As crônicas de Nojiko e Capiroto

4 Capítulo 4: Infiltrada


Após se recuperar totalmente, Nojiko finalmente resgatou o corpo de Natasha do rio. Luz avisou que demoraria algumas horas até que a alma dela voltasse à configuração original e por isso ele a levaria ao hospital. Luz se transformou em outra pessoa e avisou a Nojiko que voltaria em algumas horas. Ela o lembrou de que precisava se vingar da gangue de Erva Verde, e para isso precisava dos poderes que ele havia prometido dar a ela.

– Pois bem, Nojiko – ele dava um sorriso simpático – eu vou ser um bom ‘gênio da lâmpada’ e te conceder apenas três poderes, para evitar que você apronte o caos por aí. Mas lembre-se, seja rápida, pois antes do por do sol nós voltaremos para o inferno: eu, você e Natasha.

– Tudo bem eu já compreendi. Mas depois quero que me explique que história é essa de guerra? O que o Layon tem haver com isso?

– Falaremos sobre isso depois. Agora vá em frente e diga o que vai ser – ele aguardou enquanto ela pensava sobre o que queria.

– Em primeiro lugar eu quero ter total invulnerabilidade. Em segundo, quero que isto – ela ergueu o revólver que tinha pegado com o policial – tenha um número infinito de balas, não importa quantas vezes eu atire.

– E em último? – ele insistiu.

– Isso aí que você acabou de fazer… eu quero ficar fisicamente igual a UMA CERTA pessoa. Tom de voz, roupa, tudo idêntico – nesse momento Luz compreendeu onde Nojiko queria chegar…

Luz concedeu os três pedidos de Nojiko e partiu. Nesse momento, ela se olhou no espelho e aparentemente tinha gostado do resultado. Começou a rir diabolicamente.

(…)

Os jornais e os noticiários de todo o país mostravam que o traficante Erva Verde e Falcão, seu parceiro de cela, haviam escapado da prisão durante uma rebelião dos detentos e estavam foragidos. Fotografias dos dois passavam na TV a todo o momento.

Erva Verde e Falcão haviam roubado um carro e estavam indo por estradas desertas, tentando chegar até o local onde provavelmente estariam seus companheiros. O local em questão era a cabana onde Nojiko estava com Luz até uns minutos atrás, mas ele não suspeitava disso. Ele havia ficado sabendo da morte de July pelo rádio do carro e estava extremamente revoltado, queria encontrar seus comparsas para ir atrás do assassino de July. Além disso, precisava acertar contas com Erva Verde por ter facilitado para que a polícia acabasse capturando ele.

– O carro está quase sem gasolina brow – Falcão interrompeu os pensamentos e planos dele – precisamos abastecer.

Ali perto havia um posto de gasolina. Eles pegaram os revólveres, colocaram um chapéu preto e óculos escuros. Falcão foi abastecer o carro e Erva Verde foi até o caixa da lanchonete. Ele ameaçou a atendente com um revólver e a fez entregar seu celular. A atendente estava muito nervosa mas tentou não transparecer. Ele discou o número de Verona e o celular começou a chamar.

Nesse momento alguém deu um chute na porta do banheiro com o pé, por dentro, como se fosse para abri-la. Todos se assustaram com aquilo. Erva Verde olhou rapidamente para a direção do barulho e de entro do banheiro saiu um encapuzado que se vestia totalmente de preto. Erva Verde apontou o revólver para ele e atirou sem hesitar. A atendente do caixa se abaixou e todos os clientes saíram correndo ao ouvirem o barulho ensurdecedor dos tiros.

Falcão foi até lá para ver o que estava acontecendo e viu Erva Verde com a arma apontada para o banheiro e o encapuzado caído no chão, morto. Erva Verde se aproximou do cadáver e se abaixou.

Quando ele retirou o capuz viu um homem exatamente idêntico a ele, com um grande sorriso nos lábios. Erva Verde se assustou ao ver uma cópia exata de si mesmo, se desequilibrou e caiu. Nesse momento o encapuzado, que incrivelmente ainda estava vivo, sacou o revólver e deu vários tiros em Erva Verde. Falcão não acreditava no que via. Tentou atirar no encapuzado, mas ao invés de morrer, ele se levantou e contra-atacou. Falcão levou um tiro dele e fingiu estar inconsciente.

Aquela cópia do Erva Verde era Nojiko disfarçada, agora com um revólver com balas infinitas e com um corpo totalmente invulnerável. Ela pegou o celular que Erva Verde estava usando, discou novamente para Verona e se passou por ele. Nojiko (disfarçada de Erva Verde) combinou um encontro com eles. Ligou o carro que Erva Verde havia roubado usando um grampo de cabelo e fugiu dali para ir ao encontro de Verona, Everest e Grampeador.

