As crônicas de Meetos

1 William - Lone Rider


Notas iniciais
Bem galera, como funciona os capítulos... Cada capítulo mostrará a "visão" de uma pessoa. Quando estiver, por exemplo, "William" no título do capítulo, quer dizer que o capítulo se tratará dele, e etc.

–O mundo está mudando. -Dizia o senhor enquanto era empurrado por dois homens armados. -Passou-se a época em que os jovens respeitavam os mais velhos. A época em que senhores eram ouvidos, em vez de acorrentados. -Prosseguiu o senhor, ignorando as lanças apontadas a ele e às correntes que selava seus braços em sua costa.

–Você deu sorte, velho gordo. A maioria dos senhores de terras são mortos assim que são capturados. Se sinta sortudo por ainda estar vivo. -Respondeu um dos homens enquanto chutava o senhor, forçando-o a ir mais rápido.

–Não sei se estar vivo é algo de se alegrar em tempos como esse. Poderiam ao menos dizer para onde estão me levando? E por que precisam de mais de cem cavaleiros para me escoltar? Acredito que dois seja suficiente, concorda?

–Você sabe por qual motivo está sendo levado, e também sabe que cem cavaleiros ainda são insuficientes para esse trabalho. -Disse o segundo homem, que mantivera calado a viagem inteira.

–Ora, você sabe falar, que surpresa. Poderiam pelo menos me dar um dos cavalos, como vocês bem sabe eu já não tenho o mesmo preparo físico que vocês. Minhas juntas doem. -Prosseguiu o senhor. -Ou ao menos parem de me bater! -Agora gritava enquanto os guardas o chutavam.

Havia três horas que saíram de Bravenswood. O céu estava ainda claro quando se instalaram em uma vila pequena, formada por algumas casas e um estaleiro para não mais que vinte dos cem cavaleiros que se encontrava na escolta.

Para William não foi dado mais do que alguns fenos para a sua cama.

–Pensei que ao menos eu teria uma cama. Vocês são péssimos em atender a necessidade de um senhor/prisioneiro. Denunciarei vocês ao rei.

–Você tem sorte de não dormir junto com os cavalos, e um feno é muito mais que um traidor merecia. -Respondeu Sor Bravos, um dos dois guardas que acompanhava William, dia e noite, sem o perder de vista.

–Bem, acredito que sorte seria se eu pudesse dormir com eles. E novamente, eu não sou um traidor. -Exclamou William, com insatisfação em seu rosto

–Todos que são próximos aquele Cavaleiro Solitário são inimigos perante os olhos do rei.

As chamas dos archotes iluminavam a vila. Metade dos soldados dormiam, enquanto a outra metade montava guarda ao redor da vila. Dentro de um quarto pequeno, na única casa em que era rodeada por outras, se localizava, no segundo andar, William e mais 8 guardas.

Sor Bravos e outros dois guardas estavam acordados. Sor bravos estava sentado em sua cama, amolando sua espada com uma pedra, enquanto os outros dois residiam em pé ao lado da porta, apoiando-se em uma lança. Devido ao som da espada sendo afiada vindo de Bravos, William tivera dificuldades para dormir. O quarto estava fortemente iluminado por quatro lamparinas, uma em cada parede.

Três batidas na porta prenderam a atenção de William. Três batidas!? Os guardas combinaram de bater apenas duas vezes, com uma oscilação de três segundos entre a primeira e a segunda batida. Quem está batendo não é um guarda. Será que...

Os outros cinco guardas que dormiam foram acordados sem fazer muito barulho pelo Sor Bravos, e desajeitadamente se puseram em pé enquanto brandiam suas espadas e adagas. Mais três batidas, desta vez mais forte e acompanhada por “Abra a porta, sou eu, Mondrick” vieram. Os guardas trocaram olhares e, depois de algum tempo, um dos guardas que protegia a entrada abriu a porta.

–Por que demoraram tanto para abrir essa maldita porta!? -Gritou Mondrick, o líder do pequeno exército encarregado da escolta de William. -Da próxima vez tratem de serem mais rápidos. -Continuou Mondrick, enquanto entrava em passos largos no quarto. -Por que diabos esse homem tem onde dormir? Um traidor não merece um espaço para dormir! -Mondrick caminhou em direção ao William que estava dormindo e, aos chutes e praguejo, o acordou.

