As crônicas de Nárnia - Nuvem negra

2 E ela surge dos mortos... Ou não!


Notas iniciais
Yo pessoas ;3
Vi que não foi muita gente a comentar o primeiro capítulo ç.ç Apareçam narnianoos!!

POV'S Lúcia

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Acordei sobressaltada. O quarto estava escuro. Suor brotava do meu rosto, minha garganta doía. Quando olhei para o lado, vi Rillian deitado e pulei.

– Está tudo bem – Ele disse rapidamente, passando seus braços a minha volta – Foi só um sonho. Você está segura.

Pisquei e olhei em volta. Eu não estou mais rodeada por neve, mas sim debaixo das cobertas da minha cama. O quarto cheirava a manhã e erva doce. Uma brisa leve e relaxante ondulava as cortinas, a pouca luz do sol passava por entre elas. Os ombros de Rillian estavam em torno dos meus. Os pés descalços dele encostaram em meus tornozelos.

– Pesadelo? – Perguntou ele – Você estava gritando.

Eu Hesitei.

– Estou bem – Decidi – Foi apenas um daqueles pesadelos estranhos.

– Você me assustou – Rillian apertou-me mais forte.

Esperei até que minha respiração voltasse ao normal, ouvindo o canto dos pássaros sobre a janela. Então, notei que Rillian estava com sua coroa torta sobre os cabelos.

– Você dormiu de coroa?

Ele colocou a mão na cabeça.

– Acho que sim – ele disse, sem jeito.

Debrucei-me para frente e o beijei.

– Você é tão estranho.

– Não tanto quanto você, senhora escandalosa – ele provocou.

– Engraçadinho...

Afastei preguiçosa o meu lado dos lençóis e levantei. A cor do céu era de um azul turquesa e os raios do sol caíam pesadamente sobre as árvores. Percebi duas silhuetas de cabelos do lado de fora, mas não me contive na obrigação de descobrir quem eram.

Perguntei ao Rillian se ele deixaria a preguiça de lado.

­– Mais dois minutos... – murmurou ele. Logo em seguida atravessei o vão da porta de madeira, rindo da sua graça da manhã.

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POV'S Narrador

Passando pelo corredor, sorridente, Lúcia avistou um "garoto" – como gostava de chamar o irmão do meio quando teimava de algo ­– de costas à ela, perto das escadas. Seus cabelos negros eram chamativos por cima da sua pele pálida. Quando Edmundo virou-se sorriu ao ver a irmã, mal arrumada e ainda sonolenta, atravessando o corredor estreito de Cair Paravel. Ele pensou em se aproximar, mas entrou na conclusão de ficar parado nas sombras do alto das escadas.

– Olha só! – afirmou Lúcia, ao se aproximar mais do irmão – Acordou cedo desta vez. Algo em especial?

Edmundo olhou a irmã com olhar repreensivo, mas depois o desfez. Ele era sim acostumado a acordar cedo, apenas não antes da garota. Abaixando os olhos respondeu:

– Na verdade, sim ­– Edmundo voltou a encarar a irmã, que continha seus olhos brilhando pela curiosidade – Rillian já acordou?

– Já, mas... – Lúcia parou, hesitando – O que há Edmundo!?

Antes que o irmão do meio pudesse responder, o mas velho apareceu entre as escadas, junto de seu primo, Eustáquio. Lúcia voltou a sorrir e Edmundo tentou conter uma careta. Quando avistado os dois irmãos ao alto, Pedro alegrou-se.

– Fico contente que já esteja acordada Lúcia! – O mais velho afirmou, virando-se então ao irmão ­– Já anunciou a ela?

Edmundo deixou escapar um grunhido, não nervoso, mas sim perturbado.

– Não.

– Aslam está aqui – Pedro foi direto, fazendo com que a irmã ficasse com o coração disparado –, e quer conversar conosco. Não sei sobre o que, mas parece importante – antes que a irmã fizesse uma pergunta, acrecentou: –, conversaremos depois do café.

