As aventuras dos Martson's
12 Unidos por uma carta
Notas iniciais
– BIEEEAAAR – rugiu Aestas de cima da arvore
Os goblins já haviam ido embora, eu ainda não podia acreditar que tinha sido tão idiota. Peguei minha espada do chão e guardei na bainha, aos poucos os elfos desceram até o chão onde eu estava, com exceção de Alex que desceu montado em Aestas. Todos me olhavam com olhar de espanto, e eu sorria como um idiota.
– menino mais doido — disse um dos elfos
– Kelvis que doideira – falou Alex
– só tem vocês aqui? – perguntei
– como assim? – perguntou outro elfo de volta
– só 7 elfos para defender uma cidade?
– esperamos nossos reforços – disse Cofuzos
–BIEEAR – rugiu Aestas impaciente
– Kelvis – chamou Alex – temos que ir
Quando olhei para ele eu entendi, por alguma razão Alex estava com o guia no bolso do casaco, eu podia ver, agora vejo o risco que corremos se Avarat tivesse visto...
– Altamir – chamei – você vem com a gente
Ele hesitou um pouco mas por fim falou:
–eu tenho que proteger o meu povo
– eu entendo – respondi
E logo depois montei em Aestas, fiz um sinal com a mão para os elfos e alguns deles riram, eu finalmente estava sendo conhecido pelas criaturas, elas estavam me respeitando inclusive Avarat, esse era só mais um motivo para eu continuar de onde José Laranjeira parou.
Aestas levantou vôo e em questão de segundos deixávamos a arvore e os elfos para trás, ele subiu na altura das nuvens e planou lentamente em segurança para casa. Alex gostava realmente do grifo, ele alisava suas penas à medida que ele voava e até falava coisas bonitas no ouvido do bicho como “quem é o grifo mais bonito do mundo e vai salvar minha vida mais vezes? sim é você “ . daquela altura eu podia ver a estrada, e a mini-cidade de salgado ao longe, eu sabia que em algum lugar ali mamãe estava, Aestas virou e voou um pouco mais baixo, agora eu podia ver as 10 casas ( incluindo a nossa )
– Kelvis – chamou Alex
–oi?
– sabe quando estávamos no lugar das ninfas – disse Alex – você encontrou José
– sim – falei
– hoje mais cedo, quando chegamos, umas fadas me entregaram isso- disse ele me mostrando um papel, algo parecido com uma carta – elas disseram que era para o rapaz do livro
– é de quem? – perguntei como louco – quem enviou?
– aqui tem “de: José. Para: o jovem que leu o livro”
Não pode conter o grito de alegria, caraça José ainda está vivo, vivíssimo, vivinho da silva, e mandou uma carta, que emoção.
Aestas desceu mais e finalmente pousou na varanda de casa. Alex me entregou o papel, sim era uma carta, e sim era de José, e sim era para mim. Eu mau via a hora de ler. Os goblins se agitaram fora da barreira.
Entrei dentro de casa e deixei Alex junto com Aestas na varanda, eu só queria ler a carta de José. Sinceramente eu queria que Kimberlyn não tivesse nota que sai, mas isso é quase impossível. Corri para a cozinha e Kimberlyn estava la falando com alguém ao telefone, ao me ver ela disfarçou e fingiu estar falando com mamãe. Sinceramente eu não estou nem ai pra Kimberlyn e seus namorados, fui para o elevadorzinho e subi o mais rápido que pude, amarrei as cordas e entrei no quarto secreto. O quarto secreto é sempre o mesmo, tem suas bugigangas esquisitas, seres mágicos em conserva em fim um quarto normal. Me sentei na escrivaninha e pus o carta sobre ela, olhei para o retrato de José acima de mim.
– eu vou continuar de onde você parou – falei para José... o retrato não me respondeu
Rasguei o envelope da carta e retirei a parte escrita, as páginas estavam amareladas, e com cheiro de velho, não sei se é por que o cara tem 126 anos, mas tudo dele cheira a velho. Enfim a carta tinha um endereço anotado num papel separado, deixei-o de lado e fui finalmente ler oque havia escrito.
Carta de José
Caro leitor, fui muito tolo em achar que poderia descobrir segredos da existência dos seres fantásticos e escapar impune disso, felizmente as ninfas me encontraram primeiro que Avarat, mas certos rumores aterrorizam as fadas em questão. Elas temem que Avarat tenha o livro, eu confio plenamente em ti meu jovem leitor, mas as fadas não.
Dizem rumores que Avarat trama algo grande, algo que talvez nem mesmo as barreiras possam segurar algo inumano que nunca pisou o solo dos homens. E seu dever é proteger o livro meu leitor, e quanto a destruir-lo estou pensando em tal hipótese.
O tempo engana aqueles que pensam que sabem de mais e agem de menos, mas não enganam aqueles que não pensam, em todo respeito como você. Como eu disse Avarat quer o poder que o conhecimento absoluto trás, ele não pode ter esse poder, caro leitor eu suponho que deva criar junto com teus irmãos um refugio na chácara 3, se é que ela não foi povoada. Abrigue la todos os elfos, fadas, serenas, gnomos e dentre varias outras criaturas que estarão com você nessa luta, não digo para criar um exercito, mas você vai precisar de um.
Eu não posso ajudar muito, mas enviarei estas cartas sempre para te auxiliar em sua jornada, as fadas me manterão alerta de todos os seus atos e decisões. Nesse papel separado está um endereço de um velho amigo meu, que poderá e vai te ajudar na criação do refugio para criaturas, ele também disponibilizara treino com espada e dentre outros utensílios que o ajudarão a se manter vivo.
