As Águas de Veneza
25 Capitulo 25
Notas iniciais
Ludwig pôde sentir naquele beijo toda a angustia, toda a saudade e toda a tristeza que Feliciano havia guardado por todo aquele tempo. Dessa vez tudo foi diferente, o alemão se sentiu quente por dentro, seguro, e não importava o quão molhadas estivessem suas roupas ou quão frio era o vento lá fora, Ludwig podia ficar assim para sempre.
Mas então se tocou de algo importante, Feliciano não estava usando uma roupa... Apropriada.
E com medo de prejudicar o outro, Ludwig separou os labios de ambos e sorriu com ternura vendo Feliciano começar a chorar e a abraça-lo.
– Xi, xii... Não chore... Eu vou ficar aqui... Não chore...- Ludwig tentava consola-lo, mas suas tentativas não davam resultado. Então afastou-se da porta ainda com Feliciano abraçado a si, e a fechou. Os sapatos do alemão haviam formado no piso do quarto uma enorme poça d’agua no lugar que Ludwig estava, e a temperatura aconchegante do comodo já havia se esvanecido.
O alemão soltou Feliciano de si, que agora já estava mais calmo e olhou em volta tentando localizar alguma coisa para cobrir o outro. Não havia nada a vista, pois Feliciano (diferente de seu irmão que jogava as peças pelo chão), guardava cuidadosamente suas roupas atrás da porta do banheiro.
Por sorte naquele momento Feliciano percebeu a situação em que estavam, e como se um clic tivesse estralado em seu cérebro ele afastou-se um pouco de Ludwig.
–Você está todo molhado... Não acredito que veio até aqui nessa chuva.
–Eu precisava te ver... A chuva não importa muito...
Feliciano estava visivelmente comovido novamente, e por um momento Ludwig pensou que ele fosse voltar a chorar, e antes que ele assim o fizesse, o alemão lhe lembrou de um detalhe.
–Você... Precisa se cobrir, seu corpo está molhado ele e vai esfriar. Onde tem uma toalha?
O italiano o encarou perplexo por alguns instantes e depois começou a rir deixando Ludwig completamente confuso.
–Você está encharcado dos pés á cabeça, e se preocupa com essas gotinhas? – Disse ele apontando para o seu peito onde minusculas gotículas d’agua escorriam. – Você não mudou nada...
Feliciano se aproximou novamente e beijou Ludwig calmamente.
–Vem, você precisa tomar um banho.
O alemão tirou os sapatos molhados para tentar amenizar as poças d’agua e foi atras de Feliciano, que o conduziu até o banheiro. Não era muito distante do quarto o banheiro de cima, e apesar de ser bastante pequeno, Ludwig achou o comodo bastante limpo e organizado. Apesar da luz um pouco fraca, o alemão se sentiu em casa.
O italiano estava feliz novamente, e praticamente saltitava pela casa enquanto o conduzia para dentro do pequeno cômodo.
–Ve~~Deixe suas roupas molhadas na pia – Disse indicando com a mão — e tome um banho quente! Você liga o chuveiro com a torneira da direita, mas as vezes ela dá choque então... Mantenha os pés longe d’agua. Eu vou pegar suas roupas e toalha.
Ludwig assentiu e a porta do banheiro foi fechada. O coração do alemão estava acelerado, mas ele simplesmente tirou as roupas e entrou no chuveiro.
XXX
Feliciano pensava que aquilo tudo era um sonho.
Tudo estava tão perfeito que ele achou que não podia ser real.
O italiano caminhou de volta até seu quarto cantando baixinho, não lhe importava se eram 3 da manhã, seu sono se esvanecera e ele estava mais do que contente por Ludwig ter finalmente se lembrado.
Feliciano entrou no quarto e ficou perdido em pensamentos por alguns minutos antes de se lembrar o que realmente tinha que fazer lá
–Roupas! – Disse estalando os dedos
O italiano abriu o guarda-roupa e tentou encontrar alguma coisa que servisse em Ludwig, mas o alemão por ser maior e mais musculoso não facilitava a tarefa, e depois de muito procurar, achou apenas um calção um tanto folgado.
–Vai ser esse mesmo...
Com um suspiro Feliciano se abaixou para pegar a toalha nas gavetas debaixo do guarda roupa.
