", porque a minha escola é assim "OH! Você voltou de férias! Seja bem vinda! O/ AGORA PEGA ESSAS PROVAS AQUI!"

– Ótimo – Bufava Lovino – Vou ter que ficar em Roma.

O italiano se levantou bruscamente da banqueta do telefone e se jogou na cama, o movimento repentino e sem o mínimo de cuidado fez a madeira do móvel ranger horrivelmente, mas para ele, não era nenhuma novidade.

Lovino sabia que uma hora ou outra teria que arrumar a cama, arrumar o apartamento, arrumar a vida... Mas ele sempre acabava adiando tudo, porque no fundo, era um grande procrastinador.

Porém, agora ele tinha um final de semana livre e sem absolutamente nada pra fazer.

Claro que quando ia a casa de Feliciano não era diferente, ele continuava não fazendo nada, mas pelo menos lá ele tinha a companhia de seu irmão, que mesmo não tendo a intensão acabava lha dando muito trabalho... E Lovino apesar de não dizer, gostava de ajuda-lo.

“Maldita chuva”

–Pelo menos vou poder arrumar essa espelunca. — Disse para si mesmo enquanto corria os olhos pelo seu pequeno muquifo, também chamado de apartamento.

Então começou a pensar no que deveria comprar para realizar a faxina, pois tinha quase certeza que o ultimo vidro de desinfetante havia acabado ainda naquela semana. Precisava comprar também detergente, algum sabão...

E o telefone tocou incessantemente.

Lovino não pretendia atender. Afinal, só podia ser um engano, já que era pouco provável que Feliciano ligasse para ele pouco depois de se falarem. Mas depois do quarto toque, o barulho do aparelho começou a ficar realmente irritante, e não antes de dar um bufo de frustração, o italiano se levantou e foi atender o aparelho.

–Alô?

–Ah... Lovino! – Respondeu uma voz muito animada do outro lado da linha.

O italiano sentiu um tijolo cair dentro de seu estomago.

–Quem. É? – Perguntou bem lentamente, ainda não acreditando.

–Sou eu! Antonio! O barqueiro!

–Ahhh... – "De todas as pessoas da face da Terra, por que justo o ele?" — Como conseguiu o meu numero? — Disse ríspido.

–Ah! Bom... Você ligou pra mim uma vez, e o meu telefone tem identificador de chamadas... – Disse o espanhol com a maior inocência.

Lovino se torturava mentalmente pelo descuido. Enquanto uma parte de seu cérebro dançava por Antonio ter seu telefone, a outra tentava acerta-la loucamente com um travesseiro.

De qualquer forma. Lovino estava perdido.

–O que você quer, bastardo?

–Nossa, que cruel você... – E fez birra – Eu só queria convida-lo para viajar comigo.

–Ahn?

–Sabe, as coisas aqui em Veneza estão ficando complicadas por causa da chuva, está tudo alagado... Então eu peguei umas férias e resolvi ir pra Roma. Você topa ir comigo?

XXX

Bom, na verdade essa história de "as coisas estão ficando complicadas" era uma meia verdade. Porque sim, elas estavam ficando complicadas, mas a chuva e o alagamento eram só uma pequena parte do todo.

O fato era, por causa da enchente, os barqueiros precisavam trabalhar praticamente dobrado, e mesmo aumentando a carga de trabalho, os salários permaneceram iguais, já que em época de crise, ninguém quer dar aumento.

O que aconteceu a seguir foi uma grande greve de barqueiros que queriam um bônus pelo alagamento, e então todos eles resolveram não trabalhar até que algo fosse feito.

Antonio como um grande amante da vida calma, odiava greves, porque de alguma forma ele sempre acabava na pior, então aproveitando o clima tenso na cidade, o barqueiro temporário deu um jeito de pegar uns dias e resolveu que fugiria para Roma até a poeira abaixar.

E no meio do processo de fazer as malas, e trancar a casa, o espanhol enxergou uma ótima oportunidade de conhecer Lovino melhor, então voltou para dentro do apartamento e fez uma ligação.

XXX

Quando o Antonio acabou de pronunciar as palavras, Lovino quase teve um ataque do coração.

“Como assim o barqueiro estupido vem pra cá?”

Demorou uns cinco segundos para Lovino se recompor e voltar a falar, ainda visivelmente abalado.

–Q-q-q-quando... Você vai vir pra cá? – Perguntou Lovino ainda um tanto paralisado.

– Estou indo essa manhã umas 10 horas, porqu... – E então Antonio percebeu uma coisa importante – Ah... Porque “para cá”?

Lovino gelou mais ainda e apertou o joelho com toda sua força.