Nojiko seguiu as instruções de Verona pelo telefone e dirigiu até outra cabana fora da cidade. Quando chegou lá se encontrou com os três. Eles ficaram muito felizes sabendo que ‘Erva Verde’ havia conseguido escapar (ou não) e o receberam bem. Deram a notícia da morte de July e Nojiko teve que fingir tristeza enquanto na verdade ria por dentro ao lembrar-se de como July se debatia engasgando no próprio sangue. Everest contou para ‘Erva Verde’ sobre como ele tinha ele tinha castigado Nojiko por ter matado July e também comentou que Karma estava desaparecido desde o dia do incidente na Taverna.

Eles conversaram durante algumas horas e Everest disse que estavam planejando fugir para o México até as coisas se acalmarem e que as passagens com passaportes falsos já estavam inclusive compradas. Durante todo o momento Grampeador não parava de encarar Nojiko e fazer perguntas para ela sobre como havia sido a fuga, com precisão mínima de detalhes.

Todos se preparam para dormir e Erva Verde (Nojiko) foi ao banheiro lavar o rosto. Lá ele se encontrou com Grampeador.

– Ainda acordado Grampeador? – disse Nojiko.

– Eu durmo tarde todas as noites… você se esqueceu disso enquanto estava preso?

– Não… é só que… é-e que a gente vai viajar e eu pensei que hoje você dormiria cedo – Nojiko deu a melhor desculpa que encontrou, mas aparentemente estava nervosa.

– Você sempre fica nervoso e gaguejando quando está aprontando alguma coisa – nesse momento Grampeador começou a lavar o rosto e era impossível saber se ele estava blefando ou não, mas aí Nojiko lembrou que ninguém poderia suspeitar dela.

– Deixe de besteira homem, eu só estou um pouco abalado pela morte da July.

Nojiko saiu do banheiro rapidamente e se trancou no quarto. Ela esperou as horas passarem por uma longa noite enquanto pensava na expressão de felicidade que Luz havia feito quando sentiu que Natasha ainda respirava. Sentiu-se triste por não ser correspondida…

Quando já era tarde o suficiente ela pegou seu revólver e destrancou a porta devagar. Foi até o quarto de Verona e Everest. Por sorte, a porta estava apenas encostada. Eles dormiam numa cama de casal enorme e Everest roncava muito alto. Ele estava de boca aberta babando e Nojiko apenas colocou o revólver perto da abertura da boca dele e puxou o gatilho. O barulho do tiro rapidamente acordou Verona.

– FICA PARADA AÍ SUA CADELA! FICA PARADA! – Nojiko disfarçada apontava a arma para Verona.

Verona deu um grito alto quando percebeu que Everest estava morto e a cama estava repleta de sangue. Ele havia morrido de olhos esbugalhados com o susto da morte instantânea. Ela entrou em pânico e tentou reagir, mas Nojiko atirou no pé dela e a impediu de se mexer. Ela saiu e trancou Verona lá dentro.

Nojiko andou pelos corredores procurando Grampeador, mas não teve nenhum sinal de vida dele. Foi lá fora e viu que a motocicleta dele não estava mais perto do carro de Everest, onde ele havia deixado. Ela decidiu que procuraria por ele depois e votou ao quarto para acabar com Verona. Abriu a porta e a encontrou no chão tentando se arrastar.

– Porque você está fazendo isso Erva Verde? – ela gritava e chorava – o que foi que eu te fiz?

– CALA A BOCA! CALA A BOCA! XIUUUU! Sua corna! – Nojiko ria diante do desespero dela.

Ela correu até a dispensa, pegou o galão de gasolina e começou a atirar pelo quarto inteiro. Em seguida, botou fogo no quarto e saiu dançando Gangnam Style pelo corredor enquanto escutava os gritos de Verona morrendo queimada. Ela foi para o lado de fora da cabana e ficou escutando Verona até o último grito de desespero, enquanto tomava um bom Champagne.

Ela continuava rindo e se divertindo, entretanto quando se virou deu de cara com Grampeador. Ele tinha uma arma apontada para ela.

– Você não é o Erva Verde. Jeito de falar, jeito de agir… tudo é diferente, menos a aparência. A única coisa que você é agora… é um homem MORTO.

Ele disparou, mas, como esperado, a bala não fez nenhum efeito. Ele ficou espantado e Nojiko abriu aquele sorriso diabólico de sempre. Ela se preparou para atirar, mas nesse momento sentiu algo errado com o seu corpo. Estava se desmaterializando…

Nojiko estava de novo dentro da Sociedade dos Demônios. Ela olhou para um lado e para o outro sem entender nada por alguns segundos. Sua aparência física deixou de ser a de Erva Verde e o revólver se dissolveu. Havia uma plateia enorme com outros demônios a observando. À sua esquerda estavam Lilith e Layon, os outros Dois Pilares (chefes da Sociedade dos Demônios) e sua direita estavam Luz e Natasha, cercados por vários outros demônios. Nojiko percebeu que Luz estava com as mãos presas e Natasha parecia não viva.

– Chegou quem faltava Luz! Se eu não me engano o nome dela é… Nojiko – disse Layon, e o silencio tomou conta do ambiente.

TO BE CONTINUED

Notas finais
O PRÓXIMO CAPÍTULO SERÁ EXTRA E VAI EXPLICAR MELHOR O CONTEXTO DA HISTÓRIA.