As Águas de Veneza
28 Capitulo 28
Notas iniciais
Trinta minutos depois, todos estavam do lado de fora da Emporio di Turchia esperando Sadik acabar de fechar a loja para poderem ir até o apartamento de Lovino.
O italiano em questão estava encostado na parede com todo o estilo e pompa que lhe pertenciam, tentando parecer relativamente calmo, mesmo estando eufórico por dentro.
Ao seu lado Kiku não só parecia, como estava também muito calmo. Ele segurava uma pequena bolsa que sempre trazia ao trabalho, e praticamente não vivia sem ela.
O japonês tentava sem muito sucesso manter uma conversa estável com o grego, (que praticamente estava deitado na calçada ao seu lado). Devido a inesperada surpresa de minutos atrás, Herácles estava mais lerdo que o normal, como que para compensar sua usual sonolência, e enquanto falava espaçava muito as palavras e frases, deixando todos a sua volta um tanto impacientes.
Antes de saírem para a rua, ficou combinado que usariam a caminhonete de Sadik por ser mais espaçosa e cômoda. Mas não foi com pouca luta que Lovino abandonou seu lindo conversível vermelho em um reles beco da capital italiana, afinal, aquele carro era a coisa mais preciosa que tinha nesse mundo.
(Na verdade, ele se perguntava se gostava mais do conversível ou do próprio irmão.)
Passados uns quinze minutos, Herácles cansou de esperar o primo, e ainda um tanto letárgico, levantou-se lentamente se equilibrando com a mão esquerda na parede.
Kiku até tentou impedi-lo de entrar na loja a procura do outro, mas sabia que Herácles tinha na mesma quantidade de preguiça, a teimosia. Então seus esforços acabaram não resultando em nada.
Porém, antes que o grego entrasse na Empório de Turchia, Sadik abriu repentinamente a porta e quase acertou o nariz de seu primo
– Cuidado seu... – Vociferou enquanto levava a mão ao nariz para protege-lo.
–Hehe, isso serve pra você dar uma acordada — disse Sadik brincalhão.
Assim que o turco saiu da loja, os outros do lado de fora perceberam que ele carregava uma enorme sacola. Lovino ficou curioso com o conteúdo, mas no primeiro momento resolveu que não se intrometeria, afinal, alguém em alguma hora iria pergunta o que tinha dentro daquele pacote.
Mas estavam quase todos dentro do carro, e ninguém disse nada sobre a sacola até o momento. E esquecendo-se do antigo ditado “ A curiosidade matou o gato” o italiano cutucou Sadik antes que este entrasse no automóvel.
–O que tem aí dentro? – Disse apontando discretamente o forro de lona
–AH! Ótimo que tenha perguntado – Se animou o turco ao mesmo tempo em que abria a fecho de corda para que Lovino observasse o interior do embrulho – Aqui tem algumas coisinhas que eu imaginei que nós fossemos precisar para... Bom.. resolver o seu pequeno probleminha...
O italiano ficou realmente assustado com o conteúdo do embrulho, pois tudo o que havia lá dentro parecia duvidosamente confiável, e perigosamente letal.
Afinal, dentro do saco não havia apenas porretes e tacos de madeira, havia tambem um mexedor de trigo, um tridente e demais facas.
Lovino encarou o seu chefe novamente sem conseguir entender qual o propósito de toda aquela parafernália, mas antes que fizesse besteira, alguma coisa estalou ruidosamente na sua cabeça.
–Escutem, vocês não estão pensando em matar o bastardo barqueiro, estão?
–Ah... – Sadik estava sem jeito — Eu não diria matar... É uma palavra muito forte... tá mais pra... tirar do caminho... entende? Afugentar ele...
Lovino franziu bruscamente o senho e arregalou os olhos sem acreditar. No mesmo instante virou-se na direção de Kiku e Herácles, que por sua vez, permaneciam quietos e sérios, como se aquilo tudo fosse uma coisa perfeitamente normal. Mas então Lovino explodiu.
–PORRA! Eu não quero que vocês matem o desgraçado! Quero que me ajudem com o apartamento! Que tipo de gente são vocês ?!?
Pela segunda vez no dia, um acesso de riso nervoso e coletivo tomou conta dos empregados da Emporio di Turchia, e o italiano pensava cada vez mais seriamente em mudar de emprego o mais rápido possível.
–Ah... meu amigo Lovino – Começou Sadik novamente dando pequenas palmadinhas no ombro do outro – Você nunca explica nada direito...
Assim, depois de deixar o saco de armas dentro da loja e darem partida no carro, o grupo de homens estava finalmente na estrada na direção do pequeno apartamento italiano.
XXX
–Minha santa madre! Mas o que é isso?
Essas foram as primeiras palavras ditas pelo turco assim que Lovino abriu a porta da sua humilde (realmente humilde) residência.
Assim que a porta se abriu Sadik e Kiku entraram um tanto vagarosamente, (Herácles ainda estava subindo a escada) pisando inseguros no chão de tacos de madeira gastos. Havia uma leve camada de pó sobre os móveis, e um pouco de louça suja na pia, nada muito alarmante, só a pasta do jantar anterior e alguns copos.
