As três da manhã
38 Último Capítulo....
Bianca S.
Eu não parava de chorar, tudo o que via pela frente eu jogava contra o espelho do camarim. Ele se quebrou, os cacos de vidro no chão. Gritei com toda a minha raiva e percebi que havia sido cortada, não me importei com o corte em minha canela.–Bianca? — Renan entrou no camarim e joguei um vaso de flores que estava ao meu lado, nele. — Quer parar com isso?–Eu sou a pior pessoa do mundo. — sussurrei ainda chorando. Ele se aproximou e tomou cuidado com os cacos no chão. Senti sua mão em meu ombro, eu estava sentada no chão, ele ajudou-me a levantar.–Não é não. Todos estão comentando, você foi boa hoje. Querem até autógrafo.–Eu não mereço.–Bianca o que houve? Estava tão feliz com a nossa estreia.–Eu terminei com a Talia, quero dizer... Nem eu sei se terminamos ou não.–Nossa vocês eram tão felizes. — comentou. Fitei-o furiosa.–Dá pra você sair daqui? — ameacei pegar outro vaso para jogar nele.–To saindo. — se levantou e me deixou sozinha.Então um flash de memórias veio a minha mente. Tudo o que eu havia passado nestas três últimas semanas. E tudo de ruim, havia sido culpa deles. Daqueles malditos irmãos. Levantei-me e retirei toda a maquiagem borrada pelas lágrimas, troquei de roupa e sai do camarim. Ninguém me deteve, a não ser uma garota com vários buquês mandados para mim.Peguei todos e joguei no primeiro lixo que vi. Acenei para o primeiro táxi que vi passar na rua. Quando entrei no carro informei o endereço e enquanto o taxista fazia seu trabalho, eu encarava a paisagem da janela. Eu não seria mais burra, muito menos trouxa de acreditar nas mentiras de Talia, se ela e o irmão queriam me usar e jogar fora. Iam ter uma surpresinha, uma maravilhosa surpresa.[...]Bati várias vezes na porta, depois de alguns minutos ela se abriu revelando Talia com um daqueles cigarros de maconha que ela ultimamente vinha se viciando.–Veio se humilhar para eu te aceitar de volta? — perguntou. Revirei os olhos e passei por ela entrando na casa.Jonathan estava deitado no sofá sem camisa como sempre. Os dois me fitavam surpresos.–Eu vim fazer uma coisa. — falei. –Veio tarde... — resmungou Jon. — Poderíamos ter feito um ménage. Talia e ele riram. Mas eu não via graça, apenas nojo.–Não é isso. É que eu percebi que vocês se merecem, são farinha do mesmo saco! — gritei ficando furiosa. Talia se sentou ao lado do irmão me encarando com uma expressão debochada. Ainda fumava despreocupada. — O que a justiça fará quando souber que vocês transam?–Você não vai falar nada. — disse Jon com desdém. -Ninguém transou com ninguém, estamos assistindo um filme se não percebeu.–Você é advogado não é? — perguntei sorrindo. — Sabe muito bem que podem te separar de sua irmã e até te prender.–Cala essa maldita boca! — gritou furioso. Pela primeira vez me senti poderosa. — Não fizemos nada, porque somos irmãos.–Eu não calo nada. Vim buscar minhas coisas, podem ter certeza que eu nunca mais boto os meus pés aqui.–Vai tarde. — os dois voltaram a rir e os deixei na sala para seguir rumo ao quarto de Talia. Ela me seguiu, e aquilo me irritou.–O que vai fazer Bianca? — perguntou. Entrei em seu quarto e retirei todas as peças de roupa que me pertenciam de seu closet. Enfiei-as na minha mochila florida, seus olhos azuis me avaliaram. — Vai ferrar a gente?–Você e Jon? — ri de sua pergunta. — Não. Vocês já vão para o inferno juntos. Eu lavo minhas mãos. — peguei minha mochila e a joguei nas costas. — Outra coisa... Já disse que se merecem?–Vai embora. A vadia aqui é você que me traiu com ele.–Ele me forçou. — gritei com raiva. — Em troca do tratamento de minha mãe naquele maldito hospital. E como você deve ter previsto, ninguém resiste a Jonathan.–Confesso que ele sabe seduzir. Mas você podia ter me traído com qualquer filho da puta em toda a face da terra, menos com ele!–Porque? Por que você o ama? É por isso né? Você ama seu irmão, sua doente. — desci as escadas e ela veio atrás.–Você não tem o direito de falar comigo assim.–Eu tenho! — gritei-lhe. — Vocês são nojentos, doentes e psicóticos. Se merecem, deviam até casar se as leis deste pais permitissem essas porcarias. — Jon levantou seu olhar azul para mim quando cheguei a sala. — Adeus.–Vai vadia, abre as pernas para o seu patrãozinho vai que ele te dá outro papel de bailarina. — gritou Talia. Antes de sair ainda me virei para ela sorrindo.–Eu prefiro abrir as pernas e saber que vou ser muito bem recompensada por isso do que viver debaixo do mesmo teto que vocês. — bati a porta e corri de volta para o táxi. Era fato, de que tudo havia acabado ali.
Notas finais
Voooou chorar falta mais um.
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