“Merda”

Ele próprio havia se traído.

–Lovino — Continuou o espanhol – Você está em Roma!?

O italiano não sabia se era uma afirmação ou uma pergunta, mas rezava no âmago do seu ser, para que alguma coisa caísse em cima da cabeça de Antonio antes que ele finalmente descobrisse tudo.

Mas isso não aconteceu

–Ai minha nossa senhora, Lovino! VOCÊ ESTÁ EM ROMA!

De tão empolgado que o ibérico estava, o italiano precisou afastar um pouco o telefone do ouvido por causa da altura da voz do outro lado da linha. Porém agora tinha ceteza, estava perdido.

– E-escute, e-eu...

–AI EU NÃO ACREDITO! Eu podia ficar na sua casa!!!

– O QUE?!?

– Você tem casa aí, não tem? — Não houve pausa para resposta — Depois você me monstra a cidade e passeamos juntos! E tomamos café! E EU VOU PRA AÍ AGORA!

–NÃO! Pera, eu...

–Até logo Lovi ♥

E desligou o telefone sem ouvir uma palavra do outro.

XXX

Ainda demoraram uns bons cinco minutos pra Lovino finalmente entender o que havia acabado de acontecer.

E quando entendeu, não caiu apenas a ficha, caiu o caça níquel inteiro.

XXX

Era mais um dia de trabalho para Sadik Adnam. Mesmo sendo sábado, ele como proprietário da loja “Emporio di Turchia”, não podia abandona-la um momento se quer, ainda mais final de semana, os dias em que os turistas mais visitavam Roma.

Uma das coisas que o turco aprenderam com seu pai foi: “ Nunca deixe o dinheiro escapar”

E ele sempre levava esse antigo ditado bem a sério.

Aos finais de semana a loja também fazia a “carga e descarga”, não exclusivamente de tapetes, é claro, mas também de outras coisinhas que ficavam sempre escondidas nos lugares mais improváveis do almoxarifado.

Estrategicamente, nesses dias o turco folgava Lovino, porque mesmo ele sendo um bom funcionário e não fazendo muitas perguntas,( a qualidade mais fundamental para se considerado um "bom funcionário) não queria que ele soubesse de todos os seus “esquemas”

Então, nesse dia especial, estavam na loja ele, Herácles por ser seu primo e sócio para o que der e vier, e Kiku, que já estava acostumado com esse tipo de negócio desde que a loja de seu irmão chinês fora fechada por um motivo parecido.

Ninguém foi preso, mas a fiança foi alta.

Enfim, tudo estava perfeitamente normal no Emporio di Turchia. E o turco como de costume estava sentado do lado de fora da loja, atraindo clientes e esperando seu primo Gupta com o caminhão de entregas.

Já ia embora a terceira velhinha que parara para pedir informação, quando ao longe Sadik viu uma figura masculina se aproximando em alta velocidade.

Num momento de incredulidade, o homem tirou a mascara branca por míseros segundos para ver melhor, e ainda sem acreditar, concluiu que era Lovino que vinha correndo ao seu encontro.

"Mas em todos esses anos, ele nunca apareceu uma unica vez na loja de final de semana"

Sadik levantou da cadeira bem a tempo do italiano se aproximar de si, agarra-lo pelos braços e dizer com toda a calma:

–VOCÊ PRECISA ME AJUDAR! ELE DESCOBRIU TUDO!!!

O turco arregalou tanto os olhos que quase dava para ver eles por trás da máscara. Sem perguntar mais nada, o dono da Emporio di Turchia pegou Lovino pela gola da camisa e jogou dentro da loja, logo ele também puxou a cadeira onde estava sentado e fechou a porta com um enorme baque, colocou a plaquinha de fechado a seguir.

Lovino ficou sem entender, mas o desespero não deixava que ele perguntasse nada.

Como o italiano parecia tão branco quando papel, Sadik se aproximou dele calmamente (agora de verdade) e perguntou olhando-o nos olhos:

–Como ele descobriu?

Lovino ainda um pouco confuso contou tudo o que sabia

–Eu... Eu não sei, ele vem me perseguindo desde a Espanha, arrumou uma casa em Veneza e agora virá para Roma!

– Puta que pariu! – Exclamou o turco levando as mãos a cabeça – HERÁCLES!!! HERÁCLES!!!

Kiku surgiu assustado com os gritos do outro lado do balcão da loja, ele que estava no banheiro não esperava por toda essa confusão.

–Sadik-san, o que aconteceu? Por que todo esse alvoroço?

–VOCÊ NÃO ESTÁ ENTENDENDO KIKU! – Sadik disse vindo em direção ao balcão e espalmando as duas mãos na madeira – DESCOBRIRAM DA GENTE!

