As desvantagens de ser um cupido
3 Capítulo 2
Notas iniciais
– Mãe, eu vou sair, ok? — perguntou a morena caminhando até a porta.
– Aonde você vai, filha? — perguntou a mãe temendo a resposta da filha.
– Lembra do Felipe? Vou àquele restaurante, onde sempre toco, com ele — respondeu Alice fazendo a mãe suspirar.
–Não acho que você deva sair com ele, filha! — Disse a loira fazendo a filha parar em frente a porta e virar-se para ela.
– Você sempre diz isso, de todos os garotos, mãe. Eu juro que não te entendo!
– Sou sua mãe. Meu trabalho é te proteger
– Sim, não me privar de ter encontros ou namorados! Afinal... Por que essa implicância? — Alice não entendia. De todos os garotos que namorou, não houve um que a mãe não tenha insultado.
– Não tenho implicância! Apenas não gosto desse garoto.
– Você não gosta de ninguém, mãe! — acusou Alice batendo a porta.
– Nossa! O que aconteceu? — perguntou o amigo logo que Alice saiu que casa.
– Minha mãe — respondeu a morena entrando no carro.
– Sei como é. Minha mãe era igual.
– Eu não entendo o porquê da implicância que ela tem. Se é que é implicância.
– Quando conheci a Sarah, minha mãe tinha essas mesmas coisas. Depois que começamos a namorar ela meio que "desistiu" — disse Mateus tentando acalmar a amiga.
Os dois se conheciam desde muito novos. Eram vizinhos quando pequenos e acabaram como amigos.
– Já que tocou no assunto. E a Sarah?
– Ela disse que achava melhor nos encontrarmos lá, não entendi — respondeu o amigo dando de ombros.
Sarah era a namorada de Mateus. Começaram a namorar há poucos meses atrás e mesmo sendo “novos”, não houve problemas.
– Vai tocar hoje? — perguntou o amigo se referindo às diversas vezes que a morena tocou no restaurante.
– Sim, talvez eu consiga esquecer essa briga estúpida.
...
– Vamos, temos que achar a Sarah — disse Mateus saindo do carro e entrando no restaurante.
Alice ficou submersa em pensamentos durante todo o trajeto. Sempre ouvira sua mãe e todos seus conselhos, mas desde o início do ano, quando começou a namorar, a mãe vem agindo estranhamente, tentando de todas as formas fazer com que a filha não se aproximasse e se envolvesse emocionalmente a alguém. Mesmo questionando a mãe por suas ações, não obtinha respostas, ou a mãe conseguia fugir do assunto ou algo as interrompida.
A filha tinha consciência de que já tivera uma quantidade consideravelmente grande para sua idade, de namorados, mesmo com 16 anos. A garota era frequentemente confusa com seus sentimentos e acabava agindo precipitadamente em meio à desordem de pensamentos, como aceitar pedidos de namoros, três vezes, em 11 meses.
A morena continuou a seguir o amigo, agora com o violão em mãos. O lugar era simples, tinha uma aparência rústica, mas possuía uma área onde eram preparadas as bebidas, como em um bar. Alice gostava disso.
Havia um corredor antes de chegar, de fato, no restaurante. Olhou mais a frente e percebeu Sarah junto a Felipe os esperando em sua reserva.
– Como vai a razão do meu viver? – Mateus aproximou-se da mesa e perguntou à ruiva.
– Melhor agora, palhaço – respondeu Sarah abrindo um largo sorriso.
– Você não cansa de ser linda, não?
– Mateus, chega – disse a ruiva levantando-se rindo e beijando o namorado.
– Olá, Sarah. Ei, Felipe – cumprimentou Alice sentando à mesa e dando um abraço em Felipe.
– Oi, Morena – respondeu o loiro sorrindo charmosamente para Alice.
– Vocês pediram alguma coisa?- perguntou Mateus sentando-se ao lado de Sarah.
– Pedi um suco que até agora não chegou. Vou lá ver – disse a ruiva levantando e caminhando em direção ao balcão.
– Então, vocês estão no final do 9° ano, certo? – perguntou Felipe aos dois amigos.
– Sim – respondeu Alice – e você faz o 1° ano do Ensino Médio, né?
– Certo.
Alice percebia um incômodo, não sabia se por parte do amigo ou por conta de Felipe. Parecia errado.
