As crônicas de Nojiko e Capiroto

3 Capítulo 3: Retaliação


Capítulo 3: Retaliação

Ela acordou e se viu deitada no quarto do hospital. Chegou a pensar que tudo aquilo tinha sido um sonho, mas olhou sua mão e a marca azul ainda estava lá. Uma enfermeira entrou e a viu acordada. Nojiko aproveitou que ela estava distraída e a golpeou com a bandeja que servia para colocar remédios.

Ela vestiu as roupas da enfermeira e colocou o crachá dela no peito. Pegou o corpo desacordado, arrastou pelo quarto e atirou da janela. A enfermeira caiu do terceiro andar e se espatifou no chão.

Com isso, Nojiko conseguiu sair do hospital sem ser notada. Quando ela estava na recepção, porém, viu na TV uma notícia sobre o massacre da Taverna onde informava que havia seis sobreviventes: quatro estavam envolvidos com o tráfico e estavam foragidos, um já estava preso e outra estava em coma.

– Isso não é possível… — Nojiko ficou pensativa.

Dentre todas as fotos dos sobreviventes que apareceram na TV (Grampeador, Erva Verde, Verona, Everest, July e a dela) ela não viu a foto de Karma em momento algum.

Nojiko então saiu pela rua e ficou sentada num banco enquanto pensava. Ela tinha certeza que Karma estava no bar Taverna no dia do massacre, chegou inclusive a vê-lo pouco antes de atirar o gás. Afinal, ele era atendente no bar e o seu cúmplice. Um dia antes tinha passado para ela o mapa e a cópia das chaves, além de ter prometido que ajudaria ela a escapar com vida. Ela foi até a banca de jornais…

Pegou o jornal que tinha fotos sobre o massacre estampadas e fez questão de ler o nome de todos os mortos, mas lá não constava o nome de Karma e isso só aumentou suas dúvidas. Será que ele teria escapado? Será que teria morrido? Logo em baixo, ela leu uma pequena nota onde falava que o único atendente do bar não tinha ido trabalhar no dia do massacre e estava desaparecido desde então.

– Desaparecido… mas eu vi aquele cretino lá! Ele me passou o mapa e ia me ajudar a fugir. Isso não é possível!

Em frente ao hospital havia uma confusão por causa do corpo da enfermeira que estava no asfalto todo ensanguentado. Logo chegou o socorro, a polícia e a imprensa. Um policial se aproximou de Nojiko e disse:

– Enfermeira você poderia nos aju… Ei moça, espera um segundo… você não é aquela que aparece na TV toda hora?

Nojiko não pensou duas vezes e deu um soco no policial, que caiu desmaiado. Ela conseguiu pegar sua arma e logo chamou a atenção de todos. Subiu na primeira motocicleta que encontrou e deu a partida de modo violento sem pensar muito em como aquilo poderia terminar. Os policiais atiraram na moto, mas as balas não acertaram Nojiko. Ela desviava e costurava os carros em velocidades superiores a 100 km/h. Logo sua foto apareceria como foragida também…

Nojiko dirigiu até sua casa. Pegou as chaves debaixo do tapete e abriu a porta. Não tinha ninguém em casa. Ela foi até o seu quarto e pegou outro revólver que estava escondido dentro do armário. Nele só tinha duas balas.

– Nojiko, você já está bem! – alguém apareceu atrás dela.

Era a tia dela, dona Fermilina. Nojiko sempre detestou a tia, que só sabia perguntar de namoradinhos e quando ela voltaria a estudar.

– Que bom que você está viv…

Antes que a velha pudesse terminar a frase Nojiko sacou o revólver e deu dois tiros na cabeça dela.

– Já eu não posso dizer o mesmo de você titia querida, FILHA DA PUTA. Do jeito que é trouxa deve ir para o limbo! Essa carniça!

Nojiko escondeu o cadáver no quarto do irmão mais novo com a intenção de fazê-lo ir preso por assassinato. Depois ela saiu de casa (deixando a porta aberta) e foi para casa de Karma. Antes de sair pegou um facão. Chegando lá, só a mãe dele estava e confirmou que ele estava desaparecido já fazia uns dias. Ela então resolveu ir para o cemitério e resgatar o corpo de Natasha como havia prometido para Luz.

A gangue do Erva Erve também estava indo para o cemitério para vender umas drogas e se distraírem um pouco e o encontro com Nojiko era inevitável. Nojiko chegou lá às 6 da tarde, viu a gangue vendendo crack e decidiu se drogar para poder ganhar forças na hora de resgatar o corpo de Natasha do rio.