–!!! – Kiku soltou uma exclamação muda, e sua cara se contorceu em desespero – Quando vão vir?!?

–HOJE!

–!!!!!!!! – O japonês correu para o fundo da loja e voltou com um pequeno cartão e um celular – Vou ligar para o aniki, ele vai saber o que fazer.

–Certo, cadê o imprestável do meu primo?

–No fundo da loja creio – Disse sempre prestar muita atenção enquanto discava no aparelho um pequeno numerosinho.

Assim Sadik foi até o almoxarifado da loja, bravamente seguido por Lovino que tinha certeza que tinha alguma coisa errada, e viu uma cena completamente inusitada acontecer.

Parado na porta, o italiano acompanhou a cena mais inusitada da sua vida. Sadik logo localizou o grego dormindo na pilha mais alta de tapetes e assim que o viu, subiu na sua mesinha de trabalho bamba, e quase caindo empurrou o grego para fora da pilha, que caiu com tudo no chão.

Herácles acordou xingando o primo mas Sadik começou a gritar (em turco provavelmente) de cima da mesa, e como se uma corrente elétrica tivesse atingido o grego, ele ficou imediatamente calado e alerta. O turco desceu da mesa e ambos os primos começaram a puxar pacotes e mais pacotes das prateleiras e a coloca-los na porta, quase aos pés de Lovino, que continuava sem se mexer.

Nesse momento apareceu Kiku e o seu telefone que ao ver os outros dois arrumando pilhas e pilhas de pacotes misteriosos no chão, começou a ajuda-los quase que imediatamente deixando em cima da mesa o celular, onde um homem falava alguma coisa em um italiano muito ruim e muito rápido.

Quando a pilha primeira já estava quase que na cintura de Lovino, o turco finalmente se deu conta de sua existência, assim largou mais quatro pacotes em cima da pilha, segurou um Lovino boquiaberto pelos ombros e berrou

–VOCÊ PRECISA NOS AJUDAR! PRECISAMOS DE UM LUGAR SEGURO PARA GUARDAR TODO ESSE CONTRABANDO

Os olhos de Lovino viraram dois pires

–O QUE???

– Isso! – Disse o outro apontando para os pacotes – Se o inspetor vem aqui, precisamos esconder isso em algum lugar! LOVINO VOCÊ É A NOSSA ULTIMA ESPERANÇA!

–Mas...Mas... – Balbuciou ele – NÃO VAI VIR INSPETOR NENHUM!

Um barulho de pacote caindo pontuou o final da frase, e quando o italiano olhou melhor, percebeu que era só Herácles caindo no chão e ao que parecia, derretendo.

O único barulho na tapeçaria era o chiado do telefone, mas que com o silêncio súbito, aos poucos tambem ficou mudo. A correria de antes havia se acalmado e todos estava estáticos encarando Lovino com uma cara de bobo.

Sadik piscou duas vezes antes de fazer a próxima pergunta

–C-como assim? Não vai vir... Inspetor?

–Eu nunca falei de inspetor nenhum! – Retrucou Lovino finalmente entendendo o motivo do alvoroço – Eu estava falando de um... an... homem! Que vem me perseguindo desde a Espanha, e agora que descobriu que eu moro em Roma, quer ficar na minha casa!

O silêncio fúnebre ainda reinou por uns minutos e depois tudo que se ouviu foram gargalhadas e pacotes caindo no chão.

–Mas era só isso? – Perguntou o turco dando umas palmadinhas no ombro de Lovino – Você quase nos matou de susto.

– Você realmente me pegou de surpresa Lovino-san – Disse o japonês chegando bem perto do italiano – Mas nós o ajudaremos! Pode contar comigo!

Herácles fez um positivo com a mão ainda sem levantar do chão.

O italiano conteve o melhor que pode um sorriso, não queria parecer aliviado de mais, só que mesmo com todo o esforço, um pequeno sorrisinho apareceu nos seus lábios.

Mas é claro que ele não durou muito, pois no minuto seguinte, Sadik já queria negociar as “condições do acordo”

–Veja bem – Disse ele – Nós o ajudaremos, e por um preço modesto.

–Tipo o que? – Perguntou Lovino desconfiado

–Ah... Nada de mais... Só... 10% do seu salário...

– 4 mangás! – incrementou o japonês

– E meus dois gatos! – Gritou o grego do fundo do galpão.

Lovino abriu a boca pra dizer alguma coisa, mas se calou novamente. Não estava em condições de argumentar.

No fim, simplesmente aceitou a proposta.

Notas finais
Reviews serão respondidos ainda nesse final de semana, prometo.