Notas iniciais
Acabou...

Jonathan C.

–Oi. — falei quando esbarrei com Rebeca no shopping. Eu estava fazendo compras para o bebê, meu filho não. O de Talia.

–Você é o Jonathan? — ela sorriu timidamente. — Rebeca.

–Eu sei. — retribui o sorriso. — Estou fazendo compras.

–Vai ser pai? — perguntou franzindo a testa. — Eu não sabia...

–Não. — falei arregalando os olhos e ela riu. — Talia ta grávida, mas eu não sou pai! Não.

–Então quem é o pai?

–Acho que o amigo veado dela que se tornou homem de repente. — respondi.

–George? — ela ficou surpresa. — Uau.

–Eh... Agora eu tenho que cuidar de três crianças, ela, ele e o bebê.

–Você deve saber cuidar das pessoa muito bem... Foi bom te ver Jon. Tchau. — ela já ia seguindo seu rumo.

–Espera. Quer sair comigo algum dia desses?

–Pela lógica feminina, quando um cara chama uma mulher para sair é porque quer ser mais que um amigo. Então eu vou aceitar.

–Que bom, a gente podia ir jantar.

–Sabe, depois daqui eu não vou fazer nada. — começou sorrindo. — Fala logo que quer me levar para a cama.

–Eu quero te levar para cama. — falei e ela grudou seu braço ao redor do meu.

–Então vamos.

[...]

Então, depois de pensar em todos os últimos meses estou aqui. Sentado como um velho aguardando o telefonema de Talia. Rebeca não para de comer sorvete com George digo Gustavo. Essa troca de nomes ainda me deixa confuso.

–Eu acho Caio um nome bonito. — disse ela sorrindo. O anel de ouro em seu dedo anular brilhava principalmente por causa da pedra de diamante enquanto ela enfiava a colher de sorvete na boca. Percebeu que eu a olhava e fez o mesmo comigo.

–Ser pai é tão difícil. — Gustavo esfregou sua testa. — E ela não me liga.

–Relaxa. Vocês dois estão parecendo meu pai. — resmungou Beca. — Ela foi levar o bebê ao supermercado. Calma.

–Ele acabou de nascer. — falei. — Não escolheram nem o nome do garoto e já querem levá-lo para passear.

–Jon cala a boca. — Rebeca se levantou. — Vamos passar o Natal como uma família? Ou você prefere ficar ai resmungando?

–Eu prefiro... — ela fuzilou-me com o olhar. — Nada. Tudo bem, o que você decidir amor.

–Espero que seja assim mesmo. — ela foi para a cozinha retirar o Peru do forno. A porta da sala se abriu e Talia passou por ela com o bebê sem nome no colo.

–Oi gente. — disse sorrindo.

–Você me deixou preocupado. — Gustavo se levantou e pegou algumas sacolas que ela carregava. — Nunca mais faça isso.

–Relaxa. O bebê gostou de passear. — disse balançando o coitado. — Já decidiram o nome?

–Caio. — disse Gustavo beijando a testa do filho. — E pronto.

–Só Caio? — indagou ela.

–Gente o jantar ta pronto. — gritou Rebeca da cozinha. — Eu acho que queimei um pouco o Peru mas...

–Hoje é natal. A maioria dos lugares estão fechados. — Talia passou Caio para o pai. — Então vamos realmente comer a comida dela?

–Vamos. — me levantei da poltrona e segui meu rumo para cozinha sendo seguido por eles. — Amor?

–Ai... — Rebeca mostrou o Peru em cima da mesa. A carne não estava só queimada, totalmente inútil. — Não tem nenhuma pizzaria aberta?

–Eu vou ligar. — falei pegando meu celular. Talia e Gustavo riam. Era Natal e não tínhamos nada para comer.

–Não se preocupem. Eu comprei macarrão instantâneo. — alertou Tay.

Todo mundo negou com a cabeça.

–É vamos passar fome. — sussurrei percebendo que o número da pizzaria estava desligado.

–Relaxa... — disse Rebeca. — O importante é que estamos juntos.

–Achei um pedaço de lasanha na geladeira. — gritou Gustavo. Todos os olhares da cozinha foram para ele.

–Eu mereço aquele pedaço. — disse Talia.

–Eu é que mereço. — falei.

–Quem pegar primeiro ganha. — gritou Rebeca correndo na direção da geladeira.

[...]

–Amor? — Rebeca sentou-se a minha frente. Graças a uma pizzaria de ateus, tínhamos conseguido jantar. Talia e Gustavo haviam levado o bebê para o dormir e imaginei que descansariam também. — O que foi?

–Nada. Só acho tudo irônico. Comecei a cuidar de minha irmã e a gente se odiava, agora a gente se ama.

–Isso é bom. Vocês se entenderam. — disse deitando a cabeça em meu ombro.

–E então ela terminou com Bianca.

–Porque vocês transaram. — resmungou chateada.

–Eu não amei a Bianca, nem nunca vou amar. Sabe porque? — perguntei acariciando seus cabelos castanhos.

–Hum?

–Porque sou casado com você agora e vamos continuar transando por toda a nossa vida. Ela riu e eu acompanhei. -Eu te amo.

–Cada um com seus problemas.

–O quê, esta me desprezando?

–Não. Ninguém despreza você. — ela me fitou e continuou sorrindo. — Até que você é bonitinho.

–Só isso... Depois de todo esse tempo de relacionamento você só diz isso?

–Eu também te amo. — e colou seus lábios aos meus.

Depois de toda a confusão eu nem contei o que aconteceu com Bianca. Ah sim... Ela conseguiu tudo o que queria, abriu muitas pernas para conseguir dançar e fazer carreira internacional, não que isso me preocupasse. Eu me sentia um pouco culpado de ter feito aquela garota bonzinha se tornar na maior vadia que conheci. Fazer o quê? A vida tem dessas coisas.

Quando acordei durante a madrugada, olhei para meu relógio de cabeceira. 03:00H. Tive que sorrir, senti as mãos de Beca por meu abdómen. Ela afundou a cabeça em meu ombro.

–O que esta pensando? — ela perguntou.

–A gente podia transar.

–Claro, é só nisso que você pensa. — resmungou.

–Não... — continuei fitando o relógio. Será que Bianca estava acordada naquele momento. — Em muitas coisas.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!