As linhas do destino.
1 Bem vindo ao inferno.
–Em algum lugar no Afeganistão-
Os barulhos dos carros correndo, o barulho dos pneus fritando, o estouro dos tiros, os gritos das crianças vendo seus pais caírem ao chão, a multidão correndo desesperada sem direção exata, escombros para todos os lados, sangue, casas desmoronando, Tudo fazia com que a cabeça de Lira chegasse num nível de mentalidade depressivo e estressado. Ela estava farta de tudo aquilo. Não aguentava mais ver as pequenas crianças perdendo seus pais tão cedo, ela não queria que aquelas crianças sofressem o mesmo que ela sofreu quando era mais jovem. Mas não.. Aquelas crianças sofrem muito mais. Elas veem seus pais caindo ao chão. Elas veem sangue. Lira perdeu os pais logo depois de nascer. Sua mãe morreu durante o parto, e seu pai, morreu do coração após receber a notícia e acabou sendo abandonada na frente de um centro especial de treinamento Americano. Alguns militares a escutaram chorar e foram correr para salva-la. O general acabou adotando Lira, fazendo-a treinar junto com os agentes de maior idade, mesmo Lira tendo apenas 4 anos. Com 7 anos, Lira já sabia falar 5 idiomas: Coreano, Português, Chinês, Espanhol e Japonês. Com 9, já sabia montar uma fogueira, uma barraca, se camuflar em todos os tipos de terreno, e montar e desmontar um fuzilM-16 de olhos fechados. Com 10 anos, sabia sobreviver 19 dias sozinha, no meio de qualquer tipo de terreno. Sabia extrair água de lugares inacreditáveis, achar comida em lugares impercebíveis. Com 12 anos, era uma máquina completa. Lira sempre foi tratada muito friamente pelo seu pai adotivo. Ele sempre dizia á Lira: "Nunca confie em ninguém. Nunca troque sua vida por outra. E se, algumas pessoas atrapalharem suas missões.. Simplesmente as mate. Mesmo se for a pessoa mais especial nesse mundo para você". Ela tinha muitas dúvidas, muitas questões sobre seu passado. Mas seu pai adotivo recusava-se a aprofundar o assunto.''Estavam havendo boatos que crianças estão se alistando no exército afegão. É uma notícia preocupante para mim. Mas como elas não iriam agir desse jeito?. Elas devem estar cheias de ódio no coração.. Se é que ainda possuem um. Deve ser revigorante poder estraçalhar quem estraçalhou sua família. Aqueles que te protegeram todo o tempo. Era compreensível.'' — Pensou. Seu equipamento era pesado. Muito pesado para aquele calor todo. Lira fora treinada para esse tipo de situação.. Mas nem ela aguenta. Os calores excessivos e desidratação pode ocasionar ilusões e alucinações. É muito perigoso para um soldado. Lira, na verdade não era um soldado comum. No centro de treinamento, existia uma escala de F á A e A+. F eram os piores, geralmente os recrutas. A eram os melhores, designados para missões especias fora do país. A+ eram as pessoas que poderiam escolher em qual missão iriam, como iriam, que equipamento iriam usar. Tinham privilégios que os recrutas morreriam de inveja. Na categoria A+ existia apenas Lira e mais um homem que treinava desde pequeno, assim como Lira. O nome dele era James. Ele e Lira se tornaram amigos muito rápido, e logo viraram irmãos de fé. Lira estava presa nos pensamentos sobre crianças entrando na guerra, no horror que elas iriam viver, encostada numa parede toda suja de sangue. Lira tinha decidido entrar nessa missão exatamente para poupar as pessoas de sofrerem dores.. Infecções.. Amputações. Ela acertava o tiro bem no meio da cabeça do alvo, não deixando nenhum rastro de vida. Enquanto estava perdida nos pensamentos, escutou um barulho de passos rápidos a sua direita. Ela virou-se rapidamente e apontou a arma em direção dos sons. Eram apenas duas crianças correndo de mãos dadas, com as camisas cheias de sangue, e seus rostos cheios de poeira, seus pés machucados por andarem descalços no meio dos destroços. Lira suspirou e baixou a arma quando viu a expressão deles. Ela conhecia muito bem. Era igual a de Lira quando ela viu o primeiro combate por um vídeo quando 6 tinha anos. Ela caminhou na direção das crianças, e elas estremeceram de pavor. Lira viu que não poderia se aproximar mais, e então procurou alguma coisas nos bolsos do colete. Ela sabia que tinha algo por ali. Poderia estar esmagado, mas era o que ela tinha. "Achei"- Pensou entusiasmada. Lira tinha encontrado um pão amassado que tinha achado na rua, e iria guardar para comer depois, mas não sentia fome. Jogou ele no chão, perto dos pés das crianças. Elas olharam com dúvida para Lira. Lira fez sinal com as mãos para pegarem o pão e sair correndo. Eles não pareciam entender, então Lira pegou a arma e mirou para o pão, e depois para uma casa abandonada que tinha do outro lado da rua. Ela sabia que la seria seguro, porque não estava marcado para explodir aquela parte. As crianças saíram correndo com o pão na mão, e quando chegaram perto da casa, voltaram-se para Lira e sorriram. Lira virou-se sorrindo sozinha.
Notas finais
Desculpe se o capítulo foi muito longo. Espero que gostem :3.
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