As crônicas de Nojiko e Capiroto
2 Capítulo 2: Assim no céu como na Terra
Notas iniciais
Estavam os três juntos novamente. Havia muitas pessoas naquele local e parecia ser um salão completamente vazio.
– Estamos mortos? – perguntou Nojiko, se levantando ainda tonta.
– Parece que a sua ideia de “fazer a maior maldade” não deu certo, não é querida?
– O QUÊ? Como você se atreve a falar assim comigo seu resto de aborto, eu vou te matar!
– Mas nós já estamos mortos Nojiko. – acrescentou Heitor.
Nesse momento uma luz enorme tomou conta do local e apareceu um rapaz muito magro e todo vestido de preto. Seu cabelo era metade azul e a outra metade era preta.
– SEJAM BEM VINDAS A SOCIEDADE DO SUBMUNDO, NOVAS ALMAS!
– Mas que porra é essa?!
– Eu sou o mundialmente conhecido Charlie Charlie. Vou contar um pouco pra vocês sobre como funcionam as coisas após a morte. Bom,…
– Vai contar é o caralho! Como eu faço pra sair dessa porra?
– Parece que temos uma alma nova e rebelde aqui, né? – o rapaz deu um grande sorriso. Em um tempo de uma piscada de olhos ele estava ao lado de Nojiko.
O corpo dela começou a congelar e somente os olhos ficaram livres do congelamento.
– Muito bem, alguém mais quer fazer comentários? Não? Então prosseguindo: o submundo é o lugar para onde todos vão após a morte. Os que estão com uma marca azul nas mãos vão para a Sociedade dos Demônios e os que estão com uma marca amarela vão para a Sociedade Celestial.
Todos começaram a conferir as mãos, uns rindo e outros se lamentando. Eles então começaram a ser teleportados, inclusive Heitor. Nojiko estava livre do congelamento e viu a marca azul em sua mão, como já era esperado. Ela foi em direção a Charlie, mas foi interrompida por Natasha.
– Por que minha mão tem uma marca cinza? – perguntou Natasha.
– Porque você não será teleportada. Seu corpo está suspenso entre a vida e a morte, e você ficará aqui nesse local, que é conhecido como “o limbo”. Ficará presa pela eternidade.
– Não posso ficar aqui para sempre!
– A única maneira de sair daqui seria se a pessoa que te matou salvasse sua vida no mundo real e você tem um tempo limitado para isso. É raro ver pessoas que ficam presas aqui.
– Nojiko sua putinha de quinta! Graças a você eu não vou para o céu! — Antes que Nojiko pudesse responder ela foi teleportada e se viu dentro da Sociedade dos Demônios. Mas o inferno não era nada daquilo que havia imaginado…
ENQUANTO ISSO NA TERRA
O massacre da Taverna havia se tornado caso midiático e ocupava todos os jornais e noticiários do país. Isso porque 28 pessoas haviam morrido, 5 escaparam com vida e 1 estava em coma. A que estava em coma era Nojiko e ninguém imaginava que ela fosse a responsável pelo incidente, porque os outros 5 que escaparam faziam parte de uma gangue muito perigosa envolvida com o tráfico de drogas. Da gangue, um deles havia sido preso e os outros quatro escaparam do hospital e estavam foragidos. O que havia sido preso tentou botar a culpa em Nojiko pelo incidente, mas a polícia se recusava a acreditar e dizia à mídia que se tratava de uma guerra de gangues.
Não demorou muito para o “Erva verde” como era conhecido, conseguir celulares na cadeia e entrar em contato com seus amigos, e pedirem para eles darem cabo da vida de Nojiko, que estava no hospital em coma. Ele pensava que Nojiko havia sido mandada para mata-los por uma gangue inimiga.