O apartamento era dividido da seguinte forma: Assim que se entrava podia-se ver um enorme cômodo com uma bancada no meio, cuja a qual havia 3 banquetas vermelhas. Por uma janelinha do lado, era possível ver a cozinha, e então havia a porta que dava acesso á essa.
Do outro lado da bancada, uma cama de viúvo com um pequeno criado mudo do lado e uma mesinha com telefone na frente. Encostado na parece havia um enorme armario velho e um tanto gasto e então vinha a janela, que apesar de são ser uma sacada, iluminava todo o ambiente.
Para chegar ao banheiro e á lavanderia era preciso passar por uma porta ao lado da mesinha do telefone, onde se entrava em um pequeno átrio e dava passagem á ambos os cômodos.
A lavanderia e o banheiro eram forrados do teto ao chão com pastilhas e de longe eram os cômodos mais limpos e menores da casa. Pois mesmo que tudo estivesse sujo, um coisa era garantida no apartamento de Lovino, o banheiro estaria limpo.
Á primeiros olhada Sadik e Kiku não encontraram nada de mais, mas depois começaram a reparar em pequenos detalhes que apesar de quase invisíveis faziam diferença. Algumas pastilhas do banheiro estavam quebradas ou trincadas, a descarga da primava era um tanto duvidosa, pois as vezes despejava muita água, e as vezes muito pouca.
No quarto havia a cama e o armário que rangiam infinitamente alto, e a tinta de algumas paredes estava descascada e um tanto desbotada. Na cozinha a porta de dois armários estava solta, e Kiku tentando abrir uma delas quase derrubara todos os utensílios de cozinha na sua cabeça.
– E então? — Perguntou Lovino quando se reuniram novamente na bancada de estar — Dá pra arrumar
– Olha... — Começou Sadik — Até dá... Mas vamos precisar trabalhar de trabalho conjunto
–Concordo Sadik-san
–E eu também — Disse uma voz vinda da porta, Herácles finalmente havia chego até o fim dos quatro andares — Lovino , você precisa de um elevador...
O turco olhou enfezado para o primo e depois sorriu um pouco
–Bom, para comemorar que o Herácles subiu todos esses andares sozinho, ele vai ficar aqui no apartamento e me ajudar com as pequenas reformas!
O grego franziu o senho
– Por que eu? Não pode ser o Lovino já que a casa é dele?
–Não — Respondeu resoluto o turco — Lovino e Kiku vão comprar esses materiais que eu vou anotar, você fica aqui.
–Aaaaargh!
A grande questão não era que Herácles não quisesse ajudar, mas sim, não queira ficar com o primo dentro de um apartamento, pois da ultima vez que fizeram isso, as coisas não saíram muito boas.
–Certo — Disse Lovino — E vai dar tempo de terminarmos tudo antes do bastardo chegar?
–Não é melhor ligar pra ele Lovino-kun? — Sugeriu delicadamente Kiku
Lovino ficou estupefato, nunca ligaria, nunca! Mas devido as circunstancias, apenas porque não havia outra coisa a ser feita, o italiano mandou uma mensagem para Antonio perguntando onde estava.
A resposta veio na mesma hora:
Perdóna-me Lovi
O trânsito está horrível!
Vou me atrasar... :c
Mas n se preocupe vou chegar aí o mais breve possível ;)
–E então... — Perguntou Sadik tentando ver pelo monitor do celular, mas Lovino se esquivou e guardou o aparelho.
–Ele vai atrasar — Disse fingindo desinteresse
–Ótimo! Vamos começar!
XXX
Kiku logo saiu com Lovino para comprar todo o material que precisavam. A lista de comprar era composta principalmente por materiais de decoração, almofadas, papel adesivo, cortinas, tintas e mais algumas outras coisinhas.
Quando retornaram, os primos estavam vestidos com longos macacões azuis e lembravam aqueles "maridos de aluguel" que sempre apareciam na televisão. Lovino ficou enojado pela cena, mas Kiku deu um risinho constrangido
Eram praticamente sete da manhã quando começaram a movimentação e logo antes do meio dia estava tudo terminado, para o alívio geral de todos, pois ninguem aguentava mais Sadik falando da sua época de faz-tudo na Turquia.
Antônio havia acabado de enviar uma mensagem dizendo que já estava na cidade, e Lovino na mesma hora se apressou em colar os adesivos por cima das pastilhas quebradas no banheiro.
Herácles já havia acabado seu serviço de consertar a cama e o armário, e acabara de instalar uma casinha de gato na lavanderia para os dois gatos que Lovino teria de tomar conta por causa do acordo.
Ao fim todos se despediram formalmente, por insistência de Lovino tentando manter seu orgulho profissional, mas tudo isso foi para água abaixo quando Sadik o abraçou e começou girar com ele pela sala enquanto este gritava para que o soltasse.
Bom, pensou assim que fechou a porta, seja o que Deus quiser...
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