As crônicas de Arien
2 O chamado
Notas iniciais
Halior estava sem dizeres, seu coração quase saltava de seu corpo. As desculpas que vinham em mente não seriam boas o suficiente para convencer Legolas. Até que sua mente lhe deu a resposta:
–Bem, só estava verificando alguns produtos a mando do senhor meu rei.
–Verificando? Mas você não...
– Mas o que ocorre aqui?- Pergunta o rei interrompendo-os.
–Senhor meu pai, este elfo servente estava a acessar suas riquezas e disse-me que o senhor permitiu, mas desde quando elas ficam naquele lugar? Também leva comida para lá, por quê?- Interrogou inquieto.
–Uma... Parte delas ficam ali. Escute Legolas, sei o que estou fazendo. E sim, eu lhe permiti. -Thranduil encarou o empregado- Não subestime minhas ordens. Agora vá, faça o que tem a fazer.
O príncipe assentiu encarando Halior que sentia seu corpo tremer. Legolas foi para a floresta com os elfos da guarda. Thranduil ficou preocupado com a atitude do filho tendo de aumentar as responsabilidades do empregado:
–Halior, cuide dessa chave com sua vida. Se Legolas vier a entrar naquele corredor... -O rei estava inquieto, andando de um canto a outro- Ele não deve saber sobre ela Halior, não deve! Esconda essa chave! E tenha mais cautela quando for levar a comida, vá pelos fundos.
Sem questionar o elfo concordou. ''Sei que Legolas não vai desistir de ficar atrás de meus passos’’.
A manhã despertava límpida e o príncipe estava na floresta junto de outros elfos da guarda, gostava de caminhar por aquelas áreas; uma floresta que já fora em outros tempos, bela. As árvores eram densas e escuras, o solo, coberto de folhas e lama. Ali era a morada dos inimigos. Elfos cuidavam da região e por vezes encontravam ''visitantes’’ que se perdiam da trilha e eram enfeitiçados pelos poderes da floresta. Legolas poderia ser um alto elfo, contudo gostava de ficar com os que eram responsáveis pela segurança do reino. Era ágil e feroz com seu arco, tinha de ser, pois ali haviam temidas criaturas. Enquanto pulava entre as árvores atrás de seu amigo, lhe dizia:
–Ainda vou saber o que se esconde atrás daquelas portas- Pulou em um galho mais abaixo.
–As portas negras? Bem meu senhor, há anos os elfos querem saber o que existe lá – pulou em um galho ao lado de Legolas e lá ficaram olhando a floresta.
–Halior disse-me que eram riquezas e produtos de comércio e quando o interroguei a respeito, meu rei interrompeu.
–Mas as riquezas ficam no cofre, não? Os produtos ficam na sala acima das águas, eu mesmo fui lá ontem- disse o guarda.
–Por isso repreendi, tem algo de estranho e percebo isso há tempos. Por que aquele empregado é o único que pode adentrar lá? Sou o príncipe e isso não posso saber?!- Fechou seus punhos em volta do arco que segurava — Essas criaturas estão vindo sem pausa, o que está acontecendo?- Preocupou-se.
O guarda focava sua visão ao longo da mata, as criaturas haviam sido mortas.
–Temos que recrutar mais elfos; os ataques estão cada vez mais constantes — o elfo escutou algo se mexer além das árvores, um barulho diferente das outras criaturas que já matavam há alguns anos, era agudo e rouco. — Meu senhor, ouviste isso?
Os elfos entreolharam-se. Não eram as criaturas com quem estavam acostumados.
''Você precisa ir minha querida, já está na hora de partir, corra! Não... Não!'' Gritos ecoavam por sua mente. Existia uma moça em um jardim esplendido, a natureza nunca fora tão bela, e a moça quase tão bela quanto o jardim, tinha olhos claros e uma intensa semelhança com Arien. Pode ver essa imagem por apenas alguns segundos, um homem a puxou a moça, ele estava esvaindo em lágrimas. Era alto, tinha cabelos claros que estendiam até os ombros. A moça e seu companheiro se abraçaram, estavam tristes, Arien pode ver isso em sua aura. Após acordar, o sonho ficou em mente, vagando e vagando sem parar. Perturbou-se. ''Eu preciso sair daqui. Preciso! Por favor... Desculpe-me senhor pai. ’’
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