As e Os
6 Epílogo da Gabi - Final Feliz
Notas iniciais
Desde que Gabe e Kai começaram a namorar, Gabi foi deixada de lado. Sua distração era conversar com o estagiário de matemática que o irmão a havia apresentado. Não o conhecia pessoalmente, a faculdade tinha tirado ela da cidade de novo e ele tinha que ir trabalhar na escola todos os dias. Existia a possibilidade de se verem nos finais de semana e nas férias. As conversas se estendiam por horas, de madrugada a mensagens de bom dia. Os dois grudavam no celular como se o aparelho fosse um marca-passo. As conversas eram dos assuntos mais diversos, entre eles se incluíam memes de matemática e direito. Ambos pareciam satisfeitos com a relação que tinham.
Gabi ficou de levar os meninos para a praia no feriado. Iriam na sexta de tarde e voltariam na noite de segunda, que seria recesso. Pensou em convidar o crush virtual, ficou em dúvida, então decidiu só comentar com ele. Preferia esperar até ter certeza. O problema é que a convivência é uma merda. Gabe pediu que Kai ajudasse ele a convencer o pobre estagiário a ir para pelo menos passar um dia com a irmã. A pousada em que eles iam ficar tinha quartos com camas de casais. Como o casal ficaria em um e Gabi sozinha no outro, Gabe pensou que talvez ela se sentisse sozinha e isolada. Deve ser algum transtorno familiar não deixar as pessoas solteiras.
Assim que entraram na estrada para as duas horas dentro do carro que iam passar, Gabe pediu para ir no banheiro do posto de gasolina na esquina do prédio onde Diego e mais dois amigos de faculdade moravam. Não havia sinal do estagiário em lugar nenhum. Mandou mensagem para o coitado, dizendo que eles tiveram que ir porque a irmã não sabia de nada. Não queria estragar a surpresa. Quando voltou para o carro, encontrou o namorado sentado no banco de trás, enquanto Gabi e Diego conversavam do lado de fora. A cara que Kai fez disse tudo o que havia para ser dito. Gabi iria arrastar a cara de Gabe por meio quilômetro de asfalto.
— Ei, Gabe. Você esqueceu de me contar que o Diego ia viajar com a gente? – Gabi nunca brigara com o caçula, mas parecia prestes a gritar com ele.
— Acho que sim, eu tava com a cabeça cheia. Mas eu sei que não tem problema, né? – ele esconder a cara de culpado e disfarçar. O olhar que a irmã fazia era pior do que o da mãe, já que uma bronca dela era bem mais rara do que as da mãe.
— Não tem problema porque a gente conversa a cada cinco minutos. Você achou que eu não fosse comentar nada com ela? Vocês dois são bem espertos. Espero que usem toda essa esperteza nas aulas avançadas na escola durante o resto do mês – o espirito vingativo do recente casal seria insuportável. Pelo lado bom, eles estavam se dando bem.
—Vamos comprar água e doce, fiquem aqui – Gabi e Diego saíram em direção a loja de conveniência.
— Quando ele chegou, eu juro que achei que ela fosse ter um ataque cardíaco. Então eles começaram a conversar como se já fossem íntimos, até se cumprimentaram com um selinho – Kai era um daqueles românticos antigos, que levava flores e chocolates. Gabe, ao contrário, preferia passar a noite acordado assistindo filmes e comendo tranqueiras debaixo da coberta.
— Deixa, assim eles se entendem melhor. Espera, eles se beijaram? Gabi não me contou que eles já se encontraram.
— Vai ver eles se encontraram e você não sabia. Acontece – Kai arrumou de novo a blusa, grande demais para ele.
— Não, não tem como. A Gabi passa os finais de semana fazendo trabalho de sociologia na casa da Sofia, dorme lá e eu sou muito otário. Eu deveria ter percebido antes. Toda vez que ela vem para cá, ela não vai fazer trabalho e sair com as amigas. Eu sou muito lerdo.
— É, eu sei que você é. Deixa eu ajudar então. Gostou da minha nova blusa? – Kai estendeu os braços e sorriu. Logo em seguida fez uma careta. Gabe olhou e corou.
— Eu sou muito otário, você ta lindo. É uma obra de arte, diva mais que a
— Seu esquisito – não houve beijo, só um tapa com a manga da blusa e um ataque de cosquinhas.
Gabi pagou a gasolina e Diego entrou no carro com duas sacolas cheias.
— Eu sei que vocês não deveriam ter feito isso, por que é errado. Então me desculpem por ter que fazer vocês irem por um mês nas aulas avançadas de matemática comigo na escola. Aqui – o mais novo membro da trupe (agora oficialmente) passou para o casal no banco de trás, duas garrafas de água, salgadinhos e três barras de chocolate.
— Você e ela já saíram antes? – Kai abraçava e ajeitava as coisas ao redor deles como uma criança. Talvez estivesse feliz como uma. Parecia um sonho virando realidade.
— A gente já tinha se encontrado umas duas vezes antes daqui. Durante alguns fins de semana, quando ela conseguia sair mais cedo da casa da amiga. Eu gosto da sua irmã, Gabe – Diego também soava alegre, mas não parecia tão infantil quanto Kai, principalmente pela barba que tinha no rosto.
— Pelo seu bem, espero que isso seja verdade – Gabe levou um cutucão nas costelas e um olhar risonho do namorado.
— Espero que as crianças estejam prontas para partir. Serão duas horas longas com esses dois estranhos, né não, Kai? – Gabi colocava o carro de volta na rota para a praia.
— Eu acho que meio que gosto desse esquisito. Ele parece bonitinho – Kai apertou as bochechas de Gabe e depois deitou em seu peito, como costumavam viajar. Gabe adorava pentear os longos cabelos dourados de Kai em seu colo, como estaria logo que Gabi chegasse na estrada e Kai dormisse.
— É, eu acho que gosto desse aqui também. Pronto para aguentar o casal meloso e a outra estranha que gosta deles?
— Me parece tudo o que minha mãe sempre sonho para mim – Diego pareceu uma boa pessoa desde que brincou com Gabe dois anos atrás, quando chegou na escola.
A longa e tediosa viagem de Gabi com o casal açucarado tornou-se uma viagem completa com o crush, quase como nos sonhos. Os detalhes sortidos ficaram entre os dois, mesmo que algumas semanas depois, Kai ficasse sabendo de tudo. Ele e Gabi tinham uma espécie de amizade especial. Ela contava sobre Diego e ele sobre Gabe. Assim como Gabe e Diego também se falavam, sobre quadrinhos, cinema e dicas sobre o temperamento instável de Gabi. Eram um quarteto de esquisitos felizes como crianças.
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