–Senhor, demoramos para abrir a porta porque o senhor bateu três vezes na porta, e era duas. -Disse um dos guardas que protegia a porta, gaguejando e hesitando a cada palavra.

–Foda-se o tanto de vezes que eu bato na porta. Vá para o inferno você e essas merdas de batidas. -

Mondrick foi respondido com uma olhadela para o chão do homem, e com um murmúrio de “Lamento”.

–É bom que lamente mesmo seu bastardo, pois da próxima vez que ousar me responder, eu... -Antes que Mondrick pudesse terminar de responder o homem, uma pequena adaga atravessou seu pescoço, tendo a ponta da lâmina amostra na nuca, enquanto seu punhal aparecia na frente.

–O homem está certo seu idiota, é duas batidas, não três. Até eu que não fui informado da tática sei que são duas.–Disse uma voz vinda do corredor em frente ao quarto. Em seguida, um homem tão alto que mal passava na porta, trajando todo negro adentrou o quarto.

–Olá senhores, me desculpe pela intromissão. -O homem pegou duas facas que se encontravam cada uma em um lado de sua cintura, e as enfiou nas gargantas dos homens que protegiam a porta. -Tchau senhores.

–Lixo solitário! -Gritou Sor Bravos ao brandir sua espada que a afiara a poucos momentos atrás. -Hoje você dormirá no inferno!

–Senhor, é Cavaleiro solitário, tente não se esquecer mais. Isso me entristece um pouco. -Respondeu o homem alto, enquanto rasgava a barriga de um homem com a espada de duas mãos que retirou de sua costa. -Mas não ligue. Logo você não precisará se preocupar com isso. -Continuou o homem, enquanto cortava outro homem, dando a costa para o que caía com as mãos na barriga na superfície do corte. -Quatro se foram, quem é o próximo? Lembrando, o senhor que errou meu nome será o último. Então, será você? -Se direcionou para o homem que tentou o atacar com uma espada longa, em um corte na diagonal.

A espada de lâmina negra, em detalhes de branco que dava forma a chamas transpassou o estômago do cavaleiro, antes que o mesmo pudesse completar seu ataque. Logo em seguida, dois homens vieram de direção oposta.

Chutando o peito de um, o homem cortou o pescoço do outro na horizontal, fazendo jorrar uma cachoeira de sangue pelo ferimento, logo continuou o ataque, girando sua espada tão rápida em direção ao homem que foi chutado, que não deu chances ao mesmo de revidar, também tendo sua barriga cortada ao meio pelo homem alto de vestes negra.

Ele manuseava sua espada como se a própria fosse uma extensão de seu braço. Seus movimentos pareciam uma sombra da qual era impossível de se desviar. O quarto agora se encontrava colorido de vermelho. O cheiro de sangue era suficientemente forte para causar náuseas a uma pessoa desacostumada. A lâmina, longa e negra, agora se encontrava coberta de vermelho. A espada apesar de grande, era suficiente leve, assim como uma espada de uma mão, a lâmina tão fina a ponto de quase desaparecer ao ser colocada em frente. Seu punhal era suficientemente grande para que as duas mãos do homem coubesse nela, e era todo revestido de um aço cinza escuro com relevos mais claros, formando espécies de ondulações, tornando o punhal mais áspero.

Sor Bravos estremeceu ao ver a cena, e dando um passo para trás, largou sua espada e sentou-se em sua cama.

–Por favor, não me mate. -Choramingava agora, com o medo da morte em seus olhos.

–Você assustou o homem, Joe. -Disse William, acompanhado de uma gargalhada alta.

O homem se aproximou de Bravos, com gotas de sangue pingando da ponta da lâmina de sua espada. -Não há piedade para quem maltrata meus amigos. -A cabeça de Bravos separou-se de seu corpo com o corte de Joe e parou no chão em frente ao seu corpo, depois de quicar na cama em que se sentava.

–Você é cruel, homem. Ele já havia desistido de sua vida, não precisava matá-lo. -Novamente William soltou uma gargalhada.

–Era ele ou nós, não se esqueça que ainda tem noventa homens lá fora, e essa sua risada alguma hora nos entregará a eles.

–Me desculpe. Mas me diga, como entrou aqui sem que todos esses inúteis te visse ou te ouvisse?

–Como você mesmo disse, inúteis. Agora vamos, antes que os inúteis venham aqui.