– Bom, eu vou tocar. Alguma sugestão de música? – perguntou a morena levantando, pegando o violão e dirigindo-se ao palco.
– Eu acho melhor você comprar uma vela para que eu possa segurar, por que aqui está muito frio — respondeu Mateus para que só a amiga ouvisse. Ele tinha percebido que o clima não estava dos mais agradáveis, mas o porquê ele também não sabia.
– Não conheço essa música — respondeu Alice afastando-se da mesa.
Enquanto tocava, observou a movimentação no local. E, pouco tempo depois de iniciar, dois colegas de sala chegaram. Eles estudavam juntos há tempos, atualmente, na mesma classe que ela. Não reparava muito neles, mas sabia que eram praticamente irmãos.
Quando entrou no restaurante e percebeu que Alice estava no pequeno palco do local tocando violão, Lucy não se surpreendeu, já ouvira rumores de que a morena se apresentava frequentemente no espaço, mas admitia que não naquele mesmo dia.
Guilherme havia convencido a amiga a sair de casa e "socializar", o que era apenas uma desculpa já que a loira era bem conhecida na classe e na escola por suas fotografias. Queria realmente, era apenas um tempo para que pudesse conversar sobre as ideias que tivera para se aproximar de Alice. Ficou nervoso no momento em que entrou e reparou na presença da morena. Nunca soubera ou suspeitava que Alice conhecesse o restaurante.
Enquanto adentrava o local observou melhor a garota. Ela tocava lindamente. Percebia-se que ela estava acostumada com o local, com certeza já vira outras vezes.
– Por que você não mandou que eu trouxesse a guitarra? – perguntou Guilherme pensando que seria uma ótima oportunidade de ser aproximar da morena.
– E o que foi que eu disse no momento em que você invadiu minha casa e me arrastou até o táxi?
Enquanto tinham essa breve discussão, Alice já acabara a apresentação e voltava para sua mesa. O moreno seguiu-a com os olhos e notou que à mesa havia, além de seu amigo e sua namorada, um garoto que nunca vira com ela ou na escola.
– Quem é aquele garoto? – perguntou o moreno a loira ao seu lado.
– Deve ser mais um que vai entrar para a lista de namorados da garota.
– Mais um encontro? Ela terminou um namoro há quatro semanas.
– Vai entender – respondeu a loira dando de ombros — Vamos para a mesa, eu não vou ficar em pé. Talvez eu encontre a Julyana e essa saída não seja totalmente inútil.
– Pare de mal- humor – pediu ao amigo.
Guilherme estava frustrado. Queria um tempo para pensar, junto com a loira, em como conquistaria Alice e não ficar tentado a focar sempre seu olhar nela quando virava o rosto. O tal garoto poderia ser interessante o bastante para Alice ingressar em mais um relacionamento e mesmo que Guilherme não tivesse controle sob os atos da morena, ele não queria e não deixaria que a menina se sentisse mal novamente depois de ter que terminar com o garoto por perceber que não gostava dele. Como aconteceu com todos.
– Lucy! Guilherme!
Os dois viraram e notaram Julyana se aproximando. A garota era amiga de Lucy desde que se mudou e ingressou na escola seis anos atrás.
– Ei, July! – Lucy a cumprimentou levantando para lhe dar um abraço.
– Você não tinha me dito que estava com enxaqueca? – perguntou Julyana estranhando, já que havia pedido à amiga que viesse ao restaurante com ela poucas horas atrás.
– E estou. Mas é meio que impossível você conseguir ficar em casa quando alguém a invade e te chuta dela – respondeu Lucy enviando um olhar irônico na direção do amigo.
– Tudo bem. Eu vou voltar para a minha mesa. Depois conversamos – disse July segurando um riso. Ela mais do que ninguém sabia o quanto os dois eram amigos.
Todo o momento em que Lucy e Julyana conversavam, Guilherme não tirou os olhos da morena. Ela sorria desde que descera do palco. Ela parecia estar gostando da noite e ele temia que do garoto também.
–Lucy.
– Oi?
– Vou te pedir um favor e você não poderá me negar – avisou o amigo sabendo da crítica que a amiga faria.
– Ai meu Deus. Diga.
– Você terá que estragar o encontro da Alice.
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