“Espero que ele não se importe”
XXX
Ludwig sentia que havia acabado de tomar o melhor banho da sua vida.
A água quente do chuveiro descendo pelas suas costas depois de toda aquela água fria da chuva era quase uma benção dos céus, ele ficara um bom tempo ali filosofando antes de finalmente começar a tomar banho de verdade.
Quando desligou o chuveiro o alemão ouviu alguém batendo na porta.
–Ludwig? Eu trouxe as coisas
–Ahh... pera- O alemão entrou no box e fechou a porta de vidro machê ficando de costas– Ok, entra.
Feliciano entrou no banheiro e reparou que o box estava fechado. O italiano apenas deixou as roupas secas e toalha em cima da tampa do vaso e tentou levar embora as roupas molhadas, mas claro que entre essas duas ações ele não pôde evitar olhar para o box na expectativa de ver algo.
“o que eu estou fazendo?”
–Ludwig.. Eu só achei esse calção, tudo bem pra você?
O alemão continuava virado para a parece e apenas concordou sem se importar em ver
–Tudo bem, obrigado.
Feliciano deu uma ultima olhada para figura do alemão e saiu do banheiro com as roupas.
“Sinceramente, eu preciso me controlar!”
XXX
Quando a porta fechou, Ludwig saiu do box e olhou diretamente para a pia. As roupas molhadas haviam sumido, hmmmm... O alemão olhou para a tampa do vaso e encontrou a toalha felpuda a sua espera, e em cima dela o calção mencionado por Feliciano, não tinha problema, tinha?
XXX
Quando Ludwig saiu do banheiro de calção percebeu que a casa voltara novamente á temperatura confortável e aconchegante, Feliciano estava completamente desperto e fazia um chá na cozinha.
Quando Ludwig se aproximou o italiano se voltou para ele sorrindo com duas canecas na mão, delas exalava um calor terno e ele pegou a primeira. Assim que pegou a caneca percebeu que Feliciano olhava para um ponto aleatório de seu peito, mas por educação fingiu que nada estava acontecendo e corou até as orelhas enquanto dava o primeiro gole na xícara.
"Hortelã"
O italiano percebeu que estava sendo bastante indiscreto e deixando sua caneca de lado por um momento pegou a toalha molhada e colocou perto do motor da geladeira. Ludwig ia protestar sobre como aqui era errado e podia estragar o aparelho quando Feliciano lhe dirigiu um sorriso terno
–Está bom? – Questionou se encostando na bancada da pia
–Está... Como sabia que eu gosto de hortelã?
–Eu me lembro de muita coisa... – Feliciano disse enquanto batia levemente na sua própria testa. – Escute – Ele retomou – Eu sei que, bom... Tudo é muito novo, e... Não vou te obrigar a ir tão rápido, mas... Você sabe, eu amo você, sempre amei, e... bom, o que sente por mim?
Ludwig engasgou com o chá quando Feliciano pronunciou a palavra “amo”. Ele sabia que era verdade, de alguma forma sempre soube, e também sabia que sentia o mesmo, então apesar de estar corando até as orelhas e parecendo uma colegial inexperiente, Ludwig pousou a xícara na mesa e timidamente confessou
–Eu tambem... acho que amo... você...
Feliciano sentiu que algo muito quente o invadia por dentro, e em menos de um minuto ele já havia deixado a xícara de chá na pia e se sentou no colo de Ludwig deixando-o completamente perdido.
–Ve~~ Eu fico muito feliz de ouvir isso – Feliciano o abraçou e o beijou profundamente.
O alemão abraçou Feliciano pela cintura enquanto este o beijava, ah... Era tão bom. Sua cabeça ficava em branco toda fez que tinha Feliciano tão perto de si, não acreditava que demorara tanto tempo para perceber isso, o quanto aquele homem era precioso.
Suas memórias voltaram, e assim que Feliciano separou os lábios dos seus Ludwig contou o que se lembrava, da época do orfanato, e um pouco sobre o irmão e os pais , não mencionou o acidente nem a morte deles, porque mesmo depois de todos esses anos, nunca era uma coisa agradável para se contar.