Ela comprou algumas drogas de Everest e ele ofereceu um pouco de uísque para ela. Quando July se aproximou junto com Grampeador as coisas ficaram pretas.

– Vocês não estão reconhecendo essa garota de cabelo azul, pessoal? – disse Grampeador, mas ninguém se lembrou – ela é a maluca que tentou matar a gente naquele dia na Taverna…

– O que? Quem são vocês? – Nojiko percebeu que estava seriamente enrascada quando se lembrou das fotos que havia visto no jornal mais cedo e percebeu que eles eram as mesmas pessoas, os sobreviventes do massacre na Taverna.

– Sim! É a vadia em pessoa! – disse July se aproximando de Nojiko – se não fosse o Karma a gente teria morrido! E graças a ela mandaram meu “Ervinha” pra cadeia.

Tudo aconteceu muito rápido a parir daí. Nojiko olhou rapidamente para a cintura de todos eles e deu alguns passos para trás. Verona e Everst sacaram um revólver cada um e Nojiko rapidamente agarrou o pescoço de July e podia matá-la com o facão a qualquer momento.

– Solta a July agora sua vagabunda! – gritou Verona.

– Só diga para a gente porque tu fez aquilo? –perguntou Everest ainda apontando o revólver pra ela – a gente era parceiro no reformatório Nojiko, eu fiquei revoltado com você!

– O passado é passado Everest. Agora você tá com essa loira oxigenada e eu sou AMANTE DO DEMÔNIO! Mas eu quero saber!! Onde que tá o Karma? E que história é essa que ele ajudou vocês a fugirem de lá? Nos jornais falava que nem lá ele estava!

– Mas é claro que ele estava lá sua burra… e que história é essa de demônio? Tá tão drogada que nem sabe o que fala! – disse July ainda sufocada na garganta, pelo facão de Nojiko.

– TODO MUNDO PRO CHÃO! TODO MUNDO PRO CHÃO! OU EU CORTO A JULGULAR DESSA CACHORRA AGORA! NÃO ME OUVIRAM?!! – Nojiko estava severamente alterada.

Todos eles foram se abaixando e por último se abaixou Grampeador… sempre calado e pensativo, ele não dissera uma única palavra. Quando ele se abaixou, atirou uma faca que acetou o pé de Nojiko e a fez se distrair a tempo de Everest mandar bala no outro pé. Nojiko esfaqueou a garganta de July e os amigos ficaram sem reação ao perceber que July estava morrendo engasgada com o próprio sangue. Os outros drogados fugiram dali ao ver a confusão. Logo Nojiko foi capturada e rendida.

Verona e Everest prenderam Nojiko em uma cadeira com uma corda. Verona pegou uma barra de ferro e a agrediu violentamente, fazendo ela perder um ou dois dentes no processo. Sangue jorrava por todos os lados. Depois da sessão de pancadaria gratuita, Everest a desamarrou da cadeira e rasgou a roupa dela.

Ele estuprou Nojiko com um pênis de borracha de 30 cm por todos os orifícios, inclusive chegando a cutucar o útero, e nesse momento ela sentiu que ia morrer sem poder completar a missão de salvar Natasha e viver seu amor com Luz.

Por fim, Verona segurou nos cabelos de Nojiko e a arrastou por todo o terreno, ela sentia seu couro cabeludo sangrar. E realmente não sabia como estava suportando toda aquela dor física. Queria estar morta. *Isso é para você aprender a tentar matar a gente envenenado, sua cadela!* gritava Verona.

Eles foram embora e deixaram Nojiko apodrecer à própria sorte banhada em seu sangue. Nesse momento, Nojiko achou que morreria novamente, mas escutou alguém se aproximar dela depois de uns minutos de silêncio. Sentiu os dedos dele tocarem sua pele e suas feridas começaram a se curar.

– Nojiko, o corpo de Natasha está aqui perto. Parece que você se meteu em uma baita confusão não é? Pois bem, agora é hora de cumprir o nosso trato e resgatá-la.

– Luz… você veio me salvar! – ela disse pensativa — Sim, vou recuperá-la para você, mas antes…

– Eu sei o que você quer saber – ela observou a face de Luz na penumbra e ele parecia mais exuberante do que nunca – aquele que te ajudou e depois te traiu não era o Karma. O verdadeiro Karma está morto. Aquele é o “Segundo Pilar” do conselho, que está usando você para começar uma guerra pelo controle da Sociedade dos Demônios.

Nojiko não deu muito atenção para as palavras de Luz, ainda envolvida em seus problemas humanos.
– Luz… você prometeu me dar poderes, e eu precisarei deles agora. O Karma pode ter morrido… mas eu ainda quero… VINGANÇA!

TO BE CONTINUED