E por favor, caro leitor tenha cuidado e não deixe o livro cair em mãos erradas, eu lhe imploro tenha cuidado.
Endereço: município de salgado, avenida Josias de carvalho, numero:428, tratar com: Grandhir
Tenho fé em você caro leitor.
Fim da carta.
Okey, só um minutinho pra eu raciocinar tudo aqui. Eu me surpreendo mais a cada segundo que passa, olha antes eu não queria vir morar nessa casa velha com o ex dono maluco, mas sinceramente é melhor que qualquer apartamento em São Paulo, fora que o dono maluco é um gênio. Bem eu n sei oque dizer ou oque pensar, José precisa da minha ajuda, o bosque precisa da minha ajuda, afinal eu sou o livro.
guardei a carta no meu bolso da calça incluindo o endereço. Sai do quarto secreto e desci para a cozinha, Kimberlyn não estava mas la. Alex e Albertos produziam bombas de extrato de tomate, e Alicia assistia TV.
– Albertos — chamei
Ele se virou para mim com uma expressão de tédio no rosto.
– onde está o livro? – perguntei
– de onde jamais devia ter saído – respondeu ele e continuou enchendo uma bolsinha com extrato de tomate
–eu preciso saber – falei
– para nossa segurança é melhor que você não saiba – respondeu ele sem nem tirar os olhos do extrato
– Alex onde está Kimberlyn? – perguntei a ele
– no quarto dela acho – respondeu ele
Subi as escadas rapidamente, cheguei no quarto de Kimberlyn, e ela olhava pela janela. Eu não sei por onde começar, eu começo falando da carta ou do plano de José, ou dos elfos, sinceramente eu não sei.
– leia – falei
Ela se virou para mim e seu rosto tinha uma seria expressão de tristeza, junto com lagrimas que saiam de seus olhos e nariz, eu tinha pena dela mesmo sem saber o motivo, Kimberlyn estava mau. Eu estendi a mão e lhe entreguei a carta, ela viu o remetente e não questionou nada dessa vez, apenas leu.
Ela terminou de ler e olhou para mim, por um instante achei que ela ia rasgar a carta e dizer que era loucura, mas ela apenas abriu os braços como se quisesse um abraço, e era exatamente isso que ela queria: um abraço. Dei dois largos passos até ela e Kimberlyn me abraçou, mas não foi um abraço comum, eu sentia a carência nela, a julgar por tudo eu acho que ela havia acabado de terminar do namorado, péssimo para ela.
–vamos fazer oque José diz – falou ela para mim com um leve sorriso no rosto
Eu não pode deixar de sorrir com uma imensa alegria, finalmente ela me apoiava.
Expliquei meu simples plano para ela que ouviu atentamente sem se opor a nada. Ah e meu plano consistia em pegar um ônibus e ir até a cidade de salgado que era bem próxima daqui, e depois ir ao endereço marcado, falar com o tal Grandhir e depois sei la.
Kimberlyn olhou para mim, dessa vez ela ia hesitar em algo eu tinha certeza, mas ela apenas assentiu e disse:
– então vamos logo
Certo agora finalmente veio o problema, se íamos eu, Kimberlyn e Alex quem cuidaria de Alicia? Albertos? Não é muito confiável deixar uma criança com um gnomo que ela pode esmagar se ficar com raiva, mas sinceramente eu não acho que Alicia faria isso. Estávamos agora na sala e discutíamos isso.
– então Alicia vai com a gente – falei
–não – disseram Alex e Kimberlyn em uníssono
– é muito perigoso para ela – disse Kimberlyn
– e para nós também – observou Alex
– certo – falei então ela fica
– sozinha? – perguntou Kimberlyn – também não é boa idéia
– Alex fica e cuida de Alicia – falei
– ótima idéia – disse Alex
– e vamos só eu e você Kelvis? – perguntou Kimberlyn
Bem era um problema realmente sem solução, pensem comigo: se levarmos Alicia colocamos ela em perigo, se deixamos-a com Albertos é mais perigoso ainda, agora com Alex ficamos significa que só eu e Kimberlyn vamos, ou seja, estamos em um numero muito pequeno. Poxa a vida dessa vez ta difícil.
– sim – falei – mesmo em pequeno numero é o único jeito
– eu posso ir com vocês? – disse uma voz vinda da varanda
Todos nós nos viramos e um elfo de cabelos pretos e olhos castanhos meio claros, era...
– Altamir – disse Alex com alegria
O elfo sorriu e entrou na sala, tinha um mini machado preso a cintura, e o seu machucado na perna já estava bem melhor, ele não usava mais nem ataduras e estava quase cicatrizado, devia ser reação da comida dos elfos e seus poderes curativos, bem... olhei para meu ombro e também estava quase cicatrizado.
– gostaria de saber se vocês me perdoam? – perguntou Altamir
– te perdoar por tentar ajudar seu povo? – falei – é claro que perdoamos
Ele sorriu e fez um high-five (toca aqui) comigo.
–então fechou – falei – eu, Kimberlyn e Altamir vamos, e Alex junto com Albertos fica e cuida de Alicia.
Todos olharam para mim, e eu sorri, Altamir sorriu de volta seguido por Alex e logo depois Kimberlyn, pela primeira vez estávamos todos concordando com algo.
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