Os quatro pretendiam se vingar de Nojiko pelo que havia feito e depois libertar Erva Verde da cadeia. July estava triste por ter que ficar longe do seu namorado, mas enquanto ele estava preso ela estava ficando com Everest, conhecido por todos por ser um malandro de primeira. Everest teve um namoro antigo com Verona, mas ela se fazia de difícil desde que ele botou chifre nela com uma boneca inflável. O último deles, conhecido como Grampeador, era mais calado e reservado e sempre respondia as perguntas com “deixa pra lá”.
VOLTANDO A SOCIEDADE DOS DEMÔNIOS
Os dias e depois os meses foram passando e Nojiko percebeu que o inferno era uma espécie de cidade onde sempre era noite e ele era governado por um conselho de três pessoas que decidiam as tarefas diárias das almas. Ela fora escolhida para ser empregada doméstica de Lúcifer, o chefe supremo dos demônios. Havia sido escolhida pelo próprio. Luz (apelido do demônio) tinha aparência humana, era loiro, musculoso e vestia sempre branco, seus olhos eram azuis escuros. Nojiko se sentia atraída por ele e tentava agradá-lo em tudo. Ele percebia os interesses dela e às vezes a correspondia.
Não demorou muito para que eles começassem a viver uma paixão intensa. Mas o amor deles era proibido, isso porque de acordo com as leis do local o chefe dos demônios não podia ter esposa, caso contrário ele perderia o cargo para sempre.
Os dois trocaram muitas promessas de amor e Nojiko se lamentou por não poder matá-lo. Ela ficava imaginando como seria divertido comer a carne de Luz. Ás vezes refletia que mesmo no inferno, ela nunca imaginou que estaria tão feliz e que seria amante do diabo depois de morta.
Um dia, depois de terem transado por várias horas de modo violento, ela sentiu que Lúcifer estava estranho. Ele a deixou e foi até o seu quarto. Nojiko nunca tinha entrado no quarto dele desde quando havia chegado lá e então se sentiu curiosa sobre o que haveria lá. Ela o seguiu e depois que ele entrou ficou observando por entre a porta. Viu um grande espelho e nele estava refletida a imagem de Natasha, presa no limbo. Ela não pode conter o susto.
– Eu sei que você está aí Nojiko. Vim aqui de propósito porque sabia que você viria.
– Porque você está observando ela?
– Porque ela vai ser minha!
– Como é que é? Mas eu achei que…
– É isso mesmo. Eu sou o rei dos demônios e não faço nada sem um porquê. Eu seduzi você de propósito, porque sei que só você pode trazer Natasha para viver no inferno comigo, já que ela está presa no limbo por sua causa.
– COMO VOCÊ PÔDE ME ENGANAR! Pois fique sabendo que nunca vou ajudar essa vagabunda!
– Cuidado com o que você fala Nojiko.
– Você não pode fazer nada contra mim porque eu estou morta! Seu desgraçado! ENTÃO toda aquela história de “amor” e “eu e você” era mentira? Então porque você…
– Eu tenho uma proposta para te fazer cara Nojiko. Eu sei que você morreu com um forte desejo de vingança contra um certo alguém. Posso te trazer de volta à vida e te dar poderes para garantir que você se vingue do homem que te traiu e te deixou morrer envenenada. Em troca, você salva a vida da Natasha e… assim ela será minha! E então, o que me diz?
– Eu aceito sua proposta – ela respondeu sem titubear — mas a Natasha terá que disputar seu amor comigo.
– Muito bem kkkk. Ótimo! – ele tirou um pequeno vidro do casaco – tome essa poção e repita a última coisa que disse em vida, e então você ressuscitará.
– Mas já faz tanto tempo que eu estou aqui! Meu corpo deve ter apodrecido.
– Minha inocente amada… 666 anos dentro da sociedade dos demônios equivalem a quase um minuto de tempo na Terra. Você só precisa dizer as palavras e partir.
– A última coisa que eu disse em vida foi o nome do traidor – ela segurou a poção e bebeu sem hesitar.
– Até breve minha amada Nojiko. Vejo-te logo quando puder.
– Karma… TRAIDOR MALDITO! — ela disse, antes de ser teleportada de volta à vida.
TO BE CONTINUED
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