As três da manhã
39 Epílogo
Notas iniciais
Acabou...
Jonathan C.
–Oi. — falei quando esbarrei com Rebeca no shopping. Eu estava fazendo compras para o bebê, meu filho não. O de Talia.–Você é o Jonathan? — ela sorriu timidamente. — Rebeca.–Eu sei. — retribui o sorriso. — Estou fazendo compras.–Vai ser pai? — perguntou franzindo a testa. — Eu não sabia...–Não. — falei arregalando os olhos e ela riu. — Talia ta grávida, mas eu não sou pai! Não.–Então quem é o pai?–Acho que o amigo veado dela que se tornou homem de repente. — respondi.–George? — ela ficou surpresa. — Uau.–Eh... Agora eu tenho que cuidar de três crianças, ela, ele e o bebê.–Você deve saber cuidar das pessoa muito bem... Foi bom te ver Jon. Tchau. — ela já ia seguindo seu rumo.–Espera. Quer sair comigo algum dia desses?–Pela lógica feminina, quando um cara chama uma mulher para sair é porque quer ser mais que um amigo. Então eu vou aceitar.–Que bom, a gente podia ir jantar.–Sabe, depois daqui eu não vou fazer nada. — começou sorrindo. — Fala logo que quer me levar para a cama.–Eu quero te levar para cama. — falei e ela grudou seu braço ao redor do meu.–Então vamos.[...]Então, depois de pensar em todos os últimos meses estou aqui. Sentado como um velho aguardando o telefonema de Talia. Rebeca não para de comer sorvete com George digo Gustavo. Essa troca de nomes ainda me deixa confuso.–Eu acho Caio um nome bonito. — disse ela sorrindo. O anel de ouro em seu dedo anular brilhava principalmente por causa da pedra de diamante enquanto ela enfiava a colher de sorvete na boca. Percebeu que eu a olhava e fez o mesmo comigo.–Ser pai é tão difícil. — Gustavo esfregou sua testa. — E ela não me liga.–Relaxa. Vocês dois estão parecendo meu pai. — resmungou Beca. — Ela foi levar o bebê ao supermercado. Calma.–Ele acabou de nascer. — falei. — Não escolheram nem o nome do garoto e já querem levá-lo para passear.–Jon cala a boca. — Rebeca se levantou. — Vamos passar o Natal como uma família? Ou você prefere ficar ai resmungando?–Eu prefiro... — ela fuzilou-me com o olhar. — Nada. Tudo bem, o que você decidir amor.–Espero que seja assim mesmo. — ela foi para a cozinha retirar o Peru do forno. A porta da sala se abriu e Talia passou por ela com o bebê sem nome no colo.–Oi gente. — disse sorrindo.–Você me deixou preocupado. — Gustavo se levantou e pegou algumas sacolas que ela carregava. — Nunca mais faça isso.–Relaxa. O bebê gostou de passear. — disse balançando o coitado. — Já decidiram o nome?–Caio. — disse Gustavo beijando a testa do filho. — E pronto.–Só Caio? — indagou ela.–Gente o jantar ta pronto. — gritou Rebeca da cozinha. — Eu acho que queimei um pouco o Peru mas...–Hoje é natal. A maioria dos lugares estão fechados. — Talia passou Caio para o pai. — Então vamos realmente comer a comida dela?–Vamos. — me levantei da poltrona e segui meu rumo para cozinha sendo seguido por eles. — Amor?–Ai... — Rebeca mostrou o Peru em cima da mesa. A carne não estava só queimada, totalmente inútil. — Não tem nenhuma pizzaria aberta?–Eu vou ligar. — falei pegando meu celular. Talia e Gustavo riam. Era Natal e não tínhamos nada para comer.–Não se preocupem. Eu comprei macarrão instantâneo. — alertou Tay. Todo mundo negou com a cabeça.–É vamos passar fome. — sussurrei percebendo que o número da pizzaria estava desligado.–Relaxa... — disse Rebeca. — O importante é que estamos juntos.–Achei um pedaço de lasanha na geladeira. — gritou Gustavo. Todos os olhares da cozinha foram para ele.–Eu mereço aquele pedaço. — disse Talia.–Eu é que mereço. — falei.–Quem pegar primeiro ganha. — gritou Rebeca correndo na direção da geladeira.[...]–Amor? — Rebeca sentou-se a minha frente. Graças a uma pizzaria de ateus, tínhamos conseguido jantar. Talia e Gustavo haviam levado o bebê para o dormir e imaginei que descansariam também. — O que foi?–Nada. Só acho tudo irônico. Comecei a cuidar de minha irmã e a gente se odiava, agora a gente se ama.–Isso é bom. Vocês se entenderam. — disse deitando a cabeça em meu ombro.–E então ela terminou com Bianca.–Porque vocês transaram. — resmungou chateada.–Eu não amei a Bianca, nem nunca vou amar. Sabe porque? — perguntei acariciando seus cabelos castanhos. –Hum?–Porque sou casado com você agora e vamos continuar transando por toda a nossa vida. Ela riu e eu acompanhei. -Eu te amo.–Cada um com seus problemas.–O quê, esta me desprezando?–Não. Ninguém despreza você. — ela me fitou e continuou sorrindo. — Até que você é bonitinho.–Só isso... Depois de todo esse tempo de relacionamento você só diz isso?–Eu também te amo. — e colou seus lábios aos meus.Depois de toda a confusão eu nem contei o que aconteceu com Bianca. Ah sim... Ela conseguiu tudo o que queria, abriu muitas pernas para conseguir dançar e fazer carreira internacional, não que isso me preocupasse. Eu me sentia um pouco culpado de ter feito aquela garota bonzinha se tornar na maior vadia que conheci. Fazer o quê? A vida tem dessas coisas.
Quando acordei durante a madrugada, olhei para meu relógio de cabeceira. 03:00H. Tive que sorrir, senti as mãos de Beca por meu abdómen. Ela afundou a cabeça em meu ombro.–O que esta pensando? — ela perguntou.–A gente podia transar.–Claro, é só nisso que você pensa. — resmungou.–Não... — continuei fitando o relógio. Será que Bianca estava acordada naquele momento. — Em muitas coisas.
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