Pedro pedira licença aos irmãos e dará meia volta, chamando para que o primo o seguisse. Lúcia pensou que ele tentaria um duelo com Eustáquio antes do café e, Edmundo, apenas pensou que o irmão iria tentar arrancar mais informações do leão.

– Rillian também vai estar junto? – perguntou Lúcia, voltada ao irmão do meio, quando os outros atravessaram a grande porta da frente.

– Possivelmente, Lú – Edmundo respondeu – Se o que Aslam quer é algum favor nosso, Rillian não o perderá por nada.

– Claro... – A garota sussurrou, lembrando de algo: – Kiara! Ela já acordou?

Edmundo sorriu.

– Sim, eu estava com ela. Kiara é ótima com arco e flecha, sabia?

– Imagino de quem ela tenha puxado a habilidade – Lúcia entristeceu-se, mas conteve-se, sendo rápida em sua afirmação seguinte: – Irei me trocar e avisarei ao Rillian que Aslam está aqui.

=:=

POV'S Lúcia

Depois do café nós nos reunimos perto da fonte do Jardim, encontrando Aslam e uma expressão hesitante.

– Sobre o que queria falar conosco, Aslam? ­– perguntou Pedro, apoiando a mão no cabo da espada que estava entre sua cintura.

– Sobre a irmã de vocês – todos me encararam, fazendo com que Aslam balançasse a cabeça – Susana – no mesmo momento meus irmãos e meu primo voltaram os olhos ao leão.

– Susana? – Edmundo semi-cerrou os olhos – fazem dez anos, o que há?

– Cometi um erro a dez anos atrás – Aslam começou – Houve sim o acidente, um ataque, mas a irmã de vocês sobreviveu. Ela foi tratada e quando estava em bom estado, podendo seguir a vida, ficou perdida. Os pais faleceram aos seus olhos e os irmãos sumiram sem deixarem nem se quer uma carta.

Vi a esperança invadir os olhos de meus irmãos.

– Deixei com que a irmã de vocês viesse para Nárnia...

– Por que não nos avisou sobre isso antes!? – Edmundo o interrompeu. Todos presentes voltaram os olhos para Ed, mas ele os ignorou.

– ...e durante o tempo ela mudou – Aslam continuou, não dando a importante para a revolta do meu irmão. – Susana precisa de vocês.

– O que quer dizer? – perguntou Pedro.

– A irmã de vocês fugiu dos meus cuidados e coisas estranhas começaram a acontecer desde então – respondeu – Alguém anda espionando os narnianos e pesadelos domam suas noites, coisas inexplicáveis. Alguns alegam verem nuvens negras por perto. Nuvens negras que se deixam guiar sozinhas. – e então terminou: – Gostaria que vocês investigassem isso. Pelo bem da irmã de vocês, que pode estar causando, ou sofrendo, de algo terrível.

– Partiremos hoje! – Pedro anunciou, surpreendendo a todos.

Meu irmão pediu-nos licença, não deixando com que ninguém negasse ou o contrariasse. Eustáquio o seguiu.

Decidi-me sair também, chamando Rillian para que me seguisse. No meio do caminho vi que Edmundo estava com os braços cruzados sobre o peito, ainda conversando com Aslam.
– O que está te preocupando? – perguntou Rillian.

– Como é?

Rillian aganchou o polegar no cinto e me jogou um olhar engraçado.

– Eu te conheço. Não está contente pela sua irmã estar viva?

– Sim, estou – respondi, rapidamente – Mas você não acha que Pedro está se precipitando? E Kiara?

– Kiara ficara bem, Lúcia – ele disse – Meus pais podem cuidar dela. Acho que a sua irmã precisa de você mais do que nossa filha, afinal, ela não pode estar tão segura quanto Kiara está.

– Tudo bem – sorri – partiremos hoje.

Notas finais
É isso aí!
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