As e Os

5 Epílogo - Roda Gigante


Notas iniciais
Eu ainda não terminei com esse casal de estranhos ;)

Acho que você conhece a sensação da ansiedade pré-grande acontecimento. Passar o dia esperando que tudo dê certo pode ser estressante, cansativo e prejudicial à saúde, principalmente quando a noite inteira pode ir por água a baixo. Aspirinas, calmantes, remédios para dor disso e daquilo. A única coisa que resolve no final das contas é ver tudo funcionando perfeitamente, como colocar a última peça de um quebra cabeça depois de meses montando, como matar o boss no fim de um jogo ou ver seu projeto finalmente ganhar notoriedade. Passar noites acordado, esperando, torcendo para que as pessoas gostem do que você construiu e não reparem nos erros que você deixou passar.

Esses eram os pensamentos depressivos e confusos que cruzavam a cabeça de Gabe. Ele montara e mudara o figurino da noite cerca de quinze vezes, assim como fizera todo o roteiro imaginando todos os finais possíveis. Existiam milhões de coisas que poderiam dar errado, e muitas delas poderiam acontecer ao mesmo tempo. Ele se lembrou da noite do primeiro encontro e de como o que ele planejara dera errado, e mesmo assim, tivera uma ótima noite.

Gabi havia ajudado a convencer os pais que o casal tinha tudo para dar certo e que Gabe não era nenhum alien por ser gay, muito menos Kai. Foi uma adaptação difícil, que por sorte acabou com pouca resistência por parte do pai. No final, foi ele quem ajudou a preparar o filho para a noite especial. O seu menino estava pronto e tinha o direito de ser feliz, assim como qualquer outro.

A viagem acabara sendo para o primeiro parque de diversões que Gabi levara o irmão, em uma daquelas viagens malucas deles. Levou algum tempo até convencer os pais de Kai que tudo daria certo, porém acabaram os três juntos dentro do carro por quase quatro horas. Os planos de Gabe se concretizariam na roda gigante, quando os dois estivessem no topo. Não haveria discurso, ele queria ser rápido e prático.

— Meninos, eu vou comprar água e pipoca, alguém quer alguma coisa? – Gabi parecia empolgada para deixar os dois sozinhos.

— Não, eu to bem, obrigado. Quero ir na roda gigante, topa Kai? – Gabe esfregava freneticamente as mãos na calça e na jaqueta.

— Aceito um pouco de água, Gabi. Claro, onde é a fila? – a parte de cima do cabelo de Kai estava presa em um mini coque que Gabi o havia ensinado a fazer.

Os dois andaram até o pequeno amontoado de pessoas, esperando a sua vez. Gabe repetiu sua fala mentalmente umas quinhentas vezes, o mesmo tanto que girou a caixa dentro do bolso.

— Você não ta com calor? Eu sei que ta ventando, mas não ta tão frio assim.

— Eu to bem, sério. Agradeço a preocupação, só prefiro ficar assim – a preocupação o fez ter ainda mais certeza de que estava fazendo a coisa certa.

Assim que entraram no carrinho, Gabe tentou reunir coragem, só teria uma chance de fazer tudo dar certo como estava planejado. Ele tirou a caixinha do bolso, abriu e ajoelhou no pouco espaço que tinha.

­ – Eu sei que a gente ainda ta começando, mas meu amor por você é igual ao caminho dessa roda gigante, em uma direção, girando infinitamente. Kai, você quer namorar comigo?

Notas finais
Hey! Eu amo demais esse dois para deixar eles irem sem pelo menos um final feliz. Eu morro de fofura toda vez que eu tenho que fazer o Gabe passar vergonha com alguma cosa. Ele se enrola todo nas palavras e faz tudo errado. Tão eu. Era isso mesmo, galera, beijinhos. Vejo você no próximo, não morra até lá. Beijinhos de uma estranha.