E era como se tudo fosse perfeitamente claro para o alemão, era como se ele nunca tivesse tido amnésia ou nada do tipo, os momentos e experiencias batiam, e Ludwig soube que todas aquelas imagens recentes na sua cabeça era verdadeiras.
Naquele momento o alemão se sentiu verdadeiramente completo.
Feliciano o encarava de perto olhando diretamente e profundamente em seus olhos, Ludwig não pode deixar de corar novamente, e até pediria que o outro parasse, mas ele estava tão contente... Sua expressão era tão suave... Tudo o que o alemão pôde fazer foi desviar seu olhar para a xícara de chá quase vazia.
–Lud?
–Hm? — Ludwig virou o olhar para Feliciano
–Acho bom a gente ir dormir... — Cantarolou o italiano
–É, sim... é bom...
Feliciano se levantou lentamente do colo de Ludwig, pegou a caneca de chá e tomou o resto em um gole, pois a bebida já havia esfriado. Ludwig fez o mesmo e deixou a caneca na pia, depois ainda um pouco sem jeito, seguiu Feliciano até o quarto deste onde o viu deitar-se na cama e puxar a coberta. O alemão permaneceu parado na porta.
–Ah... Onde é o quarto de hóspedes?
–Não tem – Feliciano respondeu simplesmente com um sorriso achando muito fofa a expressão do outro.
–Como assim não tem? Onde eu vou dormir?
Feliciano foi um pouco para o lado de sua cama, uma cama de viúvo, e indicou o outro lado para Ludwig dando pequenas palmadinhas no colchão. Ludwig corou até as orelhas.
–Mas aí é...
–Sim?
–E-e-eu – Tossiu para recuperar a dignidade – Eu não posso me deitar aí!
–Porque não? – Feliciano parecia magoado, e o alemão tentou concertar a fala
–Eu não posso me deitar aí porque... é a sua cama!
–Mas eu quero que você venha dormir comigo! – Feliciano fez bico e Ludwig cedeu.
Ambos se deitaram e o alemão tentou manter uma distancia máscula entre eles. Bom, tentou. Mas Feliciano não o deixou escapar e o abraçou por baixo dos cobertores.
–Não fique nervoso. Eu não vou machucar você.
Ludwig continuava corado e nervoso, mas aos poucos foi relaxando e retribuindo o abraço.
–Boa noite.
–Você não quer dizer bom dia? – Feliciano sorriu
–Bom, bom dia então.
XXX
–Ludwig... Ludwig? Você está acordado? – Feliciano praticamente sussurrou no ouvido deste o despertando na hora.
– Estou – Mentiu ele
–Eu não consigo dormir... Tenho medo que.. Tudo isso seja um sonho, e que amanhã eu acorde e você não esteja aqui.
O alemão estava visivelmente comovido e virou-se para Feliciano lhe fazendo um pequeno carinho na bochecha.
E sem mais nem menos Feliciano o beijou ardentemente.
–Eu me sentia tão sozinho
Mais um beijo
–Eu esperei por tanto tempo...
Mais um beijo
–Ludwig... por favor... Não me deixe mais.
O alemão estava hipnotizado, tanto pela fala quanto pelos beijos de Feliciano, mas logo foi dominado por uma sensação de panico. Alguma coisa no meio de suas pernas havia despertado, e isso era sempre um mal sinal.
Ele tentou desesperadamente afastar do outro antes que ele percebesse.
–Feliciano, eu preciso me levan..
–Não você vai ficar aqui comigo!
Feliciano abraçou Ludwig e logo percebeu o motivo da repentina tentativa de fuga do alemão.
–Oh.. você está...
Ludwig corou e parou esperando o pior. Por que isso tinha que acontecer desse jeito?
Feliciano o encarou por alguns momentos e depois murmurou em um tom quase inaudível
–Nós estamos na mesma situação – E puxando um pouco a coberta mostrou o volume por baixo do calção
Feliciano um tanto inseguro e bem devagar se sentou novamente no colo de Ludwig e o beijou calmamente enlaçando seus braços pelo pescoço do outro.
–Eu já vou resolver isso – Disse Feliciano em voz tranquilizadora – Mas só se você permitir.
Ludwig continuava corado e olhava para algum ponto entre o queixo e a clavícula de Feliciano quando respondeu
–Eu.. permito... – E o beijou ternamente.
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