As crônicas de Meetos
2 Brandom - The war is coming
–Senhor, faz-se quarenta dias que não paramos em algum lugar. A tripulação está farta de comer peixarias. Eles querem mulheres senhor. -Jack era um homem magro e alto, levemente corcunda, com suas pupilas tão negras quanto seu cabelo. Em sua boca, o dente dourado atraía atenções.
–As terras estão sombrias Jack. O mar é a única coisa em paz. -Respondeu Brandom, capitão do navio. Era menor que Jack, porém mais encorpado. Seu cachecol branco, cinzento por não ter sido lavado a tempos era sua maraca registrada. Em terra, Brandom era conhecido como o pirata Branco. Muitos dizem que era por causa do cachecol, outros culpavam o navio, por ser do branco mais puro conhecido.
–Sombrio ou não, lá tem carne. Não podemos viver para sempre no mar, senhor. Até você começou a perder força. Logo poderemos mudar nosso nome para os homens-esqueletos. -Jack era a mão direita de Brandom, sendo o primeiro tripulante dele, era o que tinha mais chances de mudar os pensamentos de Brandom. -Por que você insiste em permanecer no mar?
–A guerra muda a cabeça das pessoas, Jack. Olhe para meu braço direito, esta queimadura. Isso é a lembrança de como a guerra chama o homem. O quanto pudermos se distanciar dela, melhor. -Disse Brandom, enquanto acariciava seu braço, percorrendo seus dedos pelas cicatrizes que cobriam parcialmente seu braço.
–O que aconteceu com seu braço foi um acaso. Ninguém poderia imaginar que justo no dia em que você foi visitar sua irmã, Jon Carryn invadiria a ilha de Meetos. -Respondeu Jack, com tristeza em suas palavras.
Falar de sua falecida irmã deixava Brandom triste.
–Não tenho medo de perder alguém, Jack. Tenho medo de peder a sensatez, e buscar vingança contra aquele rei maldito. -Respondeu Brandom, enquanto admirava o infinito mar em sua frente.
–Querer vingança pode até não ser tão ruim. Os homens de Traatos descobriram sobre o que acontece em Meetos. Não terá como escapar da guerra senhor. Você bem sabe que logo teremos outro conflito mundial. O mundo guerreará, nem o mar poderá nos livrar.
–Traatos atacar Meetos? É mais fácil ver nosso barco voando. Para atacar Meetos, teriam que passar por Teentos, e mesmo que consiga, sua força será tão fraca quanto a de uma formiga contra um leão.
–Enfim, uma coisa é certa. Se não ancorarmos em algum lugar para abastecermos, morreremos antes de ver o inicio disso tudo. -Jack disse, enquanto encarava a costa de Brandom.
–Apenas uma noite, nada mais.
–Será suficiente. -Disse Jack, agora com uma satisfação em sua voz.
O sol estava quase se pondo quando desembarcaram em um porto de uma vila de porte razoável. Era uma vila extensa, mas com poucos alojamentos. Uma fortaleza de pedras se destacava entre as casas no meio da vida. Uma muralha de aproximadamente quatro metros cercava o castelo de dois andares.
–De que lado eles estão? -Perguntou Jack, esperando pela resposta de seu capitão. -Aposto cinco moedas de ouro que são do lado de Bhotton.
–Por que acha isso? Eles podem muito bem ser da parte da união protestante. -Respondeu Brandom, enquanto descansava sua mão no punhal da espada que se localizava em sua cintura.
–Se eles fossem da União Protestantista, já estariam agora com outras vilas, planejando um ataque. Eles são a favor do rei, e estão aqui para atrasar a invasão do Norte.
–Como se uma vila pudesse impedir algo. Acredito que estão aqui esperando o início da guerra. E atacarão assim que ela der início.. -Respondeu Brandom, acompanhado de um sorriso de vitória em seu rosto.
–Tem certeza disso? Suas cinco moedas estão em jogo. -Caçoou Jack.
Brandom e sua tripulação Se ancoraram em frente a uma grande casa, que servia tanto de bar como bordel. Era o mais navio ancorado, ao seu redor havia apenas barcos de pescas e navios que iam e viam pela margem, trazendo alimentos de uma cidade para outra.
Dentro da casa, o barulho de música dominava o recinto. Brandom e sua tripulação estava dispersa pela casa. Jack se encontrava sentado em uma espécie de cama, rodeado por mulheres e bebidas. -Você não sabe o que está perdendo, capitão! -Gritou Jack para Brandom, que se encontrava sentado bebendo cerveja sozinho. -Nosso capitão tem medo de mulheres, homens! -A Gargalhada se desatou pelo bar/bordel.
A noite corria barulhenta e animada, quando um grupo de dez homens adentraram o bar/bordel. -Quem é o dono daquela canoa ali fora? -Gritou um homem alto e moreno, com a barba por fazer, e o cabelo emaranhado e oleoso. Vestia um sobretudo que deveria ser branco, mas pela sujeira, estava bege com algumas partes em tons escurecidos. Em sua cintura se encontrava uma espada sem bainha, atada na fivela de uma calça preta. Sua camisa era uma mistura de cores proporcionada por conta da sujeira, e sua bota era de cano longo e com seu bico de ferro parcialmente enferrujado. Os outros homens possuíam uma aparência mais simples, porém muito mais suja, e permaneciam atrás do homem.
–Um homem não gosta de que falem mal de suas coisas. Acho melhor retirar o que disse. -Brandom pulou do banco, apoiando uma mão no punhal de sua espada, com Jack e Bartolomeo atrás de si.
–Você realmente tem o sangue dele. – Disse o homem, sorrindo. –Gandalt o convoca em uma reunião. Vim busca-lo, senhor. – Prosseguiu, agora ajoelhado em frente a Brandom.
–Qual sua relação com Gandalt? -Questionou o homem, com um tom duvidoso em sua voz.
–Devo minha vida ao seu tio. Prometi segui-lo até o dia de minha morte. Não responderei nada mais que isso, caso tenha dúvidas, tire-a com seu tio, em Traatos,
–Acha que o seguirei só por que você sabe que Gandalt é meu tio? Você não é o único que sabe sobre minha família. –Respondeu Brandom, com um tom ameaçador em sua voz.
–Bem que ele me preveniu que você é teimoso. –Disse o homem, enquanto se colocava em pé novamente. –Aliás, meu nome é Dalton, prazer. –O homem se aproximou de Brandom, lentamente. Se colocou ao lado de Brandom, e sussurrou: Até que o sol nasça no oeste, e morra no Leste, eu o defenderei, o protegerei, e você me protegerá.
–Você tem minha lealdade, e eu tenho a sua. Agora, mais que nunca, somos uma família. –Concluiu Brandom, enquanto gaguejava, espantado. –Você conhece... O juramento.
Dalton, se virou, andando em direção a saída. –Agora vamos. Temos um longo caminho até Traatos.
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